{"id":28668,"date":"2015-02-14T00:00:00","date_gmt":"2015-02-14T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/papa-francisco-fala-aos-cardeais-sobre-a-caridade\/"},"modified":"2015-02-14T00:00:00","modified_gmt":"2015-02-14T02:00:00","slug":"papa-francisco-fala-aos-cardeais-sobre-a-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/papa-francisco-fala-aos-cardeais-sobre-a-caridade\/","title":{"rendered":"Papa Francisco fala aos cardeais sobre a caridade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O papa Francisco criou hoje, 14 de fevereiro, durante o Consist\u00f3rio Ordin\u00e1rio P\u00fablico, na Bas\u00edlica Vaticana, 15 novos cardeais eleitores e 5 em\u00e9ritos. Os futuros cardeais anunciados s\u00e3o de diferentes pa\u00edses da Europa, \u00c1sia, Am\u00e9rica, \u00c1frica e Oceania. A celebra\u00e7\u00e3o foi acompanhada pelo papa em\u00e9rito Bento XVI.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em sua homilia, Francisco falou sobre o hino da caridade da primeira carta de S\u00e3o Paulo aos Cor\u00edntios e recordou aos cardeais que \u201ca caridade deve presidir sempre seu minist\u00e9rio\u201d. Leia, na \u00edntegra, a homilia do papa Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>HOMILIA DO PAPA FRANCISCO<\/strong><br \/><strong>Bas\u00edlica Vaticana<\/strong><br \/><strong>S\u00e1bado, 14 de fevereiro de 2015<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Amados Irm\u00e3os Cardeais!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A dignidade cardinal\u00edcia \u00e9 certamente uma dignidade, mas n\u00e3o \u00e9 honor\u00edfica. Assim no-lo indica o pr\u00f3prio nome \u2013 \u00abcardeal\u00bb \u2013, que evoca a \u00abcharneira\u00bb, a jun\u00e7\u00e3o cardinal, principal; n\u00e3o se trata, portanto, de algo acess\u00f3rio, decorativo que fa\u00e7a pensar a uma honorific\u00eancia, mas de um eixo, um ponto de apoio e movimento essencial para a vida da comunidade. V\u00f3s sois \u00abjun\u00e7\u00f5es cardinais\u00bb e estais incardinados na Igreja de Roma, que \u00abpreside \u00e0 universal assembleia da caridade\u00bb (CONC. ECUM. VAT. II, Const. dogm. Lumen gentium, 13; cf. SANTO IN\u00c1CIO DE ANTIOQUIA, Carta aos Romanos, Pr\u00f3logo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na Igreja, toda a presid\u00eancia prov\u00e9m da caridade, deve ser exercida na caridade e tem como fim a caridade. Tamb\u00e9m nisto a Igreja que est\u00e1 em Roma desempenha uma fun\u00e7\u00e3o exemplar: assim como ela preside na caridade, assim tamb\u00e9m cada Igreja particular \u00e9 chamada, no seu \u00e2mbito, a presidir \u00e0 caridade e na caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por isso, penso que o \u00abhino \u00e0 caridade\u00bb da Primeira Carta de S\u00e3o Paulo aos Cor\u00edntios (cap. 13) possa constituir a palavra-orientadora para esta celebra\u00e7\u00e3o e para o vosso minist\u00e9rio, de modo particular para aqueles de v\u00f3s que hoje passam a fazer parte do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio. E far-nos-\u00e1 bem \u2013 a come\u00e7ar por mim e v\u00f3s comigo \u2013 deixarmo-nos orientar pelas palavras inspiradas do ap\u00f3stolo Paulo, nomeadamente quando refere as caracter\u00edsticas da caridade. Venha em nossa ajuda, nesta escuta, a Virgem Maria, nossa M\u00e3e. Deu ao mundo Aquele que \u00e9 o \u00abcaminho que ultrapassa todos os outros\u00bb (cf. 1 Cor 12, 31): Jesus, Caridade encarnada. Que Ela nos ajude a acolher esta Palavra e a seguir sempre por este Caminho; nos ajude com a sua conduta humilde e terna de m\u00e3e, porque a caridade, dom de Deus, cresce onde h\u00e1 humildade e ternura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o Paulo come\u00e7a por nos dizer que a caridade \u00e9 \u00abmagn\u00e2nima\u00bb e \u00abben\u00e9vola\u00bb. Quanto mais se amplia a responsabilidade no servi\u00e7o \u00e0 Igreja, tanto mais se deve ampliar o cora\u00e7\u00e3o, dilatando-se de acordo com a medida do cora\u00e7\u00e3o de Cristo. Amagnanimidade \u00e9, em certo sentido, sin\u00f4nimo de catolicidade: \u00e9 saber amar sem limites, mas ao mesmo tempo fi\u00e9is \u00e0s situa\u00e7\u00f5es particulares e com gestos concretos. Amar o que \u00e9 grande, sem negligenciar o que \u00e9 pequeno; amar as coisas pequenas no horizonte das grandes, porque \u00abnon coerceri a maximo, contineri tamen a minimo divinum est\u00bb. Saber amar com gestos ben\u00e9volos. A benevol\u00eancia \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o firme e constante de querer o bem sempre e para todos, incluindo aqueles que n\u00e3o nos amam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Depois, o Ap\u00f3stolo diz que a caridade \u00abn\u00e3o \u00e9 invejosa, n\u00e3o \u00e9 arrogante nem orgulhosa\u00bb. Isto \u00e9 verdadeiramente um milagre da caridade, porque n\u00f3s, seres humanos (todos, e em todas as idades da vida), sentimo-nos inclinados \u00e0 inveja e ao orgulho por causa da nossa natureza ferida pelo pecado. E as pr\u00f3prias dignidades