{"id":264267,"date":"2021-05-25T12:12:17","date_gmt":"2021-05-25T15:12:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=264267"},"modified":"2021-05-25T12:12:17","modified_gmt":"2021-05-25T15:12:17","slug":"peregrina-desde-sempre-a-historia-de-missionaria-da-assessora-da-comissao-para-acao-missionaria-da-cnbb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/peregrina-desde-sempre-a-historia-de-missionaria-da-assessora-da-comissao-para-acao-missionaria-da-cnbb\/","title":{"rendered":"Peregrina desde sempre: a hist\u00f3ria de mission\u00e1ria da assessora da Comiss\u00e3o para A\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria da CNBB"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Minha experi\u00eancia peregrina come\u00e7ou desde cedo na fam\u00edlia. Sou a primeira de quatro filhos, todos nascidos num per\u00edodo de cinco anos! Vivi o peregrinar dos meus pais \u00e0 procura de vida melhor. Est\u00e1vamos em Rond\u00f4nia quando, aos 15 anos, conheci minhas irm\u00e3s Mission\u00e1rias Combonianas e me encucou aquela comunidade! Brasileiras, e estrangeiras falando enrolado, trabalhando incansavelmente em meio \u00e0quela poeira e calor dos anos 80, na forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as das comunidades, na par\u00f3quia de Rolim de Moura, diocese de Ji-Paran\u00e1!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O povo as ama at\u00e9 hoje. Encantei-me com aquela vida, para surpresa de meu pai que n\u00e3o gostou nada da ideia. Desde cedo, para ajudar a fam\u00edlia, trabalhei fora e estudei. Com coragem de iniciante, comecei o processo vocacional num misto de apoio da m\u00e3e e de resist\u00eancia do pai. Acho que era mesmo a for\u00e7a da voca\u00e7\u00e3o a despertar em mim. O Senhor da vida nos quer feliz! Mas, o caminho se faz caminhando, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Depois de cinco anos de forma\u00e7\u00e3o, em 1994 fiz a primeira profiss\u00e3o religiosa mission\u00e1ria consagrada em Curitiba. Fiz um ano pastoral em Cacoal \u2013 Rond\u00f4nia, na mesma par\u00f3quia em que, alguns anos antes, o Pe. Ezequiel Ramin havia doado sua vida no num mart\u00edrio testemunhal por Jesus e seu povo sofrido. No caminho vocacional a figura de Ezequiel me tocou muito, me fez perguntar, o que queria eu da vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1995 fui enviada para aprender ingl\u00eas e em 1997 j\u00e1 pisava solo africano, no pa\u00eds da Eritrea, capital Asmara. Convivi e aprendi, com esse povo determinado, resistente e corajoso, que vale a pena lutar e sofrer por um ideal. Sua cultura sem\u00edtica e ortodoxa crist\u00e3 balizava a experi\u00eancia pastoral e lingu\u00edstica no processo de incultura\u00e7\u00e3o na vida do povo. A l\u00edngua Tigrinya era mesmo dif\u00edcil, com um alfabeto de mais de 300 caracteres (desenhos). E a pron\u00fancia ent\u00e3o nem se fala! As fam\u00edlias, sobretudo as mulheres e as crian\u00e7as adoravam me ver balbuciar alguma palavra. Vibravam comigo e me encorajavam a perder o medo de errar e falar seu idioma. Apesar de minha pele acusar, j\u00e1 n\u00e3o era vista pelas amigas como estrangeira! Isso foi incr\u00edvel! Na minha experi\u00eancia, a l\u00edngua foi mesmo o portal para o cora\u00e7\u00e3o do povo e sua cultura. Por\u00e9m, foram cinco anos desafiadores, de muito esfor\u00e7o para entrar no caminho da Igreja cat\u00f3lica ortodoxa local. Contudo, amava o povo e me sentia amada por eles, mas precisava tamb\u00e9m mais capacita\u00e7\u00e3o para continuar minha contribui\u00e7\u00e3o na miss\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim segui e, ap\u00f3s capacita\u00e7\u00e3o nos USA, voltei