{"id":30076,"date":"2018-05-02T00:00:00","date_gmt":"2018-05-02T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/revista-bote-fe-traz-materia-sobre-fluxo-migratorio-de-venezuelanos-para-o-brasil\/"},"modified":"2025-02-17T18:21:54","modified_gmt":"2025-02-17T21:21:54","slug":"revista-bote-fe-traz-materia-sobre-fluxo-migratorio-de-venezuelanos-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/revista-bote-fe-traz-materia-sobre-fluxo-migratorio-de-venezuelanos-para-o-brasil\/","title":{"rendered":"O fluxo migrat\u00f3rio de Venezuelanos para o Brasil em busca de sobreviv\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A Edi\u00e7\u00f5es CNBB est\u00e1 circulando a Revista Bote F\u00e9 edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 23, correspondente aos meses de abril, maio e junho de 2018, com uma mat\u00e9ria especial sobre o fluxo migrat\u00f3rio de venezuelanos para o Brasil.\u00a0Em busca de uma vida melhor, estabilidade financeira, servi\u00e7os de sa\u00fade e alimentos, centenas deles fogem da severa crise que assola o seu pa\u00eds, tendo como porta principal de entrada o Estado de Roraima, no Brasil.\u00a0A prefeitura de Boa Vista, capital do Estado, estima que cerca de 40 mil venezuelanos j\u00e1 tenham entrado na cidade, o que representa mais de 10% do total de habitantes, hoje estimado em mais de 300 mil. Guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, a reportagem mostra que Roraima vive uma crise de imigra\u00e7\u00e3o sem precedentes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_188638\" aria-describedby=\"caption-attachment-188638\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-188638 size-medium\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Constantino-300x167.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"167\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-188638\" class=\"wp-caption-text\">Constantino Sapata, ind\u00edgena, 28 anos<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Natural de Tucupita, cidade na Venezuela, Constatino Sapata, de 28 anos veio para Pacaraima com o objetivo de conseguir alimento e trabalho. O ind\u00edgena, que j\u00e1 \u00e9 vi\u00favo, deixou duas irm\u00e3s em seu pa\u00eds de origem para tentar a sorte no Brasil. Ele j\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas meses no abrigo. \u201cAqui \u00e9 melhor do que na Venezuela. H\u00e1 tudo: comida, trabalho\u201d, afirma. Constatino teve a sorte que nem todos t\u00eam: a chance de ficar no abrigo. Muitos deles est\u00e3o vivendo na rua, em qualquer lugar que os proteja, ao menos, da chuva e do sol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Boa Vista a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente. Por l\u00e1 a maioria dos imigrantes tamb\u00e9m est\u00e3o em busca de emprego e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Jessika Rubio, de 27 anos veio para a cidade com a filha, de 5. Abrigadas no p\u00e1tio da Par\u00f3quia Nossa Senhora da Consolata, a imigrante conta que a situa\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds de origem \u00e9 prec\u00e1ria. \u201cNa Venezuela n\u00e3o se consegue comida por ser muito cara. O sal\u00e1rio de uma pessoa que trabalha n\u00e3o serve para nada. O dinheiro n\u00e3o serve nem para comprar uma roupa para a crian\u00e7a\u201d, relata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme dados divulgados pela Pol\u00edcia Federal em Roraima, a maioria dos venezuelanos que migram para o estado \u00e9 de Caracas, capital do pa\u00eds. Mais de 58% s\u00e3o homens e jovens entre 22 e 25 anos. A maior parte deles s\u00e3o estudantes (17,93%), seguidos por economistas (7,83%), engenheiros (6,21%) e m\u00e9dicos (4,83%). Segundo o professor da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e especialista em fluxo migrat\u00f3rio, Jo\u00e3o Carlos Jarochinski Silva a forte onda migrat\u00f3ria \u00e9 explicada pela severa crise econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social pela qual passa a Venezuela.