{"id":27858,"date":"2014-12-25T00:00:00","date_gmt":"2014-12-25T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/papa-diz-que-e-grande-a-necessita-que-o-mundo-tem-ternura\/"},"modified":"2014-12-25T00:00:00","modified_gmt":"2014-12-25T02:00:00","slug":"papa-diz-que-e-grande-a-necessita-que-o-mundo-tem-ternura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/papa-diz-que-e-grande-a-necessita-que-o-mundo-tem-ternura\/","title":{"rendered":"Papa diz que &#8220;\u00e9 grande a necessidade que o mundo tem de ternura&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Ao presidir a missa da vig\u00edlia de Natal, na noite desta quarta-feira, 24 de dezembro, na Bas\u00edlica de S. Pedro, o papa Francisco disse que &#8220;\u00e9 grande a necessidade que o mundo tem de ternura&#8221;. Leia, na \u00edntegra, a homilia do papa.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Solenidade do Natal do Senhor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Homilia do Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\" align=\"center\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center\" align=\"center\"><em style=\"line-height: 1.3em\">Bas\u00edlica Vaticana<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\" align=\"center\"><em> Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2014<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00abO povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles\u00bb (<em>Is<\/em>\u00a09, 1). \u00abUm anjo do Senhor apareceu [aos pastores], e a gl\u00f3ria do Senhor refulgiu em volta deles\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 9). \u00c9 assim que a Liturgia desta santa noite de Natal nos apresenta o nascimento do Salvador: como luz que penetra e dissolve a mais densa escurid\u00e3o. A presen\u00e7a do Senhor no meio do seu povo cancela o peso da derrota e a tristeza da escravid\u00e3o e restabelece o j\u00fabilo e a alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tamb\u00e9m n\u00f3s, nesta noite aben\u00e7oada, viemos \u00e0 casa de Deus atravessando as trevas que envolvem a terra, mas guiados pela chama da f\u00e9 que ilumina os nossos passos e animados pela esperan\u00e7a de encontrar a \u00abgrande luz\u00bb. Abrindo o nosso cora\u00e7\u00e3o, temos, tamb\u00e9m n\u00f3s, a possibilidade de contemplar o milagre daquele menino-sol que, surgindo do alto, ilumina o horizonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A origem das trevas que envolvem o mundo perde-se na noite dos tempos. Pensemos no obscuro momento em que foi cometido o primeiro crime da humanidade, quando a m\u00e3o de Caim, cego pela inveja, feriu de morte o irm\u00e3o Abel (cf.\u00a0<em>Gn<\/em>\u00a04, 8). Assim, o curso dos s\u00e9culos tem sido marcado por viol\u00eancias, guerras, \u00f3dio, prepot\u00eancia. Mas Deus, que havia posto suas expectativas no homem feito \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a, esperava. Deus esperava. O tempo de espera fez-se t\u00e3o longo que a certo momento, qui\u00e7\u00e1, deveria renunciar; mas Ele n\u00e3o podia renunciar, n\u00e3o podia negar-Se a Si mesmo (cf.\u00a0<em>2 Tm<\/em>\u00a02, 13). Por isso, continuou a esperar pacientemente face \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o de homens e povos. A paci\u00eancia de Deus&#8230; Como \u00e9 dif\u00edcil compreender isto: a paci\u00eancia de Deus para conosco!