{"id":30792,"date":"2018-06-25T00:00:00","date_gmt":"2018-06-25T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-jose-azuaje-sejamos-solidarios-e-nao-coloquemos-qualquer-obstaculo-a-caridade\/"},"modified":"2020-03-11T17:09:44","modified_gmt":"2020-03-11T20:09:44","slug":"dom-jose-azuaje-sejamos-solidarios-e-nao-coloquemos-qualquer-obstaculo-a-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-jose-azuaje-sejamos-solidarios-e-nao-coloquemos-qualquer-obstaculo-a-caridade\/","title":{"rendered":"Dom Jos\u00e9 Azuaje: \u201cSejamos solid\u00e1rios e n\u00e3o coloquemos qualquer obst\u00e1culo \u00e0 caridade\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Hoje, 25 de junho, \u00e9 o Dia Nacional do Migrante. Nos \u00faltimos anos o Brasil vem acolhendo um expressivo n\u00famero de migrantes e refugiados venezuelanos. Por isso, conversamos, nesta entrevista, com <strong>dom Jos\u00e9 Luis Azuaje Ayala<\/strong>, arcebispo de Maracaibo, presidente da Confer\u00eancia Episcopal da Venezuela e da C\u00e1ritas Am\u00e9rica Latina e Caribe. Dom Luis ressalta que: \u201cDevemos lembrar que este mundo \u00e9 feito para todos, que as fronteiras s\u00e3o linhas imagin\u00e1rias para ordenar, mas n\u00e3o para o impedimento da realiza\u00e7\u00e3o dos seres humanos. Um migrante \u00e9 um ser humano que tem dignidade em si mesmo, independentemente de ra\u00e7a, cor, credo ou ideologia. Todos n\u00f3s possu\u00edmos a primeira dignidade que nos aproxima, irm\u00e3os, co-participantes de uma hist\u00f3ria comum no mundo\u201d.\u00a0 E conta que: \u201cN\u00f3s venezuelanos n\u00e3o temos uma voca\u00e7\u00e3o para migrar, pelo contr\u00e1rio, sempre nos distinguimos em acolher pessoas de outros pa\u00edses, sempre foi assim. Se voc\u00ea sair do pa\u00eds \u00e9 porque as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a econ\u00f4mica, social, pessoal e legal n\u00e3o permitem que voc\u00ea viva. \u00c9 algo de vida ou morte para milh\u00f5es de pessoas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Leia a entrevista com <strong>Jos\u00e9 Luis Azuaje Ayala<\/strong>:<\/p>\n<p><strong>O fen\u00f4meno da migra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 novo, mas o que o diferencia em nosso tempo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Azuaje \u2013<\/strong> <em>Este fen\u00f4meno sempre existiu por muitos s\u00e9culos. Na Palavra de Deus, \u00e9 revelado, com tudo o que isso implica (governo, territ\u00f3rio e popula\u00e7\u00e3o), ele estabeleceu leis claras sobre como o estrangeiro deveria ser recebido; lemos em Lev\u00edtico 19,34 &#8220;O estrangeiro que habita convosco ser\u00e1 como algu\u00e9m nascido entre v\u00f3s, e voc\u00ea o amar\u00e1 como a si mesmo, porque voc\u00ea era estrangeiro na terra do Egito; Eu sou o Senhor seu Deus&#8221;.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_196044\" aria-describedby=\"caption-attachment-196044\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-196044 size-medium\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Dom-Luis-Azuaje-Ayala-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-196044\" class=\"wp-caption-text\"><em>Na foto, dom Jos\u00e9 Luis Azuaje Ayala<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>\u00c9 verdade que as na\u00e7\u00f5es s\u00e3o divididas por fronteiras, de acordo com sua composi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que neles existem leis que s\u00e3o regidas por seus governantes. A diferen\u00e7a nos atuais movimentos migrat\u00f3rios se deve a raz\u00f5es for\u00e7adas, muitos deixam seu pa\u00eds e quase sempre nunca voltam a ele. N\u00e3o \u00e9 um &#8220;turismo migrat\u00f3rio&#8221;, mas uma &#8220;exclaustra\u00e7\u00e3o&#8221; de sua pr\u00f3pria p\u00e1tria para entrar em uma nova cultura, economia, realidade pol\u00edtica e social.