<\/p>\n<figure id=\"attachment_188639\" aria-describedby=\"caption-attachment-188639\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-188639 size-medium\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/4-paracaima_larozza-12002-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-188639\" class=\"wp-caption-text\">Abrigo do povo ind\u00edgena War\u00e3o, em Pacaraima<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo contato di\u00e1rio com esses imigrantes \u2013 uso esse termo, pois, ainda, n\u00e3o houve an\u00e1lise das solicita\u00e7\u00f5es de ref\u00fagio dos que ingressaram nesse atual fluxo \u2013 eles relatam situa\u00e7\u00f5es em que fogem da escassez de alimentos e medicamentos, do aumento da viol\u00eancia no pa\u00eds, da dificuldade em conseguirem se manter com os sal\u00e1rios que recebiam, visto que h\u00e1 uma infla\u00e7\u00e3o recorde no pa\u00eds. Esses fatores, geram o que eu chamo de uma migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada em virtude desse quadro que praticamente expulsa as pessoas de seu pa\u00eds\u201d, explica o professor.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Carlos afirma que o Brasil n\u00e3o est\u00e1 preparado para receber esses imigrantes, mas acredita que isso n\u00e3o \u00e9 raz\u00e3o para impedir a sua entrada no pa\u00eds. \u201cO Brasil precisa, definitivamente, assumir seus compromissos e estabelecer uma pol\u00edtica migrat\u00f3ria coerente com seus princ\u00edpios e com aquilo que defende para os brasileiros que se encontram no exterior para refor\u00e7ar seu aparato e oferecer acolhimento digno e possibilidade de integra\u00e7\u00e3o para esses imigrantes\u201d, finaliza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800000;\"><strong>Ajuda humanit\u00e1ria<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja Cat\u00f3lica tem sido uma das fontes de solidariedade aos milhares de imigrantes venezuelanos. Junto com entidades da sociedade civil e pessoas de boa-vontade tocadas pelas necessidades humanas dos imigrantes, somam-se for\u00e7as para dar abrigo, alimenta\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia. \u201cSabemos que \u00e9 uma realidade delicada, uma situa\u00e7\u00e3o emergente, humanit\u00e1ria. Digamos de muita necessidade, de acolhida como nos ensina o papa Francisco e tamb\u00e9m de promo\u00e7\u00e3o e de integra\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o bispo de Roraima, dom M\u00e1rio Ant\u00f4nio da Silva.<\/p>\n<figure id=\"attachment_188640\" aria-describedby=\"caption-attachment-188640\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-188640 size-medium\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/3-paracaima_larozza-11877-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-188640\" class=\"wp-caption-text\">Pessoas de boa-vontade ajudam imigrantes venezuelanos, no Posto da Pol\u00edcia Federal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O religioso descreve a situa\u00e7\u00e3o como \u2018dram\u00e1tica\u2019 e afirma que os imigrantes saem da Venezuela por uma necessidade humanit\u00e1ria. \u201c\u00c9 nossa obriga\u00e7\u00e3o estender a m\u00e3o, acolher e fazer aquilo que o Evangelho nos aconselha, como o pr\u00f3prio Jesus Cristo nos diz: \u2018Amai-vos uns aos outros\u2019\u201d, diz. Dom Mario explica que a Igreja tem se feito presente atrav\u00e9s da Pastoral do Migrante, das Pastorais Sociais, da C\u00e1ritas Brasileira e tamb\u00e9m por meio do servi\u00e7o de orienta\u00e7\u00e3o aos migrantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exemplo concreto de atua\u00e7\u00e3o da Igreja se deu recentemente com a visita feita pela Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tr\u00e1fico Humano da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nas cidades de Boa Vista e Pacaraima. A miss\u00e3o foi batizada com o nome de \u201cFronteiras Brasil\/Venezuela\u201d e teve como objetivo conhecer <em>in loco<\/em> a situa\u00e7\u00e3o que envolve a migra\u00e7\u00e3o atual, especialmente para verificar a ocorr\u00eancia do tr\u00e1fico humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o, por meio de seus membros, realizou visitas na fronteira Brasil\/Venezuela, nos abrigos dos ind\u00edgenas tanto em Pacaraima quanto em Boa Vista e participou de audi\u00eancias com a Pol\u00edcia Federal, com a governadora do Estado e outras organiza\u00e7\u00f5es da Sociedade Civil. Outra a\u00e7\u00e3o foi a visita ao espa\u00e7o onde \u00e9 servido diariamente o caf\u00e9 da manh\u00e3, conhecido como \u201ccaf\u00e9 fraterno\u201d com 900 refei\u00e7\u00f5es, oferecidas pela par\u00f3quia Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, uma a\u00e7\u00e3o coordenada pelo padre Jesus Lopes Fernandez de Bobadilla.