{"id":27164,"date":"2011-12-19T00:00:00","date_gmt":"2011-12-19T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/papa-visita-presos-em-complexo-penitenciario-de-roma-2\/"},"modified":"2011-12-19T00:00:00","modified_gmt":"2011-12-19T02:00:00","slug":"papa-visita-presos-em-complexo-penitenciario-de-roma-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/papa-visita-presos-em-complexo-penitenciario-de-roma-2\/","title":{"rendered":"Papa visita presos em complexo penitenci\u00e1rio de Roma"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O Papa Bento XVI, neste \u00faltimo domingo de Advento, 18 de dezembro, deixou nesta manh\u00e3 o Vaticano para realizar uma visita ao novo Complexo da Penitenci\u00e1ria de Rebibbia, na periferia de Roma. Na estrutura de deten\u00e7\u00e3o, o encontro com os encarcerados teve lugar na Igreja do Pai Nosso. Nesta ocasi\u00e3o, o Papa respondeu algumas perguntas dos detentos e na conclus\u00e3o aben\u00e7oou uma \u00e1rvore plantada diante da igreja como recorda\u00e7\u00e3o da visita. Cerca de 300 pessoas estiveram presentes no encontro.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um evento muito esperado pelos detentos e pelos funcion\u00e1rios do c\u00e1rcere, levando em considera\u00e7\u00e3o que a vida dentro dos institutos penais na It\u00e1lia piorou sensivelmente nos \u00faltimos anos por causa da superlota\u00e7\u00e3o, da falta de funcion\u00e1rios, e da excessiva presen\u00e7a de estrangeiros e de pessoas provenientes das camadas mais baixas da sociedade, e do corte de verbas destinadas \u00e0 gest\u00e3o das estruturas penitenci\u00e1rias.<\/p>\n<p>No seu discurso aos presos do Papa antes de tudo falou da sua alegria e emo\u00e7\u00e3o em visitar os detentos, visita que se realiza a poucos dias do Natal.<\/p>\n<p>\u201cEstava na pris\u00e3o e vieste me visitar\u201d (Mt 25,36). As palavras do ju\u00edzo final, narradas pelo evangelista Mateus, exprimem em plenitude o sentido da minha visita de hoje entre voc\u00eas. Portanto, onde se encontra um faminto, um estrangeiro, um doente, um encarcerado, ali se encontra Cristo mesmo que espera a nossa visita e a nossa ajuda. Essa \u00e9 a raz\u00e3o principal que me deixa feliz em estar aqui, para rezar, dialogar e escutar\u201d.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Filho de Deus, o Senhor Jesus \u2013 continuou o Papa \u2013 fez a experi\u00eancia do c\u00e1rcere, foi submetido a um julgamento diante de um tribunal e padeceu a mais feroz condena\u00e7\u00e3o, a pena de morte. Recordando a sua recente viagem ao Benin, durante a qual assinou a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-sinodal Africae munus (O compromisso da \u00c1frica) o Santo Padre destacou um trecho do documento no qual reafirma a aten\u00e7\u00e3o da Igreja pela justi\u00e7a nos Estados:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso tamb\u00e9m banir os casos de erro da justi\u00e7a e os maus tratos aos prisioneiros, as numerosas ocasi\u00f5es de n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o da lei, que correspondem a uma viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, e as deten\u00e7\u00f5es que s\u00f3 tardiamente ou nunca chegam a um processo. A Igreja reconhece a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica junto de quantos acabam envolvidos pela criminalidade, sabendo da sua necessidade de reconcilia\u00e7\u00e3o, de justi\u00e7a e de paz . Os presos s\u00e3o pessoas humanas que, apesar do