{"id":31278,"date":"2018-08-09T00:00:00","date_gmt":"2018-08-09T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/vocacao-e-santidade-no-mundo-do-trabalho\/"},"modified":"2018-08-09T00:00:00","modified_gmt":"2018-08-09T03:00:00","slug":"vocacao-e-santidade-no-mundo-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/vocacao-e-santidade-no-mundo-do-trabalho\/","title":{"rendered":"Voca\u00e7\u00e3o e santidade no mundo do trabalho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ)<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste ano do laicato e neste m\u00eas vocacional creio que um tema que pode ser apresentado para reflex\u00e3o \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o entre voca\u00e7\u00e3o e trabalho. \u201cBasta-te minha gra\u00e7a, porque \u00e9 na fraqueza que se revela totalmente a minha for\u00e7a\u201d (2 Cor\u00edntios 12, 09). Num mundo dilacerado pelo individualismo e materialismo, \u00e9 importante que abordemos o tema do trabalho como voca\u00e7\u00e3o e fonte para a santidade no cotidiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde sempre, esse tema foi muito importante para o cristianismo, pois, j\u00e1 no relato do livro do G\u00eanesis, vemos um Deus trabalhador, o qual fez o mundo em seis dias e descansou no s\u00e9timo dia, como premissa de um Deus que se compraz no ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O pr\u00f3prio Verbo Encarnado, Filho de Deus, fez-se Homem-trabalhador, afinal, com certeza, Ele deve de ter aprendido o of\u00edcio de seu pai adotivo, S\u00e3o Jos\u00e9. Durante v\u00e1rios relatos, inclusive, vemos que o Senhor Jesus \u00e9 chamado de \u201co Filho do Carpinteiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim sendo, o trabalho permeia a pr\u00f3pria exist\u00eancia humana e a Igreja, fiel ao Seu Senhor, tamb\u00e9m trabalha desde os seus prim\u00f3rdios. A ora\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o na Igreja \u00e9 o chamado \u201cOf\u00edcio Divino\u201d, o qual ap\u00f3s o Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II passou a ser denominado de \u201cLiturgia das horas\u201d. A \u201cLiturgia das Horas\u201d \u00e9 o trabalho comum, ordin\u00e1rio, de todos os crist\u00e3os, em especial dos religiosos, vida consagrada e, em especial dos sacerdotes. Neste of\u00edcio, a Igreja se recolhe nas v\u00e1rias horas do dia para louvar o Senhor e render-lhe gra\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Na vida religiosa mon\u00e1stica, \u00e9 importante do preceito de nosso Pai S\u00e3o Bento que diz \u201cora\u00e7\u00e3o e trabalho\u201d. Em nenhum momento da Regra beneditina, encontra-se escrito, de forma literal, \u201cora\u00e7\u00e3o e trabalho\u201d. Este conceito foi extra\u00eddo muito tempo depois, com a leitura da regra, pois se percebeu um perfeito equil\u00edbrio entre ora\u00e7\u00e3o e trabalho. A vida mon\u00e1stica cisterciense \u2013 da qual com muito afeto provenho \u2013, como um dos ramos beneditinos, sempre foi muito obediente a este equil\u00edbrio seguiu com a ora\u00e7\u00e3o em coro do \u201cOf\u00edcio Divino\u201d e a vida de servi\u00e7o que pode ser muito variado. Como consequ\u00eancia dessa vida, muita coisa se exteriorizou na constru\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias edifica\u00e7\u00f5es, por s\u00e9culos a fio, por toda Europa e o maior exemplar disso s\u00e3o as bel\u00edssimas igrejas em louvor \u00e0 grandeza do Senhor e os mosteiros, os quais sempre foram centros de difus\u00e3o crist\u00e3 e da cultura na Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao longo dos s\u00e9culos, v\u00e1rios homens e mulheres fizeram do trabalho um meio de glorifica\u00e7\u00e3o dos prod\u00edgios do Senhor. Poder\u00edamos nos estender por diversos par\u00e1grafos para falar sobre como o trabalho \u00e9 uma das fontes da voca\u00e7\u00e3o e caminho perfeito para a santifica\u00e7\u00e3o, dando pleno cumprimento com o que foi assumido na pia batismal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entretanto, \u00e9 necess\u00e1rio que seja feita uma leitura do trabalho e sua import\u00e2ncia para constru\u00e7\u00e3o do bem comum a partir da doutrina