{"id":280233,"date":"2021-06-01T14:35:33","date_gmt":"2021-06-01T17:35:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=280233"},"modified":"2021-06-01T14:36:57","modified_gmt":"2021-06-01T17:36:57","slug":"jesus-cristo-e-a-insistencia-sobre-a-comunhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/jesus-cristo-e-a-insistencia-sobre-a-comunhao\/","title":{"rendered":"Jesus Cristo e a insist\u00eancia sobre a comunh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Antonio de Assis Ribeiro<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo Auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo celebrado o tempo pascal, a solenidade de Pentecostes, da Sant\u00edssima Trindade e, nesta semana, o mist\u00e9rio do Corpo e Sangue de Cristo, somos chamados a aprofundar a import\u00e2ncia e a necessidade da comunh\u00e3o na Vida da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os disc\u00edpulos de Jesus Cristo devem ser apaixonados pela comunh\u00e3o.<br \/>\nA Igreja nasce do mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade e, por isso, a mesma deve ser a sua refer\u00eancia absoluta, seu fundamento e a fonte promotora da autenticidade do clima fraterno eclesial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos vivendo num mundo profundamente marcado pela fragmenta\u00e7\u00e3o, polariza\u00e7\u00f5es, dispers\u00e3o, divis\u00f5es, individualismo; tais males exercem sobre os disc\u00edpulos de Jesus Cristo uma profunda influ\u00eancia; em determinados contextos, acabam influenciando negativamente e enfraquecendo a beleza da Igreja. Somos contaminados!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Evangelii Gaudium o Papa Francisco observou esse desafio dizendo: \u201co individualismo p\u00f3s-moderno e globalizado favorece um estilo de vida que debilita o desenvolvimento e a estabilidade dos v\u00ednculos entre as pessoas e distorce os v\u00ednculos familiares. A a\u00e7\u00e3o pastoral deve mostrar ainda melhor que a rela\u00e7\u00e3o com o nosso Pai exige e incentiva uma comunh\u00e3o que cura, promove e fortalece os v\u00ednculos interpessoais\u201d (EG, 67). Por isso somos chamados a olhar para Jesus Cristo e aprofunda aquilo que deve nos distinguir sempre.<\/p>\n<p><strong>O Amor \u00e9 o nosso distintivo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mais profunda e significativa exig\u00eancia colocada por Jesus para os seus disc\u00edpulos foi aquela da viv\u00eancia do amor: \u201cEu dou a voc\u00eas um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei voc\u00eas, voc\u00eas devem se amar uns aos outros. Se voc\u00eas tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecer\u00e3o que voc\u00eas s\u00e3o meus disc\u00edpulos.\u00bb (Jo 13,25-26). \u00c9 dessa experi\u00eancia de amor que brota a comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evangelista Marcos, antes de fazer a lista daqueles que foram chamados por Jesus, diz que ao constituir o grupo dos doze, os chamou para que estivessem com Ele e para envi\u00e1-los a pregar (cf. Mc 3,14-15). A comunh\u00e3o, portanto, acontece antes de tudo, com o pr\u00f3prio Jesus; ele \u00e9 o centro de unidade e converg\u00eancia; nele nos encontramos e nos harmonizamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode estar com Ele, seguindo-o, sem vivermos em comunh\u00e3o com os demais disc\u00edpulos, irm\u00e3os de f\u00e9 e na caminhada, seguidores do mesmo mestre e senhor. Contudo, sabemos que isso aconteceu com um dos doze, Judas Iscariotes. Suas atitudes ser\u00e3o sempre um sinal de alerta para todos n\u00f3s. A Igreja, sem a experi\u00eancia da comunh\u00e3o, se transforma numa empresa prestadora de servi\u00e7os filantr\u00f3picos.<\/p>\n<p><strong>Jesus \u00e9 o nosso modelo <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus desafia seus disc\u00edpulos: &#8220;Um novo mandamento dou a voc\u00eas: amem-se uns aos outros. Como eu os amei, voc\u00eas devem amar-se uns aos outros&#8221; (Jo 13,34). O \u00e1gape, \u00e9 o amor com o qual Deus nos ama que supera toda\u00a0 e qualquer barreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Jesus de Nazar\u00e9 temos o exemplo das atitudes e gestos da Caridade. Na par\u00e1bola da videira e os ramos (cf. Jo 15,1-15), Jesus apresenta a seus disc\u00edpulos as condi\u00e7\u00f5es fundamentais para que eles possam amar como ele amou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os disc\u00edpulos s\u00f3 poder\u00e3o reproduzir o Amor de Jesus se forem capazes de estar em profunda comunh\u00e3o com Ele. Para que o seu amor seja por n\u00f3s, vivido, \u00e9 naturalmente necess\u00e1rio que estejamos em profunda comunh\u00e3o com Deus, sua fonte, pois \u201cDeus \u00e9 amor\u201d (1Jo 4,8). Jesus bebe do amor do Pai, por isso afirmou: \u201cassim como o Pai me amou eu amei voc\u00eas\u201d. N\u00f3s somos convidados a beber de Cristo, imitando-o no amor!