{"id":30546,"date":"2018-06-04T00:00:00","date_gmt":"2018-06-04T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/licoes-brasil\/"},"modified":"2018-06-04T00:00:00","modified_gmt":"2018-06-04T03:00:00","slug":"licoes-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/licoes-brasil\/","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00f5es, Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>\n<\/strong><strong>Arcebispo de Belo Horizonte<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os acontecimentos da vida, que \u00e9 uma escola, s\u00e3o li\u00e7\u00f5es. Por isso, \u00e9 muito comum ouvir o dito popular \u201cvivendo e aprendendo\u201d. As li\u00e7\u00f5es s\u00e3o muitas e o desafio maior \u00e9 aprend\u00ea-las. S\u00f3 as aprende quem se coloca no lugar de aprendiz. H\u00e1 quem se arvora em mestre dos outros e perde a capacidade para aprender, pois acredita que j\u00e1 sabe de tudo. Aprende mais quem est\u00e1 disposto a escutar. A incompet\u00eancia para o aprendizado atinge seu patamar avassalador quando incide no tecido cultural da sociedade, revelando um fen\u00f4meno: muitos se julgam na condi\u00e7\u00e3o de ensinar, e acreditam que n\u00e3o precisam mais aprender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Consequentemente, h\u00e1 o travamento das din\u00e2micas que promovem as evolu\u00e7\u00f5es na compreens\u00e3o. Falta lucidez para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas e a sociedade permanece amea\u00e7ada pelos extremismos. Nesse contexto, convive-se ainda com desmandos e corrup\u00e7\u00e3o. Falta vergonha aos que se permitem usufruir de privil\u00e9gios, que alimentam exclus\u00f5es e discrimina\u00e7\u00f5es. Eis a n\u00e9voa que confunde as fei\u00e7\u00f5es e paira sobre a sociedade brasileira, obscurecendo a verdade e tornando a mentira a protagonista da hist\u00f3ria. Tudo vale para defender interesses particulares, at\u00e9 mesmo a\u00e7\u00f5es inconsequentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o deveria ser assim, pois a sociedade brasileira, em seus mais de cinco s\u00e9culos de hist\u00f3ria, j\u00e1 deveria ter assimilado muitas li\u00e7\u00f5es. Mas a incapacidade para aprender pode explicar o desenvolvimento p\u00edfio do pa\u00eds. Se as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria fossem aprendidas, a classe pol\u00edtica brasileira poderia, agora, ajudar o Brasil a sair do caos dos desencontros e aproveitar melhor as oportunidades deste tempo, valendo-se das\u00a0 riquezas ambientais e culturais da na\u00e7\u00e3o. Ao inv\u00e9s disso, v\u00ea-se um pavoroso \u201cbate-cabe\u00e7a\u201d entre os que ocupam os lugares de lideran\u00e7as sem serem l\u00edderes. A consequ\u00eancia \u00e9 a dissemina\u00e7\u00e3o de um jeito de ser que contamina tamb\u00e9m os espa\u00e7os pol\u00edticos. A demagogia torna-se a t\u00f4nica principal, contracenando com a desconfian\u00e7a e os ataques m\u00fatuos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os posicionamentos polarizados, quando se transformam em hostilidades, ferem visceralmente o andamento da vida do povo, enfraquecem as indispens\u00e1veis alian\u00e7as, obscurecem os di\u00e1logos e instalam o caos. H\u00e1 uma completa perda do sentido de limite. A insist\u00eancia nos equ\u00edvocos e as miopias que impedem enxergar as solu\u00e7\u00f5es agravam os problemas e multiplicam os pesos sobre os ombros de todos. Assim, o cidad\u00e3o se distancia das li\u00e7\u00f5es que o possibilitariam ajudar na constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds melhor. Passa-se a enxergar apenas a pr\u00f3pria causa, a considerar como \u00fanico e intoc\u00e1vel o discurso que se defende. O resultado \u00e9 a grav\u00edssima perda da sensibilidade para se abrir a uma inadi\u00e1vel din\u00e2mica de convers\u00e3o, capaz de inspirar atitudes com for\u00e7a de mudan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sem os aprendizados necess\u00e1rios, contenta-se apenas com o conforto institucional do lugar ocupado e seus privil\u00e9gios &#8211; a incapacidade para se colocar no lugar do outro, a quem se deveria servir e ajudar. Para mudar essa postura, devem-se habilitar os olhos para enxergar al\u00e9m dos pr\u00f3prios interesses e comodidades. Admitir que o exerc\u00edcio qualificado da cidadania n\u00e3o pode conviver com os conchavos, os privil\u00e9gios e a busca por vantagens \u00a0a partir da corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A sociedade brasileira clama precisada de um novo ciclo de aprendizagens das muitas li\u00e7\u00f5es que est\u00e3o inseridas em sua hist\u00f3ria. As institui\u00e7\u00f5es e segmentos da sociedade carecem de gestos corajosos para aprender, por meio do di\u00e1logo, a cuidar do bem comum a todo custo. A transforma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, para conseguir sair dos limites perigosos a que chegou, exige de todos um gesto de convers\u00e3o, bem concreto. \u00c9 preciso modificar funcionamentos para recuperar a credibilidade perdida, importante para o urgente processo de mudan\u00e7a: um tempo novo para o aprendizado das li\u00e7\u00f5es, Brasil!<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte \u00a0 Os acontecimentos da vida, que \u00e9 uma escola, s\u00e3o li\u00e7\u00f5es. Por isso, \u00e9 muito comum ouvir o dito popular \u201cvivendo e aprendendo\u201d. As li\u00e7\u00f5es s\u00e3o muitas e o desafio maior \u00e9 aprend\u00ea-las. S\u00f3 as aprende quem se coloca no lugar de aprendiz. 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