{"id":28979,"date":"2016-09-01T00:00:00","date_gmt":"2016-09-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/papa-francisco-propoe-cuidado-da-criacao-como-obra-de-misericordia\/"},"modified":"2016-09-01T00:00:00","modified_gmt":"2016-09-01T03:00:00","slug":"papa-francisco-propoe-cuidado-da-criacao-como-obra-de-misericordia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/papa-francisco-propoe-cuidado-da-criacao-como-obra-de-misericordia\/","title":{"rendered":"Papa Francisco prop\u00f5e cuidado da cria\u00e7\u00e3o como obra de miseric\u00f3rdia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Igreja celebra o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelo Cuidado da Cria\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste 1\u00ba de setembro, a Igreja celebra o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelo Cuidado da Cria\u00e7\u00e3o. Institu\u00edda no ano passado, a data tem como objetivo, segundo o papa Francisco\u00a0na mensagem divulgada para a ocasi\u00e3o, de oferecer \u201ca cada fiel e \u00e0s comunidades a preciosa oportunidade para renovar a ades\u00e3o pessoal \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o de guardi\u00f5es da cria\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na mensagem,\u00a0o papa\u00a0prop\u00f5e um complemento aos dois elencos de sete obras de miseric\u00f3rdia, acrescentando a cada um o\u00a0cuidado da casa.\u00a0Francisco explica\u00a0que a vida crist\u00e3 inclui a pr\u00e1tica das obras de miseric\u00f3rdia corporais e espirituais e que \u00e9 habitual lembrar da a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas como hospitais para os doentes, sopa dos pobres para os famintos, abrigos para os que vivem pela estrada. \u201cMas, se as olharmos em conjunto, a mensagem que da\u00ed resulta \u00e9 que a miseric\u00f3rdia tem por objeto a pr\u00f3pria vida humana na sua totalidade\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Como obra de miseric\u00f3rdia espiritual, o cuidado da casa comum requer, segundo o papa, \u201ca grata contempla\u00e7\u00e3o do mundo que nos permite descobrir qualquer ensinamento que Deus nos quer transmitir atrav\u00e9s de cada coisa\u201d. Como obra de miseric\u00f3rdia corporal, por sua vez, solicita \u201csimples gestos cotidianos, pelos quais quebramos a l\u00f3gica da viol\u00eancia, da explora\u00e7\u00e3o, do ego\u00edsmo e se manifesta o amor em todas as a\u00e7\u00f5es que procuram construir um mundo melhor\u201d.<\/p>\n<h3 class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Iniciativas partilhadas<\/h3>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Tamb\u00e9m no texto, o papa caracterizou como encorajadora a partilha entre igrejas e comunidades crist\u00e3s, em conjunto com outras religi\u00f5es, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro do planeta. Francisco citou a\u00e7\u00f5es que promovem a justi\u00e7a ambiental, a solicitude pelos pobres e o servi\u00e7o respons\u00e1vel \u00e0 sociedade. \u201cCrist\u00e3o ou n\u00e3o, pessoas de f\u00e9 e de boa vontade, devemos estar unidos manifestando miseric\u00f3rdia para com a nossa casa comum \u2013 a terra \u2013 e valorizar plenamente o mundo em que vivemos como lugar de partilha e comunh\u00e3o\u201d, escreveu Francisco.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Leia, abaixo, a \u00edntegra da Mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelo Cuidado da Cria\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center\"><strong>MENSAGEM DE SUA SANTIDADE<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center\"><strong>PAPA FRANCISCO<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center\"><strong>PARA A CELEBRA\u00c7\u00c3O DO<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center\"><strong>DIA MUNDIAL DE ORA\u00c7\u00c3O PELO CUIDADO DA CRIA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center\">1 DE SETEMBRO DE 2016<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Usemos de miseric\u00f3rdia para com a nossa casa comum<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Em uni\u00e3o com os irm\u00e3os e irm\u00e3s ortodoxos e com a ades\u00e3o de outras Igrejas e Comunidades crist\u00e3s, a Igreja Cat\u00f3lica celebra hoje o \u00abDia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelo Cuidado da Cria\u00e7\u00e3o\u00bb. A ocorr\u00eancia tem como objetivo oferecer \u00aba cada fiel e \u00e0s comunidades a preciosa oportunidade para renovar a ades\u00e3o pessoal \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o de guardi\u00f5es da cria\u00e7\u00e3o, elevando a Deus o agradecimento pela obra maravilhosa que Ele confiou ao nosso cuidado, invocando a sua ajuda para a prote\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o e a sua miseric\u00f3rdia pelos pecados cometidos contra o mundo em que vivemos\u00bb.