{"id":305413,"date":"2021-06-15T11:12:29","date_gmt":"2021-06-15T14:12:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=305413"},"modified":"2021-06-15T11:13:23","modified_gmt":"2021-06-15T14:13:23","slug":"a-celebracao-dos-santos-03","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-celebracao-dos-santos-03\/","title":{"rendered":"A celebra\u00e7\u00e3o dos santos &#8211; 03"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli <\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caros diocesanos. Nas reflex\u00f5es anteriores do m\u00eas de junho j\u00e1 nos damos conta que o culto dos santos e santas come\u00e7ou lentamente na Igreja, a partir do segundo s\u00e9culo, primeiramente com a celebra\u00e7\u00e3o dos m\u00e1rtires, e depois foi se alargando. O culto primitivo era cristoc\u00eantrico, com caracter\u00edsticas importantes: de louvor, de alegria, de vit\u00f3ria, de esperan\u00e7a. Com a translada\u00e7\u00e3o das rel\u00edquias inicia a universaliza\u00e7\u00e3o do culto e a mudan\u00e7a no sentido teol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os santos n\u00e3o s\u00e3o meninos de recado, mas nos aproximam de Deus ou aproximam Deus de n\u00f3s. Sua santidade intercede constantemente por n\u00f3s. Percebemos tamb\u00e9m que os santos e santas do calend\u00e1rio da Igreja (beatifica\u00e7\u00e3o e canoniza\u00e7\u00e3o) n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos que vivem na plena santidade de Deus. Hoje queremos nos deter um pouco sobre a teologia do culto dos santos. O culto dos santos n\u00e3o pode ser concebido isoladamente, como algo em si mesmo, sem referimento para com Aquele que \u00e9 \u201c<em>Santo e fonte de toda santidade<\/em>\u201d (Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica II). S\u00f3 entenderemos o sentido desse culto se o relacionarmos diretamente com os mist\u00e9rios da nossa reden\u00e7\u00e3o. Podemos dizer que este culto adquire seu sentido a partir do Mist\u00e9rio pascal, pois os primeiros santos a serem considerados como tais foram m\u00e1rtires, aqueles que deram a vida, derramando seu sangue como o Senhor. Portanto, neles a P\u00e1scoa eterna j\u00e1 se tornou uma realidade plena: nasceram (\u201c<em>dies natalis<\/em>\u201d) para a nova e eterna vida com Deus. Atrav\u00e9s deles, Deus \u00e9 glorificado e a Igreja \u00e9 santificada, atingindo sua voca\u00e7\u00e3o mais profunda. Deus, no seu infinito amor, quis a pessoa humana participante de sua santidade, criando-a segundo sua imagem e semelhan\u00e7a. Assim se estabelece o grande sonho de Deus e a voca\u00e7\u00e3o fundamental do ser humano: tornar-se filho\/a, santo\/a como Ele \u00e9 santo (cf. 1Pd 1, 16). A santidade, portanto, entendida como um chamado para identifica\u00e7\u00e3o com Deus, em Jesus Cristo, \u00e9 o desafio maior de todos n\u00f3s. Estar unido a Deus \u00e9 ser santo; afastar-se dele significa estar no pecado e perder a santidade. Por isso, ap\u00f3s o pecado de Ad\u00e3o, foi preciso a interven\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Deus em Jesus Cristo para a remiss\u00e3o. Nele a santidade tornou-se novamente poss\u00edvel. O mundo foi recriado pela presen\u00e7a do Santo, que veio habitar entre n\u00f3s (cf. Jo 1, 14). Da parte do ser humano se exige o ato de f\u00e9, de ades\u00e3o \u00e0 obra redentora (cf. Jo 3, 16-18). Na situa\u00e7\u00e3o de santo e pecador, o ser humano vive um processo cont\u00ednuo de santifica\u00e7\u00e3o; vai se identificando com o Cristo da P\u00e1scoa, Aquele que amou sem medida, dando a vida por todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O santo n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o, mas modelo de processo normal da vida crist\u00e3: uma vida crist\u00e3 que tem o desfecho coerente diante da obra da salva\u00e7\u00e3o de Cristo: \u201c<em>A santidade, pois, n\u00e3o \u00e9 um luxo, uma exce\u00e7\u00e3o, um privil\u00e9gio de alguns. \u00c9 uma voca\u00e7\u00e3o de todo crist\u00e3o<\/em>\u201d (A. Burin). Isto \u00e9 motivo de j\u00fabilo, de vit\u00f3ria, de esperan\u00e7a, de louvor a Deus. Portanto, a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade n\u00e3o \u00e9 apenas para aqueles que praticam \u201c<em>virtude em grau her\u00f3ico<\/em>\u201d e s\u00e3o elevados aos altares, como modelos e intercessores oficiais, mas para todos os batizados e batizadas em Cristo. Desta forma, o culto dos santos torna-se a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as da Igreja a Deus por ter tornado vis\u00edvel e concreta a maravilha da santidade em in\u00fameros de seus membros, gra\u00e7as \u00e0 sua uni\u00e3o sempre mais plena ao Cristo da P\u00e1scoa. O m\u00e1rtir ou confessor torna-se sinal privilegiado daquele amor que levou Jesus Cristo a dar a pr\u00f3pria vida pelos irm\u00e3os na glorifica\u00e7\u00e3o do Pai. A santidade, portanto, \u00e9 identifica\u00e7\u00e3o a Cristo, segundo o Evangelho. O santo d\u00e1 testemunho de um outro \u2013 Cristo &#8211; e n\u00e3o de si mesmo, evitando que o culto dos santos e santas se transforme num culto de her\u00f3is. Senhor, fazei-nos santos como v\u00f3s sois santo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul (RS) &nbsp; Caros diocesanos. Nas reflex\u00f5es anteriores do m\u00eas de junho j\u00e1 nos damos conta que o culto dos santos e santas come\u00e7ou lentamente na Igreja, a partir do segundo s\u00e9culo, primeiramente com a celebra\u00e7\u00e3o dos m\u00e1rtires, e depois foi se alargando. O culto primitivo &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-celebracao-dos-santos-03\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">A celebra\u00e7\u00e3o dos santos &#8211; 03<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/305413"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=305413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/305413\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=305413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=305413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=305413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}