{"id":30762,"date":"2018-06-20T00:00:00","date_gmt":"2018-06-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/outra-vez-o-aborto\/"},"modified":"2018-06-20T00:00:00","modified_gmt":"2018-06-20T03:00:00","slug":"outra-vez-o-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/outra-vez-o-aborto\/","title":{"rendered":"Outra vez, o aborto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Cardeal Odilo Pedro Scherer<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A luta pela legaliza\u00e7\u00e3o do aborto est\u00e1 novamente na ordem do dia. Na Irlanda, pa\u00eds de s\u00f3lidas tradi\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas at\u00e9 h\u00e1 poucos anos, um referendum popular avalizou a mudan\u00e7a da Constitui\u00e7\u00e3o, permitindo o aborto at\u00e9 \u00e0 12\u00aa. semana de gesta\u00e7\u00e3o. Na Col\u00f4mbia, da mesma forma, o aborto foi legalizado. H\u00e1 poucos dias, a C\u00e2mara dos Deputados da Argentina deu o aval, com vantagem de votos, ao aborto at\u00e9 \u00e0 14\u00aa. semana de gesta\u00e7\u00e3o, bastando a solicita\u00e7\u00e3o da gestante. Em todo o caso, a aprova\u00e7\u00e3o definitiva da nova disposi\u00e7\u00e3o legal ainda depende do Senado argentino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E aqui, no Brasil, numa manobra ardilosa da milit\u00e2ncia pro-aborto, a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto passou da compet\u00eancia do Congresso Nacional para a Supremo Tribunal Federal (STF). O argumento inaceit\u00e1vel \u00e9 que o Congresso n\u00e3o tem a coragem de tomar a decis\u00e3o, bem sabendo que uma larga maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o do aborto. Estranhamente, neste caso, o STF assumir\u00e1 fun\u00e7\u00e3o legislativa, ao inv\u00e9s de guardi\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, como \u00e9 seu papel constitucional. O Congresso Nacional at\u00e9 parece sentir-se confort\u00e1vel com essa \u201ccess\u00e3o de compet\u00eancias\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quem luta pela legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, usa a linguagem dissimulada de \u201cinterrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez\u201d, argumentando que se trata de uma afirma\u00e7\u00e3o da vontade individual, como valor supremo, a ser respeitado sempre, mesmo acima do direito \u00e0 vida de outrem. Com essa express\u00e3o, esconde-se o efeito tr\u00e1gico da interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez, que coloca fim a uma vida humana indefesa e inocente. E quem o pode negar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Argumenta-se que muitas mulheres, ap\u00f3s um aborto inseguro, t\u00eam sequelas e at\u00e9 podem morrer e isso pode ser verdade. No entanto, a mulher n\u00e3o \u00e9 obrigada a fazer o aborto. E n\u00e3o se fala das centenas de milhares, sen\u00e3o dos milh\u00f5es de fetos e beb\u00eas, que s\u00e3o voluntariamente matados cada ano no ventre materno em consequ\u00eancia de abortos \u201cseguros\u201d e inseguros. Por que motivo n\u00e3o se fazem campanhas contra o aborto, qualquer que seja a sua forma, para preservar a vida e a sa\u00fade de m\u00e3es e filhos. N\u00e3o seria o caso de fazer campanhas contra as cl\u00ednicas abortistas e a pr\u00e1tica do aborto dom\u00e9stico e inseguro, em vez de legalizar essa pr\u00e1tica cruel?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O aborto clandestino \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica? Pode at\u00e9 ser. Mas \u00e9 preciso entender bem, de sa\u00edda, que a gravidez n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a nem representa, normalmente, um risco para a sa\u00fade da mulher. Ao se falar em \u201cproblema de sa\u00fade p\u00fablica\u201d, geralmente, os n\u00fameros s\u00e3o superdimensionados. Al\u00e9m disso, seria necess\u00e1rio falar, antes de mais nada, que o aborto \u00e9 um grav\u00edssimo problema de sa\u00fade p\u00fablica e um grave desrespeito aos direitos humanos porque ceifa sem nenhuma chance de defesa, a vida de milh\u00f5es de nascituros, sobre cujo direito de nascer e viver a sociedade tamb\u00e9m deveria velar. E n\u00e3o se fala que a consumo de drogas e de \u00e1lcool, o h\u00e1bito de fumar e a viol\u00eancia no tr\u00e2nsito, que s\u00e3o problemas de sa\u00fade p\u00fablica muito graves. Nesses casos, muitas pessoas morrem e outras muit\u00edssimas ficam doentes ou t\u00eam sequelas para o resto da vida, devendo ser amparadas por toda a sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Argumenta-se ainda que o aborto deve ser tratado como um assunto pol\u00edtico e democr\u00e1tico, n\u00e3o sendo aceit\u00e1vel a influ\u00eancia do discurso religioso ou moral. Francamente, \u00e9 dif\u00edcil imaginar que o aborto n\u00e3o tenha a ver com a moral, sendo que est\u00e1 em jogo uma decis\u00e3o sobre a vida e a morte de outro ser humano! Se isso n\u00e3o interessa \u00e0 moral, que outro assunto poderia ainda lhe interessar?! E por qual motivo as pessoas que t\u00eam f\u00e9 religiosa n\u00e3o devam manifestar em p\u00fablico e defender sua posi\u00e7\u00e3o sobre o aborto? Seriam elas cidad\u00e3os de segunda classe numa sociedade pluralista e democr\u00e1tica, sem o mesmo direito \u00e0 livre manifesta\u00e7\u00e3o de seu pensamento e opini\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De toda maneira, \u00e9 preciso evitar que a defesa da vida seja reduzida a um argumento religioso e de f\u00e9 sobrenatural. A dignidade humana e o direito \u00e0 vida n\u00e3o s\u00e3o necessariamente \u201cassuntos religiosos\u201d e interessam a todos. Certamente, tamb\u00e9m pessoas sem f\u00e9 nem religi\u00e3o t\u00eam apre\u00e7o \u00e0 vida humana e n\u00e3o aceitam que se possa, simplesmente, tornar \u201clegal\u201d o ato de agredir ou matar uma pessoa adulta ou indefesa. Mais ainda, quando se trata de crian\u00e7as e de beb\u00eas ainda n\u00e3o nascidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O argumento de que a mulher \u00e9 dona de seu corpo e tem o direito de fazer com ele o que bem entende \u00e9 absolutamente falso. No caso do aborto, o beb\u00ea em gesta\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 um outro ser, diverso da mulher; e um outro corpo, diverso do da mulher, embora estreitamente dependente dela. Isso n\u00e3o afirmado pela religi\u00e3o, mas pela ci\u00eancia. A mulher gestante \u00e9 guardi\u00e3 da vida fr\u00e1gil e da pessoa ainda em gesta\u00e7\u00e3o. E, com ela, toda a sociedade deve desempenhar esse papel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Odilo Pedro Scherer Arcebispo de S\u00e3o Paulo \u00a0 A luta pela legaliza\u00e7\u00e3o do aborto est\u00e1 novamente na ordem do dia. Na Irlanda, pa\u00eds de s\u00f3lidas tradi\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas at\u00e9 h\u00e1 poucos anos, um referendum popular avalizou a mudan\u00e7a da Constitui\u00e7\u00e3o, permitindo o aborto at\u00e9 \u00e0 12\u00aa. semana de gesta\u00e7\u00e3o. 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