{"id":30985,"date":"2018-07-13T00:00:00","date_gmt":"2018-07-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/organizacoes-catolicas-buscam-fortalecer-acolhida-e-integracao-de-venezuelanos-no-brasil\/"},"modified":"2018-07-13T00:00:00","modified_gmt":"2018-07-13T03:00:00","slug":"organizacoes-catolicas-buscam-fortalecer-acolhida-e-integracao-de-venezuelanos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/organizacoes-catolicas-buscam-fortalecer-acolhida-e-integracao-de-venezuelanos-no-brasil\/","title":{"rendered":"Organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas buscam fortalecer acolhida e integra\u00e7\u00e3o de venezuelanos no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\u201cO principal respons\u00e1vel pela crise que estamos passando \u00e9 o governo nacional, por colocar seu projeto pol\u00edtico \u00e0 frente de qualquer outra considera\u00e7\u00e3o, inclusive humanit\u00e1ria, por sua pol\u00edtica financeira equivocada, por seu desprezo pela atividade produtiva e pela propriedade privada, por sua constante atitude de colocar obst\u00e1culos no caminho daqueles que est\u00e3o dispostos a resolver algum aspecto do problema atual. O governo aparece diante do pa\u00eds como v\u00edtima da gest\u00e3o externa e interna. Isso nada mais \u00e9 do que a confiss\u00e3o de incapacidade de administrar o pa\u00eds. Voc\u00ea n\u00e3o pode fingir para resolver a situa\u00e7\u00e3o de uma economia falida com medidas de emerg\u00eancia, como sacos de alimentos e b\u00f4nus\u201d, essa \u00e9 a contundente den\u00fancia publicada no \u00faltimo dia 11 de julho, pelos bispos da Venezuela, ap\u00f3s a 110\u00aa Assembleia Ordin\u00e1ria Plen\u00e1ria do Episcopado Venezuelano.<\/p>\n<p>\u00c9 diante desse cen\u00e1rio de crise, que tamb\u00e9m a Igreja no Brasil tem se mobilizado com iniciativas que est\u00e3o nascendo em Roraima, principal porta de entrada para os venezuelanos que chegam ao Brasil. \u201cH\u00e1 muitos sinais de vida e de acolhida que nos deixam emocionados e edificados na rela\u00e7\u00e3o entre brasileiros e venezuelanos, diante do crescente n\u00famero de pessoas que chegam as cidades de Roraima fugindo, especialmente, da escassez de alimentos e medicamentos na Venezuela\u201d, disse o bispo da diocese de Roraima, Dom M\u00e1rio Ant\u00f4nio, em sua apresenta\u00e7\u00e3o durante a Oficina de Planejamento para Integra\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es com pessoas imigrantes. A iniciativa foi articulada pela C\u00e1ritas Brasileira e todo o conjunto das organiza\u00e7\u00f5es e pastorais da Igreja que atuam junto a imigrantes e refugiados, e foi realizada em Bras\u00edlia, entre os dias 9 e 10 de julho.<\/p>\n<p><strong>Estrat\u00e9gias solid\u00e1rias<\/strong> &#8211;\u00a0A Oficina possibilitou que o grupo compartilhasse experi\u00eancias, desafios e possibilidades e, juntos, pudessem mapear realidades de urg\u00eancia e tra\u00e7ar estrat\u00e9gias coletivas que fortale\u00e7am o acolhimento e gerem resultados positivos como a garantia de prote\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o das pessoas que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de migra\u00e7\u00e3o e ref\u00fagio no Brasil e, de modo especial, neste momento, em Roraima. \u201cA quest\u00e3o migrat\u00f3ria na fronteira Brasil-Venezuela mudou a nossa maneira de viver, a nossa maneira de rezar, a nossa maneira de fazer caridade. E como a popula\u00e7\u00e3o tem lidado com isso? A popula\u00e7\u00e3o, seja ela de brasileiros ou venezuelanos, tem lidado com desconforto, com irrita\u00e7\u00e3o, isso porque, por exemplo, os imigrantes venezuelanos conseguem um prato de comida, alguns itens de emerg\u00eancia, mas est\u00e3o h\u00e1 meses sem trabalho, n\u00e3o conseguem se estabelecer no Brasil, n\u00e3o conseguem enviar dinheiro para os parentes que permanecem na Venezuela e nem traz\u00ea-los para c\u00e1. E para os brasileiros tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil porque, com essa realidade, o que j\u00e1 nos faltava na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o, agora falta um pouco mais\u201d, desabafou dom M\u00e1rio Ant\u00f4nio, que convive diariamente com as urg\u00eancias humanas e pastorais de venezuelanos e brasileiros na regi\u00e3o de fronteiras.