{"id":29649,"date":"2011-08-12T00:00:00","date_gmt":"2011-08-12T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/igreja-judiciario-e-sociedade-civil-debatem-o-trabalho-escravo-e-o-trafico-de-pessoas\/"},"modified":"2020-03-11T17:14:17","modified_gmt":"2020-03-11T20:14:17","slug":"igreja-judiciario-e-sociedade-civil-debatem-o-trabalho-escravo-e-o-trafico-de-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/igreja-judiciario-e-sociedade-civil-debatem-o-trabalho-escravo-e-o-trafico-de-pessoas\/","title":{"rendered":"Igreja, Judici\u00e1rio e Sociedade Civil debatem o Trabalho Escravo e o Tr\u00e1fico de Pessoas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\u201cS\u00e3o graves as quest\u00f5es do Tr\u00e1fico de Pessoas e do Trabalho Escravo no Brasil\u201d, afirmou o secret\u00e1rio nacional de Justi\u00e7a, Paulo Abr\u00e3o, na abertura do 2\u00ba Semin\u00e1rio Nacional de Enfrentamento ao Tr\u00e1fico de Pessoas e ao Trabalho Escravo, que acontece desde o dia 11, em Bras\u00edlia, no Centro Cultural de Bras\u00edlia. O evento \u00e9 promovido pela Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil, por meio do setor de Mobilidade Humana, juntamente com o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e a C\u00e1ritas dos Estados Unidos da Am\u00e9rica (Catholic Relief Services).<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo o bispo de Balsas (MA) e vice-presidente da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), dom Enem\u00e9sio \u00c2ngelo Lazzaris, um dos objetivos do encontro \u00e9 compreender o panorama atual do Tr\u00e1fico de Pessoas e Trabalho Escravo no Brasil, \u201cidentificando problemas, indicadores e a\u00e7\u00f5es desenvolvidas, para fortalecer a a\u00e7\u00e3o pastoral frente a essa realidade em nosso pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em outubro de 2008, a CNBB organizou o 1\u00ba Semin\u00e1rio, com a participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios especialistas e representantes do Governo Federal, resultando em uma publica\u00e7\u00e3o intitulada \u201cTr\u00e1fico de Pessoas no Brasil\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 2010, a CNBB, atrav\u00e9s do Setor Mobilidade Humana, criou um Grupo de Trabalho voltado para o tema do tr\u00e1fico de pessoas. Este grupo \u00e9 constitu\u00eddo por aproximadamente 15 institui\u00e7\u00f5es. Foram essas institui\u00e7\u00f5es que incentivaram a realiza\u00e7\u00e3o do 2\u00ba Semin\u00e1rio. \u201cCom esse segundo evento, queremos aprofundar os estudos do primeiro e tamb\u00e9m da realidade no Brasil. Queremos ainda refletir os desafios que esta realidade representa para n\u00f3s, tra\u00e7ar propostas de a\u00e7\u00f5es pastorais e elaborar sugest\u00f5es para o 2\u00ba Plano Nacional de Enfrentamento ao Tr\u00e1fico de Pessoas e Trabalho Escravo, do Governo Federal\u201d, explicou a assessora da Pastoral da Mobilidade Humana, da CNBB, irm\u00e3 Rosita Milesi.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">Tr\u00e1fico de Pessoas<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" alignleft size-full wp-image-8896\" style=\"float: left\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/irhenriqueta.jpg\" alt=\"irhenriqueta\" width=\"300\" height=\"263\" \/>Uma das convidadas a falar sobre o Tr\u00e1fico de Pessoas, a irm\u00e3 Henriqueta Cavalcante, que atua durante anos no Norte do Brasil, em especial no Par\u00e1, afirmou que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 preocupante. Segundo a religiosa, h\u00e1 ind\u00edcios de envolvimento de funcion\u00e1rios dos tr\u00eas poderes (Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio) em casos de Tr\u00e1fico