{"id":30674,"date":"2018-06-15T00:00:00","date_gmt":"2018-06-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/lancada-mensagem-do-papa-francisco-para-o-dia-mundial-dos-pobres-em-novembro\/"},"modified":"2020-08-31T14:23:42","modified_gmt":"2020-08-31T17:23:42","slug":"lancada-mensagem-do-papa-francisco-para-o-dia-mundial-dos-pobres-em-novembro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/lancada-mensagem-do-papa-francisco-para-o-dia-mundial-dos-pobres-em-novembro\/","title":{"rendered":"Lan\u00e7ada mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial dos Pobres, em novembro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A segunda ocasi\u00e3o em que a Igreja no mundo inteiro vai celebrar o Dia Mundial do Pobre, no dia 18 de novembro de 2018, recebeu nesta quarta-feira, 13 de junho, uma Mensagem especial do Papa Francisco. Neste texto, Papa Francisco medita sobre um vers\u00edculo do Salmo 34: &#8220;<strong>Este pobre grita e o Senhor o escuta<\/strong>&#8220;. Para escutar os pobres, destaca o Santo Padre:&#8221;<em>\u00c9 do sil\u00eancio da escuta que precisamos para reconhecer a voz deles. Se falarmos demasiado, n\u00e3o conseguiremos escut\u00e1-los. Muitas vezes, tenho receio que tantas iniciativas, apesar de merit\u00f3rias e necess\u00e1rias, estejam mais orientadas para nos satisfazer a n\u00f3s mesmos do que para acolher realmente o grito do pobre<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E assegura: &#8220;<em>A resposta de Deus ao pobre \u00e9 sempre uma interven\u00e7\u00e3o de salva\u00e7\u00e3o para cuidar das feridas da alma e do corpo, para repor a justi\u00e7a e para ajudar a recuperar uma vida com dignidade. A resposta de Deus \u00e9 tamb\u00e9m um apelo para que quem acredita n\u2019Ele possa proceder de igual modo, dentro das limita\u00e7\u00f5es do que \u00e9 humano<\/em>&#8220;. O Papa ainda esclarece o sentido da data: &#8220;<em>O Dia Mundial dos Pobres pretende ser uma pequena resposta que, de toda a Igreja, dispersa por todo mundo, \u00e9 dirigida aos pobres de todos os tipos e de todas as terras para que n\u00e3o pensem que o seu grito tenha ca\u00eddo no vazio. Provavelmente, \u00e9 como uma gota de \u00e1gua no deserto da pobreza; e, contudo, pode ser um sinal de partilha para com os que est\u00e3o em necessidade, para sentirem a presen\u00e7a ativa de um irm\u00e3o e de uma irm\u00e3. N\u00e3o \u00e9 de um ato de delega\u00e7\u00e3o que os pobres precisam, mas do envolvimento pessoal de quem escuta o seu grito. A solicitude dos crentes n\u00e3o pode limitar-se a uma forma de assist\u00eancia \u2013 mesmo se esta \u00e9 necess\u00e1ria e providencial num primeiro momento \u2013, mas requer aquela &#8216;aten\u00e7\u00e3o de amor&#8217; (Exort. ap. Evangelii gaudium, 199) que honra o outro enquanto pessoa e procura o seu bem&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>Leia na Mensagem na \u00edntegra:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA O II DIA MUNDIAL DOS POBRES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM<br \/>\n<em>18 DE NOVEMBRO DE 2018<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este pobre grita e o Senhor o escuta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1. \u00abEste pobre grita e o Senhor o escuta\u00bb (Sl 34,7). As palavras do salmista tornam-se tamb\u00e9m as nossas no momento em que somos chamados a encontrar-nos com as diversas condi\u00e7\u00f5es de sofrimento e marginaliza\u00e7\u00e3o em que vivem tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s