<\/p>\n<p>Atualmente a infla\u00e7\u00e3o na Venezuela encontra-se em 2.500%, cen\u00e1rio que aprofunda a crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica no pa\u00eds e vai continuar empurrando a popula\u00e7\u00e3o venezuelana para outros pa\u00edses de fronteira. Segundo a coordenadora da Pastoral do Migrante, irm\u00e3 Valdiza Carvalho, atualmente em Roraima, os venezuelanos j\u00e1 representam 10% da popula\u00e7\u00e3o. Nesse contexto de crescimento populacional, n\u00e3o h\u00e1 um horizonte animador nem mesmo para a quest\u00e3o da acolhida, entre os abrigos em Boa Vista e Pacaraima a situa\u00e7\u00e3o fica cada dia mais dif\u00edcil por n\u00e3o haver capacidade de abrigamento para todos os imigrantes, e nem as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que os abrigados refa\u00e7am a vida no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Pa\u00eds em di\u00e1spora<\/strong> &#8211;\u00a0O fen\u00f4meno dos deslocamentos de venezuelanos para diversos pa\u00edses de fronteira tamb\u00e9m foi destacado na declara\u00e7\u00e3o publicada pelos bispos da Venezuela: \u201cA Venezuela vem se tornando um pa\u00eds em di\u00e1spora. M\u00e3os que constru\u00edram e produziram, mentes que investigavam e ensinavam, est\u00e3o migrando para outros pa\u00edses. A emigra\u00e7\u00e3o produz situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas: a dura luta para fazer um lugar em um pa\u00eds estranho, a possibilidade de cair no v\u00edcio ou na prostitui\u00e7\u00e3o, ou nas m\u00e3os de redes que exploram seus pares, o estigma da rejei\u00e7\u00e3o, a tristeza daqueles que ficam aqui, o retorno em situa\u00e7\u00e3o de fracasso daqueles que n\u00e3o encontraram onde ficar. Muitas dessas situa\u00e7\u00f5es encontraram al\u00edvio generoso nas Igrejas irm\u00e3s dos pa\u00edses vizinhos, que estendem as m\u00e3os aos nossos compatriotas, aos quais agradecemos sinceramente. Se fosse oferecido ao venezuelano alguma esperan\u00e7a para o futuro, ele n\u00e3o precisaria emigrar. A Venezuela aguarda o retorno de seus filhos para retomar o caminho do progresso saud\u00e1vel\u201d, diz a exorta\u00e7\u00e3o dos bispos.<\/p>\n<p>A luta das mais de 20 organiza\u00e7\u00f5es ligadas as Igrejas que atuam em Boa Vista e Pacaraima, o desafio \u00e9 realizar uma incid\u00eancia integrada, de forma a se fazer ouvir pelas inst\u00e2ncias governamentais que investem nos abrigos, mas viram as costas para as milhares de pessoas que est\u00e3o pelas ruas ou vivendo precariamente em casas alugadas e outras formas de abrigamento. A maior parte dos benef\u00edcios oferecidos pelos poderes p\u00fablicos \u00e9 destinada aos imigrantes que est\u00e3o nos abrigos, por isso, as iniciativas desses grupos e, especialmente das organiza\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas, tentam estender a m\u00e3o para os que n\u00e3o conseguem lugar nos abrigos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_197135\" aria-describedby=\"caption-attachment-197135\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-197135\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/migrantes-5-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-197135\" class=\"wp-caption-text\">Levantamento da raiz dos problemas. Foto: C\u00e1ritas Brasileira<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Desafio da integra\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211;\u00a0Numa r\u00e1pida apresenta\u00e7\u00e3o, irm\u00e3 Valdiza e dom M\u00e1rio destacaram que, por exemplo, no abrigo do bairro Pintol\u00e2ndia, em Boa Vista, h\u00e1 717 abrigados, quando a sua capacidade \u00e9 para o acolhimento de 370 pessoas, no abrigo Janokoida, de Pacaraima h\u00e1 511 abrigados quando a sua capacidade m\u00e1xima \u00e9 para 350 pessoas. Os diversos servi\u00e7os pastorais e organiza\u00e7\u00f5es que hoje atuam em Boa Vista e em Pacaraima percebem que aumentou o n\u00famero de pessoas que chegam ao Brasil com doen\u00e7as graves, como o c\u00e2ncer, porque j\u00e1 n\u00e3o encontram