{"id":30626,"date":"2018-06-12T00:00:00","date_gmt":"2018-06-12T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dois-inimigos-da-santidade\/"},"modified":"2018-06-12T00:00:00","modified_gmt":"2018-06-12T03:00:00","slug":"dois-inimigos-da-santidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dois-inimigos-da-santidade\/","title":{"rendered":"Dois inimigos da santidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Adelar Baruffi<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Cruz Alta<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De maneira muito clara, o Papa Francisco conseguiu apresentar, na sua <strong>Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Gaudete et exsultate<\/em>, sobre o chamado \u00e0 santidade no mundo atual, <\/strong>duas sutis falsifica\u00e7\u00f5es do ideal crist\u00e3o de santidade. Tratam-se do gnosticismo e do pelagianismo, j\u00e1 conhecidos na hist\u00f3ria da Igreja. N\u00e3o interessam tanto as palavras \u201cgnosticismo\u201d e \u201cpelagianismo\u201d, que para a maioria dos crist\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o conhecidas, mas o conte\u00fado que elas traduzem.Expressam algo de errado, que devemos nos precaver e discernir em nosso caminho espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro, o gnosticismo, p\u00f5e o acentona quantidade de conhecimentos que se possa acumular sobre a f\u00e9, ao inv\u00e9s da vida movida pela caridade. Transforma a f\u00e9 e a vida em abstra\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, fechada na iman\u00eancia da pr\u00f3pria raz\u00e3o, n\u00e3o se preocupando com a necess\u00e1ria encarna\u00e7\u00e3o de nossa f\u00e9 na hist\u00f3ria, no mundo, e \u201cincapaz de tocar a carne sofredora de Cristo nos outros\u201d (GE 37). Acaba desencarnando o mist\u00e9rio e fica com \u201cum Deus sem Cristo, um Cristo sem Igreja, uma Igreja sem povo\u201d (GE 37). Quer ter tudo explicado, seguro e, atrav\u00e9s de uma l\u00f3gica fria, dominar o mist\u00e9rio da f\u00e9 e a transcend\u00eancia de Deus. A consequ\u00eancia \u00e9 que \u201ccom frequ\u00eancia, verifica-se uma perigosa confus\u00e3o: julgar que, por sabermos algo ou podermos explic\u00e1-lo com uma certa l\u00f3gica, j\u00e1 somos santos, perfeitos, melhores do que a \u00abmassa ignorante\u00bb\u201d (GE 45). Dito de outra maneira, o esfor\u00e7o de conhecer e aprofundar a f\u00e9 que professamos \u00e9 salutar, mas ele n\u00e3o \u00e9 crit\u00e9rio de santidade. Podemos conhecer toda a Sagrada Escritura e toda a Teologia, por\u00e9m n\u00e3o ter f\u00e9 e n\u00e3o operar na caridade a partir de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O outro modo err\u00f4neo \u00e9 aquele que mede a santidade pelo esfor\u00e7o pessoal, que confia unicamente em si mesmo e sente-se vencedor e melhor que os demais por ser observador fiel de todos os mandamentos.Na verdade, pode correr o risco de desprezar a gra\u00e7a de Deus e pensar em operar uma autossalva\u00e7\u00e3o, apresentando-se diante de Deus quase que com direitos adquiridos. Estes s\u00e3o os chamadospelagianos, com suas deriva\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, \u201cpara poder ser perfeitos, como \u00e9 do seu agrado, precisamos viver humildemente na presen\u00e7a d\u2019Ele, envolvidos pela sua gl\u00f3ria; necessitamos andar em uni\u00e3o com Ele, reconhecendo o seu amor constante na nossa vida\u201d (GE 51). \u201cA Igreja ensinou repetidamente que n\u00e3o somos justificados pelas nossas obras ou pelos nossos esfor\u00e7os, mas pela gra\u00e7a do Senhor que toma a iniciativa\u201d (GE 52). Santa Terezinha nos d\u00e1 o exemplo, quando afirmou, antes de partir deste mundo: \u201cAo anoitecer desta vida, aparecerei diante de V\u00f3s com as m\u00e3os vazias, pois n\u00e3o Vos pe\u00e7o, Senhor, que conteis as minhas obras. Todas as nossas justi\u00e7as t\u00eam manchas aos vossos olhos\u201d. A Igreja sempre ensinou que ao operarmos o bem, somos precedidos e acompanhados pela gra\u00e7a de Deus. Nossas boas obras s\u00e3o uma resposta de gratid\u00e3o a Deus pelo seu grande e imenso amor ao nos salvar e estar sempre conosco. Superemos toda a vaidade que faz acentuar a capacidade e o agir pr\u00f3prios. Nossas a\u00e7\u00f5es devem ter a marca da gratuidade. Afinal, com Deus n\u00e3o podemos comercializar nada, tudo \u00e9 gra\u00e7a! Superemos a vis\u00e3o mercantilista da f\u00e9. Nunca oferecer algo a Deus esperando receber em troca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diante destes dois desafios, presentes de algum modo em todos n\u00f3s, Jesus nos convoca ao centro, simplificando o caminho. Pede-nos a f\u00e9 e a caridade, \u201cdois rostos, ou melhor, um s\u00f3: o de Deus que se reflete em muitos\u201d (GE 61).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Adelar Baruffi Bispo de Cruz Alta \u00a0 De maneira muito clara, o Papa Francisco conseguiu apresentar, na sua Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Gaudete et exsultate, sobre o chamado \u00e0 santidade no mundo atual, duas sutis falsifica\u00e7\u00f5es do ideal crist\u00e3o de santidade. 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