nossos que estamos habituados a designar com o termo gen\u00e9rico de \u201cpobres\u201d. Quem escreve aquelas palavras n\u00e3o \u00e9 estranho a esta condi\u00e7\u00e3o; bem pelo contr\u00e1rio. Faz experi\u00eancia direta da pobreza e, apesar disso, transforma-a num c\u00e2ntico de louvor e de agradecimento ao Senhor. Tamb\u00e9m a n\u00f3s hoje, imersos em tantas formas de pobreza, este salmo permite que compreendamos quem s\u00e3o os verdadeiros pobres para os quais somos chamados a dirigir o olhar, para escutar o seu grito e conhecer as suas necessidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9-nos dito, antes de mais, que o Senhor escuta os pobres que clamam por Ele e que \u00e9 bom para com os que n\u2019Ele procuram ref\u00fagio, com o cora\u00e7\u00e3o despeda\u00e7ado pela tristeza, pela solid\u00e3o e pela exclus\u00e3o. Escuta os que s\u00e3o espezinhados na sua dignidade e, apesar disso, t\u00eam a for\u00e7a de levantar o olhar para as alturas, para receber luz e conforto. Escuta os que s\u00e3o perseguidos em nome de uma falsa justi\u00e7a, oprimidos por pol\u00edticas indignas deste nome e atemorizados pela viol\u00eancia; mesmo assim sabem que t\u00eam em Deus o seu Salvador. O que emerge desta ora\u00e7\u00e3o \u00e9, antes de mais, o sentimento de abandono e de confian\u00e7a num Pai que escuta e acolhe. Em sintonia com estas palavras podemos compreender mais a fundo o que Jesus proclamou com a bem-aventuran\u00e7a: \u00abBem-aventurados os pobres em esp\u00edrito, porque deles \u00e9 o Reino dos c\u00e9us\u00bb (Mt 5,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em virtude desta experi\u00eancia \u00fanica e, sob muitos aspetos, imerecida e imposs\u00edvel de se exprimir plenamente, sente-se, no entanto, o desejo de a comunicar a outros, antes de mais aos que, como o salmista, s\u00e3o pobres, rejeitados e marginalizados. Com efeito, ningu\u00e9m pode sentir-se exclu\u00eddo pelo amor do Pai, especialmente num mundo que frequentemente eleva a riqueza ao primeiro objetivo e que faz com que as pessoas se fechem em si mesmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">2. O salmo caracteriza com tr\u00eas verbos a atitude do pobre e a sua rela\u00e7\u00e3o com Deus. Antes de mais, \u201cgritar\u201d. A condi\u00e7\u00e3o de pobreza n\u00e3o se esgota numa palavra, mas torna-se um grito que atravessa os c\u00e9us e chega at\u00e9 Deus. Que exprime o grito dos pobres, que n\u00e3o seja o seu sofrimento e a sua solid\u00e3o, a sua desilus\u00e3o e esperan\u00e7a? Podemos perguntar-nos: como \u00e9 que este grito, que sobe at\u00e9 \u00e0 presen\u00e7a de Deus, n\u00e3o consegue chegar aos nossos ouvidos e nos deixa indiferentes e impass\u00edveis? Num Dia como este, somos chamados a fazer um s\u00e9rio exame de consci\u00eancia, de modo a compreender se somos verdadeiramente capazes de escutar os pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 do sil\u00eancio da escuta que precisamos para reconhecer a voz deles. Se falarmos demasiado, n\u00e3o conseguiremos escut\u00e1-los. Muitas vezes, tenho receio que tantas iniciativas, apesar de merit\u00f3rias e necess\u00e1rias, estejam mais orientadas para nos satisfazer a n\u00f3s mesmos do que para acolher realmente o grito do pobre. Nesse caso, no momento em que os pobres fazem ouvir o seu grito, a rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 coerente, n\u00e3o \u00e9 capaz de entrar em sintonia com a condi\u00e7\u00e3o deles. Est\u00e1-se