tratamento na Venezuela. Essas realidades desafiam ainda mais a capacidade de acolhida, assist\u00eancia e integra\u00e7\u00e3o dos que chegam e dos que j\u00e1 est\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Em uma breve visita ao grupo, o secret\u00e1rio geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, destacou a gravidade da quest\u00e3o migrat\u00f3ria. \u201cN\u00e3o podemos esquecer que a quest\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o tem se tornado quase uma calamidade, n\u00e3o para n\u00f3s no Brasil, \u00e9 claro, a quest\u00e3o de Roraima \u00e9 muito dif\u00edcil, mas a situa\u00e7\u00e3o mundial est\u00e1 ficando insuport\u00e1vel. Basta verificar quantas pessoas j\u00e1 perderam a vida no mar Mediterr\u00e2neo. Quanto a n\u00f3s, no Brasil, \u00e9 bom que tenhamos a sensibilidade humana e crist\u00e3 para a acolhida, \u00e9 necess\u00e1rio que nos preocupemos n\u00e3o apenas com o abrigamento, mas tamb\u00e9m com a cidadania, ou seja, que os imigrantes possam participar da nossa vida social, que tem haver com o acesso a documenta\u00e7\u00e3o pessoal necess\u00e1ria, ao trabalho e \u00e0 inser\u00e7\u00e3o em uma comunidade de f\u00e9\u201d, destacou dom Leonardo.<\/p>\n<p><strong>Marco de resultados<\/strong> &#8211;\u00a0Entre as sugest\u00f5es levantadas pelos participantes da Oficina, para uma a\u00e7\u00e3o bem articulada entre as organiza\u00e7\u00f5es e pastorais, destacaram-se o mapeamento do territ\u00f3rio marcado pela quest\u00e3o migrat\u00f3ria e seus sujeitos, a cria\u00e7\u00e3o de uma metodologia para atua\u00e7\u00e3o conjunta em campo, a articula\u00e7\u00e3o com outras institui\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de tecnologias sociais que contribuam na supera\u00e7\u00e3o da desnutri\u00e7\u00e3o infantil, a articula\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es religiosas brasileiras e venezuelanas, a identifica\u00e7\u00e3o das necessidades dos moradores de Pacaraima e Boa Vista, a realiza\u00e7\u00e3o de campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o em geral sobre a quest\u00e3o migrat\u00f3ria, e uma articula\u00e7\u00e3o entre as inst\u00e2ncias da Igreja do Brasil e da Venezuela.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es e pastorais v\u00e3o seguir articulados com a meta de promover o que metodologicamente denominam como Marco de Resultados, cuja meta \u00e9 o fortalecer o acolhimento e as a\u00e7\u00f5es de integra\u00e7\u00e3o, para o atendimento de homens, mulheres, crian\u00e7as, jovens e grupos \u00e9tnicos vindos da Venezuela em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social no Brasil.<\/p>\n<p>Formado por cerca de 20 pessoas, o grupo tinha representantes da Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tr\u00e1fico Humano (CEPEETH) da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Setor Mobilidade Humana da CNBB, C\u00e1ritas Brasileira, Pastoral do Migrante, Instituto de Migra\u00e7\u00f5es e Direito Humanos (IMDH), Confer\u00eancia dos Religiosos dos Brasil (CRB), Uni\u00e3o Marista do Brasil (UMBRASIL), Servi\u00e7o Jesu\u00edta a Migrantes e Ref\u00fagio (SJMR), Diocese de Roraima, e C\u00e1ritas Arquidiocesana de Manaus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por Jucelene Rocha \u2013 Rede de Comunicadores\/as da C\u00e1ritas Brasileira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leonardo, secret\u00e1rio da CNBB, e dom M\u00e1rio, bispo de Roraima, participaram da iniciativa que reuniu 20 representantes de 10 organismos da Igreja cat\u00f3lica<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":30986,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[816,762],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30985"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=30985"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/30985\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/30986"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=30985"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=30985"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=30985"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}