social da Igreja. Num primeiro momento, ao se falar de \u201cdoutrina social da Igreja\u201d, muitos se lembram da enc\u00edclica \u201cRerum Novarum\u201d do Papa Le\u00e3o XIII. Esse escrito do Pont\u00edfice nasceu num0 momento de grande agita\u00e7\u00e3o social, o qual clamava e reclamava uma resposta da Igreja de ent\u00e3o. A \u201cRerum Novarum\u201d, antes de ser uma elabora\u00e7\u00e3o contra um problema hist\u00f3rico como querem colocar, na realidade \u00e9 um resgate de todo patrim\u00f4nio cultural, hist\u00f3rico, intelectual e, sobretudo espiritual da Igreja com rela\u00e7\u00e3o ao trabalho. Sendo que este patrim\u00f4nio vem desde o Seu Divino Fundador at\u00e9 o atual Sumo Pont\u00edfice Romano, o Santo Padre o Papa Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aprofundando a nossa reflex\u00e3o, n\u00f3s vemos a quest\u00e3o do trabalho como bem comum e como algo urgente, necess\u00e1rio e, mais do que isto, como um ponto sobre o qual temos de parar e nos debru\u00e7armos para pensar o que realmente est\u00e1 acontecendo no mundo, o que realmente est\u00e1 acontecendo na nossa realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A doutrina social da Igreja, com toda a tradi\u00e7\u00e3o que ela possui, pode oferecer luzes e elementos para que n\u00f3s possamos pensar sa\u00eddas e vislumbrar alternativas. Enfim, pensar um outro modo que seja considerado como \u201cBem comum\u201d, assim como nos pede de forma insistente o Papa Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Devemos situar a nossa realidade, neste contexto, de uma sociedade de mercado extremamente agressiva, individualista e sem senso \u00e9tico de comunidade. Somente com isto poder-se-\u00e1 ter um olhar emprestado da doutrina social da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para todos n\u00f3s que tivemos forma\u00e7\u00e3o durante o S\u00e9culo XX, em especial, para n\u00f3s que fomos formados nos alicerces do Vaticano II, bem sabemos que a doutrina social da Igreja oferece elementos s\u00f3lidos, r\u00edgidos e bem estruturados para um di\u00e1logo com a sociedade e com a vida acad\u00eamica, a qual, em certa medida, encontra-se laicizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na sua enc\u00edclica \u201cEvangelium Gaudium\u201d,<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> o Papa Francisco, no n\u00famero 59, assim afirma de forma perempt\u00f3ria: \u201c\u00c9 o mal cristalizado nas estruturas sociais injustas, a partir do qual n\u00e3o podemos esperar um futuro melhor.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta forma simples, direta e objetiva do Santo Padre de se manifestar nos traz alguns questionamentos: ainda se tem sentido em falar de bem comum? Como o trabalho pode contribuir para a constru\u00e7\u00e3o, elabora\u00e7\u00e3o e efetiva\u00e7\u00e3o deste bem comum? Nossos governos, nossas institui\u00e7\u00f5es privadas e nossas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas est\u00e3o a servi\u00e7o de quem? Estas s\u00e3o as quest\u00f5es de fundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim como Nosso Senhor, o qual se encarnou e se fez hist\u00f3ria conosco, num determinado local e num determinado espa\u00e7o de tempo, a Igreja tamb\u00e9m procura hoje atualizar sua mensagem por meio de sua doutrina social, a qual est\u00e1 em sintonia com este grande desafio contempor\u00e2neo da hist\u00f3ria de cada uma das filhas e dos filhos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No mundo trabalhista de ent\u00e3o, de quando surgiu a express\u00e3o burilada \u201cdoutrina social da Igreja\u201d, com o Papa Le\u00e3o XIII, desde ent\u00e3o, tem-se que a doutrina social \u00e9 uma tentativa, de dentro de uma realidade, de oferecer \u00e0 humanidade seu acervo espiritual e teol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O ponto de partida fundamental que n\u00f3s temos de ter \u00e9: o tema da economia, o tema do mercado e o tema da pol\u00edtica. Ao falarmos de bem comum, n\u00e3o estamos inventando absolutamente nada. Este era um conceito que existia na economia antes de revolu\u00e7\u00e3o industrial, antes do capitalismo, antes do marxismo ou de