{"id":262139,"date":"2021-04-13T13:54:39","date_gmt":"2021-04-13T16:54:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=262139"},"modified":"2021-04-13T14:06:44","modified_gmt":"2021-04-13T17:06:44","slug":"262139-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/262139-2\/","title":{"rendered":"A Miseric\u00f3rdia que traz paz, perd\u00e3o e miss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Gil Ant\u00f4nio Moreira<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Juiz de Fora (MG)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebramos o Segundo Domingo da P\u00e1scoa. Antigamente era chamado <strong><em>Domingo in Albis<\/em><\/strong>, pois era o dia em que os crist\u00e3os que foram batizados na Vig\u00edlia Pascal depunham as suas vestes brancas com as quais tinham se revestido durante toda a Oitava da P\u00e1scoa. Desvestiam-se do s\u00edmbolo, mas conservavam a brancura da gra\u00e7a em seus cora\u00e7\u00f5es. Hoje o celebramos como <strong>Domingo da Miseric\u00f3rdia<\/strong>, por iniciativa de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, que desejou destacar este atributo de Deus e essa virtude crist\u00e3 para a humanidade atual t\u00e3o cheia de conflitos, inspirado na experi\u00eancia m\u00edstica de Santa Faustina, a quem canonizou em seu pontificado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas por que este Domingo \u00e9 chamado assim? Olhemos com aten\u00e7\u00e3o as leituras sagradas: o Evangelho narra o que se passou com os disc\u00edpulos de Jesus em dois momentos: a tarde do domingo da ressurrei\u00e7\u00e3o e oito dias depois. Naquele primeiro momento, vejamos que Jesus se apresenta ressuscitado aos ap\u00f3stolos, fechados no cen\u00e1culo, com medo dos judeus, e os sa\u00fada duas vezes com a express\u00e3o \u201c<em>A Paz esteja convosco<\/em>\u201d e a repetir\u00e1 uma terceira vez, no oitavo dia, quando volta a se reunir com eles para acolher o fr\u00e1gil Tom\u00e9 e reintroduzi-lo na f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta sauda\u00e7\u00e3o de Paz \u00e9 pr\u00f3pria e tradicional entre os povos orientais, como <em>Shalom<\/em> para os judeus e <em>Salaam Aleikum<\/em>, para os \u00e1rabes. At\u00e9 hoje estes povos assim se sa\u00fadam. Mas aqui, naquele momento da ressurrei\u00e7\u00e3o, a express\u00e3o teve um significado todo especial. Lembremos que os ap\u00f3stolos haviam abandonado Jesus no momento da paix\u00e3o, desde a hora em que ele foi preso no Gets\u00eamani. Diz S\u00e3o Marcos no cap\u00edtulo 14, vers\u00edculo 50: \u201c<em>ent\u00e3o, abandonando-o, todos os disc\u00edpulos fugiram<\/em>\u201d<em>. <\/em>Sabemos que apenas um deles, segundo o evangelho de Jo\u00e3o, voltou e permaneceu fiel at\u00e9 o fim. Foi o pr\u00f3prio S\u00e3o Jo\u00e3o que seguiu a fidelidade de Nossa Senhora e de algumas santas mulheres. Mas os demais n\u00e3o fizeram isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa an\u00e1lise puramente humana, o Senhor teria o direito de, ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o dar mais aten\u00e7\u00e3o aos que lhe foram infi\u00e9is. Mas, ao contr\u00e1rio, Jesus os procura, aproxima-se, compreende sua fraqueza, vai ao encontro deles e oferece-lhes n\u00e3o um castigo, mas a paz. \u00c9 um gesto de grande miseric\u00f3rdia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando diz a primeira vez \u201c<em>A Paz esteja convosco<\/em>\u201d, os disc\u00edpulos saem do estado de tristeza e medo em que estavam e \u201c<em>se alegram por verem o Senhor\u201d <\/em>(Jo 20, 20). Jesus lhes mostra as m\u00e3os e o lado, comprovando Sua ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c9 a paz do perd\u00e3o que traz alegria e revela a verdade. A miseric\u00f3rdia gera perd\u00e3o, gera alegria, gera reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda sauda\u00e7\u00e3o de Paz \u00e9 um gesto de inteira confian\u00e7a do Senhor em seus fr\u00e1geis ap\u00f3stolos, mandando-os como mission\u00e1rios para anunciar ao mundo Sua salva\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Como o Pai me enviou, tamb\u00e9m eu vos envio\u201d <\/em>(Jo 20, 21). E neste momento, Ele institui o Sacramento da Miseric\u00f3rdia, o sacramento do perd\u00e3o, que chamamos de Confiss\u00e3o Sacramental