{"id":30907,"date":"2018-07-04T00:00:00","date_gmt":"2018-07-04T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/sabedoria-divina\/"},"modified":"2018-07-04T00:00:00","modified_gmt":"2018-07-04T03:00:00","slug":"sabedoria-divina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/sabedoria-divina\/","title":{"rendered":"Sabedoria divina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>DOM ALBERTO TAVEIRA CORR\u00caA<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus viveu em Nazar\u00e9 da Galileia, tendo sido carpinteiro como S\u00e3o Jos\u00e9. A popula\u00e7\u00e3o da pequena cidade tinha boas lembran\u00e7as a seu respeito, mas dele n\u00e3o se projetavam grandes lances intelectuais ou fun\u00e7\u00f5es importantes na hierarquia religiosa do juda\u00edsmo, tanto que todos se surpreendem com sua presen\u00e7a e suas palavras, carregadas de sabedoria. \u201c\u2018De onde lhe vem tudo isso?\u2019, diziam. \u2018Que sabedoria \u00e9 esta que lhe foi dada? E esses milagres realizados por suas m\u00e3os? N\u00e3o \u00e9 ele o carpinteiro, o filho de Maria, irm\u00e3o de Tiago, Joset, Judas e Sim\u00e3o? E suas irm\u00e3s n\u00e3o est\u00e3o aqui conosco?\u201d. \u00c9 como jovens de nossas cidades do interior que retornam ao meio de amigos e vizinhos depois de tempos passados em grandes centros para estudos ou trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tornou-se c\u00e9lebre a afirma\u00e7\u00e3o de que um profeta s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 valorizado na pr\u00f3pria terra. \u201cCom efeito, depois de Jesus, com quase trinta anos, ter deixado Nazar\u00e9 e j\u00e1 h\u00e1 algum tempo pregava e fazia curas noutras partes, regressou uma vez \u00e0 sua terra e p\u00f4s-se a ensinar na sinagoga. Os seus concidad\u00e3os ficaram admirados pela sua sabedoria e, conhecendo-o como o filho de Maria, o carpinteiro que viveu no meio deles, em vez de receb\u00ea-lo com f\u00e9 ficaram escandalizados com ele (Cf.\u00a0Mc\u00a06, 2-3). Este fato \u00e9 compreens\u00edvel, porque a familiaridade a n\u00edvel humano torna dif\u00edcil ir al\u00e9m e abrir-se \u00e0 dimens\u00e3o divina. Eles t\u00eam dificuldade de acreditar que este Filho de um carpinteiro seja Filho de Deus. O pr\u00f3prio Jesus d\u00e1 como exemplo a experi\u00eancia dos profetas de Israel, que precisamente na sua p\u00e1tria tinham sido objeto de desprezo, e identifica-se com eles. Devido a este fechamento espiritual, Jesus n\u00e3o p\u00f4de realizar em Nazar\u00e9 milagre algum. Apenas curou alguns enfermos, impondo-lhes as m\u00e3os (Mc\u00a06, 5). Com efeito, os milagres de Cristo n\u00e3o s\u00e3o uma exibi\u00e7\u00e3o de poder, mas sinais de amor de Deus, que se realiza onde encontra a f\u00e9 do homem na reciprocidade. Escreve Or\u00edgenes: \u2018Do mesmo modo que para os corpos existe uma atra\u00e7\u00e3o natural da parte de uns para com os outros, como o ferro atrai o \u00edm\u00e3, tamb\u00e9m tal f\u00e9 exerce uma atra\u00e7\u00e3o sobre o poder divino\u2019 (Coment\u00e1rio ao Evangelho de Mateus\u00a010, 19). Portanto, parece que Jesus se resigna \u2014 como se diz \u2014 ao mau acolhimento que encontra em Nazar\u00e9. Ao contr\u00e1rio, no final da narra\u00e7\u00e3o encontramos uma observa\u00e7\u00e3o que diz precisamente o contr\u00e1rio. Escreve o Evangelista que Jesus se admira com a incredulidade deles (Mc\u00a06, 6). \u00c0 admira\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os, que se escandalizam, corresponde a maravilha de Jesus. Tamb\u00e9m ele, num certo sentido, se escandaliza! N\u00e3o obstante saiba que profeta algum \u00e9 bem aceito na p\u00e1tria, todavia o fechamento do cora\u00e7\u00e3o do seu povo permanece para ele obscuro, impenetr\u00e1vel: como \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o reconhe\u00e7am a luz da Verdade? Por que n\u00e3o se abrem \u00e0 bondade de Deus, que quis partilhar a nossa humanidade? Com efeito, o homem Jesus de Nazar\u00e9 \u00e9 a transpar\u00eancia de Deus, nele Deus habita plenamente. E enquanto n\u00f3s procuramos sempre outros sinais, outros prod\u00edgios, n\u00e3o