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Um dos fatos que chama a aten\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria \u00e9 que antes um membro da fam\u00edlia sa\u00eda para buscar o bem-estar e de onde ele chegava ajudava economicamente os demais membros atrav\u00e9s de remessas; hoje a fam\u00edlia inteira parte, algumas primeiras que est\u00e3o levando os outros membros; \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, familiar na maioria dos casos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Nos anos anteriores houve migra\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina devido a ditaduras e processos de viol\u00eancia em alguns pa\u00edses; hoje \u00e9 mais pela falta de oportunidades para obter o desenvolvimento integral, a pobreza desencadeia a decis\u00e3o de migrar para outros pa\u00edses que t\u00eam duas condi\u00e7\u00f5es: seguran\u00e7a pessoal e legal, e oportunidades de trabalho, o restante \u00e9 alcan\u00e7ado por pessoas de diferentes localidades. Outra novidade \u00e9 que foram aprovadas leis e regulamentos diferentes que no passado n\u00e3o existiam, bem como a cria\u00e7\u00e3o de in\u00fameras organiza\u00e7\u00f5es que cuidam dos migrantes internacionalmente.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>A ideia para muitos \u00e9 fazer uma nova vida adaptando-se a uma nova cultura e novas leis. O pensamento e o desejo n\u00e3o \u00e9 voltar porque consideram que o pa\u00eds de onde saem n\u00e3o cumpre as condi\u00e7\u00f5es de viver com dignidade. \u00c9 muito necess\u00e1rio que os cidad\u00e3os cuidem e vigiem uns aos outros, para ajudar em termos de orienta\u00e7\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o de cada pessoa \u00e9 o sentido de responsabilidade, diante do fen\u00f4meno da migra\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>A Igreja, atenta e sol\u00edcita aos problemas da humanidade, n\u00e3o se manteve indiferente ao problema da migra\u00e7\u00e3o. Durante a guerra e depois dela de uma maneira especial, na qual esse fen\u00f4meno apareceu da maneira mais dolorosa e desordenada, a transmigra\u00e7\u00e3o dos fugitivos logo se interessou por todos os tipos de meios \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, tais como assist\u00eancia caritativa, interven\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, esclarecimentos doutrinais, para temperar desastres e desordens causados \u200b\u200bpor migra\u00e7\u00e3o violenta, ou destitu\u00eddos de dire\u00e7\u00e3o e ajuda.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Quais os desafios relacionados \u00e0 quest\u00e3o dos migrantes e refugiados na Am\u00e9rica Latina?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Azuaje \u2013<\/strong> <em>Sabiamente, o papa Francisco sempre nos lembra que os migrantes n\u00e3o s\u00e3o n\u00fameros: s\u00e3o pessoas, mulheres, homens, crian\u00e7as, que t\u00eam um rosto e que muitas vezes sofrem e s\u00e3o descartados. S\u00e3o rostos humanos, nos quais reconhecemos o rosto de Cristo, a quem queremos servir especialmente naqueles que s\u00e3o menores e necessitados. \u201cPorque tive fome, e n\u00e3o me destes de comer, tive sede, e n\u00e3o me destes de beber, sendo estrangeiro, n\u00e3o me recolhestes&#8230;\u201d (Mt 25, 42,43).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Nosso maior desafio \u00e9 favorecer as fam\u00edlias migrantes, que muitas vezes migram em busca de seguran\u00e7a e de uma vida digna, especialmente para as crian\u00e7as. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio ativar a legisla\u00e7\u00e3o internacional para a prote\u00e7\u00e3o dos migrantes, bem como as diferentes legisla\u00e7\u00f5es nacionais do pa\u00eds de partida, bem como o pa\u00eds anfitri\u00e3o. Um fato not\u00f3rio \u00e9 o que a Igreja Cat\u00f3lica alcan\u00e7ou, reunindo todas as institui\u00e7\u00f5es que trabalham em prol dos migrantes em uma grande rede: o Clamor Vermelho. A for\u00e7a est\u00e1 na comunh\u00e3o e o interesse m\u00fatuo \u00e9 favorecer as pessoas mobilizadas, cuidar dos seus direitos, proteger os mais fracos, denunciar a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos dos migrantes e trabalhar diretamente com eles.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>A Am\u00e9rica Latina \u00e9 uma testemunha que muitos chegam aos pa\u00edses de destino depois de terem sofrido viol\u00eancia e abuso durante a viagem, para enfrentar ent\u00e3o novas experi\u00eancias de mis\u00e9ria e dificuldades antes impens\u00e1veis. Aqui a Igreja encontra a raz\u00e3o de ser mission\u00e1ria porque pode agir com mais efic\u00e1cia. Antes de n\u00f3s, h\u00e1 sempre o chamado de Deus para atender a este fen\u00f4meno como um dos mais exigentes &#8220;sinais dos tempos&#8221; e, do mesmo modo, mais comprometedor. \u00c9 lament\u00e1vel que estejamos acostumados a ver aqueles que se mudam ou buscam ref\u00fagio como peregrinos sem consolo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Como fortalecer a cultura do encontro em crescente fato mundial de migra\u00e7\u00f5es e ref\u00fagios for\u00e7ados?<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_196045\" aria-describedby=\"caption-attachment-196045\" style=\"width: 225px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-196045 size-medium\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Dom-Luis-Azuaje-Ayala-6-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-196045\" class=\"wp-caption-text\">Dom Luis Azuaje Ayala em encontro com o papa Francisco<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Azuaje \u2013<\/strong> <em>O papa Francisco nos deu a chave quando prop\u00f4s os quatro verbos para o migrante: acolher, proteger, promoer e integrar. Quando esses verbos s\u00e3o acionados dentro de uma determinada localidade, cultura, idiossincrasia, a cultura do encontro \u00e9 gerada. Eu acho que \u00e9 necess\u00e1rio projetar uma nova narrativa para ouvir a voz do migrante, n\u00e3o apenas a voz da na\u00e7\u00e3o de chegada, mas a voz do migrante, que tem muito a dizer em sua experi\u00eancia de vida, esta \u00e9 uma voz autorizada que abre um contexto de reaproxima\u00e7\u00e3o e responsabilidade.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Na atual campanha da C\u00e1ritas Internacional, &#8220;<a href=\"http:\/\/caritas.org.br\/campanha-mundial-compartilheaviagem2017\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Compartilhe a viagem<\/a>&#8220;, \u00e9 necess\u00e1rio um di\u00e1logo sem media\u00e7\u00f5es com os migrantes, para poder ouvir suas hist\u00f3rias, mas tamb\u00e9m as caracter\u00edsticas de sua cultura, do que deixaram para tr\u00e1s. Desta forma, ele est\u00e1 se aproximando do que considera novidade, uma nova cultura, uma nova maneira de se relacionar com a realidade, novas leis, costumes. Um tempo de aprendizado come\u00e7a onde a pr\u00f3pria cultura mostra suas riquezas, assim como a cultura que se encontra na nova terra. N\u00e3o deve haver imposi\u00e7\u00f5es, mas uma descoberta m\u00fatua das grandes riquezas humanas e culturais presentes em cada experi\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Na Am\u00e9rica Latina h\u00e1 constantes e grav\u00edssimos fluxos de pessoas, sejam elas refugiadas ou migrantes for\u00e7adas. Como a Igreja tem acompanhado