{"id":31212,"date":"2018-08-06T00:00:00","date_gmt":"2018-08-06T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-hoepers-o-direito-a-vida-e-o-mais-fundamental-de-todos-os-direitos\/"},"modified":"2020-10-23T14:15:21","modified_gmt":"2020-10-23T17:15:21","slug":"dom-hoepers-o-direito-a-vida-e-o-mais-fundamental-de-todos-os-direitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-hoepers-o-direito-a-vida-e-o-mais-fundamental-de-todos-os-direitos\/","title":{"rendered":"Dom Ricardo Hoepers: \u201cO direito \u00e0 vida \u00e9 o mais fundamental de todos os direitos\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><em>Desde que foi nomeado como bispo para a diocese de Rio Grande (RS) em 17 de fevereiro de 2016, dom Ricardo Hoepers elegeu a inspira\u00e7\u00e3o b\u00edblica: \u201cEscolhe, pois a vida\u201d (Dt 30, 19) como seu lema episcopal. N\u00e3o se trata de uma escolha aleat\u00f3ria. Sua trajet\u00f3ria como religioso e bispo da Igreja Cat\u00f3lica vem sendo marcada por essa escolha. Com forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica voltada para a \u00e1rea da Teologia Moral e Bio\u00e9tica e doutorado na faculdade Alfonsiana, em Roma, ele integra o esfor\u00e7o que o Regional Sul 3 da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vem fazendo na Promo\u00e7\u00e3o e Defesa da Vida, na articula\u00e7\u00e3o de um Observat\u00f3rio de Bio\u00e9tica junto as Universidades Cat\u00f3licas e outras institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Dom Hoepers \u00e9 autor do livro \u201cTeologia moral no Brasil: um perfil hist\u00f3rico\u201d e possui uma atua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da sa\u00fade, em Curitiba (PR), desde quando atuava como padre, na \u00e1rea hospitalar e participado dos Comit\u00eas de \u00c9tica em Pesquisa com seres Humanos e Comit\u00eas de Bio\u00e9tica. Estes fatos o credenciaram a representar a CNBB em semin\u00e1rio promovido pela C\u00e2mara dos Deputados sobre a Argui\u00e7\u00e3o de Preceito Fundamental (ADPF) n\u00ba 442 sobre a \u201cDescriminaliza\u00e7\u00e3o do Aborto\u201d, em maio deste ano. E agora novamente, por 10 minutos, o religioso representar\u00e1 a entidade no dia 6 de agosto, na segunda parte da audi\u00eancia p\u00fablica sobre o mesmo tema promovida pelo Supremo Tribunal Federal. O ponto central de sua defesa, como informou ao Portal da CNBB, \u00e9 o argumento defendido pela Igreja Cat\u00f3lica no Brasil em nota da CNBB, de 11 de abril de 2017: \u201cdefender a vida na sua integralidade, inviolabilidade e dignidade, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 a morte natural\u201d. Na ocasi\u00e3o, o religioso representar\u00e1 a Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para a Vida e a Fam\u00edlia da CNBB.\u00a0<\/em><em>Acompanhe abaixo como o religioso est\u00e1 se preparando para este momento para representar a Igreja no Brasil no STF.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Qual vai ser o centro da sua estrat\u00e9gia de argumenta\u00e7\u00e3o oral na defesa do ponto de vista da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil na audi\u00eancia p\u00fablica no dia 6 de agosto?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Terei 10 minutos para explicitar as raz\u00f5es pelas quais somos contra a descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto. O ponto central est\u00e1 na Nota da CNBB de 11 de abril de 2017, \u201cPela vida, contra o aborto\u201d, onde est\u00e3o presentes os fundamentos de nossa posi\u00e7\u00e3o: \u201cdefender a vida na sua integralidade, inviolabilidade e dignidade, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 a morte natural\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O direito a vida \u00e9 o mais fundamental de todos os direitos e, por isso, em primeiro lugar, n\u00e3o se trata de um discurso religioso ou fundamentalista por parte da Igreja. Mas, se trata de uma verdade cient\u00edfica, que reconhece e comprova o in\u00edcio da vida na concep\u00e7\u00e3o. Quando falamos em 12 semanas, significa a 12\u00aa semana do desenvolvimento de uma vida humana, com um cora\u00e7\u00e3o batendo, rins, est\u00f4mago, f\u00edgado