{"id":30399,"date":"2018-05-22T00:00:00","date_gmt":"2018-05-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/assim-na-terra-como-no-ceu\/"},"modified":"2018-05-22T00:00:00","modified_gmt":"2018-05-22T03:00:00","slug":"assim-na-terra-como-no-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/assim-na-terra-como-no-ceu\/","title":{"rendered":"Assim na Terra como no C\u00e9u"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>DOM ALBERTO TAVEIRA CORR\u00caA<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">\n<p style=\"text-align: right\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 express\u00f5es usadas em nossa linguagem cotidiana que revelam a mentalidade cultivada no trato com os outros. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar quem diga, diante dos eventuais conflitos a serem enfrentados: &#8220;E eu, como fico nesta hist\u00f3ria?&#8221; E podemos chegar aos extremos de dizer que &#8220;eu sou eu, e o resto \u00e9 resto!&#8221; Com honestidade, devemos dizer que no princ\u00edpio, quando Deus criou todas as coisas, n\u00e3o foi assim. A proposta do que costumamos chamar de Para\u00edso terrestre \u00e9 da comunh\u00e3o, quando Deus \u00e9 reconhecido como Pai, as outras pessoas como irm\u00e3os e irm\u00e3s e a natureza dada para ser cuidada para o bem de todos e n\u00e3o para o desfrutamento individualista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O pecado estragou tudo, quando as pessoas quiseram se sobrepor ao Criador, pretendendo ser o pr\u00f3prio crit\u00e9rio do bem e do mal. E vieram as consequ\u00eancias, quando um irm\u00e3o mata o outro ou se instala a competi\u00e7\u00e3o entre o plano de Deus e as estradas humanas. De fato quando Deus criou o homem &#8220;\u00e0 sua imagem e \u00e0 sua semelhan\u00e7a&#8221;, n\u00e3o se deve apenas pensar na intelig\u00eancia e na liberdade, dons important\u00edssimos, mas na proposta de comunh\u00e3o e relacionamento fraterno. A vida humana ser\u00e1 sempre uma batalha para superar o ego\u00edsmo e o desejo de destruir o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Deixada ao alvitre de seus instintos, a humanidade j\u00e1 experimentou e experimenta os resultados desastrados provados na hist\u00f3ria de pessoas e povos. Tocamos com nossas m\u00e3os a incapacidade de sozinhos darmos conta dos caminhos da humanidade. Faz-se necess\u00e1rio olhar para o alto, a fim de descobrir os caminhos novos que s\u00f3 podem ser abertos pela gra\u00e7a de Deus. Na sua sabedoria, Deus constituiu um povo, justamente chamado &#8220;de Deus&#8221;, tantas vezes corrigido pela sua cabe\u00e7a dura e sempre amado e reconduzido \u00e0 amizade com aquele que o conduz: &#8220;Porque eu sou o Senhor, o teu Deus, eu te pego pela m\u00e3o e digo: &#8216;N\u00e3o temas, que eu te ajudarei. N\u00e3o tenhas medo, vermezinho Jac\u00f3, N\u00e3o te assustes, Israel, m\u00edsero inseto! Eu te ajudarei&#8217; \u2013 or\u00e1culo do Senhor, que \u00e9 o teu Libertador, o Santo de Israel&#8221; (Is 41,13-14). As vicissitudes da hist\u00f3ria n\u00e3o afastaram o amor de Deus por seu povo, sempre reconduzido \u00e0s veredas da justi\u00e7a, ao qual foi prometida uma nova Alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os planos de Deus se realizaram plenamente no envio ao mundo de seu Filho amado, que por amor assumiu a carne da humanidade, tornando-se igual a n\u00f3s em tudo, exceto no pecado. E Jesus Cristo, Filho \u00fanico de Deus, primog\u00eanito de uma nova humanidade, tornou-se pequeno, pobre e servo, obediente at\u00e9 \u00e0 morte, e morte de cruz, apenas e t\u00e3o somente por amor. Percorrendo nossas estradas e penetrando nos cora\u00e7\u00f5es humanos, ele n\u00e3o s\u00f3 anuncia, mas \u00e9 o amor de Deus encarnado. E a novidade se mostra, quando Deus vem a ser reconhecido como fam\u00edlia, n\u00e3o isolamento. Ele chama a Deus de Pai, o que escandaliza tanta gente. Ele mostra que veio do Pai e para o Pai retorna. Tudo nele se refere ao Pai e anuncia o Reino de Deus, que irrompe no meio da humanidade em sua pessoa. E mostra mais ainda a fam\u00edlia que Deus \u00e9, prometendo o dom do Esp\u00edrito Santo, Esp\u00edrito do Pai e do Filho, amor do Pai e do Filho. Esta verdadeira voragem de amor \u00e9 anunciada e aberta \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de toda a humanidade. \u00c0 sua luz, \u00e9 poss\u00edvel ler e entender tantas passagens do Antigo Testamento, come\u00e7ando por &#8220;nossa imagem e semelhan\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vale a pena abrir o Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o: &#8220;No princ\u00edpio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus. Ela existia, no princ\u00edpio, junto de Deus. Tudo foi feito por meio dela, e sem ela nada foi feito de tudo o que existe. Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens&#8230; Ela estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dela, mas o mundo n\u00e3o a reconheceu. Ela veio para o que era seu, mas os seus n\u00e3o a acolheram. A quantos, por\u00e9m, a acolheram, deu-lhes poder de se tornarem filhos de Deus: s\u00e3o os que creem no seu nome&#8230; E a Palavra se fez carne e veio morar entre n\u00f3s. N\u00f3s vimos a sua gl\u00f3ria, gl\u00f3ria que recebe do seu Pai como filho \u00fanico, cheio de gra\u00e7a e de verdade&#8230; De sua plenitude todos n\u00f3s recebemos, gra\u00e7a por gra\u00e7a&#8230; A gra\u00e7a e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Ningu\u00e9m jamais viu a Deus; o Filho \u00fanico, que \u00e9 Deus e est\u00e1 na intimidade do Pai, foi quem o deu a conhecer&#8221; (Cf. Jo 1,1-18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aos seus disc\u00edpulos de ontem e de hoje e a toda a humanidade, Jesus trouxe o jeito de viver do C\u00e9u, motivo pelo qual desejamos e pedimos em ora\u00e7\u00e3o que se fa\u00e7a a vontade do Pai assim na terra como no C\u00e9u. Tenhamos a ousadia de afirmar que o modelo para o relacionamento social se encontra no alto, na fam\u00edlia do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo, a Sant\u00edssima Trindade, a melhor comunidade! Estamos rastejando ao n\u00edvel do rodap\u00e9 da exist\u00eancia, procurando solu\u00e7\u00f5es baseadas apenas na afirma\u00e7\u00e3o de cada um, quando a felicidade vem das pessoas se abrirem umas para as outras, quando d\u00e3o o primeiro passo para perdoar, quando estabelecem livremente os caminhos para o di\u00e1logo com os outros, quando s\u00e3o as primeiras a amar, numa verdadeira competi\u00e7\u00e3o positiva de sa\u00edda de si para construir o bem do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Olhando para o c\u00e9u, ser\u00e1 poss\u00edvel tra\u00e7ar sobre n\u00f3s o sinal da Cruz, que resume a f\u00e9 no mist\u00e9rio de Cristo Morto e Ressuscitado e p\u00f5e em nossa boca o compromisso di\u00e1rio de viver em nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo. Fazer este gesto e pronunciar as palavras que o acompanham exige disposi\u00e7\u00e3o para viver realmente com os crit\u00e9rios vindos do alto, sabendo que s\u00e3o a melhor e \u00fanica estrada para a plena realiza\u00e7\u00e3o humana. A cada pessoa caber\u00e1 o esfor\u00e7o criativo para tornar pr\u00e1tico o C\u00e9u aqui na Terra, na descoberta de novos caminhos para que o nosso mundo seja restaurado. Nossa humanidade ent\u00e3o dar\u00e1 gl\u00f3ria a Deus que \u00e9 Pai e Filho e Esp\u00edrito Santo. O C\u00e9u e a Terra se encontrar\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOM ALBERTO TAVEIRA CORR\u00caA Arcebispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1 \u00a0 H\u00e1 express\u00f5es usadas em nossa linguagem cotidiana que revelam a mentalidade cultivada no trato com os outros. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar quem diga, diante dos eventuais conflitos a serem enfrentados: &#8220;E eu, como fico nesta hist\u00f3ria?&#8221; E podemos chegar aos extremos de dizer que &#8220;eu &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/assim-na-terra-como-no-ceu\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Assim na Terra como no C\u00e9u<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30399"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=30399"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30399\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=30399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=30399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=30399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}