qualquer outra forma moderna e conhecida de economia para a sociedade. Os mercados j\u00e1 existem h\u00e1 muitos s\u00e9culos. E eram instrumentos, acess\u00f3rios, a servi\u00e7o da sociedade, organizados e controlados por institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ou por institui\u00e7\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A partir da modernidade, a partir da erup\u00e7\u00e3o da economia de mercado capitalista, acontece uma invers\u00e3o muito grande. Agora, \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o social que est\u00e1 inserida no mercado. E a l\u00f3gica do bem comum \u2013 que, praticamente, vinha at\u00e9 a modernidade, que era um dos pilares da sociedade e da pol\u00edtica \u2013 aos poucos foi sendo substitu\u00edda por outras l\u00f3gicas, por outras racionalidades. E a principal racionalidade \u00e9 a racionalidade econ\u00f4mica, aquela pensada e proposta pelos economistas liberais, principalmente, Adam Smith, pela l\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste mesmo sentido, \u00e9 que o trabalho foi reificado, conforme vamos melhor expor adiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ent\u00e3o, toda a atividade da economia foi sendo direcionada da um \u00fanico objetivo apenas: maximizar o lucro. E que este lucro fosse distribu\u00eddo entre os investidores. A economia de mercado, n\u00e3o capitalista, \u00e9 anterior a este sistema. A economia de mercado s\u00f3 se tornou capitalista depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este primeiro elemento estar\u00e1 presente nas fontes do pensamento social da Igreja, principalmente, Santo Tom\u00e1s de Aquino. O segundo elemento que temos de chamar aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o seguinte: at\u00e9, mais ou menos, metade do S\u00e9culo XIX o conceito de bem comum era um conceito muito importante no discurso econ\u00f4mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Foi surgindo um outro conceito emprestado da filosofia e que foi invadido o terreno da economia e da pol\u00edtica. O conceito de utilidade ou o utilitarismo. E, com isto, o trabalho foi sendo realocado como meio de obten\u00e7\u00e3o de mais lucro, mais acumula\u00e7\u00e3o de bens. <strong>O pensamento econ\u00f4mico mais apropriado ser\u00e1 aquele que ajuda a maximizar os lucros, os ganhos, a renda.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A primeira resposta est\u00e1 justamente na erup\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. E \u00e9 na Revolu\u00e7\u00e3o Industrial que vai surgir a doutrina social da Igreja, preocupada com o mundo do trabalho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial que rompe na Inglaterra \u2013 que \u00e9 o pa\u00eds do liberalismo, de John Locke, de Adam Smith \u2013 p\u00f5e como urg\u00eancia muito grande, a servi\u00e7o do mercado, aumentar o capital, principalmente, o capital f\u00edsico, as m\u00e1quinas. \u00c9 preciso que realize uma r\u00e1pida acumula\u00e7\u00e3o de capital, para permitir que as empresas adquiram mais capital, mais m\u00e1quinas. Era preciso que se retirasse e algum lugar, desviar o dinheiro para a constru\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas e de equipamentos. E tiraram dinheiro de algum lugar, de uma forma muito r\u00e1pida, do outro instrumento do modo de produ\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o a for\u00e7a de trabalho, a m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A explora\u00e7\u00e3o do trabalho, n\u00e3o apenas a explora\u00e7\u00e3o do trabalho dos homens, mas de mulheres e de crian\u00e7as, isto \u00e9 descrito em par\u00e1grafos inteiros da \u201cRerum Novarum\u201d. Toda crueldade com que foram tratados os trabalhadores e trabalhadoras no in\u00edcio desta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. A explora\u00e7\u00e3o cruel do ser humano.