{"id":261150,"date":"2021-03-23T11:13:25","date_gmt":"2021-03-23T14:13:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=261150"},"modified":"2021-03-23T11:13:54","modified_gmt":"2021-03-23T14:13:54","slug":"o-ciclo-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-ciclo-pascal\/","title":{"rendered":"O ciclo pascal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Alo\u00edsio A. Dilli <\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caros diocesanos. Estamos chegando ao final do tempo da quaresma e vamos celebrar novamente a Semana Santa, com seu Tr\u00edduo sagrado, tendo como auge a Vig\u00edlia pascal que, segundo S. Agostinho, \u00e9 a vig\u00edlia-m\u00e3e de todas as vig\u00edlias. Depois seguem os 50 dias de P\u00e1scoa, como se fosse um s\u00f3 dia (cf. S\u00e3o Bas\u00edlio), e celebramos a Ascens\u00e3o do Senhor aos c\u00e9us e a vinda do Esp\u00edrito Santo, em Pentecostes. Este longo tempo lit\u00fargico, que inicia com a quaresma, tem seu centro na P\u00e1scoa e se conclui em Pentecostes, \u00e9 chamado <em>Ciclo Pascal<\/em>. Esta estrutura lit\u00fargica j\u00e1 \u00e9 conhecida no IV s\u00e9culo da era crist\u00e3. Vejamos como ela se formou, a fim de entend\u00ea-la melhor e, sobretudo, celebr\u00e1-la com mais proveito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Historicamente, o Ano Lit\u00fargico originou-se com a celebra\u00e7\u00e3o do Domingo, como <em>Dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor<\/em> ou <em>Dia do Senhor<\/em>. Era como a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa semanal. A Eucaristia tornava presente o Senhor ressuscitado, em meio \u00e0 comunidade reunida. A celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa anual somente aconteceu no s\u00e9culo II, em Jerusal\u00e9m, e permaneceu a \u00fanica celebra\u00e7\u00e3o anual at\u00e9 o final do s\u00e9culo seguinte. O centro celebrativo acontecia ent\u00e3o na <em>Vig\u00edlia pascal<\/em>, quando eram batizados os novos membros da comunidade. No IV s\u00e9culo \u00e9 introduzida a quaresma, como tempo de prepara\u00e7\u00e3o espiritual dos fi\u00e9is para a P\u00e1scoa, especialmente dos <em>catec\u00famenos<\/em>, que seriam batizados na Vig\u00edlia Pascal. Contudo, neste mesmo s\u00e9culo, a P\u00e1scoa deixou de ser celebra\u00e7\u00e3o \u00fanica na vig\u00edlia, mas fragmenta-se em v\u00e1rias, seguindo os \u00faltimos passos de Jesus: entrada em Jerusal\u00e9m; \u00faltima ceia; paix\u00e3o\/morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Roma imita a Igreja de Jerusal\u00e9m e introduz o Tr\u00edduo do Senhor morto (sexta-feira), sepultado (s\u00e1bado) e ressuscitado (domingo), inicialmente unido, mas aos poucos tamb\u00e9m vai se esfacelando. No s\u00e9culo VII \u00e9 introduzida no Tr\u00edduo a quinta-feira santa, com celebra\u00e7\u00e3o e posterior adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, tirando o centro eucar\u00edstico da Vig\u00edlia pascal. E assim, aos poucos, aspectos secund\u00e1rios de car\u00e1ter pr\u00e1tico acabaram centralizando a aten\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, como: a b\u00ean\u00e7\u00e3o dos ramos, o rito da translada\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo, o despojamento do altar, a adora\u00e7\u00e3o, a solene entrada da cruz velada e prociss\u00f5es, na sexta-feira santa, a b\u00ean\u00e7\u00e3o do fogo, etc.. A quaresma tamb\u00e9m vai ganhando sempre mais um car\u00e1ter penitencial, em preju\u00edzo da \u00edndole batismal e pascal. Ascens\u00e3o e Pentecostes, igualmente, passam a ser celebradas como festas distintas da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de algumas reformas empreendidas por Pio XII, j\u00e1 em 1955, o Conc\u00edlio Vaticano II, inspirando-se nos primeiros s\u00e9culos do cristianismo, recolocou o Mist\u00e9rio Pascal no centro da vida crist\u00e3, definindo a liturgia como memorial da P\u00e1scoa de Cristo e restituiu, assim, a centralidade do Ano Lit\u00fargico \u00e0 Vig\u00edlia pascal: m\u00e3e de todas as vig\u00edlias. A reforma lit\u00fargica devolveu tamb\u00e9m a unidade ao tempo pascal: 50 dias de P\u00e1scoa, como um s\u00f3 e grande domingo. A quaresma igualmente voltou a ser tempo de prepara\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa, com car\u00e1ter penitencial e batismal, seja para os fi\u00e9is que buscam convers\u00e3o como para os catec\u00famenos que ingressam na \u00faltima etapa da Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3. Para estes \u00faltimos, a quaresma \u00e9 tempo de <em>purifica\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>ilumina\u00e7\u00e3o<\/em> que antecede a recep\u00e7\u00e3o dos sacramentos pascais. A quaresma \u00e9 tempo de solidariedade, que se manifesta por campanhas e coletas, como a Campanha da Fraternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que a proximidade da P\u00e1scoa nos incentive a buscar o essencial deste tempo: participar dos mist\u00e9rios que envolvem a paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, centro da vida lit\u00fargica da Igreja. Aben\u00e7oada Semana Santa e Feliz P\u00e1scoa!<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio A. Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul (RS) &nbsp; Caros diocesanos. Estamos chegando ao final do tempo da quaresma e vamos celebrar novamente a Semana Santa, com seu Tr\u00edduo sagrado, tendo como auge a Vig\u00edlia pascal que, segundo S. 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