essa realidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Azuaje \u2013<\/strong> <em>Existem dois lugares muito especiais para acompanhamento. A Igreja da partida e a Igreja que recebe. Por exemplo, no meu pa\u00eds, a Venezuela, a pr\u00e1tica de acompanhar pessoas que t\u00eam um projeto para deixar o pa\u00eds est\u00e1 sendo realizada espiritualmente e humanamente, \u00e0s vezes at\u00e9 economicamente, elas s\u00e3o ajudadas ou colocadas em contato com grupos ou comunidade que est\u00e3o no pa\u00eds para onde est\u00e3o indo. Ela \u00e9 at\u00e9 mesmo notificada sobre leis internacionais e outros regulamentos. A Igreja que est\u00e1 presente para onde essas pessoas s\u00e3o dirigidas, costuma ter programas para a aten\u00e7\u00e3o dos migrantes que chegam, pelo menos nos primeiros dias, enquanto se estabelecem, trabalham e aguardam seus documentos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Atrav\u00e9s destas interven\u00e7\u00f5es, o objetivo da Igreja \u00e9 oferecer aos refugiados, deslocados internos e v\u00edtimas do tr\u00e1fico uma oportunidade de recuperar sua dignidade humana, trabalhando produtivamente e assumindo os direitos e deveres de cada pa\u00eds, e nunca esquecendo de alimentar seus vida espiritual.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>A Igreja coloca a pessoa humana no centro das aten\u00e7\u00f5es, isto coincide com as convic\u00e7\u00f5es e com a preocupa\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica sobre a dignidade humana, onde considera a migra\u00e7\u00e3o como um campo mission\u00e1rio no qual devemos testemunhar a Boa Nova, sem proselitismo de qualquer tipo. A Igreja nos convida a sermos testemunhas e a proclamar nessas circunst\u00e2ncias o significado do amor de Deus em Jesus Cristo para cada pessoa. \u00c9 seu dever e responsabilidade comunicar o Evangelho a todos os nossos irm\u00e3os em necessidade com grande generosidade e sacrif\u00edcio pessoal para que as pessoas conhe\u00e7am o amor de Cristo atrav\u00e9s das obras sociais para acompanhar o ser humano em sua dor.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Como a Igreja da Venezuela acompanha a realidade a crise pol\u00edtica, econ\u00f4mica e humanit\u00e1ria no pa\u00eds<\/strong>?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Azuaje \u2013<\/strong> <em>N\u00f3s assumimos a dor de nossos irm\u00e3os presentes nas comunidades mais vulner\u00e1veis \u200b\u200be, acima de tudo, dos pais que foram deixados sozinhos porque seus filhos deixaram o pa\u00eds. Tamb\u00e9m temos proximidade com muitos que est\u00e3o no exterior reinventando suas vidas e lutando por um futuro melhor para suas fam\u00edlias. N\u00f3s tamb\u00e9m experimentamos a dor daqueles parentes que recebem seus entes queridos repatriados por causa de uma doen\u00e7a, acidente ou homic\u00eddio.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>N\u00f3s estamos como no olho de um furac\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o melhora, neste caso, parece que vai de mal a pior. Recebemos o encorajamento do papa Francisco para acompanhar os dolorosos processos de um pa\u00eds cujo sistema pol\u00edtico est\u00e1 quebrando todas as dimens\u00f5es da pessoa e da sociedade.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>\u00c9 bem sabido que a Igreja sempre acompanhou o povo venezuelano nas v\u00e1rias circunst\u00e2ncias pelas quais viveu; Mas o que nos acontece \u00e9 sem precedentes, n\u00e3o entendemos como um sistema de governo est\u00e1 determinado a destruir tudo: sistema pol\u00edtico, economia, constitui\u00e7\u00e3o, rela\u00e7\u00f5es interpessoais, cren\u00e7as das pessoas, sua esperan\u00e7a, ind\u00fastrias estatais, poder de compra dos trabalhadores&#8230; Temos hiperinfla\u00e7\u00e3o, corrup\u00e7\u00e3o e especula\u00e7\u00e3o. O sal\u00e1rio m\u00ednimo que s\u00f3 foi aumentado no dia 19 deste m\u00eas, n\u00e3o chega a US$ 3. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dram\u00e1tica, e isso n\u00f3s advertimos, mas nada \u00e9 feito.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Atrav\u00e9s de nossas institui\u00e7\u00f5es, priorizando as par\u00f3quias e a C\u00e1ritas, estamos realizando um servi\u00e7o humanit\u00e1rio com alguns projetos: mesas solid\u00e1rias, bancos de medica\u00e7\u00f5es, o projeto <a href=\"http:\/\/caritasvenezuela.org\/campana-compartir-2018\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C\u00e1ritas Saman<\/a> para o atendimento de crian\u00e7as menores de 6 anos devido ao aumento de desnutri\u00e7\u00e3o infantil, atendimento ao idoso que sofre com a falta de alimentos e medicamentos, al\u00e9m de proporcionar espa\u00e7os de capacita\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de aprendizagem para o trabalho. Apesar do abandono escolar motivado pela falta de comida para as crian\u00e7as, assim como a escassez de transporte p\u00fablico devido \u00e0 falta de pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o, borrachas, baterias, para o transporte p\u00fablico, nossas escolas n\u00e3o fecharam, elas permanecem abertas atendendo os alunos que conseguem chegar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Outra \u00e1rea que servimos \u00e9 o minist\u00e9rio pastoral da esperan\u00e7a. Dar esperan\u00e7a a um povo aflito, sem esperan\u00e7a, abandonado pelos pol\u00edticos do governo e da oposi\u00e7\u00e3o, um povo que se sentiu usado nos protestos, esse povo que servimos como membros dele, porque n\u00e3o somos outra coisa, mas as pessoas peregrinas atrav\u00e9s do deserto de ang\u00fastia, desespero, mas com f\u00e9 em Deus. O fator religioso tem sido fundamental para seguir em frente. Acreditar n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, mas um compromisso com a vida, que nos faz testemunhar a vida como disc\u00edpulos daqueles que se entregaram por n\u00f3s na cruz.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Como Confer\u00eancia Episcopal, optamos pelo di\u00e1logo para favorecer o bem-estar e a dignidade das pessoas. Esta tem sido a nossa principal preocupa\u00e7\u00e3o. Mas como dialogar com quem s\u00f3 quer ser ouvido e n\u00e3o se comprometer com mudan\u00e7as relevantes para o bem do pa\u00eds? Por isso, nos pronunciamos em comunicados e discursos como uma den\u00fancia em busca de uma sociedade mais justa e digna. Continuaremos a defender a pessoa e seus direitos, lembrando que o valor da pessoa se baseia na &#8220;dignidade humana&#8221;, &#8220;que est\u00e1 acima de todas as coisas e cujos direitos e deveres s\u00e3o universais e inviol\u00e1veis&#8221; (GS. 26).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Centenas de venezuelanos t\u00eam migrado para pa\u00edses vizinhos, principalmente para a Col\u00f4mbia, mas tamb\u00e9m chegam ao Brasil. Como o Secretariado Latino-americano e Caribenho da C\u00e1ritas (SELACC) tem acompanhado esse drama?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Azuaje \u2013<\/strong> <em>Tem havido muita solidariedade e, eu diria, muita preocupa\u00e7\u00e3o e a paci\u00eancia hist\u00f3rica da parte da Igreja receptora, neste caso, a Igreja que peregrina no Brasil. Como venezuelanos, somos gratos pela aten\u00e7\u00e3o que deram a milhares de pessoas que foram ao Brasil.