t\u00e3o presos na armadilha de uma cultura que obriga a olhar-se ao espelho e a acudir de sobremaneira a si mesmos, que se considera que um gesto de altru\u00edsmo pode ser suficiente para deixar satisfeitos, sem se deixar comprometer diretamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3. Um segundo verbo \u00e9 \u201cresponder\u201d. O Senhor, diz o salmista, n\u00e3o s\u00f3 escuta o grito do pobre, como tamb\u00e9m responde. A sua resposta, como est\u00e1 atestado em toda a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma participa\u00e7\u00e3o cheia de amor na condi\u00e7\u00e3o do pobre. Foi assim, quando Abra\u00e3o apresentava a Deus o seu desejo de ter uma descend\u00eancia, apesar de ele e a mulher Sara, j\u00e1 idosos, n\u00e3o terem filhos (cf. Gn 15,1-6). Aconteceu quando Mois\u00e9s, atrav\u00e9s do fogo de uma sar\u00e7a que ardia sem se consumir, recebeu a revela\u00e7\u00e3o do nome divino e a miss\u00e3o de tirar o povo do Egito (cf. Ex 3,1-15). E esta resposta confirmou-se ao longo de todo o caminho do povo no deserto: quando sentia os flagelos da fome e da sede (cf. Ex 16,1-16; 17,1-7) e quando ca\u00eda na pior mis\u00e9ria, que \u00e9 a da infidelidade \u00e0 alian\u00e7a e da idolatria (cf. Ex 32,1-14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A resposta de Deus ao pobre \u00e9 sempre uma interven\u00e7\u00e3o de salva\u00e7\u00e3o para cuidar das feridas da alma e do corpo, para repor a justi\u00e7a e para ajudar a recuperar uma vida com dignidade. A resposta de Deus \u00e9 tamb\u00e9m um apelo para que quem acredita n\u2019Ele possa proceder de igual modo, dentro das limita\u00e7\u00f5es do que \u00e9 humano. O Dia Mundial dos Pobres pretende ser uma pequena resposta que, de toda a Igreja, dispersa por todo mundo, \u00e9 dirigida aos pobres de todos os tipos e de todas as terras para que n\u00e3o pensem que o seu grito tenha ca\u00eddo no vazio. Provavelmente, \u00e9 como uma gota de \u00e1gua no deserto da pobreza; e, contudo, pode ser um sinal de partilha para com os que est\u00e3o em necessidade, para sentirem a presen\u00e7a ativa de um irm\u00e3o e de uma irm\u00e3. N\u00e3o \u00e9 de um ato de delega\u00e7\u00e3o que os pobres precisam, mas do envolvimento pessoal de quem escuta o seu grito. A solicitude dos crentes n\u00e3o pode limitar-se a uma forma de assist\u00eancia \u2013 mesmo se esta \u00e9 necess\u00e1ria e providencial num primeiro momento \u2013, mas requer aquela \u00abaten\u00e7\u00e3o de amor\u00bb (Exort. ap. Evangelii gaudium, 199) que honra o outro enquanto pessoa e procura o seu bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">4. Um terceiro verbo \u00e9 \u201clibertar\u201d. O pobre da B\u00edblia vive com a certeza que Deus interv\u00e9m a seu favor para lhe restituir a dignidade. A pobreza n\u00e3o \u00e9 procurada, mas \u00e9 criada pelo ego\u00edsmo, pela soberba, pela avidez e pela injusti\u00e7a. Males t\u00e3o antigos como o homem, mas mesmo assim continuam a ser pecados que implicam tantos inocentes, conduzindo a consequ\u00eancias sociais dram\u00e1ticas. A a\u00e7\u00e3o com a qual o Senhor liberta \u00e9 um ato de salva\u00e7\u00e3o para com os que Lhe apresentaram a sua tristeza e ang\u00fastia. As amarras da pobreza s\u00e3o quebradas pelo poder da interven\u00e7\u00e3o de Deus. Muitos salmos narram e celebram esta hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o que encontra correspond\u00eancia na vida pessoal do pobre: \u00abEle n\u00e3o desprezou nem repeliu a