nos apercebemos de que o verdadeiro Sinal \u00e9 ele, Deus feito carne, \u00e9 ele o maior milagre do universo: todo o amor de Deus contido num cora\u00e7\u00e3o humano, num rosto de homem\u2019 (Bento XVI, Angelus do dia 8 de julho de 2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A sabedoria vem do alto e n\u00f3s a reconhecemos entre os dons do Esp\u00edrito Santo. Antes de ser compet\u00eancia humana, h\u00e1 de ser pedida com confian\u00e7a, para que seja derramada em profus\u00e3o sobre o povo de Deus. A sabedoria que resplandece na experi\u00eancia de nossos anci\u00e3os e anci\u00e3s, t\u00e3o valorizados pelas popula\u00e7\u00f5es tradicionais e origin\u00e1rias de tantas partes do mundo, inclusive de nossa Amaz\u00f4nia. A sabedoria que brota da boca das crian\u00e7as, pois se estas se calarem as pedras clamar\u00e3o (Cf. Lc 19,40). Sabedoria testemunhada na busca da verdade presente em nossa juventude. Sabedoria na compreens\u00e3o da Palavra de Deus, testemunhada em nossos grupos b\u00edblicos. Sabedoria das pessoas que respondem ao mal com o bem, nadando contra a correnteza da maldade que se espalha pelo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Sabedoria vem de Deus e a ele conduz, pois eleva a alma \u00e0 compreens\u00e3o do jeito de Deus interpretar a realidade! Ela seja implorada numa vida intensa de ora\u00e7\u00e3o, testemunhada e compartilhada nas comunidades crist\u00e3s, a fim de que de forma especial as novas gera\u00e7\u00f5es bebam na fonte viva e edifiquem a Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para identificar a presen\u00e7a da sabedoria aut\u00eantica, recordamos suas manifesta\u00e7\u00f5es num bel\u00edssimo canto, presente em diversas comunidades de Igreja: \u201c<strong>Que sabedoria \u00e9 esta que vem do meu povo, \u00e9 o\u00a0Esp\u00edrito\u00a0Santo agindo de novo. <\/strong>Quem te ensinou povo meu repartir entre irm\u00e3os o teu p\u00e3o, os teus dons, teu cora\u00e7\u00e3o? Quem te ensinou povo meu que o amor a teu Deus\u00a0buscar\u00e1s para o \u00f3dio n\u00e3o poder nascer? Quem te ensinou povo meu que o Senhor tudo v\u00ea, julgar\u00e1 o que procuras esconder? Quem te ensinou povo que \u00e9 preciso ter f\u00e9 pr\u00e1 sentir Deus que sempre esteve em ti? Quem te ensinou povo meu que na B\u00edblia ter\u00e1s<br \/>\nreflex\u00f5es para tudo sobre o sol? Quem te ensinou povo meu no Evangelho encontrar condi\u00e7\u00f5es pr\u00e1 uma vida j\u00e1 igual?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 mais s\u00e1bio partilhar, \u00e9 mais s\u00e1bio abrir o cora\u00e7\u00e3o, mais s\u00e1bio ser humilde, mais s\u00e1bio perdoar e buscar a reconcilia\u00e7\u00e3o, maior sabedoria construir o bem do que semear o mal, comprometer-se com a verdade em lugar de ter a corrup\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os, na mente e no cora\u00e7\u00e3o. Esperamos que nossa gera\u00e7\u00e3o ofere\u00e7a mais do que apenas t\u00e9cnicas ou teorias, mas vida aut\u00eantica, nascida de dentro, onde o Esp\u00edrito Santo derrama seus dons!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOM ALBERTO TAVEIRA CORR\u00caA Arcebispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1 Jesus viveu em Nazar\u00e9 da Galileia, tendo sido carpinteiro como S\u00e3o Jos\u00e9. A popula\u00e7\u00e3o da pequena cidade tinha boas lembran\u00e7as a seu respeito, mas dele n\u00e3o se projetavam grandes lances intelectuais ou fun\u00e7\u00f5es importantes na hierarquia religiosa do juda\u00edsmo, tanto que todos se surpreendem com sua &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/sabedoria-divina\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Sabedoria divina<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30907"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=30907"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30907\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=30907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=30907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=30907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}