{"id":261711,"date":"2021-04-05T10:30:48","date_gmt":"2021-04-05T13:30:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=261711"},"modified":"2021-04-05T10:31:13","modified_gmt":"2021-04-05T13:31:13","slug":"o-silencio-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-silencio-de-deus\/","title":{"rendered":"O sil\u00eancio de Deus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Cardeal Sergio da Rocha <\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Salvador (BA)<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pandemia, a experi\u00eancia da fragilidade humana, da dor e da morte, tem sido intensa, levando-nos a pensar sobre o sentido da vida e da morte, sobre o viver e o morrer. A pandemia faz refletir sobre o caminho que temos percorrido e os passos a serem dados. Muitos levantam quest\u00f5es acerca da presen\u00e7a de Deus neste contexto de sofrimento. O \u201csil\u00eancio de Deus\u201d \u00e9 um tema teol\u00f3gico crucial e uma experi\u00eancia espiritual, que t\u00eam recebido especial aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O grito de Jesus na cruz \u201cmeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u201d (Mc 15,34) continua a expressar o clamor de tantos que se sentem abandonados, n\u00e3o por Deus, mas pelo homem; de tantos que n\u00e3o s\u00e3o amados, n\u00e3o por Deus, mas por n\u00f3s. Esta P\u00e1scoa, celebrada numa fase de agravamento da pandemia, \u00e9 uma ocasi\u00e3o especial para o sil\u00eancio e a escuta. \u00c9 preciso silenciar para escutar. A pandemia obrigou a parar o ritmo agitado de vida e a busca insaci\u00e1vel de consumir; a recolher-se, apesar das resist\u00eancias ao distanciamento social. A pretens\u00e3o de onipot\u00eancia tem sido golpeada abalando as torres de Babel. Os muros t\u00eam sido abatidos pelo v\u00edrus que n\u00e3o conhece fronteiras, obrigando a sentir-se habitante de uma mesma casa e participante de uma mesma fam\u00edlia, embora os mais pobres e vulner\u00e1veis sejam os mais atingidos. A experi\u00eancia da fragilidade e da finitude tem sido compartilhada at\u00e9 por quem n\u00e3o costuma admitir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 Deus quem deixou de falar; foi o homem que se tornou incapaz de escutar. N\u00e3o \u00e9 Deus quem deixou de amar e de ensinar a amar. \u00c9 o homem que deixou de amar e de aprender a amar. Para desvendar o sil\u00eancio de Deus \u00e9 preciso fazer sil\u00eancio e mergulhar no mist\u00e9rio do amor divino. \u201cMist\u00e9rio\u201d n\u00e3o por ser complicado ou inacess\u00edvel. Na vis\u00e3o b\u00edblica e na experi\u00eancia de quem cr\u00ea, o \u201cmist\u00e9rio\u201d compreende a grandeza do amor de Deus que se revela e se oculta, porque n\u00e3o pode ser encerrado nos limites estreitos de nosso pensar e de nosso sentir. \u00c9 preciso fazer sil\u00eancio para contemplar, para discernir os sinais de Deus, para escutar o que ele est\u00e1 querendo nos dizer. Diante do mist\u00e9rio, por mais explica\u00e7\u00f5es que se queira dar, a atitude de f\u00e9 e o sil\u00eancio s\u00e3o indispens\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio, ao mesmo tempo, fazer sil\u00eancio para escutar o clamor de quem sofre, \u00e0 espera de aten\u00e7\u00e3o e de solidariedade. Este tempo doloroso da pandemia tem sido uma oportunidade para contemplar o rosto de Cristo sofredor nos rostos de tantas pessoas que sofrem. O sil\u00eancio, enquanto atitude espiritual, n\u00e3o implica em acomoda\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, assim como o aparente \u201csil\u00eancio\u201d de Deus n\u00e3o significa que ele deixou de amar. No calv\u00e1rio tem muita gente disposta a descer o monte para abra\u00e7ar, consolar e cuidar, para assumir o papel de Ver\u00f4nica que enxuga as l\u00e1grimas e de Cirineu que ajuda a carregar a cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No alto do calv\u00e1rio tem muita gente unida a Jesus sofredor \u00e0 espera da vit\u00f3ria pascal, tem muita gente que vive da esperan\u00e7a ancorada na f\u00e9, trazendo no cora\u00e7\u00e3o a certeza de que a noite longa da dor e da prova\u00e7\u00e3o ceder\u00e1 lugar \u00e0 manh\u00e3 da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A supera\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio doloroso que vivemos pressup\u00f5e a esperan\u00e7a, pois somente quem conserva a esperan\u00e7a pode pensar o amanh\u00e3. Somos chamados a sermos portadores da esperan\u00e7a neste tempo t\u00e3o dif\u00edcil. A f\u00e9, que se expressa pelo amor ao pr\u00f3ximo, fundamenta e alimenta a nossa esperan\u00e7a e nos impulsiona a caminhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na P\u00e1scoa, a vida venceu a morte, o amor triunfou sobre a viol\u00eancia. Jesus ressuscitou! Por isso, ela nos traz a esperan\u00e7a de vida nova e de supera\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es de morte. Na p\u00e1scoa do \u00eaxodo, Deus ouviu o clamor do seu povo sofredor libertando-o da opress\u00e3o. Na nova e definitiva p\u00e1scoa, ele respondeu ao clamor de Jesus, o justo que sofre e doa sua vida. Na p\u00e1scoa de Jesus que acontece, hoje, ele continua a escutar o nosso clamor e a nos ensinar a ouvir o clamor de quem sofre. Diante dos desafios, renovamos a certeza na vit\u00f3ria da vida, do amor e da luz, alcan\u00e7ada por Cristo, de modo a transformar a vida cotidiana numa P\u00e1scoa permanente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Sergio da Rocha Arcebispo de Salvador (BA) \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na pandemia, a experi\u00eancia da fragilidade humana, da dor e da morte, tem sido intensa, levando-nos a pensar sobre o sentido da vida e da morte, sobre o viver e o morrer. 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