ang\u00fastia do pobre, nem escondeu dele a sua face, mas atendeu-o quando Lhe pediu socorro\u00bb (Sl 22,25). Poder contemplar a face de Deus \u00e9 sinal da sua amizade, da sua proximidade, da sua salva\u00e7\u00e3o. \u00abPusestes os olhos na minha mis\u00e9ria e conhecestes as ang\u00fastias da minha vida; [\u2026] colocastes os meus p\u00e9s num lugar espa\u00e7oso\u00bb (Sl 31,8-9). Dar ao pobre um \u201clugar espa\u00e7oso\u201d equivale a libert\u00e1-lo do \u201cla\u00e7o do ca\u00e7ador\u201d (cf. Sl 91,3), a retir\u00e1-lo da armadilha montada no seu caminho, para que possa caminhar desimpedido e encarar a vida com olhar sereno. A salva\u00e7\u00e3o de Deus toma a forma de uma m\u00e3o estendida ao pobre, que oferece acolhimento, protege e permite sentir a amizade de que precisa. \u00c9 a partir desta proximidade concreta e palp\u00e1vel que tem in\u00edcio um genu\u00edno percurso de liberta\u00e7\u00e3o: \u00abCada crist\u00e3o e cada comunidade s\u00e3o chamados a ser instrumentos de Deus ao servi\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade; isto sup\u00f5e que sejamos d\u00f3ceis e atentos, para ouvir o clamor do pobre e socorr\u00ea-lo\u00bb (Exort. ap. Evangelii gaudium, 187).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">5. Para mim \u00e9 um motivo de como\u00e7\u00e3o saber que tantos pobres se identificaram com Bartimeu, de quem fala o evangelista Marcos (cf. 10,46-52). O cego Bartimeu \u00abestava sentado a pedir esmola \u00e0 beira do caminho\u00bb (v. 46) e, tendo ouvido dizer que Jesus estava a passar, \u00abcome\u00e7ou a gritar\u00bb e a invocar o \u00abFilho de David\u00bb para que tivesse piedade dele (cf. v. 47). \u00abMuitos repreendiam-no para que se calasse, mas ele gritava cada vez mais\u00bb (v. 48). O Filho de Deus escutou o seu grito: \u00ab\u201cQue queres que Eu te fa\u00e7a?\u201d. E o cego respondeu-Lhe: \u201cRabuni, que eu veja de novo\u201d\u00bb (v. 51). Esta p\u00e1gina do Evangelho torna vis\u00edvel o que o salmo anunciava como promessa. Bartimeu \u00e9 um pobre que se encontra privado de capacidades fundamentais, como ver e trabalhar. Quantos percursos, tamb\u00e9m hoje, conduzem a formas de precariedade! A falta de meios elementares de subsist\u00eancia, a marginalidade quando se deixa de estar no pleno das pr\u00f3prias for\u00e7as de trabalho, as diversas formas de escravid\u00e3o social, apesar dos progressos levados a cabo pela humanidade\u2026 Quantos pobres, como Bartimeu, est\u00e3o hoje \u00e0 beira da estrada e procuram um sentido para a sua condi\u00e7\u00e3o! Quantos s\u00e3o os que se interrogam sobre o porqu\u00ea de ter chegado ao fundo deste abismo e sobre o modo de sair dele! Esperam que algu\u00e9m se aproxime deles e diga: \u00abCoragem! Levanta-te, que Ele est\u00e1 a chamar-te\u00bb (v. 49).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Infelizmente, verifica-se com frequ\u00eancia que, pelo contr\u00e1rio, as vozes que se ouvem s\u00e3o as da repreens\u00e3o e do convite a calar-se e aguentar. S\u00e3o vozes desafinadas, muitas vezes determinadas por uma avers\u00e3o aos pobres, considerados n\u00e3o apenas como pessoas indigentes, mas tamb\u00e9m como gente que traz inseguran\u00e7a, instabilidade, desorienta\u00e7\u00e3o das atividades di\u00e1rias e, por isso, gente que deve ser rejeitada e mantida ao longe. H\u00e1 uma tend\u00eancia a criar dist\u00e2ncia entre n\u00f3s e eles, e n\u00e3o nos damos conta que, deste modo, nos tornamos distantes do Senhor Jesus que n\u00e3o