[1]<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">\u00c9 muito encorajador que a preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro do nosso planeta seja partilhada pelas Igrejas e comunidades crist\u00e3s em conjunto com outras religi\u00f5es. De facto, nos \u00faltimos anos, foram empreendidas muitas iniciativas por autoridades religiosas e organiza\u00e7\u00f5es para sensibilizar mais a opini\u00e3o p\u00fablica sobre os perigos da explora\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel do planeta. Quero aqui mencionar o Patriarca Bartolomeu e o seu antecessor Dimitrios, que durante muitos anos n\u00e3o cessaram de se pronunciar contra o pecado de causar danos \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, chamando a aten\u00e7\u00e3o para a crise moral e espiritual que est\u00e1 na base dos problemas ambientais e da degrada\u00e7\u00e3o. Em resposta \u00e0 crescente solicitude pela integridade da cria\u00e7\u00e3o, a III Assembleia Ecum\u00eanica Europeia (Sibiu, 2007) propunha que se celebrasse um \u00abTempo em prol da Cria\u00e7\u00e3o\u00bb com a dura\u00e7\u00e3o de cinco semanas entre o dia 1 de setembro (mem\u00f3ria ortodoxa da cria\u00e7\u00e3o divina) e 4 de outubro (mem\u00f3ria de Francisco de Assis, na Igreja Cat\u00f3lica e noutras tradi\u00e7\u00f5es ocidentais). A partir de ent\u00e3o aquela iniciativa, com o apoio do Conselho Mundial das Igrejas, inspirou muitas atividades ecum\u00eanicas em v\u00e1rias partes do mundo. Deve ser tamb\u00e9m motivo de alegria o facto de em todo o mundo iniciativas semelhantes, que promovem a justi\u00e7a ambiental, a solicitude pelos pobres e o servi\u00e7o respons\u00e1vel \u00e0 sociedade, terem feito encontrar pessoas, sobretudo jovens, de diferentes contextos religiosos. Crist\u00e3o ou n\u00e3o, pessoas de f\u00e9 e de boa vontade, devemos estar unidos manifestando miseric\u00f3rdia para com a nossa casa comum \u2013 a terra \u2013 e valorizar plenamente o mundo em que vivemos como lugar de partilha e comunh\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\"><strong>1. A terra clama&#8230;<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Com esta Mensagem, renovo o di\u00e1logo com \u00abcada pessoa que habita neste planeta\u00bb sobre os sofrimentos que afligem os pobres e a devasta\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Deus deu-nos de presente um exuberante jardim, mas estamos a transform\u00e1-lo numa polu\u00edda vastid\u00e3o de \u00abru\u00ednas, desertos e lixo\u00bb.[2] N\u00e3o podemos render-nos ou ficar indiferentes perante a perda da biodiversidade e a destrui\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, muitas vezes provocadas pelos nossos comportamentos irrespons\u00e1veis e ego\u00edstas. \u00abPor nossa causa, milhares de esp\u00e9cies j\u00e1 n\u00e3o dar\u00e3o gl\u00f3ria a Deus com a sua exist\u00eancia, nem poder\u00e3o comunicar-nos a sua pr\u00f3pria mensagem. N\u00e3o temos direito de o fazer\u00bb.[3]<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">O planeta continua a aquecer, em parte devido \u00e0 atividade humana: o ano de 2015 foi o ano mais quente de que h\u00e1 registo e, provavelmente, o ano de 2016 s\u00ea-lo-\u00e1 ainda mais. Isto provoca secura, inunda\u00e7\u00f5es, inc\u00eandios e acontecimentos meteorol\u00f3gicos extremos cada vez mais graves. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas contribuem tamb\u00e9m para a dolorosa crise dos migrantes for\u00e7ados. Os pobres do mundo, embora sejam os menos respons\u00e1veis pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis e j\u00e1 sofrem os seus efeitos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Como salienta a ecologia integral, os seres humanos est\u00e3o profundamente ligados entre si e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o na sua totalidade. Quando maltratamos a natureza, maltratamos tamb\u00e9m os seres humanos. Ao mesmo tempo, cada criatura tem o seu pr\u00f3prio valor intr\u00ednseco que deve ser respeitado. Escutemos \u00abtanto o clamor da terra como o clamor dos pobres\u00bb[4] e procuremos atentamente ver como se pode garantir uma resposta adequada e c\u00e9lere.