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao longo do caminho da hist\u00f3ria, a luz que rasga a escurid\u00e3o revela-nos que Deus \u00e9 Pai e que a sua paciente fidelidade \u00e9 mais forte do que as trevas e do que a corrup\u00e7\u00e3o. Nisto consiste o an\u00fancio da noite de Natal. Deus n\u00e3o conhece a explos\u00e3o de ira nem a impaci\u00eancia; permanece l\u00e1, como o pai da par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo, \u00e0 espera de vislumbrar ao longe o regresso do filho perdido; e todos os dias, com paci\u00eancia. A paci\u00eancia de Deus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A profecia de Isa\u00edas anuncia a aurora de uma luz imensa que rasga a escurid\u00e3o. Ela nasce em Bel\u00e9m e \u00e9 acolhida pelas m\u00e3os amorosas de Maria, pelo afeto de Jos\u00e9, pela maravilha dos pastores. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento do Redentor, fizeram-no com estas palavras: \u00abIsto vos servir\u00e1 de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 12). O \u00absinal\u00bb \u00e9 precisamente a humildade de Deus, a humildade de Deus levada ao extremo; \u00e9 o amor com que Ele, naquela noite, assumiu a nossa fragilidade, o nosso sofrimento, as nossas ang\u00fastias, os nossos desejos e as nossas limita\u00e7\u00f5es. A mensagem que todos esperavam, que todos procuravam nas profundezas da pr\u00f3pria alma, mais n\u00e3o era que a ternura de Deus: Deus que nos fixa com olhos cheios de afeto, que aceita a nossa mis\u00e9ria, Deus enamorado da nossa pequenez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesta noite santa, ao mesmo tempo que contemplamos o Menino Jesus rec\u00e9m-nascido e reclinado numa manjedoura, somos convidados a refletir. Como acolhemos a ternura de Deus? Deixo-me alcan\u00e7ar por Ele, deixo-me abra\u00e7ar, ou impe\u00e7o-Lhe de aproximar-Se? \u00abOh n\u00e3o, eu procuro o Senhor!\u00bb \u2013 poder\u00edamos replicar. Por\u00e9m a coisa mais importante n\u00e3o \u00e9 procur\u00e1-Lo, mas deixar que seja Ele a procurar-me, a encontrar-me e a cobrir-me amorosamente das suas car\u00edcias. Esta \u00e9 a pergunta que o Menino nos coloca com a sua mera presen\u00e7a: permito a Deus que me queira bem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E ainda: temos a coragem de acolher, com ternura, as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e os problemas de quem vive ao nosso lado, ou preferimos as solu\u00e7\u00f5es impessoais, talvez eficientes mas desprovidas do calor do Evangelho? Qu\u00e3o grande \u00e9 a necessidade que o mundo tem hoje de ternura! Paci\u00eancia de Deus, proximidade de Deus, ternura de Deus.<\/p>\n<p>A resposta do crist\u00e3o n\u00e3o pode ser diferente da que Deus d\u00e1 \u00e0 nossa pequenez. A vida deve ser enfrentada com bondade, com mansid\u00e3o. Quando nos damos conta de que Deus Se enamorou da nossa pequenez, de que Ele mesmo Se faz pequeno para melhor nos encontrar, n\u00e3o podemos deixar de Lhe abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o pedindo-Lhe: \u00abSenhor, ajudai-me a ser como V\u00f3s, concedei-me a gra\u00e7a da ternura nas circunst\u00e2ncias mais duras da vida, dai-me a gra\u00e7a de me aproximar ao ver qualquer necessidade, a gra\u00e7a da mansid\u00e3o em qualquer conflito\u00bb.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, nesta noite santa, contemplamos o pres\u00e9pio: nele, \u00abo povo que andava nas trevas viu uma grande luz\u00bb (<em>Is<\/em>\u00a09, 1). Viram-na as pessoas simples, as pessoas dispostas a acolher o dom de Deus. Pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o a viram os arrogantes, os soberbos, aqueles que estabelecem as leis segundo os pr\u00f3prios crit\u00e9rios pessoais, aqueles que assumem atitudes de fechamento. Contemplemos o pres\u00e9pio e fa\u00e7amos este pedido \u00e0 Virgem M\u00e3e: \u00ab\u00d3 Maria, mostrai-nos Jesus!\u00bb<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao presidir a missa da vig\u00edlia de Natal, na noite desta quarta-feira, 24 de dezembro, na Bas\u00edlica de S. Pedro, o papa Francisco disse que &#8220;\u00e9 grande a necessidade que o mundo tem de ternura&#8221;. 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