os rejeita, mas os chama a Si e os consola. Como soam apropriadas neste caso as palavras do profeta sobre o estilo de vida do crente: \u00abquebrar as cadeias injustas, desatar os la\u00e7os da servid\u00e3o, p\u00f4r em liberdade os oprimidos, destruir todos os jugos [\u2026], repartir o p\u00e3o com o faminto, dar pousada aos pobres sem abrigo, levar roupa aos que n\u00e3o t\u00eam que vestir\u00bb (Is 58,6-7). Este modo de agir permite que o pecado seja perdoado (cf. 1Pe 4,8), que a justi\u00e7a fa\u00e7a o seu caminho e que, quando formos n\u00f3s a gritar ao Senhor, Ele responda e diga: \u201cEstou aqui!\u201d (cf. Is 58,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">6. Os pobres s\u00e3o os primeiros a estar habilitados para reconhecer a presen\u00e7a de Deus e para dar testemunho da sua proximidade na vida deles. Deus permanece fiel \u00e0 sua promessa e, mesmo na escurid\u00e3o da noite, n\u00e3o deixa que falte o calor do seu amor e da sua consola\u00e7\u00e3o. Contudo, para superar a opressiva condi\u00e7\u00e3o de pobreza, \u00e9 necess\u00e1rio que eles se se apercebam da presen\u00e7a de irm\u00e3os e irm\u00e3s que se preocupam com eles e que, ao abrir a porta do cora\u00e7\u00e3o e da vida, fazem com que eles se sintam amigos e familiares. Apenas deste modo podemos descobrir \u00aba for\u00e7a salv\u00edfica das suas vidas\u00bb e \u00abcoloc\u00e1-los no centro do caminho da Igreja\u00bb (Exort. ap. Evangelii gaudium, 198).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste Dia Mundial somos convidados a tornar concretas as palavras do salmo: \u00abOs pobres h\u00e3o de comer e ser\u00e3o saciados\u00bb (Sl 22,27). Sabemos que, no templo de Jerusal\u00e9m, depois do rito do sacrif\u00edcio, tinha lugar o banquete. Em muitas dioceses, esta foi uma das experi\u00eancias que, no ano passado, enriqueceu a celebra\u00e7\u00e3o do primeiro Dia Mundial dos Pobres. Muitos encontraram o calor de uma casa, a alegria de uma refei\u00e7\u00e3o festiva e a solidariedade dos que quiseram partilhar a mesa de maneira simples e fraterna. Gostaria que, tamb\u00e9m este ano, bem como no futuro, este Dia fosse celebrado com a marca da alegria pela redescoberta capacidade de estar juntos. Rezar juntos em comunidade e partilhar a refei\u00e7\u00e3o no dia de domingo. Uma experi\u00eancia que nos leva de volta \u00e0 primeira comunidade crist\u00e3, que o evangelista Lucas descreve com toda a sua originalidade e simplicidade: \u00abOs irm\u00e3os eram ass\u00edduos ao ensino dos Ap\u00f3stolos, \u00e0 comunh\u00e3o fraterna, \u00e0 fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e \u00e0s ora\u00e7\u00f5es. [\u2026] Todos os que haviam abra\u00e7ado a f\u00e9 viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam propriedades e bens e distribu\u00edam o dinheiro por todos, conforme as necessidades de cada um\u00bb (At 2,42.44-45).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">7. S\u00e3o in\u00fameras as iniciativas que, todos os dias, a comunidade crist\u00e3 leva a cabo para dar um sinal de proximidade e de conforto \u00e0s muitas formas de pobreza que est\u00e3o diante dos nossos olhos. Muitas vezes, a colabora\u00e7\u00e3o com outras realidades, que t\u00eam como motor n\u00e3o a f\u00e9, mas a solidariedade humana, consegue prestar uma ajuda que, sozinhos, n\u00e3o poderemos realizar. Reconhecer que, no imenso mundo da pobreza, mesmo a nossa interven\u00e7\u00e3o \u00e9 limitada, fr\u00e1gil e insuficiente leva a estender as m\u00e3os aos