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Nos dias 24 e 25 de abril, oito membros da C\u00e1ritas, representando a maioria dos pa\u00edses anfitri\u00f5es se reuniram em Bogot\u00e1. A partir desta reuni\u00e3o, v\u00e1rios compromissos surgiram e sensibilizaram outras institui\u00e7\u00f5es de nossa Igreja, incluindo Confer\u00eancias Episcopais inteiras. Naquela reuni\u00e3o, a presen\u00e7a da C\u00e1ritas Internacional, do Clamor Vermelho e das Irm\u00e3s Scalabrinianas, foi discutidp sobre os problemas que os venezuelanos t\u00eam ao chegar aos pa\u00edses e outras propostas de aten\u00e7\u00e3o. Naquela reuni\u00e3o, foi feita uma chamada para inst\u00e2ncias diferentes:<\/em><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\">\n<li><em>a) Para os governos, v\u00e1rios poderes do Estado, pol\u00edticos e todos os funcion\u00e1rios p\u00fablicos para reconhecer todos esses migrantes como sujeitos de direitos, de acordo com mecanismos de prote\u00e7\u00e3o internacional.<\/em><\/li>\n<li><em>b) Aos cidad\u00e3os e \u00e0 sociedade civil para que recebam fraternalmente e n\u00e3o estigmatizem as pessoas que migram, sabendo que n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpelas situa\u00e7\u00f5es que causam esses processos migrat\u00f3<\/em><\/li>\n<li><em>c) Aos meios de comunica\u00e7\u00e3o para que, com o poder, transmitam mensagens amig\u00e1veis \u200b\u200be acolhedoras que sensibilizem os cidad\u00e3os a reconhecer o valor da interculturalidade e da integra\u00e7\u00e3<\/em><\/li>\n<li><em>d) Aos membros de nossa Igreja para que, a partir de uma convers\u00e3o permanente e inspirada nos princ\u00edpios e valores do Magist\u00e9rio do papa Francisco, nos comprometamos na campanha &#8220;Compartilhe a viagem&#8221;, acolhendo, protegendo, promovendo e integrando os migrantes venezuelanos.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Em quase todos os pa\u00edses de acolhimento, as C\u00e1ritas foram ativadas e comunidades religiosas como as irm\u00e3s Scalabrinianas est\u00e3o servindo em diferentes \u00e1reas os migrantes venezuelanos, na acolhida, na orienta\u00e7\u00e3o legal e at\u00e9 mesmo na busca de um emprego decente. Da mesma forma, as dioceses fronteiri\u00e7as se organizaram para dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0queles que passam e param por a\u00ed. A den\u00fancia tamb\u00e9m est\u00e1 presente devido aos abusos e riscos de viol\u00eancia que tantas vezes ocorrem naqueles que migram. Mais uma vez devo lembrar que a C\u00e1ritas assume os quatro verbos propostos pelo papa Francisco: acolher, proteger, promover e integrar migrantes e refugiados.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Estima-se que quatro milh\u00f5es de venezuelanos est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de migra\u00e7\u00e3o e ref\u00fagio. O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses de destino. O que o senhor sugere ao povo brasileiro na dimens\u00e3o de acolhida?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Azuaje \u2013 <\/strong><em>Em primeiro lugar, aqueles que migram da Venezuela o fazem porque sentem a necessidade de reconstruir suas vidas e ajudar aqueles que permanecem no pa\u00eds. N\u00f3s venezuelanos n\u00e3o temos uma voca\u00e7\u00e3o para migrar, pelo contr\u00e1rio, sempre nos distinguimos em acolher pessoas de outros pa\u00edses, sempre foi assim. Se voc\u00ea sair do pa\u00eds \u00e9 porque as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a econ\u00f4mica, social, pessoal e legal n\u00e3o permitem que voc\u00ea viva. \u00c9 algo de vida ou morte para milh\u00f5es de pessoas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Em segundo lugar, n\u00f3s venezuelanos somos pessoas pac\u00edficas, muito trabalhadoras, n\u00e3o somos pedintes, se o fazemos \u00e9 porque estamos no extremo da nossa situa\u00e7\u00e3o vital; para que eles possam contar com a responsabilidade atual dos venezuelanos em sua maioria. N\u00e3o gostamos de ganhar p\u00e3o de gra\u00e7a, mas com trabalho decente.