<\/p>\n<p><strong>Permanecer na Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordemos estas insistentes palavras de Jesus: \u201cQuem fica unido a mim, e eu a ele, dar\u00e1 muito fruto, porque sem mim voc\u00eas n\u00e3o podem fazer nada&#8230; Se voc\u00eas ficam unidos a mim e minhas palavras permanecem em voc\u00eas, pe\u00e7am o que quiserem e ser\u00e1 concedido a voc\u00eas. Assim como meu Pai me amou, eu tamb\u00e9m amei voc\u00eas: permane\u00e7am no meu amor. Se voc\u00eas obedecem aos meus mandamentos, permanecer\u00e3o no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permane\u00e7o no seu amor. Eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em v\u00f3s e a vossa alegria seja plena\u201d (Jo 15,5.7.9-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O verbo \u201cpermanecer\u201d aparece diversas vezes ao longo desse trecho. \u201cPermanecer\u201d, mais que \u201ccontinuar a ser ou estar\u201d, quer dizer no contexto do evangelho de Jo\u00e3o, \u201cestar unido\u201d, assumindo os mesmos sentimentos e mentalidade de Jesus. Com a par\u00e1bola da rela\u00e7\u00e3o entre o tronco da videira e os ramos, Jesus quer alertar seus disc\u00edpulos para uma s\u00e9rie de quest\u00f5es muito importantes:<\/p>\n<p><strong>A tenta\u00e7\u00e3o da autossufici\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus \u00e9 claro ao falar da necessidade da nossa depend\u00eancia espiritual e moral por parte dos disc\u00edpulos. Jesus \u00e9 a fonte, o modelo a ser seguido, o espelho a ser mirado, o princ\u00edpio a ser obedecido, a meta a ser buscada; Jesus \u00e9 o tronco provedor da seiva que alimenta os ramos. A sensibilidade sociocultural de nossos dias, porque \u00e9 profundamente subjetivista (tudo centrado na pessoa, no sujeito) e relativista (tudo depende das escolhas de cada um), em muito se distancia desse ideal proposto por Jesus. O disc\u00edpulo de Jesus n\u00e3o pode ser aut\u00f4nomo, autossuficiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O reconhecimento da honesta depend\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A met\u00e1fora da videira, com seus ramos e frutos nos fala da import\u00e2ncia da depend\u00eancia do nosso agir em rela\u00e7\u00e3o a uma segura fonte \u00e9tica. O subjetivismo, gera o relativismo moral e, ambos proclamam a autossufici\u00eancia do indiv\u00edduo e, assim, a independ\u00eancia \u00e9tica gera o fracasso do disc\u00edpulo, uma vez que o verdadeiro disc\u00edpulo de Jesus n\u00e3o \u00e9 moralmente aut\u00f4nomo, ou seja, n\u00e3o \u00e9 ele quem decide o que \u00e9 bom e o que \u00e9 ruim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser humano quando age sem refer\u00eancias e n\u00e3o aceita nenhuma inst\u00e2ncia de confronto acaba se esvaziando e morrendo fechado em sua pobreza. Jesus Cristo \u00e9 a verdade que liberta (cf. Jo 8,31). Por outro lado, reconhecer a pr\u00f3pria insufici\u00eancia \u00e9 um ato de honestidade para com a pr\u00f3pria natureza fr\u00e1gil, enganosa, passageira.<\/p>\n<p><strong>A necessidade da Vida espiritual<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida espiritual que brota do amor a Jesus \u00e9 o dinamismo de deixar-se impulsionar pelo mesmo Esp\u00edrito que animava Jesus Cristo (comunh\u00e3o com o Pai) em sua miss\u00e3o e que se traduzia em compaix\u00e3o efetiva para com os pecadores (cf.Lc 4). Essa comunh\u00e3o de Jesus, com o Pai e o Esp\u00edrito, o tornou implac\u00e1vel contra todas as for\u00e7as do Mal\u00edgno. Sem vida espiritual, nos enfraquecemos, ficamos sem for\u00e7as, sem capacidade de resist\u00eancia e acabamos sendo arrastados por toda forma de tenta\u00e7\u00e3o (maldade).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa for\u00e7a espiritual fecunda a nossa vida e assim, produzimos bons frutos. Os disc\u00edpulos devem ser o \u201csal da terra\u201d e a \u201cluz do mundo\u201d (cf. Mt 5,13). Os disc\u00edpulos de Jesus devem ter um comportamento positivamente diferenciado e \u00e9 atrav\u00e9s do mandamento do Amor que dever\u00e3o fazer a diferen\u00e7a. O amor e a f\u00e9 sem obras, ou seja, sem consequ\u00eancias, s\u00e3o mortos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PARA APROFUNDAMENTO PESSOAL:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Quais s\u00e3o as maiores amea\u00e7as \u00e0 comunh\u00e3o da Fam\u00edlia e da Igreja?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias do individualismo na Igreja?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Por que o permanecer na Palavra promove a nossa fidelidade a Deus?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Antonio de Assis Ribeiro Bispo Auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA) &nbsp; Tendo celebrado o tempo pascal, a solenidade de Pentecostes, da Sant\u00edssima Trindade e, nesta semana, o mist\u00e9rio do Corpo e Sangue de Cristo, somos chamados a aprofundar a import\u00e2ncia e a necessidade da comunh\u00e3o na Vida da Igreja. 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