{"id":263710,"date":"2021-05-14T10:52:24","date_gmt":"2021-05-14T13:52:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=263710"},"modified":"2021-05-14T10:53:09","modified_gmt":"2021-05-14T13:53:09","slug":"o-rosto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-rosto\/","title":{"rendered":"O rosto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jaime Spengler<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Porto Alegre (RS)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O momento atual favorece o ati\u00e7amento de \u00f3dios e a dissemina\u00e7\u00e3o de preconceitos e crendices. Tal situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ancorada na tend\u00eancia de setores da sociedade em negar a import\u00e2ncia do rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode, por\u00e9m esquecer que nos reconhecemos contemplando o pr\u00f3prio rosto e o rosto do outro. O rosto alheio informa sobre o rosto do outro, mas tamb\u00e9m sobre n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num tempo em que somos exortados a cobrir o rosto com uma m\u00e1scara, corre-se o risco de habituar-se a caminhar isolados uns dos outros, sem reconhecer-se na pr\u00f3pria identidade. Vale recordar que antigamente era proibido por lei cobrir o rosto em p\u00fablico; agora somos proibidos de descobri-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, somos convidados a nos colocar em movimento, a estar com as pessoas, ouvi-las, colher sugest\u00f5es que a realidade oferece para melhor reconhecer a n\u00f3s e aos demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que not\u00edcias, informa\u00e7\u00f5es e imagens podem, por infinitas motiva\u00e7\u00f5es, ser facilmente manipul\u00e1veis. N\u00e3o se trata de demonizar o instrumental usado para tanto, mas tornar presente a necessidade de resgatar o lugar da verdade e a dignidade de todos os envolvidos, pois, em jogo, est\u00e1 sempre uma identidade, um rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rosto do outro me interpela. Por isso, n\u00e3o se pode ignorar as situa\u00e7\u00f5es cotidianas envolvendo pessoas, possuidoras de uma identidade, de rosto. Ir ao encontro do outro, ver e deixar-se ver para ent\u00e3o compartilhar o encontrado e o visto, \u00e9 algo decisivo para o conv\u00edvio social sadio e harmonioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os elementos oferecidos pelo tempo presente e a inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que caracteriza a cultura ocidental, nos impulsionam a resgatar a dignidade e a nobreza do rosto humano, e sua import\u00e2ncia, por exemplo, para a comunica\u00e7\u00e3o no conv\u00edvio social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia crist\u00e3 pode ser descrita como uma hist\u00f3ria de encontros, de rostos que convergem, marcados pelo desejo de comunicar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 dois mil\u00eanios uma corrente de encontros comunica o fasc\u00ednio da aventura crist\u00e3. Comunicar esperan\u00e7a e amor nestes tempos complexos \u00e9 o desafio de todos os batizados. Amor e esperan\u00e7a tamb\u00e9m se transmite com o olhar. Se devemos neste tempo cobrir o rosto com uma m\u00e1scara, permitamos ser contagiados pelo desejo de nos olharmos nos olhos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jaime Spengler Arcebispo de Porto Alegre (RS) &nbsp; O momento atual favorece o ati\u00e7amento de \u00f3dios e a dissemina\u00e7\u00e3o de preconceitos e crendices. Tal situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ancorada na tend\u00eancia de setores da sociedade em negar a import\u00e2ncia do rosto. 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