{"id":262698,"date":"2021-04-22T10:55:24","date_gmt":"2021-04-22T13:55:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=262698"},"modified":"2021-04-22T10:55:50","modified_gmt":"2021-04-22T13:55:50","slug":"viver-e-trabalhar-em-condicoes-saudaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/viver-e-trabalhar-em-condicoes-saudaveis\/","title":{"rendered":"Viver e trabalhar em condi\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Reginaldo Andrietta<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Jales (SP)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A Pandemia no Brasil, al\u00e9m de causar enorme n\u00famero de mortes, tem aumentado os graves problemas relacionados ao mundo do trabalho, especialmente para a classe trabalhadora. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), no in\u00edcio de 2021, o desemprego atingiu 14,3 milh\u00f5es, os trabalhadores subocupados chegaram a 34,2 milh\u00f5es e os trabalhadores por conta pr\u00f3pria totalizaram 23,5 milh\u00f5es. Entre os 105 milh\u00f5es da Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa, 31,1 milh\u00f5es tentam sobreviver na informalidade e 9,9 milh\u00f5es de trabalhadores do setor privado, sem contar dom\u00e9sticos, est\u00e3o sem carteira assinada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somam-se a esses problemas: a disparidade de renda em desfavor da mulher trabalhadora; a discrimina\u00e7\u00e3o racial, comprovada pelos 72,9% de desocupados que se declaram pretos ou pardos; as condi\u00e7\u00f5es inseguras de trabalho geradas pela crescente terceiriza\u00e7\u00e3o, que tem causado incremento de acidentes de trabalho e aumento de doen\u00e7as profissionais; e o agravamento da inseguran\u00e7a alimentar que, em 2020 j\u00e1 atingia 117 milh\u00f5es de pessoas, com 19 milh\u00f5es delas em situa\u00e7\u00e3o de fome. Em 2021, esses n\u00fameros aumentaram. Nos \u00faltimos cinco anos, esse aumento foi de 43,7%, afetando muito, inclusive o meio rural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), o grande n\u00famero de empresas que fecharam durante a pandemia, foi compensado por muitos pequenos neg\u00f3cios que abriram, com destaque aos microempreendedores individuais (MEI). Na realidade, muitos desses neg\u00f3cios e empregos est\u00e3o submetidos \u00e0 l\u00f3gica da precariza\u00e7\u00e3o gerada pelas reformas trabalhistas, condicionando-os \u00e0 baixa renda e n\u00e3o garantia de direitos fundamentais. Essas reformas debilitaram tamb\u00e9m as organiza\u00e7\u00f5es sindicais da classe trabalhadora, tornando os problemas do mundo do trabalho mais desafiadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas e o alto investimento em tecnologia, implementados sob o argumento de moderniza\u00e7\u00e3o, prometiam crescimento econ\u00f4mico, gera\u00e7\u00e3o de empregos, melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, aumento de renda, redu\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria de trabalho, mais tempo para descanso e conviv\u00eancia social, enfim, condi\u00e7\u00f5es mais saud\u00e1veis de vida. No entanto, vemos o contr\u00e1rio. Esse tipo de moderniza\u00e7\u00e3o tem beneficiado somente os detentores do grande capital, em detrimento sobretudo dos trabalhadores, bem como micro e pequenas empresas que, segundo o SEBRAE, geram a maior parte de empregos neste pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fal\u00e1cia dessa moderniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo comprovada neste tempo de pandemia: em lugar de contrapor-se \u00e0 grave crise, est\u00e1 agravando-a, pois exclui grande parte da classe trabalhadora do pr\u00f3prio direito ao trabalho. Estaria, ent\u00e3o, o trabalho deixando de existir por estar corporificando-se em tecnologias avan\u00e7adas? Isso \u00e9 fato, associado \u00e0 sofistica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o, a exemplo do trabalho multi-terceirizado, pelo qual trabalhadores e empresas interligam servi\u00e7os presenciais e remotos, por meio de tecnologias comunicacionais avan\u00e7adas. Enfim, esse tipo de moderniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 servindo para enriquecer poucos e excluir muitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os problemas sociais, portanto, agravam-se. Como enfrent\u00e1-los lucidamente? \u201cA grande quest\u00e3o \u00e9 o trabalho\u201d, diz o Papa Francisco na Enc\u00edclica <em>Fratelli Tutti<\/em> (n\u00ba 162). Afirmando que \u201cn\u00e3o h\u00e1 pobreza pior do que aquela que priva do trabalho\u201d, o Papa diz que a vida digna adv\u00e9m do trabalho em condi\u00e7\u00f5es dignas. Sendo \u201cuma dimens\u00e3o essencial da vida social\u201d, o trabalho, mais do que \u201cganha p\u00e3o\u201d, deve ser meio para se criar rela\u00e7\u00f5es sadias, partilhar dons e servir ao bem comum. Crendo, pois, que \u201cDeus ama a justi\u00e7a e o direito\u201d (Sl 33,5), cabe-nos, sobretudo neste tempo de pandemia, lutar pelo direito de viver e trabalhar em condi\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Reginaldo Andrietta Bispo de Jales (SP) A Pandemia no Brasil, al\u00e9m de causar enorme n\u00famero de mortes, tem aumentado os graves problemas relacionados ao mundo do trabalho, especialmente para a classe trabalhadora. 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