{"id":30473,"date":"2018-05-30T00:00:00","date_gmt":"2018-05-30T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/entre-todas-as-procissoes-a-do-corpus-christi-torna-se-a-mais-participada-e-solene-afirma-dom-armando-bucciol\/"},"modified":"2020-03-11T16:55:35","modified_gmt":"2020-03-11T19:55:35","slug":"entre-todas-as-procissoes-a-do-corpus-christi-torna-se-a-mais-participada-e-solene-afirma-dom-armando-bucciol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/entre-todas-as-procissoes-a-do-corpus-christi-torna-se-a-mais-participada-e-solene-afirma-dom-armando-bucciol\/","title":{"rendered":"\u201cA prociss\u00e3o do Corpus Christi \u00e9 participada e solene\u201d, afirma dom Armando Bucciol"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A Igreja celebra com grande solenidade a festa do \u201cCorpo e Sangue de Cristo\u201d, mais conhecida com o \u2018t\u00edtulo\u2019 em latim, <em>Corpus Christi <\/em>ou <em>Corpus Domini. <\/em>Sua origem, segundo o presidente da Comiss\u00e3o para a Liturgia da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Armando Bucciol, se coloca num tempo em que refloresce o culto \u00e0 divina Eucaristia, entre os s\u00e9culos 11 e 12. A B\u00e9lgica \u2013 cidade de Li\u00e8ge (ou Lieja) \u2013 foi o centro propulsor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A beata Juliana de R\u00e9tine, do mosteiro do Monte Corn\u00e9lio teve papel especial na hist\u00f3ria.\u00a0Dom Armando explica que, em 1208, Juliana teve uma primeira vis\u00e3o que foi interpretada como se faltasse uma solenidade em honra do Sant\u00edssimo Sacramento. Muito decisivo foi o apoio do seu diretor espiritual, Jo\u00e3o de Lausanne, c\u00f4nego de Li\u00e8ge, de Ugo de S\u00e3o Caro, em seguida cardeal, e de Tiago Pantaleone, arci-di\u00e1cono de Li\u00e8ge e futuro papa Urbano IV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo dom Armando, a celebra\u00e7\u00e3o da festa em honra do <em>Corpus Domini<\/em> (Corpo do Senhor) come\u00e7ou pela insist\u00eancia de Jo\u00e3o de Lausanne, junto ao bispo de Li\u00e8ge, Roberto de Thorote. Foi a\u00ed que o prelado aceitou a proposta e assim, em 1246, na quinta-feira ap\u00f3s a festa da Sant\u00edssima Trindade, a celebra\u00e7\u00e3o se deu, em Li\u00e8ge. \u201cUrbano IV demorou antes de propor a celebra\u00e7\u00e3o da festa \u00e0 Igreja universal. Um fato, talvez foi de incentivo para tomar a decis\u00e3o, o <em>milagre de Bolsena, <\/em>uma h\u00f3stia sangrando nas m\u00e3os de um padre que duvidava da presen\u00e7a eucar\u00edstica\u201d, conta dom Armando.\u00a0<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-192840 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/maxresdefault-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em junho de 1264, dom Armando relata que o papa acolheu o corporal ensanguentado de Bolsena, e no dia 11 de agosto, do mesmo ano, instituiu a festa para toda a Igreja, publicando a Bula <em>Transiturus. <\/em>Nela, lembrava tamb\u00e9m da vis\u00e3o da beata Juliana. Pouco depois, o papa celebrou a festa na cidade de Orvieto, com grande solenidade e participa\u00e7\u00e3o popular. \u201cCom rapidez, come\u00e7ando por diversas cidades da B\u00e9lgica, da Fran\u00e7a, da Alemanha e da It\u00e1lia, a celebra\u00e7\u00e3o se expandiu. A s\u00fabita morte do papa Urbano, em 2 de outubro de 1264 impediu que a celebra\u00e7\u00e3o tivesse maior e mais repentina difus\u00e3o\u201d, diz dom Armando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na sequ\u00eancia, em 1314, dom Armando explica que o papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV e, logo depois, com o papa Jo\u00e3o 22, a festa foi acolhida pela Igreja toda. Nessa difus\u00e3o, destaca-se o incentivo provindo dos mosteiros. \u201cNa Bula do papa Urbano, n\u00e3o se fala, de forma expl\u00edcita, da prociss\u00e3o. O texto pontif\u00edcio, por\u00e9m, \u00e9 t\u00e3o solene que parece desejar que aconte\u00e7a. Os historiadores observam que o surpreendente e espont\u00e2neo fervor popular, rapidamente, tornou a celebra\u00e7\u00e3o sempre mais acolhida, ao ponto que, pelo meado do s\u00e9culo 14, a festa, com a prociss\u00e3o, \u00e9 celebrada na Igreja toda\u201d, explica o bispo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"color: #993300\"><strong>Prociss\u00e3o