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Em terceiro lugar, aquele que migra \u00e9 um ser humano carente de seguran\u00e7a, que carrega na bagagem uma grande riqueza cultural, de tradi\u00e7\u00f5es. Muitos dos migrantes venezuelanos s\u00e3o jovens, a maioria profissionais de todas as \u00e1reas que podem fazer um bom trabalho, pelo desenvolvimento local onde est\u00e3o, para que possam contar com eles. N\u00e3o digo com isso que \u00e9 a perfei\u00e7\u00e3o, outros tipos de pessoas tamb\u00e9m migraram; mas a maioria s\u00e3o pessoas preparadas e dispostas a trabalhar e se desenvolver pessoalmente.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Quarto, pe\u00e7o para que aopiem esses migrantes em todas as quest\u00f5es legais e em sua localiza\u00e7\u00e3o territorial, para que possam tornar sua adapta\u00e7\u00e3o mais vi\u00e1vel e servir na localidade onde for mais vi\u00e1vel. Al\u00e9m disso, eles podem expressar livremente sua f\u00e9, que \u00e9 na maior parte cat\u00f3lica crist\u00e3, alguns com experi\u00eancia como catequistas ou membros de alguma pastoral.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O que o senhor tem a dizer \u00e0s pessoas que resistem e temem acolher, proteger, promover e integrar os migrantes e refugiados, ou aos governantes que levantam muros?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Azuaje \u2013<\/strong> <em>Infelizmente, \u00e9 mais f\u00e1cil construir paredes do que criar pontes, e isso apesar do fato de que elas est\u00e3o cientes de que uma ponte \u00e9 mais necess\u00e1ria do que uma parede. As pontes s\u00e3o realizadas em di\u00e1logo aberto e n\u00e3o imposi\u00e7\u00f5es. Assim, surge a necessidade de di\u00e1logo entre pessoas de diferentes culturas dentro de um quadro de pluralismo que vai al\u00e9m da mera toler\u00e2ncia e alcan\u00e7a a simpatia. Uma justaposi\u00e7\u00e3o simples de grupos de migrantes e nativos tende ao fechamento rec\u00edproco de culturas, ou ao estabelecimento entre elas de simples rela\u00e7\u00f5es de exterioridade ou toler\u00e2ncia. Temos de lembrar que a Enc\u00edclica Pacem in Terris, diz que todos t\u00eam o direito \u00e0 vida, \u00e0 integridade f\u00edsica, aos meios para um padr\u00e3o de vida decente, principalmente alimentos, vestu\u00e1rio, abrigo, descanso, assist\u00eancia m\u00e9dica e, finalmente, os servi\u00e7os sociais indispens\u00e1veis.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Devemos lembrar que este mundo \u00e9 feito para todos, que as fronteiras s\u00e3o linhas imagin\u00e1rias para ordenar, mas n\u00e3o para o impedimento da realiza\u00e7\u00e3o dos seres humanos. Um migrante \u00e9 um ser humano que tem dignidade em si mesmo, independentemente de ra\u00e7a, cor, credo ou ideologia. Todos n\u00f3s possu\u00edmos a primeira dignidade que nos aproxima, irm\u00e3os, co-participantes de uma hist\u00f3ria comum no mundo. Um migrante \u00e9 algu\u00e9m que tantas vezes interpela o conforto e at\u00e9 a falta de motiva\u00e7\u00e3o para a novidade, para entrar numa nova din\u00e2mica cultural que se abre ao pluralismo, \u00e0 toler\u00e2ncia. Do que ele tem medo? Ampliar horizontes \u00e9 mais recompensador do que fechar-se a viver &#8220;mais do mesmo&#8221;. \u00c9 por isso que vemos rostos de felicidade em tantas pessoas que saem para receber pessoas que sofreram a peregrina\u00e7\u00e3o de deixar sua hist\u00f3ria, fam\u00edlia e seguran\u00e7a, para introduzir algo novo, para novos desafios. Eles s\u00e3o aprendizado comum.