{"id":30432,"date":"2018-05-24T00:00:00","date_gmt":"2018-05-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/escolher-a-plenitude-de-vida\/"},"modified":"2018-05-24T00:00:00","modified_gmt":"2018-05-24T03:00:00","slug":"escolher-a-plenitude-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/escolher-a-plenitude-de-vida\/","title":{"rendered":"Escolher a plenitude de vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Reginaldo Andrietta<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo Diocesano de Jales (SC)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Cresce entre os humanos, hoje, a barb\u00e1rie. Estamos cada vez mais confrontados aos males e sofrimentos gerados por n\u00f3s pr\u00f3prios. A humanidade est\u00e1, ent\u00e3o, entrando no \u201ccorredor da morte\u201d, sem possibilidade de retorno? Essa revers\u00e3o, para quem cr\u00ea, \u00e9, evidentemente, poss\u00edvel. Afinal, \u201cpara Deus nada \u00e9 imposs\u00edvel\u201d (Lc 1,37). Com ele, podemos recriar a vida e a humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Deus, na perspectiva crist\u00e3, tem um projeto de vida em plenitude para os seres humanos, pois ele \u00e9 pleno de humanidade. A encarna\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o libertadora de Jesus, seu confronto com os poderes geradores de exclus\u00e3o, injusti\u00e7a e morte, o dom total de sua vida, sua ressurrei\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o vivificante de seu Esp\u00edrito, atestam o desejo de Deus de nos tornar plenamente humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus \u00e9, portanto, paradigma de uma nova humanidade. Sendo t\u00e3o humano assim, s\u00f3 podia ser Deus. Por isso, ele inspira os seres humanos a se tornarem plenamente humanos. Essa vis\u00e3o otimista n\u00e3o cai por terra diante dos males, dos sofrimentos e da morte que os seres humanos geram? Onde encontrar resposta a essa quest\u00e3o sen\u00e3o nas Sagradas Escrituras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As Escrituras mostram que a cria\u00e7\u00e3o, como dom de Deus no passado, se refaz no presente. Elas mostram que nosso horizonte \u00e9 tamb\u00e9m de vida. No entanto, somos livres para escolher entre a vida e a morte (cf. Dt 30,15-18). Escolhemos a morte quando impomos limites ao amor. Deus, no entanto, nos liberta desses limites desafiando-nos a rela\u00e7\u00f5es de qualidade sempre mais profundas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma pessoa isolada e exclu\u00edda \u00e9 uma pessoa condenada \u00e0 morte. As rela\u00e7\u00f5es egoc\u00eantricas e injustas impedem os humanos de viver intensamente, frustram-lhes e os lan\u00e7am no vazio. A natureza n\u00e3o cuidada \u00e9 tamb\u00e9m um bumerangue para o ser humano. O mal, o sofrimento e a morte s\u00e3o, neste caso, limites poss\u00edveis de serem superados? Sim, pela viv\u00eancia do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Qual tipo de amor? O testemunho de Jesus \u00e9 inspirador. O centro de sua a\u00e7\u00e3o \u00e9 o ser humano. Ele os emancipa e abre-lhes novos horizontes, libertando-os de poderes que massacram. Sua utopia de uma humanidade solid\u00e1ria se tornou utopia de seus disc\u00edpulos, desafiados a testemunhar o car\u00e1ter profundamente revolucion\u00e1rio da \u00edntima comunh\u00e3o entre divindade e humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde ent\u00e3o, os crist\u00e3os passaram a se referir a essas duas naturezas de Cristo, divindade e humanidade, acentuando, ora uma, ora outra. Hoje, ainda, uns acentuam sua humanidade; outros, sua divindade. Em consequ\u00eancia, se orientam mais pelo amor ao pr\u00f3ximo ou pelo amor a Deus. Na realidade, ambas dimens\u00f5es se interligam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O pr\u00f3prio Cristo ensinou: \u201cAmar\u00e1s ao Senhor teu Deus de todo o teu cora\u00e7\u00e3o, toda a tua alma, todo o teu entendimento e todas as tuas for\u00e7as; este \u00e9 o primeiro mandamento. O segundo mandamento, amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo, \u00e9 semelhante a esse. N\u00e3o h\u00e1 outro mandamento maior do que esses\u201d (Mc 12,30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Seremos capazes, ent\u00e3o, de reverter nosso destino tr\u00e1gico? Com certeza, se presentificarmos o amor divino em nossa conviv\u00eancia e em todas as realidades do mundo, com o otimismo de quem cr\u00ea no destino que Deus nos prop\u00f5e escolher: a plenitude de vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Reginaldo Andrietta Bispo Diocesano de Jales (SC) Cresce entre os humanos, hoje, a barb\u00e1rie. 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