Eucar\u00edstica<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No in\u00edcio, dom Armando garante que a prociss\u00e3o era facultativa, mas ao longo do tempo tornou-se \u201co elemento mais solene da celebra\u00e7\u00e3o, com o apoio do clero e a participa\u00e7\u00e3o do povo\u201d: \u201cAs cr\u00f4nicas da \u00e9poca relatam que o Sant\u00edssimo \u00e9 levado em prociss\u00e3o, no in\u00edcio, dentro de relic\u00e1rios, junto com as rel\u00edquias do Santo da Cidade, ou em c\u00e1lices ou p\u00edxides. Em alguns lugares, isso continuar\u00e1 at\u00e9 o s\u00e9culo 18, quando se encontra a proibi\u00e7\u00e3o de juntar, na prociss\u00e3o, a Eucaristia com as rel\u00edquias dos santos\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_192841\" aria-describedby=\"caption-attachment-192841\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-192841 size-medium\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/19255469-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-192841\" class=\"wp-caption-text\">Fi\u00e9is fazem prociss\u00e3o de Corpus Christi no Centro de Joinville. Cr\u00e9dito: Ag\u00eancia RBS<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o passou muito tempo e, para a exposi\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo e a prociss\u00e3o, dom Armando conta que apareceram os ostens\u00f3rios que se tornaram art\u00edsticos e de grande tamanho. Em G\u00eanova, por exemplo, para carregar o ostens\u00f3rio (de 1553), precisavam oito padres. \u201cA devo\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 alimentada pela presen\u00e7a de numerosas Confrarias do Sant\u00edssimo Sacramento, que nascem j\u00e1 no s\u00e9culo 13 e se multiplicam no s\u00e9culo 14\u201d, diz o bispo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre todas as prociss\u00f5es, dom Armando afirma que a do <em>Corpus Christi<\/em> tornou-se a mais participada e solene, apesar das limita\u00e7\u00f5es e ambiguidades que comporta tal manifesta\u00e7\u00e3o popular. \u201cAs ra\u00edzes da ambiguidade se encontram ainda no in\u00edcio. Na \u00e9poca, o desejo de \u2018ver a h\u00f3stia\u2019 era considerado como o ato de f\u00e9 mais importante, enquanto o sentido da comunh\u00e3o ao Corpo do Senhor tinha-se quase perdido. Somente em tempos mais recentes se retoma, na teologia e na vida crist\u00e3, a centralidade da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica; nela, de fato, o culto \u00e0 divina Eucaristia deve encontrar seu fundamento. Se desligar de sua nascente, as sagradas esp\u00e9cies perdem a liga\u00e7\u00e3o com o <em>mist\u00e9rio pascal,<\/em> <em>memorial <\/em>da paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor\u201d, afirma o bispo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Hoje, de acordo com dom Bucciol, a Igreja recomenda que o culto eucar\u00edstico manifeste depend\u00eancia e refer\u00eancia \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o, e na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, a prociss\u00e3o seja \u201cum sinal de f\u00e9 e de adora\u00e7\u00e3o da comunidade\u201d. \u201cRecomenda-se que a h\u00f3stia a ser levada em prociss\u00e3o seja consagrada na mesma missa; os cantos e as ora\u00e7\u00f5es dever\u00e3o contribuir para que todos manifestem sua f\u00e9 em Cristo, atentos somente ao Senhor. Assim, a prociss\u00e3o tornar-se-\u00e1 um verdadeiro testemunho do Senhor que continua \u2018no meio de n\u00f3s\u2019 e, pela f\u00e9 dos disc\u00edpulos, sinal de sua presen\u00e7a em nossa vida do dia-a-dia\u201d, finaliza o bispo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Armando Bucciol, afirma que a solenidade se coloca num tempo em que refloresce o culto \u00e0 divina Eucaristia, entre os s\u00e9culos 11 e 12<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":30475,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[1],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30473"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=30473"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30473\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/30475"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=30473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=30473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=30473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}