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Eu tamb\u00e9m acho que voc\u00ea tem de pensar sobre o que \u00e9 justo ou injusto. Quando um ser humano sofre o que \u00e9 justo, ele nos diz que devemos trat\u00e1-lo de acordo com nossas possibilidades; o injusto seria nos fecharmos para dar essa ajuda, para bloquear a solidariedade. Acredito que um novo mundo \u00e9 dado quando recebemos o outro com uma atitude pr\u00f3pria, de algu\u00e9m que entra na minha hist\u00f3ria de vida. Isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. Portanto, sejamos solid\u00e1rios e n\u00e3o coloquemos qualquer obst\u00e1culo \u00e0 caridade.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O que o senhor pede \u00e0 comunidade internacional sobre a situa\u00e7\u00e3o na Venezuela que est\u00e1 piorando a cada dia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Azuaje \u2013<\/strong> <em>A comunidade internacional tem desempenhado um papel de lideran\u00e7a no caso do nosso pa\u00eds, acredito que deve continuar insistindo junto ao governo nacional o cumprimento da Constitui\u00e7\u00e3o Nacional, dos Direitos Humanos e dos direitos do povo venezuelano de viver em paz, para ter uma boa qualidade de vida, liberdade, acesso a alimentos e medicamentos, e que as institui\u00e7\u00f5es do Estado operam de forma independente e a servi\u00e7o do povo e n\u00e3o um regime que monopolizou todos os poderes.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Nosso pa\u00eds foi saqueado nos \u00faltimos anos, h\u00e1 muitos que foram enriquecidos barbaramente e manter suas riquezas em diferentes na\u00e7\u00f5es, \u00e9 justo que essas pessoas sejam questionadas e punidas, bem como bloquearam suas enormes fortunas ilegais, que no futuro pode servir para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida dos mais pobres, porque tem sido dinheiro do Estado, do povo venezuelano, que deve retornar ao seu fim prim\u00e1rio. Infelizmente no nosso pa\u00eds h\u00e1 uma impunidade muito marcada e, portanto, a n\u00edvel nacional n\u00e3o far\u00e1 muito mais.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>A comunidade internacional deve continuar a apoiar as institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o trabalhando no campo humanit\u00e1rio, servindo os mais pobres, bem como aqueles que promovem uma verdadeira democracia com valores.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Obviamente, cabe aos governos regular os fluxos migrat\u00f3rios, respeitando plenamente a dignidade das pessoas e as necessidades de suas fam\u00edlias, e levando em conta as demandas das sociedades que acolhem os migrantes. Nesse sentido, j\u00e1 existem acordos internacionais em defesa dos migrantes, bem como daqueles que buscam ref\u00fagio em outro pa\u00eds ou asilo pol\u00edtico. S\u00e3o acordos que sempre podem ser aperfei\u00e7oados.<\/em><\/p>\n<p><strong>Por Osnilda Lima \u2013 Rede de Comunicadores\/as da C\u00e1ritas Brasileira<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portal da CNBB divulga entrevista exclusiva com presidente da Confer\u00eancia Episcopal da Venezuela e da C\u00e1ritas Am\u00e9rica Latina e Caribe<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":30794,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[1],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30792"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=30792"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30792\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/30794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=30792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=30792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=30792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}