seu crime, merecem ser tratadas com respeito e dignidade; precisam da nossa solicitude\u201d. (n.83) <\/p>\n<p>A justi\u00e7a humana e a divina \u2013 continuou Bento XVI \u2013 s\u00e3o muito diversas. Certamente, os homens n\u00e3o s\u00e3o capazes de aplicar a justi\u00e7a divina, mas devem pelo menos olhar para ela, procurar colher o esp\u00edrito profundo que a anima, para que ilumine tamb\u00e9m a justi\u00e7a humana, para evitar \u2013 como ocorre certas vezes \u2013 que o preso se torne um exclu\u00eddo. Deus, de fato, \u00e9 Aquele que proclama a justi\u00e7a com for\u00e7a, mas que, ao mesmo tempo, cura as feridas com o b\u00e1lsamo da miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Justi\u00e7a e miseric\u00f3rdia, justi\u00e7a e caridade, preceitos da doutrina social da Igreja, s\u00e3o duas realidades diferentes somente para n\u00f3s homens &#8211; disse ainda o Papa -, que distinguimos atentamente um ato justo de um ato de amor.<\/p>\n<p>\u201cJusto para n\u00f3s \u00e9 \u201co que \u00e9 devido ao outro\u201d, enquanto misericordioso \u00e9 o que \u00e9 doado por bondade. E uma coisa parece excluir a outra. Mas para Deus n\u00e3o \u00e9 assim: n\u2019Ele justi\u00e7a e caridade coincidem; n\u00e3o h\u00e1 uma a\u00e7\u00e3o justa que n\u00e3o seja tamb\u00e9m ato de miseric\u00f3rdia e de perd\u00e3o e, ao mesmo tempo, n\u00e3o existe uma a\u00e7\u00e3o miseric\u00f3rdiosa que n\u00e3o seja perfeitamente justa\u201d.<\/p>\n<p>Qu\u00e3o longe \u00e9 a l\u00f3gica de Deus da nossa! \u2013 sublinhou o Papa. E como \u00e9 diferente do nosso modo o seu modo de agir! O Senhor nos convida a colher e observar o verdadeiro esp\u00edrito da lei, para lhe dar pleno cumprimento no amor para aqueles que necessitam. \u201cPleno cumprimento da lei \u00e9 o amor&#8221;, escreve S\u00e3o Paulo: a nossa justi\u00e7a ser\u00e1 mais perfeita, se animada pelo amor a Deus e ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>O Papa destacou em seguida que o sistema de deten\u00e7\u00e3o gira em torno de dois pontos principais, ambos importantes: por um lado, proteger a sociedade contra eventuais amea\u00e7as, de outro reintegrar quem errou, sem pisotear a dignidade e exclu\u00ed-lo da vida social. Ambos os aspectos t\u00eam a sua relev\u00e2ncia e n\u00e3o devem criar um &#8220;abismo&#8221; entre a realidade na pris\u00e3o e aquela pensada pela lei, que prev\u00ea como um elemento chave a fun\u00e7\u00e3o reeducadora da pena e o respeito dos direitos e da dignidade das pessoas. A vida humana pertence somente a Deus, que nos deu, e n\u00e3o \u00e9 abandonada \u00e0 merc\u00ea de ningu\u00e9m, nem mesmo ao nosso livre arb\u00edtrio! Somos chamados a preservar a p\u00e9rola preciosa da nossa vida e a dos outros.<\/p>\n<p>O Papa sublinhou ainda que a superlota\u00e7\u00e3o e a degrada\u00e7\u00e3o das pris\u00f5es podem tornar ainda mais amarga a deten\u00e7\u00e3o: recebi v\u00e1rias cartas de presos que sublinham isso. \u00c9 importante que as institui\u00e7\u00f5es promovam uma cuidadosa an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o hoje, verifiquem as estruturas, os recursos, o pessoal, de modo que os prisioneiros n\u00e3o cumpram jamais &#8220;uma dupla pena&#8221;; \u00e9 importante promover um desenvolvimento do sistema carcer\u00e1rio, que respeitando a justi\u00e7a, seja cada vez mais adequado \u00e0s necessidades da pessoa humana, com a utiliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de penas n\u00e3o