{"id":262932,"date":"2021-04-28T11:18:35","date_gmt":"2021-04-28T14:18:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=262932"},"modified":"2021-04-28T11:18:59","modified_gmt":"2021-04-28T14:18:59","slug":"fe-e-razao-em-dialogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/fe-e-razao-em-dialogo\/","title":{"rendered":"F\u00e9 e raz\u00e3o em di\u00e1logo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Cardeal Sergio da Rocha<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Salvador (BA)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O relacionamento entre f\u00e9 e raz\u00e3o tem recebido diversas interpreta\u00e7\u00f5es e acentua\u00e7\u00f5es ao longo da hist\u00f3ria. O tema reveste-se de especial import\u00e2ncia em nosso tempo, marcado por transforma\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e profundas que atingem o nosso modo de ver o conhecimento humano e de vivenciar a experi\u00eancia religiosa. Neste tempo de pandemia, marcado por polariza\u00e7\u00f5es e radicalismos, o di\u00e1logo entre f\u00e9 e raz\u00e3o \u00e9 ainda mais necess\u00e1rio. H\u00e1 diversos equ\u00edvocos a serem superados para uma justa compreens\u00e3o da quest\u00e3o. \u00c9 preciso superar os reducionismos que tendem a absolutizar e a excluir, desconhecendo a complexidade da realidade e empobrecendo-a.\u00a0 A afirma\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o n\u00e3o deve implicar na nega\u00e7\u00e3o da f\u00e9, assim como esta, se bem entendida, n\u00e3o exclui a raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0No campo da raz\u00e3o, dentre outras, est\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e f\u00e9, com a postura cientificista de absolutiza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. Tal perspectiva tem sido questionada no pr\u00f3prio campo da epistemologia cient\u00edfica, cedendo lugar a uma concep\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica e din\u00e2mica, que destaca a provisoriedade do conhecimento, o papel do sujeito e as condi\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o do discurso cient\u00edfico. Al\u00e9m disso, ao inv\u00e9s da pretensa neutralidade \u00e9tica, cresce o reconhecimento da necessidade de limites \u00e9ticos \u00e0 pesquisa cient\u00edfica, pois nem tudo o que \u00e9 tecnicamente poss\u00edvel pode ser eticamente aceit\u00e1vel, especialmente, quando est\u00e3o em jogo a vida e os direitos fundamentais da pessoa. Uma justa valoriza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia ultrapassa a tend\u00eancia cientificista, admitindo-se a validade de outras express\u00f5es do saber, os limites do conhecimento cient\u00edfico e as implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas das pesquisas cient\u00edficas e das modernas tecnologias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No campo religioso, verifica-se a tend\u00eancia reducionista na compreens\u00e3o da f\u00e9, com a rejei\u00e7\u00e3o do saber cient\u00edfico.\u00a0 Nesta \u00f3tica, o que vale \u00e9 unicamente a f\u00e9 ou o discurso religioso. Esta tend\u00eancia, que muitos julgavam relegada ao passado, ressurge tristemente em meio a fundamentalismos religiosos, que acabam gerando fanatismo e intoler\u00e2ncia. Ao contr\u00e1rio, no campo religioso, \u00e9 preciso \u201cdar as raz\u00f5es de nossa f\u00e9\u201d (1Pd 3,15), estabelecendo um di\u00e1logo fecundo e respeitoso entre f\u00e9 e raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reducionismos desfiguram a pr\u00f3pria realidade e empobrecem o conhecimento que dela temos. Admitir, com humildade, a provisoriedade do atual est\u00e1gio de conhecimento n\u00e3o significa relativismo ou descr\u00e9dito da verdade. Ao contr\u00e1rio, permite-nos avan\u00e7ar sempre mais rumo \u00e0 sua plenitude.\u00a0 \u00c9 indispens\u00e1vel o di\u00e1logo entre f\u00e9 e raz\u00e3o, entre f\u00e9 e ci\u00eancia, cada qual com sua especificidade e autonomia, numa perspectiva de colabora\u00e7\u00e3o e complementaridade. O di\u00e1logo enriquece; uma compreens\u00e3o ensimesmada da realidade paralisa, impedindo avan\u00e7ar rumo a uma compreens\u00e3o sempre mais profunda da vida e do mundo. Tal di\u00e1logo exige a supera\u00e7\u00e3o da pol\u00eamica ofensiva, de preconceitos e fundamentalismos, sejam de cunho religioso ou cient\u00edfico. Aproximar-se primeiramente para \u201cescutar\u201d, \u201ccompreender\u201d e \u201crespeitar\u201d, numa atitude de fraterna estima, segundo a proposta de Paulo VI, na enc\u00edclica <em>Ecclesiam Suam<\/em>, enfatizada pelo Papa Francisco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Sergio da Rocha Arcebispo de Salvador (BA) O relacionamento entre f\u00e9 e raz\u00e3o tem recebido diversas interpreta\u00e7\u00f5es e acentua\u00e7\u00f5es ao longo da hist\u00f3ria. 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