eclesi\u00e1sticas n\u00e3o est\u00e3o imunes desta tenta\u00e7\u00e3o. Mas por isso mesmo, amados Irm\u00e3os, pode sobressair ainda mais em n\u00f3s a for\u00e7a divina da caridade, que transforma de tal modo o c<span style=\"font-size: 12.1599998474121px;line-height: 1.3em\">ora\u00e7\u00e3o que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9s tu que vives, mas Cristo que vive em ti. E Jesus \u00e9 todo amor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m disso, a caridade \u00abn\u00e3o falta ao respeito, n\u00e3o procura o seu pr\u00f3prio interesse\u00bb. Estes dois tra\u00e7os revelam que, quem vive na caridade, se descentralizou de si mesmo. A pessoa que vive auto-centralizada, inevitavelmente falta ao respeito e, muitas vezes, nem se d\u00e1 conta disso, porque o \u00abrespeito\u00bb \u00e9 precisamente a capacidade de ter em conta o outro, a sua dignidade, a sua condi\u00e7\u00e3o, as suas necessidades. Quem est\u00e1 auto-centralizado, procura inevitavelmente o seu pr\u00f3prio interesse, parecendo-lhe isso normal, quase um dever. Tal \u00abinteresse\u00bb pode inclusivamente apresentar-se amantado com nobres revestimentos, mas por debaixo est\u00e1 sempre o \u00abpr\u00f3prio interesse\u00bb. Ao contr\u00e1rio, a caridade descentraliza-te, situando-te no \u00fanico verdadeiro centro que \u00e9 Cristo. Ent\u00e3o, sim, podes ser uma pessoa respeitadora e atenta ao bem dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A caridade, diz Paulo, \u00abn\u00e3o se irrita, n\u00e3o leva em conta o mal recebido\u00bb. Ao pastor que vive em contacto com as pessoas, n\u00e3o faltam ocasi\u00f5es para se irritar. E o risco de se irritar \u00e9 talvez ainda maior nas rela\u00e7\u00f5es entre n\u00f3s, irm\u00e3os, embora tenhamos efetivamente menos desculpa. Tamb\u00e9m disto \u00e9 a caridade, e s\u00f3 a caridade, que nos liberta. Liberta-nos do perigo de reagir impulsivamente, dizer e fazer coisas erradas; e sobretudo liberta-nos do risco mortal da ira retida, \u00abaninhada\u00bb no interior, que te leva a ter em conta os malef\u00edcios recebidos. N\u00e3o. Isto n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel no homem de Igreja. Entretanto se \u00e9 poss\u00edvel desculpar uma indigna\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea e imediatamente moderada, n\u00e3o se pode dizer o mesmo do rancor. Que Deus nos preserve e livre dele!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A caridade \u2013 acrescenta o Ap\u00f3stolo \u2013 \u00abn\u00e3o se alegra com a injusti\u00e7a, mas rejubila com a verdade\u00bb. Quem \u00e9 chamado na Igreja ao servi\u00e7o da governan\u00e7a deve ter um sentido t\u00e3o forte da justi\u00e7a que veja toda e qualquer injusti\u00e7a como inaceit\u00e1vel, incluindo aquela que possa ser vantajosa para si mesmo ou para a Igreja. E, ao mesmo tempo, \u00abrejubila com a verdade\u00bb: \u00e9 uma bela express\u00e3o! O homem de Deus \u00e9 algu\u00e9m que vive fascinado pela verdade e que a encontra plenamente na Palavra e na Carne de Jesus Cristo. Ele \u00e9 a fonte inesgot\u00e1vel da nossa alegria. Possa o povo de Deus encontrar sempre em n\u00f3s a den\u00fancia firme da injusti\u00e7a e o servi\u00e7o jubiloso da verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por fim, a caridade \u00abtudo desculpa, tudo cr\u00ea, tudo espera, tudo suporta\u00bb. Temos aqui, em quatro palavras, um programa de vida espiritual e pastoral. O amor de Cristo, derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es pelo Esp\u00edrito Santo, permite-nos viver assim, ser assim: pessoas capazes de perdoar sempre; de dar sempre confian\u00e7a, porque cheias de f\u00e9 em Deus; capazes de infundir sempre esperan\u00e7a, porque cheias de esperan\u00e7a em Deus; pessoas que sabem suportar com paci\u00eancia todas as situa\u00e7\u00f5es e cada irm\u00e3o e irm\u00e3, em uni\u00e3o com Jesus, que suportou com amor o peso de todos os nossos pecados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Amados irm\u00e3os, nada disto prov\u00e9m de n\u00f3s, mas de Deus. Deus \u00e9 amor e realiza tudo isto, se formos d\u00f3ceis \u00e0 a\u00e7\u00e3o do seu Santo Esp\u00edrito. Eis ent\u00e3o como devemos ser: incardinados e d\u00f3ceis. Quanto mais estivermos incardinados na Igreja que est\u00e1 em Roma, tanto mais nos devemos tornar d\u00f3ceis ao Esp\u00edrito, para que a caridade possa dar forma e sentido a tudo o que somos e fazemos. Incardinados na Igreja que preside na caridade, d\u00f3ceis ao Esp\u00edrito Santo, que derrama nos nossos cora\u00e7\u00f5es o amor de Deus (cf.Rom 5, 5). Assim seja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O papa Francisco criou hoje, 14 de fevereiro, durante o Consist\u00f3rio Ordin\u00e1rio P\u00fablico, na Bas\u00edlica Vaticana, 15 novos cardeais eleitores e 5 em\u00e9ritos. Os futuros cardeais anunciados s\u00e3o de diferentes pa\u00edses da Europa, \u00c1sia, Am\u00e9rica, \u00c1frica e Oceania. 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