{"id":29371,"date":"2013-03-01T00:00:00","date_gmt":"2013-03-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/carta-dos-povos-e-comunidades-tradicionais\/"},"modified":"2020-03-11T17:11:57","modified_gmt":"2020-03-11T20:11:57","slug":"carta-dos-povos-e-comunidades-tradicionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/carta-dos-povos-e-comunidades-tradicionais\/","title":{"rendered":"Carta dos povos e comunidades tradicionais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Ap\u00f3s encontro realizado em Luzi\u00e2nia (GO) entre os dias 25 e 28 de fevereiro, representantes de comunidades tradicionais de todo o pa\u00eds divulgaram uma carta que reafirma os processos de luta e resist\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es tradicionais. Veja a carta na \u00edntegra.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">CARTA DOS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cO mundo est\u00e1 doente; precisa de cura\u201d (Ninawa, Hunikui, Acre)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No \u00e2mbito dos eventos da V Semana Social Brasileira e do Encontro Unit\u00e1rio dos Povos do Campo, das \u00c1guas e da Floresta, n\u00f3s, povos ind\u00edgenas, quilombolas, pescadores artesanais, seringueiros, vazanteiros, quebradeiras de coco, litor\u00e2neos e ribeirinhos, comunidades de fundo e fecho de pasto e posseiros de todo o Brasil, mulheres e homens de luta, nos encontramos em Luzi\u00e2nia GO, nos dias de 25 a 28 de fevereiro, para partilhar cruzes e esperan\u00e7as e repensar as nossas lutas frente ao avan\u00e7o cada vez mais acelerado e violento do capital e do Estado sobre os nossos direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vivemos o encontro como um momento hist\u00f3rico, que confirma a realidade indiscut\u00edvel de uma articula\u00e7\u00e3o e alian\u00e7a entre povos ind\u00edgenas, quilombolas, pescadores artesanais e camponeses. O di\u00e1logo entre povos e comunidades que expressam culturas e tradi\u00e7\u00f5es diferentes, frequentemente marcadas por preconceitos e rejei\u00e7\u00e3o, volta-se para a defesa e reconquista dos nossos territ\u00f3rios.&nbsp; Este \u00e9 o processo que unifica sonhos e estrat\u00e9gias na constru\u00e7\u00e3o de um Pa\u00eds diferente que se op\u00f5e \u00e0 doen\u00e7a capitalista do agro e hidroneg\u00f3cio, minera\u00e7\u00e3o, hidroel\u00e9tricas, incentivada e financiada pelo Estado, em nome do chamado desenvolvimento e crescimento do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o nos deixaremos curvar pelo avan\u00e7o insaci\u00e1vel do capitalismo com o seu cortejo de pol\u00edticas governamentais nefastas e genocidas. Territ\u00f3rio n\u00e3o se negocia n\u00e3o se vende n\u00e3o se troca. \u00c9 o espa\u00e7o sagrado onde fazemos crescer a vida, nossa cultura e jeito de viver, nos organizar, ser livres e felizes. \u201cTerrit\u00f3rios livres, j\u00e1!!!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA senzala n\u00e3o acabou. Ficamos livres das correntes e dos grilh\u00f5es, mas continuamos presos ao cativeiro do sistema\u201d. (Rosemeire, Quilombo dos Rios dos Macacos, Bahia)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Constatamos, mais uma vez, com dor e ang\u00fastia, o retrocesso armado pelos tr\u00eas poderes do Estado para desconstruir, com leis, portarias, como a 303, PEC 215, ADIN 3239, e decretos de exce\u00e7\u00e3o, a Constitui\u00e7\u00e3o, que garante, em tese, os nossos direitos territoriais e culturais. \u00c9 revoltoso e do\u00eddo o que estamos passando nas nossas aldeias, quilombos e comunidades: nossos territ\u00f3rios invadidos, a natureza sendo destru\u00edda, nossa diversidade cultural desrespeitada e a sujei\u00e7\u00e3o pol\u00edtica via migalhas compensat\u00f3rias. Querem nos encurralar! Sofremos humilha\u00e7\u00f5es, viol\u00eancias, morte e assassinatos, o que nos leva a tomar uma atitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro passo para uma verdadeira liberta\u00e7\u00e3o do cativeiro a que estamos submetidos, \u00e9 continuar o di\u00e1logo intercultural, para conhecermos melhor nossas diversidades, riquezas e lutas. Segundo passo \u00e9 encontrarmos estrat\u00e9gias de unifica\u00e7\u00e3o de nossas pautas para a constru\u00e7\u00e3o de uma frente unificada, que possa se contrapor, com efic\u00e1cia, ao capital e ao Estado, a partir de mobiliza\u00e7\u00f5es regionais dos povos ind\u00edgenas e das popula\u00e7\u00f5es do campo, das \u00e1guas e da floresta. <br \/>Estamos de olho nas a\u00e7\u00f5es dos tr\u00eas poderes do Estado brasileiro, para nos defendermos do arb\u00edtrio da desconstru\u00e7\u00e3o dos direitos e da viol\u00eancia institucional e privada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diante da total paralisia do Governo Dilma em cumprir a Constitui\u00e7\u00e3o e na contram\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o internacional (OIT 169) que decretam o reconhecimento dos direitos dos povos ind\u00edgenas e das popula\u00e7\u00f5es tradicionais, exigimos a imediata demarca\u00e7\u00e3o e titula\u00e7\u00e3o dos nossos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Acreditamos que a nossa luta, na constru\u00e7\u00e3o de projetos de Bem Viver, \u00e9 sagrada, aben\u00e7oada e acompanhada pelo \u00fanico Deus dos muitos nomes e pela presen\u00e7a animadora dos nossos m\u00e1rtires e encantados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Luzi\u00e2nia, 28 de fevereiro de 2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s encontro realizado em Luzi\u00e2nia (GO) entre os dias 25 e 28 de fevereiro, representantes de comunidades tradicionais de todo o pa\u00eds divulgaram uma carta que reafirma os processos de luta e resist\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es tradicionais. 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