outros, para que a colabora\u00e7\u00e3o rec\u00edproca possa atingir o objetivo de maneira mais eficaz. Somos movidos pela f\u00e9 e pelo imperativo da caridade, mas sabemos reconhecer outras formas de ajuda e solidariedade que se prop\u00f5em em parte os mesmos objetivos; desde que n\u00e3o descuidemos o que nos \u00e9 pr\u00f3prio, isto \u00e9, levar todos at\u00e9 Deus e \u00e0 santidade. O di\u00e1logo entre as diversas experi\u00eancias e a humildade de prestar a nossa colabora\u00e7\u00e3o, sem qualquer esp\u00e9cie de protagonismos, \u00e9 uma resposta adequada e plenamente evang\u00e9lica que podemos realizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diante dos pobres n\u00e3o se trata de jogar para ter a primazia da interven\u00e7\u00e3o, mas podemos reconhecer humildemente que \u00e9 o Esp\u00edrito quem suscita gestos que s\u00e3o sinal da resposta e da proximidade de Deus. Quando descobrimos o modo de nos aproximarmos dos pobres, sabemos que a primazia Lhe pertence a Ele que abriu os nossos olhos e o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 convers\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 de protagonismo que os pobres precisam, mas de amor que sabe esconder-se e esquecer o bem realizado. Os verdadeiros protagonistas s\u00e3o o Senhor e os pobres. Quem se coloca ao servi\u00e7o \u00e9 instrumento nas m\u00e3os de Deus para fazer reconhecer a sua presen\u00e7a e a sua salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 S\u00e3o Paulo quem o recorda, quando escreve aos crist\u00e3os de Corinto, que competiam entre si nos carismas procurando os mais prestigiosos: \u00abO olho n\u00e3o pode dizer \u00e0 m\u00e3o: \u201cN\u00e3o preciso de ti\u201d; nem a cabe\u00e7a dizer aos p\u00e9s: \u201cN\u00e3o preciso de v\u00f3s\u201d\u00bb (1Cor 12,21). O Ap\u00f3stolo faz uma considera\u00e7\u00e3o importante, observando que os membros do corpo que parecem mais fracos s\u00e3o os mais necess\u00e1rios (cf. v. 22); e que os que \u00abnos parecem menos honrosos cuidamo-los com maior considera\u00e7\u00e3o, e os menos decorosos s\u00e3o tratados com maior dec\u00eancia, ao passo que os que s\u00e3o mais decorosos n\u00e3o precisam de tais cuidados\u00bb (vv. 23-24). Ao ministrar um ensinamento fundamental sobre os carismas, Paulo educa tamb\u00e9m a comunidade para a atitude evang\u00e9lica para com os seus membros mais fracos e necessitados. Longe dos disc\u00edpulos de Cristo sentimentos de desprezo e de pietismo para com eles; pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o chamados a honr\u00e1-los, a dar-lhes preced\u00eancia, convictos de que eles s\u00e3o uma presen\u00e7a real de Jesus no meio de n\u00f3s. \u00abTudo o que fizestes a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a Mim o fizestes\u00bb (Mt 25,40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">8. Aqui compreende-se como o nosso modo de viver \u00e9 diferente do do mundo, que louva, segue e imita os que t\u00eam poder e riqueza, ao passo que marginaliza os pobres e os considera um refugo e uma vergonha. As palavras do Ap\u00f3stolo s\u00e3o um convite para conferir plenitude evang\u00e9lica \u00e0 solidariedade para com os membros mais fracos e menos dotados do Corpo de Cristo: \u00abSe um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro \u00e9 honrado, todos os membros se alegram com ele\u00bb (1Cor 12,26). Na mesma linha, na Carta aos Romanos exorta-nos: \u00abAlegrai-vos com os que est\u00e3o alegres, chorai com os que choram. Tende