para a \u00c1frica, agora enviada para o Sud\u00e3o do Sul. No in\u00edcio, em 2007, uma situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica em Juba, a capital. Foi tamb\u00e9m miss\u00e3o dif\u00edcil e desafiadora. Lembro quando caminhava pelas ruas para ir dar aulas na escola e me perguntavam onde estava o carro, \u201csua chinesa\u201d! Isso era de amargar qualquer boa inten\u00e7\u00e3o; nada contra os chineses n\u00e9! Fui aprendendo que as situa\u00e7\u00f5es de guerra e conflito minam as rela\u00e7\u00f5es na desconfian\u00e7a. A certeza \u00e9 que a miss\u00e3o \u00e9 de Deus. Essa foi miss\u00e3o desafiadora e complexa, e a\u00ed cresci: \u201cMe fiz os ossos\u201d como dizem os italianos, partilhei da vida de um povo sofrido. Minha colabora\u00e7\u00e3o foi mais na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia mais linda e vivificante que vivi na miss\u00e3o foi nos \u00faltimos tr\u00eas anos no Sud\u00e3o do Sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um projeto da Uni\u00e3o dos Superiores\/as Gerais das Congrega\u00e7\u00f5es (UISG), espalhadas pelo mundo, gestou um plano para atender \u00e0 Igreja do Sud\u00e3o do Sul. Provavelmente, esperavam ajuda financeira. Entretanto, um comit\u00ea foi criado e visitaram o local, escutaram, conversaram e bolaram um plano. At\u00e9 parecia \u201co Plano de S\u00e3o Daniel Comboni\u201d de um s\u00e9culo atr\u00e1s sendo atualizado. S\u00f3 que os membros do comit\u00ea n\u00e3o eram comboniano; por\u00e9m, nos consultaram. Nasceu ent\u00e3o o projeto Solidariedade com o Sud\u00e3o do Sul. De in\u00edcio, duas frentes de trabalho foram criadas: sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Mais tarde tamb\u00e9m se agregou a frente pastoral de forma\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a da Igreja local. Na sa\u00fade priorizaram a obstetr\u00edcia porque o n\u00famero de crian\u00e7as e m\u00e3es que morriam nos partos era assustador. E na sess\u00e3o educacional se previu que, sem uma educa\u00e7\u00e3o forte de base na forma\u00e7\u00e3o dos professores para a fase inicial das crian\u00e7as, a paz nunca poderia se realizar no futuro. Apaixonei-me por essa iniciativa. Minha colabora\u00e7\u00e3o foi na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o. Viv\u00edamos em comunidade, membros de congrega\u00e7\u00f5es de nacionalidades diversas em tr\u00eas pontos geogr\u00e1ficos diferentes do Sud\u00e3o do Sul. Tamb\u00e9m os leigos\/as se juntaram ao projeto. Pois n\u00e3o h\u00e1 evangeliza\u00e7\u00e3o sem educa\u00e7\u00e3o, sendo uma educa\u00e7\u00e3o para a reconcilia\u00e7\u00e3o entre povos e culturas de etnias diversas dentro do mesmo territ\u00f3rio. Foi experi\u00eancia de Solidariedade e entusiasmo, coragem e energia. Ensin\u00e1vamos debaixo de puxados de palha para a capacita\u00e7\u00e3o de professores candidatos, alguns caminhavam horas para participar desse programa. Havia o centro de treinamento em regime de internato por um per\u00edodo de dois anos, para proporcionar espa\u00e7o adequado para treino-estudo. Presenciei ali a fadiga do encontro entre pessoas inimigas entre si por serem de etnias diferentes. O Sud\u00e3o do Sul \u00e9 formado por 69 etnias e l\u00ednguas diversas. Algumas pessoas at\u00e9 se recusavam a partilhar da mesa com o \u201cinimigo\u201d. Com paci\u00eancia, a equipe Solidariedade incutia os valores e o respeito m\u00fatuo! A toler\u00e2ncia e a aceita\u00e7\u00e3o eram regras do centro. Tanto assim que, ao final dos dois anos, outrora considerados inimigos se abra\u00e7avam em l\u00e1grimas ao se despedirem uns dos outros! Entenderam que eram irm\u00e3os iguais e semelhantes \u00e0 imagem de Deus. Verific\u00e1vamos que a reconcilia\u00e7\u00e3o pode ser fruto do trabalho s\u00e9rio de acompanhamento e treinamento para a constru\u00e7\u00e3o da paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Solidarity with South Sudan, a capacita\u00e7\u00e3o de mulheres professoras \u00e9 um objetivo. Logo, Achol e Achai, duas jovens mulheres da etnia Dinka, vieram para o treinamento. Elas sabiam \u00e1rabe e um pouco de ingl\u00eas e comunicavam entre si em Dinka. Eu as conheci um ano antes em seu estado. Em choque por n\u00e3o conseguirem se comunicar com os colegas no centro, na primeira semana vieram dizer que iam embora, pois n\u00e3o sabiam o ingl\u00eas para continuar o programa. Eu as encorajei a ficar e dar tempo para a l\u00edngua. Disseram que era dif\u00edcil e n\u00e3o iam conseguir, mas os tutores do Centro Solidariedade desenharam um programa espec\u00edfico para elas. As duas se sentiram acolhidas e se dedicaram ao trabalho. No final daquele ano, as duas mulheres ficaram entre os primeiros alunos da turma e, na formatura, estavam felizes e orgulhosas pela vit\u00f3ria. At\u00e9 fizemos uma foto juntas. Aprenderam o valor de encorajar e acompanhar as meninas de suas comunidades para se desenvolver e tamb\u00e9m contribuir com a educa\u00e7\u00e3o de seu pa\u00eds. Acredito que meu fundador S\u00e3o Daniel Comboni vibrou com a minha participa\u00e7\u00e3o do projeto Solidariedade com o Sud\u00e3o do Sul!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim em 2019, de volta ao Brasil, celebrei o jubileu dos 25 anos de vida consagrada \u00e0 miss\u00e3o! Tenho muita hist\u00f3ria pra contar, por\u00e9m, o mais importante \u00e9 a vida vivida intensamente no servi\u00e7o \u00e0 solidariedade a quem se encontra pelo caminho da miss\u00e3o. Sou muito agradecida \u00e0 minha fam\u00edlia por tudo que sou desde a concep\u00e7\u00e3o. A minha prov\u00edncia das Combonianas no Brasil aceitou o desafio de me liberar para colaborar na assessoria da Comiss\u00e3o para a A\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria da CNBB. Assim, estou desenvolvendo o trabalho com dedica\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria a servi\u00e7o da Igreja do Brasil para este quadri\u00eanio. Sou ainda agradecida \u00e0 minha congrega\u00e7\u00e3o: Irm\u00e3s Mission\u00e1rias Combonianas pela forma\u00e7\u00e3o e envio em miss\u00e3o. S\u00e3o Daniel Comboni, nosso fundador, rogai por n\u00f3s e por mais voca\u00e7\u00f5es generosas ao servi\u00e7o da miss\u00e3o no mundo.<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify;\"><em>Texto: Ir. Sandra Regina Amado - Assessora da Comiss\u00e3o Mission\u00e1ria da CNBB<\/em><\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm\u00e3 Sandra Amado, Mission\u00e1ria Comboniana, conta um pouco da sua trajet\u00f3ria de vida religiosa que come\u00e7ou em 1994 quando fez a primeira profiss\u00e3o religiosa mission\u00e1ria consagrada em Curitiba. A Irm\u00e3 conta ainda que a experi\u00eancia peregrina come\u00e7ou desde cedo na fam\u00edlia<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":264268,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[826],"tags":[3150,2292,1922],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/264267"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=264267"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/264267\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/264268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=264267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=264267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=264267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}