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A percep\u00e7\u00e3o, segundo a diretora do Instituto Migra\u00e7\u00f5es e Direitos Humanos (IMDH), irm\u00e3 Rosita, \u00e9 a de que a Igreja, especialmente a diocese de Roraima tem feito tudo o que pode, mas considera que ainda \u00e9 preciso um apoio mais expressivo. \u201cVimos claramente a grande necessidade de atender urg\u00eancias, pessoas que est\u00e3o passando fome, que n\u00e3o tem o m\u00ednimo para dizer que estejam com um ambiente de dignidade\u201d, comenta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_188641\" aria-describedby=\"caption-attachment-188641\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-188641 size-medium\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/11-paracaima_larozza-12287-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-188641\" class=\"wp-caption-text\">Comiss\u00e3o reunida com a Igreja Cat\u00f3lica local e membros da sociedade civil<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ela, dentre outros aspectos, a solu\u00e7\u00e3o seria enviar recursos financeiros \u00e0 diocese. \u201c\u00c9 preciso recursos financeiros e tamb\u00e9m porque a dist\u00e2ncia inviabiliza que se enviem outros tipos de recursos. \u00c9 muito dif\u00edcil enviar mantimentos devido \u00e0 dist\u00e2ncia e o tempo que levariam, ent\u00e3o eu acho que os recursos financeiros \u00e0 diocese s\u00e3o muito bem-vindos porque ajudam a fazer a miss\u00e3o que devem fazer e tamb\u00e9m acabam desenvolvendo a pr\u00f3pria regi\u00e3o\u201d, defende a irm\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diocese de Roraima chegou \u00e0 conclus\u00e3o que n\u00e3o re\u00fane condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para atender, sozinha, a demanda por alimento, moradia e medicamento. Preocupada com a situa\u00e7\u00e3o e para atender a urg\u00eancia desse apelo, a CNBB aprovou durante a 56\u00aa\u00a0Assembleia Geral, realizada em abril deste ano em Aparecida (SP) a destina\u00e7\u00e3o de\u00a040% do Fundo Nacional de Solidariedade \u00e0 assist\u00eancia humanit\u00e1ria aos desabrigados da Venezuela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entidade tamb\u00e9m vem mobilizando dioceses, par\u00f3quias, comunidades, congrega\u00e7\u00f5es religiosas, pastorais e pessoas de boa vontade para ajudar com recursos financeiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><strong>BANCO DO BRASIL S. A.<br \/>\n<\/strong><\/span><span style=\"color: #800000;\"><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Favorecido: diocese de Roraima\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong><br \/>\nAg\u00eancia 2617-4<br \/>\nConta Corrente: 20.355-6<br \/>\nCNPJ: 05.936.794 \/ 0001-13<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por Larissa Carvalho\/ Ascom CNBB<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Igreja Cat\u00f3lica vem mobilizando dioceses, par\u00f3quias, comunidades e pessoas de boa vontade para ajudar com recursos financeiros<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":30080,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[750,856],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30076"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=30076"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30076\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":977447,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30076\/revisions\/977447"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/30080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=30076"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=30076"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=30076"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}