{"id":27193,"date":"2012-02-07T00:00:00","date_gmt":"2012-02-07T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/na-mensagem-para-a-quaresma-2012-o-papa-alerta-para-reflexao-sobre-a-essencia-da-vida-crista-o-amor\/"},"modified":"2012-02-07T00:00:00","modified_gmt":"2012-02-07T02:00:00","slug":"na-mensagem-para-a-quaresma-2012-o-papa-alerta-para-reflexao-sobre-a-essencia-da-vida-crista-o-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/na-mensagem-para-a-quaresma-2012-o-papa-alerta-para-reflexao-sobre-a-essencia-da-vida-crista-o-amor\/","title":{"rendered":"Na mensagem para a Quaresma 2012 o papa alerta para reflex\u00e3o sobre a ess\u00eancia da vida crist\u00e3: o amor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Sua Santidade o papa Bento XVI publicou hoje, 07 de fevereiro, a sua mensagem para a Quaresma 2012. No texto, o Santo Padre pede aos cat\u00f3licos de todo o mundo que neste per\u00edodo haja reflex\u00e3o, no sentido de \u201cprestarmos aten\u00e7\u00e3o uns aos outros\u201d, com \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o concreta pelos mais pobres\u201d. Na mensagem, o papa faz o chamamento dos crist\u00e3os \u00e0 \u201cresponsabilidade pelo irm\u00e3o\u201d. Isto \u00e9, que estejamos atentos \u201caos sofrimentos f\u00edsicos, quer \u00e0s exig\u00eancias espirituais e morais da vida\u201d.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Leia na \u00edntegra o texto divulgado pela Santa S\u00e9:<\/p>\n<p><strong>Irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida crist\u00e3: o amor. Com efeito este \u00e9 um tempo prop\u00edcio para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunit\u00e1rio de f\u00e9. Trata-se de um percurso marcado pela ora\u00e7\u00e3o e a partilha, pelo sil\u00eancio e o jejum, com a esperan\u00e7a de viver a alegria pascal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto b\u00edblico tirado da Carta aos Hebreus: \u00abPrestemos aten\u00e7\u00e3o uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e \u00e0s boas obras\u00bb (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confian\u00e7a em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perd\u00e3o e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo \u00e9 uma vida edificada segundo as tr\u00eas virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor \u00abcom um cora\u00e7\u00e3o sincero, com a plena seguran\u00e7a da f\u00e9\u00bb (v. 22), de conservarmos firmemente \u00aba profiss\u00e3o da nossa esperan\u00e7a\u00bb (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irm\u00e3os, \u00abo amor e as boas obras\u00bb (v. 24). Na passagem em quest\u00e3o afirma-se tamb\u00e9m que \u00e9 importante, para apoiar esta conduta evang\u00e9lica, participar nos encontros lit\u00fargicos e na ora\u00e7\u00e3o da comunidade, com os olhos fixos na meta escatol\u00f3gica: a plena comunh\u00e3o em Deus (v. 25). Detenho-me no vers\u00edculo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre tr\u00eas aspectos da vida crist\u00e3: prestar aten\u00e7\u00e3o ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>1.\u00a0\u00a0 \u00a0\u00abPrestemos aten\u00e7\u00e3o\u00bb: a responsabilidade pelo irm\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro elemento \u00e9 o convite a \u00abprestar aten\u00e7\u00e3o\u00bb: o verbo grego usado \u00e9 katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os disc\u00edpulos a \u00abobservar\u00bb as aves do c\u00e9u, que n\u00e3o se preocupam com o alimento e todavia s\u00e3o objecto de sol\u00edcita e cuidadosa Provid\u00eancia divina (cf. Lc 12, 24), e a \u00abdar-se conta\u00bb da trave que t\u00eam na pr\u00f3pria vista antes de reparar no argueiro que est\u00e1 na vista do irm\u00e3o (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo tamb\u00e9m noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a \u00abconsiderar Jesus\u00bb (3, 1) como o Ap\u00f3stolo e o Sumo Sacerdote da nossa f\u00e9. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exorta\u00e7\u00e3o, convida a fixar o olhar no outro, a come\u00e7ar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a n\u00e3o se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irm\u00e3os. Mas, com frequ\u00eancia, prevalece a atitude contr\u00e1ria: a indiferen\u00e7a, o desinteresse, que nascem do ego\u00edsmo, mascarado por uma apar\u00eancia de respeito pela \u00abesfera privada\u00bb. Tamb\u00e9m hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de n\u00f3s a cuidar do outro. Tamb\u00e9m hoje Deus nos pede para sermos o \u00abguarda\u00bb dos nossos irm\u00e3os (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos rela\u00e7\u00f5es caracterizadas por rec\u00edproca solicitude, pela aten\u00e7\u00e3o ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao pr\u00f3ximo exige e incita a consci\u00eancia a sentir-se respons\u00e1vel por quem, como eu, \u00e9 criatura e filho de Deus: o facto de sermos irm\u00e3os em humanidade e, em muitos casos, tamb\u00e9m na f\u00e9 deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotar\u00e3o naturalmente do nosso cora\u00e7\u00e3o a solidariedade, a justi\u00e7a, bem como a miseric\u00f3rdia e a compaix\u00e3o. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: \u00abO mundo est\u00e1 doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esteriliza\u00e7\u00e3o ou no monop\u00f3lio, que alguns fazem, dos recursos do universo\u00bb (Carta enc. Populorum progressio, 66).