de Seres Humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cAp\u00f3s a instaura\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9ritos (CPI), pela Assembleia Legislativa do estado do Par\u00e1, foi que os casos come\u00e7aram a aparecer. Antes, se algu\u00e9m fosse a alguma delegacia de pol\u00edcia do estado, procurando informa\u00e7\u00f5es ou inqu\u00e9ritos abertos sobre Tr\u00e1fico de Seres Humanos, n\u00e3o encontraria nada. Sabemos de envolvimento de pessoas ligadas aos poderes do Estado numa verdadeira rede nacional e transnacional de Tr\u00e1fico de Pessoas\u201d, afirmou irm\u00e3 Henriqueta, que \u00e9 considerada uma das maiores defensoras dos direitos humanos no Par\u00e1 e, por conta de sua atua\u00e7\u00e3o no estado, \u00e9 amea\u00e7ada de morte.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">Trabalho Escravo<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" alignleft size-full wp-image-11164\" style=\"float: left\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Frei_Plassat.jpg\" alt=\"Frei_Plassat\" width=\"300\" height=\"355\" \/>A situa\u00e7\u00e3o do Trabalho Escravo n\u00e3o \u00e9 muito diferente da do Tr\u00e1fico de Pessoas, como afirmou frei Xavier Plassat, que \u00e9 o coordenador da Campanha de Combate ao Trabalho Escravo, da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra. Segundo frei Xavier, o trabalho escravo no Brasil \u00e9 considerado por grande parte da popula\u00e7\u00e3o como um fen\u00f4meno invis\u00edvel ou mesmo inexistente. \u201cQueremos abrir os olhos da popula\u00e7\u00e3o e dos governantes para o crime que se comete em pleno s\u00e9culo 21, que \u00e9 o Trabalho Escravo\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De acordo com dados da CPT, no pa\u00eds, 42 mil pessoas foram libertadas de situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o desde o ano de 1995 at\u00e9 os dias atuais. De 2003 para c\u00e1, 90% dos libertados trabalhavam diretamente com a produ\u00e7\u00e3o do Etanol ou da Pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cOs maiores \u2018incentivadores\u2019 do Trabalho Escravo no Brasil s\u00e3o o etanol, a carne, a soja e o carv\u00e3o. Mais de 1\/3 dos trabalhadores libertos nos \u00faltimos anos atuavam diretamente com a produ\u00e7\u00e3o do etanol. Outros 60% com a pecu\u00e1ria\u201d, explicou o frei Plassat.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O frei afirma que a sociedade poderia contribuir mais, n\u00e3o s\u00f3 informando sobre casos de Trabalho Escravo, mas com press\u00e3o direta ao poder p\u00fablico para que, os flagrados cometendo essa pr\u00e1tica [trabalho escravo], sejam punidos com mais severidade. \u201cA Igreja apoia a PEC 438\/2001 que estabelece a perda da terra, o condenado de explorar o trabalho escravo, revertendo \u00e0 \u00e1rea ao assentamento dos colonos que j\u00e1 trabalhavam na respectiva terra. Ent\u00e3o acho que mais press\u00e3o social, mobiliza\u00e7\u00e3o internacional e veicula\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias na m\u00eddia ajudaria o Governo a identificar pontos sens\u00edveis que poderiam ser melhorados no combate ao Trabalho Escravo\u201d, finalizou frei Plassat.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cS\u00e3o graves as quest\u00f5es do Tr\u00e1fico de Pessoas e do Trabalho Escravo no Brasil\u201d, afirmou o secret\u00e1rio nacional de Justi\u00e7a, Paulo Abr\u00e3o, na abertura do 2\u00ba Semin\u00e1rio Nacional de Enfrentamento ao Tr\u00e1fico de Pessoas e ao Trabalho Escravo, que acontece desde o dia 11, em Bras\u00edlia, no Centro Cultural de Bras\u00edlia. 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