ou Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o: \u201c<em>A quem perdoardes os pecados, eles ser\u00e3o perdoados; a quem os n\u00e3o perdoardes, eles lhes ser\u00e3o retidos\u201d <\/em>(Jo 20, 22). Para fazer isso, soprou sobre eles e deu-lhes o Esp\u00edrito Santo. Jesus repete aqui o gesto criador do G\u00eanesis, quando Deus cria o homem e sopra em suas narinas o seu Esp\u00edrito vivificador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que este poder de perdoar pecados pertence a Ele mesmo, como Deus, pois s\u00f3 Deus pode perdoar as ofensas que cometemos contra Ele. Mas por um gesto de infinita miseric\u00f3rdia para conosco, Jesus quis confiar este poder aos Ap\u00f3stolos, ou seja, \u00e0 Igreja, para que o fiel e a comunidade possam ter certeza se o pecado foi ou n\u00e3o perdoado por Deus. Aos ap\u00f3stolos Jesus deixou o poder do discernimento entre os que est\u00e3o de fato arrependidos e dispostos \u00e0 sincera convers\u00e3o e aqueles que n\u00e3o est\u00e3o. S\u00f3 n\u00e3o pode receber o perd\u00e3o de Deus quem o rejeita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho diz ainda que, naquele primeiro dia, Tom\u00e9 n\u00e3o estava no cen\u00e1culo, e que quando os demais lhe anunciaram a ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor ele n\u00e3o quis acreditar. Exigiu provas. Mas, mais uma vez, usando de miseric\u00f3rdia, Jesus volta para estar especialmente com o disc\u00edpulo incr\u00e9dulo. Quando diz a Tom\u00e9 \u2018ponha tua m\u00e3o nas marcas dos pregos e no meu lado\u2019, Ele lhe estende a Sua miseric\u00f3rdia para que se cure de sua incredulidade. \u00c9 interessante notar que o texto sagrado n\u00e3o fala, em nenhum momento, em chagas, como costumamos dizer, mas em marcas dos pregos e da lan\u00e7a, pois chagas s\u00e3o feridas vivas ainda sangrantes, \u00e0s vezes purulentas. Mas aqui n\u00e3o s\u00e3o mais chagas, sen\u00e3o cicatrizes, sinais vis\u00edveis das chagas abertas dolorosamente no calv\u00e1rio, mas agora curadas pela luz da ressurrei\u00e7\u00e3o. Assim, tamb\u00e9m as chagas da incredulidade, do des\u00e2nimo, do medo de Tom\u00e9 s\u00e3o agora, misericordiosamente, curadas pelo Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante destacar que, pela primeira vez nos evangelhos, Tom\u00e9 se dirige a Cristo e o chama de Deus. Sua emocionante resposta \u201cmeu Senhor e meu Deus\u201d \u00e9 uma confiss\u00e3o clara da sua f\u00e9 na divindade de Cristo, associada \u00e0 Sua humanidade.\u00a0Jesus, docemente, recorda a Tom\u00e9 e aos demais disc\u00edpulos: \u201c<em>Acreditastes porque vistes; felizes os que creem sem terem visto\u201d <\/em>(Jo 20, 29). Este \u00e9 um elogio que diz respeito a n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos chamados a ser mission\u00e1rios da miseric\u00f3rdia, comunicadores do perd\u00e3o que Jesus derramou em abund\u00e2ncia em nosso favor. O Senhor Misericordioso verte de seu peito a \u00c1gua e Sangue, de onde nasce a Igreja cuja porta \u00e9 o Batismo e o alimento \u00e9 a Eucaristia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja tem uma voca\u00e7\u00e3o bel\u00edssima na vis\u00e3o do Pai: levar \u00e0 humanidade que o amor \u00e9 o \u00fanico elemento que nos salva e que a miseric\u00f3rdia, o perd\u00e3o e a paz s\u00e3o suas maiores express\u00f5es<em>. \u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Gil Ant\u00f4nio Moreira Arcebispo de Juiz de Fora (MG) &nbsp; Celebramos o Segundo Domingo da P\u00e1scoa. Antigamente era chamado Domingo in Albis, pois era o dia em que os crist\u00e3os que foram batizados na Vig\u00edlia Pascal depunham as suas vestes brancas com as quais tinham se revestido durante toda a Oitava da P\u00e1scoa. Desvestiam-se &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/262139-2\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">A Miseric\u00f3rdia que traz paz, perd\u00e3o e miss\u00e3o<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/262139"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=262139"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/262139\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=262139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=262139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=262139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}