{"id":261766,"date":"2021-04-06T10:48:12","date_gmt":"2021-04-06T13:48:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=261766"},"modified":"2021-04-06T10:48:39","modified_gmt":"2021-04-06T13:48:39","slug":"pascoa-tempo-de-renovar-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pascoa-tempo-de-renovar-a-esperanca\/","title":{"rendered":"P\u00e1scoa &#8211; tempo de renovar a esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli<br \/>\n<\/strong><strong>Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caros diocesanos. Vivemos o Tempo Pascal por 50 dias na liturgia da Igreja. \u00c9 um tempo prop\u00edcio para refletir sobre a dimens\u00e3o da esperan\u00e7a de vida nova que emerge da celebra\u00e7\u00e3o do Mist\u00e9rio pascal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo antropol\u00f3gico revela que o dinamismo da esperan\u00e7a est\u00e1 presente no mais profundo do ser humano. Sua pr\u00f3pria identidade se move dentro de um constante vir-a-ser, projetando-se para o futuro, pois ele nunca se sente pronto, com realiza\u00e7\u00e3o plena e definitiva. Vive, portanto, um certo estado de insaciabilidade. Mesmo que busque constantemente novidades, muitas vezes se frustra, pois nada parece conduzir ao eterno, ao saci\u00e1vel, uma vez que a fragilidade humana indica para o limite, para o fim, e at\u00e9 para a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 momentos da vida em que esse dinamismo da esperan\u00e7a aflora com maior evid\u00eancia, sobretudo em situa\u00e7\u00f5es de crise, quando se deseja que um futuro melhor se descortine, como no caso das pandemias e outras cat\u00e1strofes que, de tempos em tempos, assolam a humanidade. O tema da esperan\u00e7a \u00e9 muito atual em nossos dias: \u201c<em>Esperamos que tudo passe o mais r\u00e1pido poss\u00edvel<\/em>\u201d. Onde encontrar sentido para tantas mortes pelo coronav\u00edrus do covid-19 ou outras formas de morte mais natural?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Atrav\u00e9s da hist\u00f3ria a pessoa humana sempre tentou dar resposta \u00e0 cruciante pergunta sobre o sentido da sua <\/strong>exist\u00eancia. E h\u00e1 uma quantidade inumer\u00e1vel de respostas. No contexto da II Guerra Mundial, o fil\u00f3sofo ateu J\u00e9an Paul Sartre afirma ser a vida um caminhar para o nada, o vazio, a morte; sendo a vida, portanto, uma \u201c<em>paix\u00e3o in\u00fatil<\/em>\u201d. Outros, como Albert Camus, apelam para o absurdo da vida. Neste contexto, o grande l\u00edder espiritual e pacifista indiano, Mahatma Ghandi, afirma: \u201c<em>Uma vida sem religi\u00e3o \u00e9 como um barco sem leme<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aqui<\/strong> sentimos necessidade de apresentar a vis\u00e3o crist\u00e3 sobre o sentido da vida, numa dimens\u00e3o de esperan\u00e7a pascal, mesmo diante da morte bi<strong>ol\u00f3gica, que gravita sobre a nossa<\/strong> exist\u00eancia. Dentro de n\u00f3s existe uma \u00e2nsia de eternidade, uma esperan\u00e7a de plenitude. Fomos criados \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do Criador (cf. Gn 1, 26-27). Existe em n\u00f3s a semente da eternidade, da imortalidade, que vem chocar-se com a situa\u00e7\u00e3o do limite humano, causado pelo pecado, trazendo consigo a morte. Era preciso, portanto, uma reden\u00e7\u00e3o para que a vida eterna fosse novamente poss\u00edvel, mesmo tendo que passar pela morte humana. Para os crist\u00e3os, esta reden\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi conquistada por Jesus Cristo e nossa ades\u00e3o a ela pelo batismo, com vida crist\u00e3 coerente: \u201c<em>Vossa vida est\u00e1 escondida com <\/em><em>Cristo em Deus<\/em>\u201d (Col 3, 3). Ali\u00e1s, sem esta profiss\u00e3o de f\u00e9 e pr\u00e1tica consequente, os enigmas da vida e da morte tornam-se mist\u00e9rios insol\u00faveis. Sem Cristo, nossa vida na terra oferece no m\u00e1ximo uma esp\u00e9cie de sucesso vazio, que passa e se esvai como areia entre os dedos. Jesus resume o sentido da vida numa \u00fanica frase: \u201c<em>Aquele que cr\u00ea no Filho tem a vida eterna<\/em><strong>\u201d (Jo 3, 36).<\/strong> O crist\u00e3o percebe que seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 inquieto at\u00e9 que descanse em Deus (<strong>cf. <\/strong>S. Agostinho), quando haver\u00e1 um novo c\u00e9u e uma nova terra e o pr\u00f3prio Deus estar\u00e1 presente (cf. Ap 21, 1, 3 e 5). N\u00f3s crist\u00e3os nos damos conta que somos seres a caminho. N\u00e3o estamos definitivamente em casa, onde nos encontramos. De certa forma, nos sentimos estranhos, neste mundo, pois nossa verdadeira p\u00e1tria \u00e9 outra. A morada permanente dever\u00e1 ser com Deus, na eternidade, se tivermos optado por Ele. Aqui \u00e9 bom lembrar Bento XVI: \u201c<em>Aquele que cr\u00ea tem futuro<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul (RS) Caros diocesanos. Vivemos o Tempo Pascal por 50 dias na liturgia da Igreja. \u00c9 um tempo prop\u00edcio para refletir sobre a dimens\u00e3o da esperan\u00e7a de vida nova que emerge da celebra\u00e7\u00e3o do Mist\u00e9rio pascal. 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