{"id":30989,"date":"2018-07-13T00:00:00","date_gmt":"2018-07-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/e-agora-qual-e-o-hexa\/"},"modified":"2018-07-13T00:00:00","modified_gmt":"2018-07-13T03:00:00","slug":"e-agora-qual-e-o-hexa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/e-agora-qual-e-o-hexa\/","title":{"rendered":"E agora, qual \u00e9 o hexa?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>\n<\/strong><strong>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (BH)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A onda apaixonante do esporte, particularmente do futebol, permite met\u00e1foras interessantes para inspirar o pa\u00eds a trilhar novo caminho e a alcan\u00e7ar o almejado patamar de na\u00e7\u00e3o campe\u00e3. A luta pelo t\u00edtulo mundial ocorreu em campo e os resultados obtidos pouco mudaram o cotidiano abastado de uma minoria, que inclui os atletas. Mas a frustra\u00e7\u00e3o da derrota mexe com os brios e as emo\u00e7\u00f5es de uma avalanche de cidad\u00e3os. \u00c9 preciso assimilar a perda na competi\u00e7\u00e3o esportiva e valorizar mais o que realmente impacta a vida de muitos. Obviamente, h\u00e1 lugar para a paix\u00e3o esportiva sempre. Mas o sentimento que o futebol desperta n\u00e3o deve ocupar o lugar de todas as raz\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es que s\u00e3o necess\u00e1rias para promover transforma\u00e7\u00f5es profundas na realidade. Perdido o t\u00edtulo, fica a pergunta: e agora, qual o \u00e9 o \u201chexa\u201d a ser conquistado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Parece que, nesta Copa do Mundo, a paix\u00e3o esportiva foi vivida de modo mais saud\u00e1vel. Reflexo disso \u00e9 que a derrota da sele\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o gerou um clima de \u201cfim de mundo\u201d. E a esperan\u00e7a \u00e9 que a perda dentro de campo seja oportunidade para o aprendizado de li\u00e7\u00f5es que, se bem assimiladas, podem levar a vit\u00f3rias importantes, inclusive no \u00e2mbito esportivo. Ao observar o que n\u00e3o deu certo, \u00e9 poss\u00edvel construir novos projetos, a serem regidos por pessoas comprometidas com o qualificado exerc\u00edcio da cidadania. E o primeiro passo \u00e9 ter consci\u00eancia da realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 sinais de que o povo come\u00e7a a desenvolver essa consci\u00eancia. Um dos exemplos: a forma reduzida com que as pessoas manifestaram seu entusiasmo com a Copa deste ano e a timidez da decora\u00e7\u00e3o nas ruas e pra\u00e7as.\u00a0Afinal, diante das fragilidades do contexto social, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para euforia. A esperan\u00e7a \u00e9 que cada vez mais pessoas cultivem uma certeza: o que mais conta agora \u00e9 vencer os desafios e processos que est\u00e3o corroendo a na\u00e7\u00e3o brasileira, e avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00f5es que permitam reconstruir o pa\u00eds. Isso significa superar os cen\u00e1rios vergonhosos das mis\u00e9rias, corrup\u00e7\u00e3o, agress\u00e3o irracional do meio ambiente e tantos outros males que refletem certo descompromisso com o exerc\u00edcio da cidadania.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ganhar a Copa do Mundo \u00e9 um sonho, motivo de festa, mas esse objetivo est\u00e1 longe de ser o mais importante na vida de uma na\u00e7\u00e3o. Inclusive porque, equivocadamente, o futebol torna-se, gradativamente, apenas um neg\u00f3cio, fonte de lucro para pequenos grupos que acumulam muito dinheiro e privil\u00e9gios. O esporte, ao inv\u00e9s disso, deveria ser promovido a partir de sua for\u00e7a educativa, capaz de reconfigurar o tecido cultural da sociedade, qualificando as pessoas para constru\u00edrem um futuro melhor. Assim, em vez de almejar o \u201chexa\u201d na Copa, o povo poderia eleger novas prioridades, a partir do respeito ao bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As prioridades que precisam ser assumidas s\u00e3o muitas, incont\u00e1veis, percebidas a partir das diversas car\u00eancias do pa\u00eds. Para reconhecer o \u201chexa\u201d a ser conquistado \u00e9 preciso se questionar a respeito do Brasil que se quer construir. No centro da resposta, certamente, n\u00e3o estar\u00e1 a celebra\u00e7\u00e3o de uma festa passageira. Em vez disso, as prioridades s\u00e3o a recomposi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel dos par\u00e2metros \u00e9ticos que devem nortear a conduta de cada pessoa, a promo\u00e7\u00e3o da solidariedade e da honestidade, for\u00e7as capazes de impulsionar um recome\u00e7o para o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse rein\u00edcio \u00e9 o verdadeiro caminho rumo \u00e0s vit\u00f3rias capazes de superar a viol\u00eancia, a exclus\u00e3o social e a gan\u00e2ncia sem limites que passa por cima de tudo, destruindo o planeta, a casa comum.\u00a0 Cada brasileiro \u00e9 convocado a sonhar com um pa\u00eds melhor e, a partir disso, agir. Afinal, muitas situa\u00e7\u00f5es precisam ser reconfiguradas. \u00c9 urgente, por exemplo, construir um novo modo de se fazer pol\u00edtica, livre de interesses ego\u00edstas, e zelar para que as a\u00e7\u00f5es no poder judici\u00e1rio sejam, de fato, orientadas pelos par\u00e2metros da verdade e da justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A lista de prioridades para que seja poss\u00edvel construir uma na\u00e7\u00e3o campe\u00e3 \u00e9 grande e demanda especial empenho de todos. Para efetivar o sonho de construir um pa\u00eds renovado, vale investir todas as emo\u00e7\u00f5es e raz\u00f5es, \u201ccorrer\u201d velozmente. Ao inv\u00e9s de se apegar \u00e0s paix\u00f5es passageiras, todos assumam a tarefa cidad\u00e3 de responder ao seguinte questionamento: e agora, qual \u00e9 o \u201chexa\u201d?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (BH) A onda apaixonante do esporte, particularmente do futebol, permite met\u00e1foras interessantes para inspirar o pa\u00eds a trilhar novo caminho e a alcan\u00e7ar o almejado patamar de na\u00e7\u00e3o campe\u00e3. 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