funcionando. \u00c9 uma vida fr\u00e1gil, vulner\u00e1vel que n\u00e3o tem como se defender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A natureza humana preparou no ventre da mulher o lugar mais adequado e seguro para a fase inicial da nossa vida. Dizer que a gesta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o\/obriga\u00e7\u00e3o que compromete a liberdade da mulher \u00e9 o argumento mais estranho \u00e0 raz\u00e3o humana, pois todos os que defendem esse argumento s\u00f3 o fazem porque um dia puderam nascer. \u00c9 desproporcional, injusto e irracional defendermos um crime contra a n\u00f3s mesmos definindo at\u00e9 a etapa quando se pode interromper essa vida. \u00c9 desproporcional porque a mulher tem muitas maneiras de exercer sua autonomia, mas a crian\u00e7a s\u00f3 tem uma possibilidade para vir a nascer. \u00c9 injusto porque se trata de uma vida independente e aut\u00f4noma contra uma vida indefesa e inocente. \u00c9 irracional porque estamos sendo permissivos contra nossa pr\u00f3pria natureza colocando em risco a vida nascente das futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aborto, do latim, ab ortus (priva\u00e7\u00e3o do nascer), \u00e9 um atentado contra \u00e0 vida e, segundo o Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, \u201co aborto direto, isto \u00e9, desejado como fim e como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente\u201d(EV 62), um crime hediondo, assim como ser\u00e3o hediondos todos os outros crimes contra a vida humana nas diferentes fases ou situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade como o embri\u00e3o, o feto, a crian\u00e7a, o jovem, o idoso, a pessoa com defici\u00eancia, etc. Nossa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 da vida plena, do cuidado, do direito \u00e0 dignidade, n\u00e3o pelas nossas qualidades, mas pela sacralidade da nossa vida: \u201cEu vim para que todos tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia\u201d (Jo 10,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A maior parte dos expositores, pelas informa\u00e7\u00f5es j\u00e1 disponibilizadas, representa grupos ligados \u00e0 defesa da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto. Isto n\u00e3o cria uma assimetria na defesa dos argumentos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 dif\u00edcil compreender esse processo e os crit\u00e9rios que definiram a escolha desproporcional das posi\u00e7\u00f5es que representam a sociedade brasileira. \u00c9 dif\u00edcil aceitar que institui\u00e7\u00f5es de interesse internacional tenham prioridade sobre as nossas institui\u00e7\u00f5es e sobre a nossa legisla\u00e7\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil compreender que um assunto de tamanha relev\u00e2ncia se limite a dois dias de argumenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Lembramos que o tema n\u00e3o deveria estar sendo discutido no \u00e2mbito do Judici\u00e1rio e sim no Legislativo. N\u00f3s temos todo um hist\u00f3rico de debate sobre o aborto na C\u00e2mara dos Deputados que foram legitimamente escolhidos para nos representar na defini\u00e7\u00e3o das leis e de suas prerrogativas. Mas a condu\u00e7\u00e3o do tema da descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto tomou um rumo estranho ao caminho democr\u00e1tico de modo que, o Supremo Tribunal Federal, desprezando e desconsiderando o papel bicameral do nosso Legislativo, tomou para si essa responsabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Como bispo cat\u00f3lico qual o caminho o senhor indicaria \u00e0s mulheres que est\u00e3o vivendo o processo de gravidez e, por algum motivo, j\u00e1 pensaram ou pensam abortar? O que a Igreja pode fazer por mulheres que enfrentam esta situa\u00e7\u00e3o concreta? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O aborto n\u00e3o \u00e9 uma conquista, mas \u00e9 um drama social que corr\u00f3i as mesmas ra\u00edzes da conviv\u00eancia humana: isso deve ser prevenido com meios adequados. Por isso \u00e9 importante pol\u00edticas p\u00fablicas protetivas \u00e0 mulher, dando \u00e0 ela seguran\u00e7a e acompanhamento necess\u00e1rios. O Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II na Enc\u00edclica Evangelium Vitae deu sua mensagem \u00e0s mulheres, de modo que pede que n\u00e3o caiam no des\u00e2nimo e n\u00e3o abandonem a esperan\u00e7a. As mulheres podem ser as art\u00edfices de um novo olhar sobre a vida humana (EV, 99): &#8220;Um pensamento especial quereria reserv\u00e1-lo para v\u00f3s, mulheres, que recorrestes ao aborto. A Igreja est\u00e1 a par dos numerosos condicionalismos que poderiam ter influ\u00eddo sobre a vossa decis\u00e3o, e n\u00e3o duvida que, em muitos casos, se tratou de uma decis\u00e3o dif\u00edcil, talvez dram\u00e1tica. Provavelmente a ferida no vosso esp\u00edrito ainda n\u00e3o est\u00e1 sarada. Na realidade, aquilo que aconteceu, foi e permanece profundamente injusto. Mas n\u00e3o vos deixeis cair no des\u00e2nimo, nem percais a esperan\u00e7a. Sabei, antes, compreender o que se verificou e interpretai-o em toda a sua verdade. Se n\u00e3o o fizestes ainda, abri-vos com humildade e confian\u00e7a ao arrependimento: o Pai de toda a miseric\u00f3rdia espera-vos para vos oferecer o seu perd\u00e3o e a sua paz no sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. A este mesmo Pai e \u00e0 sua miseric\u00f3rdia, podeis com esperan\u00e7a confiar o vosso menino. Ajudadas pelo conselho e pela solidariedade de pessoas amigas e competentes, podereis contar-vos, com o vosso doloroso testemunho, entre os mais eloquentes defensores do direito de todos \u00e0 vida. Atrav\u00e9s do vosso compromisso a favor da vida, coroado eventualmente com o nascimento de novos filhos e exercido atrav\u00e9s do acolhimento e aten\u00e7\u00e3o a quem est\u00e1 mais carecido de solidariedade, sereis art\u00edfices de um novo modo de olhar a vida do homem.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pelo Brasil, a cada dia, crescem as iniciativas pr\u00f3-vida com casas de acolhida. Essas iniciativas j\u00e1 est\u00e3o demonstrando que \u00e9 muito mais eficaz e salutar \u00e0 m\u00e3e (mulher), salvaguardar a crian\u00e7a (nascituro), do que dar a essas mulheres um trauma e um drama pelo resto de suas vidas. Destaco algumas delas: Casa Pr\u00f3-vida M\u00e3e Imaculada, em Curitiba (PR), Casa Luz, em Fortaleza (CE), Casa mater Rainha da Paz, Canoinhas (SC), Associa\u00e7\u00e3o Guadalupe, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), Casa da Gestante Pr\u00f3-Vida S\u00e3o Frei Galv\u00e3o, em Nil\u00f3polis (RJ), Pr\u00f3-Vida de An\u00e1polis, em An\u00e1polis (GO) e Comunidade Santos Inocentes, em Bras\u00edlia (DF). \u00a0Que sejamos capazes de acolher, cuidar, promover e defender a vida, pois, acima de tudo, o nosso Deus se fez crian\u00e7a e quis nascer de uma mulher. Que Nossa Senhora Aparecida proteja as m\u00e3es e as crian\u00e7as que est\u00e3o por nascer. Am\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Confira as \u00faltimas notas da CNBB sobe o aborto:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-lanca-nota-oficial-sobre-acao-no-stf-que-inclui-a-questao-do-aborto\/\">NOTA DA CNBB EM DEFESA DA INTEGRIDADE DA VIDA<\/a><br \/>\nConsep \u2013 22 de setembro de 2016<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-reage-e-discorda-da-forma-como-o-aborto-foi-tratado-pelo-stf\/\">NOTA DA CNBB EM DEFESA DA VIDA<\/a><br \/>\nPresid\u00eancia \u2013 1\u00ba de dezembro de 2016<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/aborto-nova-nota-de-condenacao-da-cnbb\/\">NOTA DA CNBB \u2013\u00a0PELA VIDA, CONTRA O ABORTO<\/a><br \/>\nPresid\u00eancia \u2013 11 de abril de 2017<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo de Rio Grande representar\u00e1 a CNBB na audi\u00eancia p\u00fablica sobre a descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[748,777],"tags":[2716],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/31212"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=31212"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/31212\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=31212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=31212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=31212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}