detentivas ou a modalidades diferentes de deten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Papa conclui suas palavras recordando que celebramos o quarto domingo do tempo de Advento. O Natal do Senhor est\u00e1 pr\u00f3ximo, e fez votos de que reacenda de esperan\u00e7a e de amor os cora\u00e7\u00f5es. O Menino de Bel\u00e9m ser\u00e1 feliz quando todos os homens retornarem a Deus com o cora\u00e7\u00e3o renovado. \u201cVamos pedir-lhe no sil\u00eancio e na ora\u00e7\u00e3o sermos todos liberados da pris\u00e3o do pecado, da soberba e do orgulho; cada um tem necessidade de sair desta pris\u00e3o interior para ser verdadeiramente livre do mal, das ang\u00fastias e da morte. Somente aquele Menino deitado na manjedoura \u00e9 capaz de doar a todos essa plena liberta\u00e7\u00e3o!.<\/p>\n<p>O Papa concluiu dizendo que a Igreja apoia e encoraja todos os esfor\u00e7os para garantir a todos uma vida digna e que est\u00e1 pr\u00f3xima a cada um deles, \u00e0s suas fam\u00edlias, aos seus filhos, aos seus jovens, aos seus anci\u00e3os e todos leva no cora\u00e7\u00e3o diante de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ap\u00f3s pronunciar o seu discurso no novo Complexo da Penitenci\u00e1ria de Rebibbia, na periferia de Roma o Papa respondeu algumas perguntas dos presos. \u201cEstou emocionado por essa amizade que sinto de todos voc\u00eas\u201d: disse Bento XVI respondendo a Rocco, o primeiro encarcerado de Rebibbia que fez ao Papa a sua pergunta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cEstou aqui para demonstrar a minha amizade, a minha visita \u00e9 tamb\u00e9m um gesto p\u00fablico que recorda aos nossos concidad\u00e3os as dificuldades da pris\u00e3o\u201d; disse o Papa respondendo outra pergunta de um preso, acrescentando que tem esperan\u00e7a de que \u201co governo consiga fazer todo o poss\u00edvel para melhor a situa\u00e7\u00e3o nas pris\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Rocco, Omar &#8211; prisioneiro estrangeiro negro -, Alberto, &#8211; romano e pai de uma menina de dois meses que gostaria de abra\u00e7ar novamente sua filha -, Federico, que falou em nome dos presos que se encontram na enfermaria: s\u00e3o esses os presos de Rebibbia que fizeram perguntas a Bento XVI, que saudou pessoalmente cada um deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Respondendo a uma das perguntas o Papa disse que \u00e9 verdade que muitos falam \u201cmal e de modo feroz\u201d dos presos, mas h\u00e1 tamb\u00e9m muita gente que olha \u201ccom amor\u201d para a situa\u00e7\u00e3o dos detentos. \u201cDevemos suportar que alguns falem de modo feroz, alguns falam de modo feroz tamb\u00e9m contra o Papa, e todavia vamos para frente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cRecorde-se de mim oh Deus. Am\u00e9m\u201d: foi o final da ora\u00e7\u00e3o feita por um preso na conclus\u00e3o do encontro com o Papa. \u201cD\u00e1-me a paz interior, d\u00e1-me a consci\u00eancia de valer alguma coisa, fique perto de mim. E concluiu o detento: \u201cencurte as minhas noites de ins\u00f4nia\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa Bento XVI, neste \u00faltimo domingo de Advento, 18 de dezembro, deixou nesta manh\u00e3 o Vaticano para realizar uma visita ao novo Complexo da Penitenci\u00e1ria de Rebibbia, na periferia de Roma. Na estrutura de deten\u00e7\u00e3o, o encontro com os encarcerados teve lugar na Igreja do Pai Nosso. 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