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\"><strong>2. &#8230;porque pecamos<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Deus deu-nos a terra para a cultivar e guardar (cf. Gn 2, 15) com respeito e equil\u00edbrio. Cultiv\u00e1-la \u00abdemasiado\u00bb \u2013 isto \u00e9, explorando-a de maneira m\u00edope e ego\u00edsta \u2013 e guard\u00e1-la pouco, \u00e9 pecado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Com coragem, o amado Patriarca Ecum\u00eanico Bartolomeu tem, repetida e profeticamente, posto em evid\u00eancia os nossos pecados contra a cria\u00e7\u00e3o: \u00abQuando os seres humanos destroem a biodiversidade na cria\u00e7\u00e3o de Deus; quando os seres humanos comprometem a integridade da terra e contribuem para a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, desnudando a terra das suas florestas naturais ou destruindo as suas zonas \u00famidas; quando os seres humanos contaminam as \u00e1guas, o solo, o ar&#8230; tudo isso \u00e9 pecado\u00bb. Porque \u00abum crime contra a natureza \u00e9 um crime contra n\u00f3s mesmos e um pecado contra Deus\u00bb.[5]<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Em face do que est\u00e1 a acontecer \u00e0 nossa casa, possa o Jubileu da Miseric\u00f3rdia chamar os fi\u00e9is crist\u00e3os \u00aba uma profunda convers\u00e3o interior\u00bb,[6] sustentada de modo particular pelo sacramento da Penit\u00eancia. Neste Ano Jubilar, aprendamos a procurar a miseric\u00f3rdia de Deus para os pecados contra a cria\u00e7\u00e3o que at\u00e9 agora n\u00e3o soubemos reconhecer nem confessar; e comprometamo-nos a dar passos concretos no caminho da convers\u00e3o ecol\u00f3gica, que exige uma clara tomada de consci\u00eancia da responsabilidade que temos para connosco, o pr\u00f3ximo, a cria\u00e7\u00e3o e o Criador.[7]<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\"><strong>3. Exame de consci\u00eancia e arrependimento<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">O primeiro passo neste caminho \u00e9 sempre um exame de consci\u00eancia, que \u00abimplica gratid\u00e3o e gratuidade, ou seja, um reconhecimento do mundo como dom recebido do amor do Pai, que consequentemente provoca disposi\u00e7\u00f5es gratuitas de ren\u00fancia e gestos generosos (\u2026). Implica ainda a consci\u00eancia amorosa de n\u00e3o estar separado das outras criaturas, mas de formar com os outros seres do universo uma estupenda comunh\u00e3o universal. O crente contempla o mundo, n\u00e3o como algu\u00e9m que est\u00e1 fora dele, mas dentro, reconhecendo os la\u00e7os com que o Pai nos uniu a todos os seres\u00bb.[8]<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">A este Pai, cheio de miseric\u00f3rdia e bondade, que aguarda o regresso de cada um dos seus filhos, podemos dirigir-nos reconhecendo os nossos pecados para com a cria\u00e7\u00e3o, os pobres e as gera\u00e7\u00f5es futuras. \u00abTodos n\u00f3s, na medida em que causamos pequenos danos ecol\u00f3gicos\u00bb, somos chamados a reconhecer \u00aba nossa contribui\u00e7\u00e3o \u2013 pequena ou grande \u2013 para a desfigura\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o do ambiente\u00bb.[9] Este \u00e9 o primeiro passo no caminho da convers\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Em 2000, tamb\u00e9m ele um Ano Jubilar, o meu predecessor S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II convidou os cat\u00f3licos a arrepender-se da intoler\u00e2ncia religiosa passada e presente, bem como das injusti\u00e7as cometidas contra os judeus, as mulheres, os povos ind\u00edgenas, os imigrantes, os pobres e os nascituros. Neste Jubileu Extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia, convido cada um a fazer algo parecido. Como indiv\u00edduos, acostumados a estilos de vida induzidos quer por uma cultura equivocada do bem-estar quer por um \u00abdesejo desordenado de consumir mais do que realmente se tem necessidade\u00bb,[10] e como participantes dum sistema que \u00abimp\u00f4s a l\u00f3gica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclus\u00e3o social nem na destrui\u00e7\u00e3o da natureza\u00bb,[11] arrependamo-nos do mal que estamos a fazer \u00e0 nossa casa comum.