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A aten\u00e7\u00e3o ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: f\u00edsico, moral e espiritual. Parece que a cultura contempor\u00e2nea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necess\u00e1rio reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus \u00e9 \u00abbom e faz o bem\u00bb (Sal 119\/118, 68). O bem \u00e9 aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunh\u00e3o. Assim a responsabilidade pelo pr\u00f3ximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que tamb\u00e9m ele se abra \u00e0 l\u00f3gica do bem; interessar-se pelo irm\u00e3o quer dizer abrir os olhos \u00e0s suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o cora\u00e7\u00e3o endurecido por uma esp\u00e9cie de \u00abanestesia espiritual\u00bb, que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas par\u00e1bolas de Jesus, nas quais s\u00e3o indicados dois exemplos desta situa\u00e7\u00e3o que se pode criar no cora\u00e7\u00e3o do homem. Na par\u00e1bola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferen\u00e7a, \u00abpassam ao largo\u00bb do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens n\u00e3o se d\u00e1 conta da condi\u00e7\u00e3o do pobre L\u00e1zaro que morre de fome \u00e0 sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contr\u00e1rio de \u00abprestar aten\u00e7\u00e3o\u00bb, de olhar com amor e compaix\u00e3o. O que \u00e9 que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irm\u00e3o? Com frequ\u00eancia, \u00e9 a riqueza material e a saciedade, mas pode ser tamb\u00e9m o antepor a tudo os nossos interesses e preocupa\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. Sempre devemos ser capazes de \u00abter miseric\u00f3rdia\u00bb por quem sofre; o nosso cora\u00e7\u00e3o nunca deve estar t\u00e3o absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de cora\u00e7\u00e3o e a experi\u00eancia pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaix\u00e3o e a empatia: \u00abO justo conhece a causa dos pobres, por\u00e9m o \u00edmpio n\u00e3o o compreende\u00bb (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventuran\u00e7a \u00abdos que choram\u00bb (Mt 5, 4), isto \u00e9, de quantos s\u00e3o capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do cora\u00e7\u00e3o \u00e0s suas necessidades s\u00e3o ocasi\u00e3o de salva\u00e7\u00e3o e de bem-aventuran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O fato de \u00abprestar aten\u00e7\u00e3o\u00bb ao irm\u00e3o inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida crist\u00e3 que me parece esquecido: a correc\u00e7\u00e3o fraterna, tendo em vista a salva\u00e7\u00e3o eterna. De forma geral, hoje \u00e9-se muito sens\u00edvel ao tema do cuidado e do amor que visa o bem f\u00edsico e material dos outros, mas quase n\u00e3o se fala da responsabilidade espiritual pelos irm\u00e3os. Na Igreja dos primeiros tempos n\u00e3o era assim, como n\u00e3o o \u00e9 nas comunidades verdadeiramente maduras na f\u00e9, nas quais se tem a peito n\u00e3o s\u00f3 a sa\u00fade corporal do irm\u00e3o, mas tamb\u00e9m a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: \u00abRepreende o s\u00e1bio e ele te amar\u00e1. D\u00e1 conselhos ao s\u00e1bio e ele tornar-se-\u00e1 ainda mais s\u00e1bio, ensina o justo e ele aumentar\u00e1 o seu saber\u00bb (Prov 9, 8-9). O pr\u00f3prio Cristo manda repreender o irm\u00e3o que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correc\u00e7\u00e3o fraterna \u2013 elenchein \u2013 \u00e9 o mesmo que indica a miss\u00e3o prof\u00e9tica, pr\u00f3pria dos crist\u00e3os, de denunciar uma gera\u00e7\u00e3o que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradi\u00e7\u00e3o da Igreja enumera entre as obras espirituais de miseric\u00f3rdia a de \u00abcorrigir os que erram\u00bb. \u00c9 importante recuperar esta dimens\u00e3o do amor crist\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles crist\u00e3os que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se \u00e0 mentalidade comum em vez de alertar os pr\u00f3prios irm\u00e3os contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e n\u00e3o seguem o caminho do bem. Entretanto a advert\u00eancia crist\u00e3 nunca h\u00e1-de ser animada por esp\u00edrito de condena\u00e7\u00e3o ou censura; \u00e9 sempre movida pelo amor e a miseric\u00f3rdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irm\u00e3o. Diz o ap\u00f3stolo Paulo: \u00abSe porventura um homem for surpreendido nalguma falta, v\u00f3s, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com esp\u00edrito de mansid\u00e3o, e tu olha para ti pr\u00f3prio, n\u00e3o estejas tamb\u00e9m tu a ser tentado\u00bb (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, \u00e9 necess\u00e1rio redescobrir a import\u00e2ncia da correc\u00e7\u00e3o fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. \u00c9 que \u00absete vezes cai o justo\u00bb (Prov 24, 16) \u2013 diz a Escritura \u2013, e todos n\u00f3s somos fr\u00e1geis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, \u00e9 um grande servi\u00e7o ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a pr\u00f3pria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. H\u00e1 sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>2. \u00abUns aos outros\u00bb: o dom da reciprocidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O fato de sermos