{"id":27604,"date":"2013-09-20T00:00:00","date_gmt":"2013-09-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-papa-os-padres-e-os-carros\/"},"modified":"2013-09-20T00:00:00","modified_gmt":"2013-09-20T03:00:00","slug":"o-papa-os-padres-e-os-carros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-papa-os-padres-e-os-carros\/","title":{"rendered":"O papa, os padres e os carros"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Redovino Rizzardo, cs<\/strong><br \/><strong>Bispo de Dourados (MS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No dia 6 de julho, pouco antes de iniciar sua viagem ao Brasil, o Papa Francisco se entreteve com um grupo de aproximadamente 6.000 candidatos \u00e0 vida religiosa e ao sacerd\u00f3cio, que haviam chegado de toda a It\u00e1lia. Em dado momento, ele confessou que \u00abn\u00e3o se sente bem quando v\u00ea padres e religiosos em carros \u201c\u00faltimo modelo\u201d. N\u00e3o pode ser! O carro \u00e9 necess\u00e1rio, mas que seja simples! Pensemos em quantas crian\u00e7as morrem de fome! Num mundo em que as riquezas causam tanto dano, temos que ser coerentes. O dinheiro n\u00e3o pode ser a primeira preocupa\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia\u00bb.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O \u201ccarro dos padres\u201d, por\u00e9m, \u00e9 apenas a \u201cponta do iceberg\u201d da grande reforma que o Papa deseja ver abra\u00e7ada, primeiramente pelos eclesi\u00e1sticos e, em seguida, por todos os crist\u00e3os que almejam um futuro melhor para a Igreja e a sociedade. Para ele, o apego aos bens materiais impede o encontro \u00edntimo e profundo com Deus, transforma a Igreja numa empresa e corrompe o cora\u00e7\u00e3o humano, fazendo-o insens\u00edvel \u00e0s necessidades e aos sofrimentos dos irm\u00e3os. Quando n\u00e3o partilhados, os bens escravizam a quem os det\u00e9m. Seu lugar deve ser ocupado pela \u00fanica riqueza que alimenta a esperan\u00e7a da humanidade: a solidariedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Foi o que disse no Rio de Janeiro, na visita que fez, no dia 24 de julho, ao Hospital S\u00e3o Francisco de Assis: \u00abQuis Deus que meus passos, depois do Santu\u00e1rio de Nossa Senhora Aparecida, se dirigissem para o santu\u00e1rio do sofrimento humano, que \u00e9 o Hospital S\u00e3o Francisco de Assis. \u00c9 bem conhecida a convers\u00e3o do santo patrono de voc\u00eas: o jovem Francisco abandona riquezas e comodidades para fazer-se pobre entre os pobres. Entende que n\u00e3o s\u00e3o as coisas, o ter, os \u00eddolos do mundo, a verdadeira riqueza; n\u00e3o s\u00e3o eles que d\u00e3o a verdadeira alegria, mas, sim, seguir a Cristo e servir os irm\u00e3os\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No dia seguinte, no encontro que manteve com a Comunidade da Varginha, o Papa acrescentou que a convers\u00e3o e a identidade do crist\u00e3o se realizam plenamente na atividade por uma sociedade justa e fraterna: \u00abNingu\u00e9m pode ficar insens\u00edvel diante das desigualdades que subsistem no mundo! N\u00e3o \u00e9 a cultura do ego\u00edsmo e do individualismo que constr\u00f3i e conduz a um mundo mais habit\u00e1vel, mas a cultura da solidariedade, que faz ver no outro n\u00e3o um concorrente ou um n\u00famero, mas um irm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nenhum esfor\u00e7o de pacifica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 duradouro nem haver\u00e1 harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, marginaliza e abandona na periferia a parte de si mesma. Uma sociedade que assim age, empobrece a si pr\u00f3pria e perde algo de essencial de si mesma. S\u00f3 quando somos capazes de partilhar \u00e9 que nos enriquecemos: tudo aquilo que se partilha, se multiplica! A medida da grandeza de uma sociedade \u00e9 demonstrada pela maneira como trata a quem n\u00e3o tem outra coisa sen\u00e3o a sua pobreza!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por fim, no dia 27, ao discursar para bispos, sacerdotes, religiosos e seminaristas reunidos na catedral metropolitana, Francisco lhes indicou o caminho para a grande obra de renova\u00e7\u00e3o eclesial e social por ele almejada: \u00abEm muitos ambientes, ganhou espa\u00e7o a cultura da exclus\u00e3o e do descart\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1 mais lugar para o idoso e para o filho indesejado. N\u00e3o h\u00e1 mais tempo para se deter com o pobre ca\u00eddo \u00e0 margem da estrada. As rela\u00e7\u00f5es humanas parecem regidas por dois dogmas: a efici\u00eancia e o pragmatismo. Tenhamos coragem de ir contracorrente! N\u00e3o renunciemos a este dom de Deus, que \u00e9 sermos a \u00fanica fam\u00edlia dos seus filhos. O que torna a nossa civiliza\u00e7\u00e3o verdadeiramente humana \u00e9 o encontro, a acolhida, a solidariedade, a fraternidade. Coloquemo-nos a servi\u00e7o da cultura da comunh\u00e3o e do encontro!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A simplicidade dos carros \u2013 acompanhada pela simplicidade de vida \u2013 impedir\u00e1 que os ministros da Igreja se acomodem em seus templos ou lares, como meros prestadores de servi\u00e7os religiosos. A comunh\u00e3o e o encontro obrigam a sair, disse Francisco: \u00abN\u00e3o podemos nos enclausurar em nossas comunidades ou institui\u00e7\u00f5es, quando h\u00e1 tanta gente esperando o evangelho! N\u00e3o se trata somente de abrir a porta para acolher, mas de sair para procurar e encontrar. Com coragem, pensemos a pastoral a partir da periferia, a partir de quem est\u00e1 afastado e n\u00e3o frequenta a par\u00f3quia. Ele tamb\u00e9m \u00e9 convidado \u00e0 mesa do Senhor!\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Redovino Rizzardo, csBispo de Dourados (MS) No dia 6 de julho, pouco antes de iniciar sua viagem ao Brasil, o Papa Francisco se entreteve com um grupo de aproximadamente 6.000 candidatos \u00e0 vida religiosa e ao sacerd\u00f3cio, que haviam chegado de toda a It\u00e1lia. 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