os mesmos sentimentos uns para com os outros. N\u00e3o aspireis \u00e0s grandezas, mas conformai-vos com o que \u00e9 humilde\u00bb (12,15-16). Esta \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o do disc\u00edpulo de Cristo; o ideal para o qual se deve tender com perseveran\u00e7a \u00e9 assimilar cada vez mais em n\u00f3s os \u00absentimentos de Cristo Jesus\u00bb (Flp 2,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">9. Uma palavra de esperan\u00e7a torna-se o ep\u00edlogo natural para o qual a f\u00e9 orienta. Muitas vezes, s\u00e3o mesmo os pobres a colocar em crise a nossa indiferen\u00e7a, filha de uma vis\u00e3o da vida, demasiado imanente e ligada ao presente. O grito do pobre \u00e9 tamb\u00e9m um grito de esperan\u00e7a com a qual ele d\u00e1 mostras da certeza de ser libertado. A esperan\u00e7a, que se alicer\u00e7a no amor de Deus que n\u00e3o abandona quem n\u2019Ele confia (cf. Rm 8,31-39). Escrevia Santa Teresa de \u00c1vila no seu Caminho de Perfei\u00e7\u00e3o: \u00abA pobreza \u00e9 um bem que encerra em si todos os bens do mundo; assegura-nos um grande dom\u00ednio; quero dizer que nos torna senhores de todos os bens terrenos, uma vez que nos leva a desprez\u00e1-los\u00bb (2,5). \u00c9 na medida em que somos capazes de discernir o verdadeiro bem que nos tornamos ricos diante de Deus e s\u00e1bios diante de n\u00f3s mesmos e dos outros. \u00c9 mesmo assim: na medida em que se consegue dar um sentido justo e verdadeiro \u00e0 riqueza, cresce-se em humanidade e torna-se capazes de partilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">10. Convido os irm\u00e3os bispos, os sacerdotes e, de modo particular, os di\u00e1conos, a quem foram impostas as m\u00e3os para o servi\u00e7o aos pobres (cf. At 6,1-7), juntamente com as pessoas consagradas e tantos leigos e leigas que nas par\u00f3quias, nas associa\u00e7\u00f5es e nos movimentos tornam palp\u00e1vel a resposta da Igreja ao grito dos pobres, a viver este Dia Mundial como um momento privilegiado de nova evangeliza\u00e7\u00e3o. Os pobres evangelizam-nos, ajudando-nos a descobrir cada dia a beleza do Evangelho. N\u00e3o deixemos cair no vazio esta oportunidade de gra\u00e7a. Neste dia, sintamo-nos todos devedores para com eles, para que, estendendo reciprocamente as m\u00e3os um ao outro, se realize o encontro salv\u00edfico que sustenta a f\u00e9, torna eficaz a caridade e habilita a esperan\u00e7a para prosseguir com firmeza pelo caminho em dire\u00e7\u00e3o ao Senhor que vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Vaticano, 13 de junho de 2018<br \/>\nMem\u00f3ria lit\u00fargica de Santo Ant\u00f4nio de P\u00e1dua<\/p>\n<h2 style=\"text-align: right\"><strong>Francisco<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: right\">\u00a9 Copyright &#8211; Libreria Editrice Vaticana<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O Dia Mundial dos Pobres pretende ser uma pequena resposta que, de toda a Igreja, dispersa por todo mundo, \u00e9 dirigida aos pobres de todos os tipos&#8221;, diz o Papa<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[1671],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30674"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=30674"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30674\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=30674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=30674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=30674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}