o \u00abguarda\u00bb dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente \u00e0 dimens\u00e3o terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatol\u00f3gica e aceita qualquer op\u00e7\u00e3o moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos f\u00edsicos, quer \u00e0s exig\u00eancias espirituais e morais da vida. N\u00e3o deve ser assim na comunidade crist\u00e3! O ap\u00f3stolo Paulo convida a procurar o que \u00ableva \u00e0 paz e \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o m\u00fatua\u00bb (Rm 14, 19), favorecendo o \u00abpr\u00f3ximo no bem, em ordem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da comunidade\u00bb (Rm 15, 2), sem buscar \u00abo pr\u00f3prio interesse, mas o do maior n\u00famero, a fim de que eles sejam salvos\u00bb (1 Cor 10, 33). Esta rec\u00edproca correc\u00e7\u00e3o e exorta\u00e7\u00e3o, em esp\u00edrito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os disc\u00edpulos do Senhor, unidos a Cristo atrav\u00e9s da Eucaristia, vivem numa comunh\u00e3o que os liga uns aos outros como membros de um s\u00f3 corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salva\u00e7\u00e3o t\u00eam a ver com a minha vida e a minha salva\u00e7\u00e3o. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunh\u00e3o: a nossa exist\u00eancia est\u00e1 ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o social. Na Igreja, corpo m\u00edstico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade n\u00e3o cessa de fazer penit\u00eancia e implorar perd\u00e3o para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se cont\u00ednua e jubilosamente tamb\u00e9m com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que \u00abos membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros\u00bb (1 Cor 12, 25) \u2013 afirma S\u00e3o Paulo \u2013, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irm\u00e3os, do qual \u00e9 express\u00e3o a esmola \u2013 t\u00edpica pr\u00e1tica quaresmal, juntamente com a ora\u00e7\u00e3o e o jejum \u2013 radica-se nesta perten\u00e7a comum. Tamb\u00e9m com a preocupa\u00e7\u00e3o concreta pelos mais pobres, pode cada crist\u00e3o expressar a sua participa\u00e7\u00e3o no \u00fanico corpo que \u00e9 a Igreja. E \u00e9 tamb\u00e9m aten\u00e7\u00e3o aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prod\u00edgios da gra\u00e7a que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um crist\u00e3o vislumbra no outro a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, n\u00e3o pode deixar de se alegrar e dar gl\u00f3ria ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>3. \u00abPara nos estimularmos ao amor e \u00e0s boas obras\u00bb: caminhar juntos na santidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta afirma\u00e7\u00e3o da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a voca\u00e7\u00e3o universal \u00e0 santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 \u2013 13, 13). A aten\u00e7\u00e3o rec\u00edproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, \u00abcomo a luz da aurora, que cresce at\u00e9 ao romper do dia\u00bb (Prov 4, 18), \u00e0 espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos \u00e9 concedido na nossa vida, \u00e9 precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a pr\u00f3pria Igreja cresce e se desenvolve para chegar \u00e0 plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). \u00c9 nesta perspectiva din\u00e2mica de crescimento que se situa a nossa exorta\u00e7\u00e3o a estimular-nos reciprocamente para chegar \u00e0 plenitude do amor e das boas obras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Infelizmente, est\u00e1 sempre presente a tenta\u00e7\u00e3o da tibieza, de sufocar o Esp\u00edrito, da recusa de \u00abp\u00f4r a render os talentos\u00bb que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais \u00fateis para a realiza\u00e7\u00e3o do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salva\u00e7\u00e3o pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de f\u00e9, quem n\u00e3o avan\u00e7a, recua. Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos \u00e0 \u00abmedida alta da vida crist\u00e3\u00bb (Jo\u00e3o Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventuran\u00e7a e a santidade de alguns crist\u00e3os exemplares, tem como finalidade tamb\u00e9m suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. S\u00e3o Paulo exorta: \u00abAdiantai-vos uns aos outros na m\u00fatua estima\u00bb (Rm 12, 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Que todos, \u00e0 vista de um mundo que exige dos crist\u00e3os um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urg\u00eancia de esfor\u00e7ar-se por adiantar no amor, no servi\u00e7o e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos \u00e0 intercess\u00e3o da Bem-aventurada Virgem Maria e, de cora\u00e7\u00e3o, concedo a todos a B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em><strong>Vaticano, 3 de Novembro de 2011<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sua Santidade o papa Bento XVI publicou hoje, 07 de fevereiro, a sua mensagem para a Quaresma 2012. No texto, o Santo Padre pede aos cat\u00f3licos de todo o mundo que neste per\u00edodo haja reflex\u00e3o, no sentido de \u201cprestarmos aten\u00e7\u00e3o uns aos outros\u201d, com \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o concreta pelos mais pobres\u201d. 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