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Depois dum s\u00e9rio exame de consci\u00eancia e habitados por tal arrependimento, podemos confessar os nossos pecados contra o Criador, contra a cria\u00e7\u00e3o, contra os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s. \u00abO Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica apresenta-nos o confession\u00e1rio como um lugar onde a verdade nos torna livres para um encontro\u00bb.[12] Sabemos que \u00abDeus \u00e9 maior do que o nosso pecado\u00bb,[13] do que todos os pecados, incluindo os pecados contra a cria\u00e7\u00e3o. Confessamo-los, porque estamos arrependidos e queremos mudar. E a gra\u00e7a misericordiosa de Deus, que recebemos no sacramento, ajudar-nos-\u00e1 a faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\"><strong>4. Mudar de rumo<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">O exame de consci\u00eancia, o arrependimento e a confiss\u00e3o ao Pai, rico em miseric\u00f3rdia, levam-nos a um prop\u00f3sito firme de mudar de vida. Isto deve traduzir-se em atitudes e comportamento concretos mais respeitadores da cria\u00e7\u00e3o, como, por exemplo, fazer uma utiliza\u00e7\u00e3o judiciosa do pl\u00e1stico e do papel, n\u00e3o desperdi\u00e7ar \u00e1gua, comida e eletricidade, diferenciar o lixo, tratar com desvelo os outros seres vivos, usar os transportes p\u00fablicos e partilhar o mesmo ve\u00edculo com v\u00e1rias pessoas, etc.[14] N\u00e3o devemos pensar que estes esfor\u00e7os sejam demasiado pequenos para melhorar o mundo. Tais a\u00e7\u00f5es \u00abprovocam, no seio desta terra, um bem que sempre tende a difundir-se, por vezes invisivelmente\u00bb,[15] e incentivam \u00abum estilo de vida prof\u00e9tico e contemplativo, capaz de gerar profunda alegria sem estar obcecado pelo consumo\u00bb.[16]<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">De igual modo, o prop\u00f3sito de mudar de vida deve permear a maneira como estamos a contribuir para a constru\u00e7\u00e3o da cultura e da sociedade a que pertencemos: de facto, \u00abo cuidado da natureza faz parte dum estilo de vida que implica capacidade de viver juntos e de comunh\u00e3o\u00bb.[17] A economia e a pol\u00edtica, a sociedade e a cultura n\u00e3o podem ser dominadas por uma mentalidade de curto prazo nem pela busca de imediato benef\u00edcio financeiro ou eleitoral. Pelo contr\u00e1rio, aquelas devem ser urgentemente reorientadas para o bem comum, que inclui a sustentabilidade e o cuidado da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Um caso concreto \u00e9 o da \u00abd\u00edvida ecol\u00f3gica\u00bb entre o Norte e o Sul do mundo.[18] A sua restitui\u00e7\u00e3o exigiria cuidar do meio ambiente dos pa\u00edses mais pobres, fornecendo-lhes recursos financeiros e assist\u00eancia t\u00e9cnica que os ajudem a gerir as consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e promover o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">A prote\u00e7\u00e3o da casa comum requer um consenso pol\u00edtico crescente. Neste sentido, \u00e9 motivo de satisfa\u00e7\u00e3o o facto de que, em setembro de 2015, as na\u00e7\u00f5es da terra adotaram os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e, em dezembro de 2015, aprovaram o Acordo de Paris sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que se prop\u00f5e o dif\u00edcil mas fundamental objetivo de conter a subida da temperatura global. Agora, os governos t\u00eam o dever de respeitar os compromissos que assumiram, enquanto as empresas devem responsavelmente cumprir a sua parte, e cabe aos cidad\u00e3os exigir que isto aconte\u00e7a e tamb\u00e9m se aponte para objetivos cada vez mais ambiciosos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Assim, mudar de rumo consiste em \u00abrespeitar escrupulosamente o mandamento primordial de preservar a cria\u00e7\u00e3o de todo o mal, tanto para o nosso bem como para o bem de outros seres humanos\u00bb.[19] H\u00e1 uma pergunta que nos pode ajudar a n\u00e3o perder de vista este objetivo: \u00abQue tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, \u00e0s crian\u00e7as que est\u00e3o a crescer?\u00bb[20]<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\"><strong>5. Uma nova obra de miseric\u00f3rdia<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">\u00abNada une mais a Deus do que um ato de miseric\u00f3rdia (\u2026), quer se trate da miseric\u00f3rdia com que o Senhor nos perdoa os nossos pecados, quer se trate da gra\u00e7a que nos d\u00e1 para praticarmos as obras de miseric\u00f3rdia em seu nome\u00bb.