{"id":30678,"date":"2018-06-15T00:00:00","date_gmt":"2018-06-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/lucidez-nas-escolhas\/"},"modified":"2018-06-15T00:00:00","modified_gmt":"2018-06-15T03:00:00","slug":"lucidez-nas-escolhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/lucidez-nas-escolhas\/","title":{"rendered":"Lucidez nas escolhas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As escolhas, quando feitas com lucidez, podem promover a qualifica\u00e7\u00e3o da vida pessoal e o desenvolvimento integral da sociedade. A liberdade de escolha \u00e9 um direito, mas \u00e9 necess\u00e1rio conhecer as consequ\u00eancias de cada decis\u00e3o. Por isso mesmo, n\u00e3o \u00e9 aconselh\u00e1vel que as escolhas sejam feitas simplesmente por comodidades e conveni\u00eancias. Nem devem ser determinadas por din\u00e2micas ps\u00edquicas e afetivas de indiv\u00edduos, pois causam impactos nos contextos sociopol\u00edticos e culturais. Assim, somente a lucidez nas escolhas, fruto do indispens\u00e1vel exerc\u00edcio de discernimento, \u00e9 capaz de gerar o equil\u00edbrio necess\u00e1rio \u00e0s decis\u00f5es voltadas para o bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E todo processo de discernimento \u00e9 complexo. Revela fragilidades individuais, independentemente das condi\u00e7\u00f5es sociais, acad\u00eamicas e econ\u00f4micas. Sendo assim, o segredo do bom discernimento reside na compet\u00eancia humana e espiritual para articular conceitos, informa\u00e7\u00f5es e enxergar, com maior nitidez, a realidade. Mas, em diversas situa\u00e7\u00f5es, as pessoas n\u00e3o est\u00e3o capacitadas para bem discernir. Ainda mais preocupante \u00e9 quando indiv\u00edduos com grandes responsabilidades se mostram despreparados. Gestores que t\u00eam o dever de representar o povo fazem escolhas inadequadas, causando impactos devastadores na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por isso mesmo, \u00e9 preciso crit\u00e9rio para escolher esses gestores, especificamente no processo eleitoral. \u00a0Muitos submetem seus nomes ao sufr\u00e1gio das urnas movidos exclusivamente pela vaidade. E pior, \u00e9 cada vez mais comum a presen\u00e7a na pol\u00edtica de pessoas que buscam ocupar cargos apenas para atender a interesses particulares, ou satisfazer o desejo de ter o \u201cpoder nas m\u00e3os\u201d. Afinal, espera-se do gestor um governo competente no discernimento e nas escolhas, priorizando a efic\u00e1cia na solu\u00e7\u00e3o dos diferentes problemas, sem atrasos e preju\u00edzos. Mas, infelizmente, o que se constata, com frequ\u00eancia, s\u00e3o pessoas que ocupam lugares estrat\u00e9gicos sem a m\u00ednima percep\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias responsabilidades. Ao inv\u00e9s de apresentarem resultados, prevalece um falat\u00f3rio com justificativas intermin\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse cen\u00e1rio \u00e9 especialmente preocupante na atualidade, quando as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o desafiadas a se remodelarem, adequando-se \u00e0 realidade contempor\u00e2nea. E nas inst\u00e2ncias do poder, os que representam o povo, em vez de oferecerem solu\u00e7\u00f5es para os muitos problemas, est\u00e3o mais preocupados com a manuten\u00e7\u00e3o de cargos e privil\u00e9gios. Sequer se dedicam ao necess\u00e1rio exerc\u00edcio da autocr\u00edtica, essencial para n\u00e3o se repetir erros. Falta lucidez. Uma patologia que amea\u00e7a diferentes institui\u00e7\u00f5es, submetidas \u00e0s desconex\u00f5es e \u00e0s idiossincrasias de seus dirigentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Urgente \u00e9 o surgimento de novos l\u00edderes, capazes de conduzir processos com desapego e intelig\u00eancia. Particularmente, essa \u00e9 uma inquestion\u00e1vel necessidade para o Brasil, que precisa rearticular os rumos da democracia, t\u00e3o fragilizada pela gest\u00e3o daqueles que seguiram os caminhos da mesquinhez, em vez de priorizar o bem comum. Nesse sentido, o cidad\u00e3o brasileiro est\u00e1 desafiado a escolher bem seus representantes nas elei\u00e7\u00f5es deste ano. Devem ser buscados gestores e legisladores capazes de perceber a complexa realidade do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre os muitos desafios a serem enfrentados est\u00e1, pois, a qualifica\u00e7\u00e3o da comunidade pol\u00edtica. A oportunidade singular para isso \u00e9 o voto nas urnas. Para n\u00e3o perd\u00ea-la, cada pessoa deve escolher seu candidato com lucidez, considerando as propostas que realmente buscam o bem da sociedade. Dos pol\u00edticos, \u00e9 esperada a clara compreens\u00e3o da real import\u00e2ncia do povo, a exemplo do que ensina a Doutrina Social da Igreja: o povo n\u00e3o \u00e9 uma multid\u00e3o amorfa, uma massa inerte a ser manipulada e instrumentalizada, mas um conjunto de pessoas com o direito de formar a sua pr\u00f3pria opini\u00e3o a respeito da coisa p\u00fablica, de exprimir a sua sensibilidade pol\u00edtica e de faz\u00ea-la valer de modo consoante com o bem comum. N\u00e3o basta aos pol\u00edticos a ambi\u00e7\u00e3o para ocupar lugares nos processos de governan\u00e7a. \u00c9 preciso intuir novos caminhos. O ponto de partida ser\u00e1 sempre o cultivo-aprendizagem do discernimento, para garantir a lucidez nas escolhas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG) As escolhas, quando feitas com lucidez, podem promover a qualifica\u00e7\u00e3o da vida pessoal e o desenvolvimento integral da sociedade. A liberdade de escolha \u00e9 um direito, mas \u00e9 necess\u00e1rio conhecer as consequ\u00eancias de cada decis\u00e3o. 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