[21]<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Parafraseando S\u00e3o Tiago, \u00aba miseric\u00f3rdia sem as obras est\u00e1 morta em si mesma. (&#8230;) Devido \u00e0s mudan\u00e7as no nosso mundo globalizado, algumas pobrezas materiais e espirituais t\u00eam-se multiplicado: demos pois espa\u00e7o \u00e0 criatividade da caridade para identificar novas modalidades operativas. Desta forma, o caminho da miseric\u00f3rdia tornar-se-\u00e1 sempre mais concreto\u00bb.[22]<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">A vida crist\u00e3 inclui a pr\u00e1tica das tradicionais obras de miseric\u00f3rdia corporais e espirituais.[23] \u00abEstamos habituados a pensar nas obras de miseric\u00f3rdia uma a uma e enquanto ligadas a uma obra: hospitais para os doentes, sopa dos pobres para os famintos, abrigos para os que vivem pela estrada, escolas para quem precisa de instru\u00e7\u00e3o, o confession\u00e1rio e a dire\u00e7\u00e3o espiritual para quem necessita de conselho e perd\u00e3o\u2026 Mas, se as olharmos em conjunto, a mensagem que da\u00ed resulta \u00e9 que a miseric\u00f3rdia tem por objeto a pr\u00f3pria vida humana na sua totalidade\u00bb.[24]<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Obviamente, a \u00abvida humana na sua totalidade\u00bb inclui o cuidado da casa comum. Por isso, tomo a liberdade de propor um complemento aos dois elencos de sete obras de miseric\u00f3rdia, acrescentando a cada um o cuidado da casa comum.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Como obra de miseric\u00f3rdia espiritual, o cuidado da casa comum requer \u00aba grata contempla\u00e7\u00e3o do mundo\u00bb,[25] que \u00abnos permite descobrir qualquer ensinamento que Deus nos quer transmitir atrav\u00e9s de cada coisa\u00bb.[26]Como obra de miseric\u00f3rdia corporal, o cuidado da casa comum requer aqueles \u00absimples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a l\u00f3gica da viol\u00eancia, da explora\u00e7\u00e3o, do ego\u00edsmo\u00bb e se manifesta o amor \u00abem todas as a\u00e7\u00f5es que procuram construir um mundo melhor\u00bb.[27]<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\"><strong>6. Para concluir, rezemos<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Apesar dos nossos pecados e os desafios tremendos que temos pela frente, nunca percamos a esperan\u00e7a: \u00abO Criador n\u00e3o nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem Se arrepende de nos ter criado (\u2026), porque Se uniu definitivamente \u00e0 nossa terra e o seu amor sempre nos leva a encontrar novos caminhos\u00bb.[28] No dia 1 de setembro em particular, e depois no resto do ano, rezemos:<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">\u00ab\u00d3 Deus dos pobres,<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">ajudai-nos a resgatar os abandonados<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">e esquecidos desta terra<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">que valem tanto aos vossos olhos (\u2026).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">\u00d3 Deus de amor, mostrai-nos o nosso lugar neste mundo<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">como instrumentos do vosso carinho por todos os seres desta terra\u00bb.[29]\u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">\u00d3 Deus de miseric\u00f3rdia, concedei-nos a gra\u00e7a de receber o vosso perd\u00e3o<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">e transmitir a vossa miseric\u00f3rdia em toda a nossa casa comum.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Louvado sejais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify\">Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Igreja celebra o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelo Cuidado da Cria\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":28980,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[784],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/28979"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=28979"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/28979\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/28980"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=28979"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=28979"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=28979"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}