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na vis\u00e3o, na l\u00f3gica, da acumula\u00e7\u00e3o de riqueza e no princ\u00edpio do utilitarismo isto \u00e9 plenamente justific\u00e1vel. A economia vai deixando de ser uma atividade com outros fins, para voltar-se para este: a busca do lucro. Nem que para isto se sacrifique vidas humanas. Olhando para hoje: hoje, o tema do mercado est\u00e1 com muita for\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que s\u00e3o mercados hoje? Podemos fazer esta pergunta. Aqueles mercados que surgiram a partir da modernidade, da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Pode-se ver os mercados como uma grande soma, como uma soma de interesses agregados de um complexo industrial financeiro empresarial poderoso, que exerce um poder de fato sobre Governos e institui\u00e7\u00f5es. Aquele mercado que surgiu l\u00e1 atr\u00e1s, hoje, invade, praticamente, toda a nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ele \u00e9 um aspecto de um sistema maior, que \u00e9 o sistema de mercado de capitais. Hoje, o sistema de mercado de capitais n\u00e3o \u00e9 apenas economia, ele \u00e9 um modelo de civiliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o um sistema econ\u00f4mico. O sistema de mercado vai integrando a forme e o conte\u00fado de toda a civiliza\u00e7\u00e3o. Falar de bem comum, hoje, sup\u00f5e esta compreens\u00e3o cr\u00edtica, ampla, macrossist\u00eamica, desta realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desta forma, na sociedade tudo passa a ser movida a partir da l\u00f3gica do lucro, outros fins v\u00e3o desaparecendo do horizonte da sociedade e da economia. Neste momento, aparece uma cita\u00e7\u00e3o muito forte do Papa Francisco, em seu discurso aos movimentos popular em Roma. O Papa Francisco perguntou: no mundo de hoje, diante desta realidade, quem governa? Quem governa, ent\u00e3o, o papa responde: o dinheiro. Como governa? Com o chicote: Chicote do medo, da desigualdade, da viol\u00eancia econ\u00f4mica, da viol\u00eancia social, da viol\u00eancia militar, que gera uma espiral de viol\u00eancia, que parece que n\u00e3o termina nunca. Este \u00e9 um pouco deste quadro que se desenha. Com isto, podemos come\u00e7ar a pensar o bem comum, diante deste capital financeiro t\u00e3o poderoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por fim, outro elemento, devemos uma outra liga\u00e7\u00e3o, vincula\u00e7\u00e3o, com a \u201cLaudato Si\u201d, de Papa Francisco, \u00e9 a ideia de \u201cCasa Comum\u201d. Este sistema \u00e9 um sistema extremamente din\u00e2mico. Aqui, h\u00e1 uma mudan\u00e7a que est\u00e1 sendo identificada pelos soci\u00f3logos e economistas. Sempre se pensou que o capitalismo vive de um motor, um motor chamado: \u201cdestrui\u00e7\u00e3o produtiva\u201d. Atualmente, este motor mudou. O motor hoje \u00e9 \u201cprodu\u00e7\u00e3o destrutiva\u201d. Esta \u00e9 a l\u00f3gica. Esta \u00e9 a articula\u00e7\u00e3o do capital financeiro que se serve do capital produtivo. E onde chega, nas sociedades, na natureza, no meio ambiente, ele produz destruindo. Ele destr\u00f3i n\u00e3o s\u00f3 o meio ambiente, mas tamb\u00e9m destr\u00f3i, sobretudo vidas, descarta florestas, rios, empregos, comunidades, fam\u00edlias etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tamb\u00e9m a ecologia est\u00e1 absorvida pela economia, como diz \u201cLaudato Si\u201d. A crise \u00e9 muito maior, ela \u00e9 social, \u00e9 pol\u00edtica, \u00e9 econ\u00f4mica, \u00e9 ambiental. E as consequ\u00eancias imediatas, geradas por esta l\u00f3gica, s\u00e3o identificadas na realidade, na vida dos pobres e na devasta\u00e7\u00e3o da natureza. \u00c9 dif\u00edcil de se pensar algo bom para esta economia que j\u00e1 n\u00e3o se sustenta mais. \u00c9 curioso pensar assim nesta sociedade, porque parece cada vez mais claro que este sistema abandonar\u00e1 uma cren\u00e7a que ele tem: que esta cren\u00e7a da produ\u00e7\u00e3o destrutiva. \u00c9 o dogma do crescimento. Este sistema n\u00e3o consegue n\u00e3o crescer. Ele n\u00e3o consegue n\u00e3o se expandir onde ele vai. E a sociedade continua acreditando que este sistema \u00e9 sustent\u00e1vel, por mais incr\u00edvel que possa parecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este \u00e9 o problema quando se maximiza os objetivos, outros s\u00e3o anulados ou s\u00e3o esquecidos. Com isto, vivemos, como diz o Papa Francisco, nesta esp\u00e9cie de tirania do invis\u00edvel, que, \u00e0s vezes, \u00e9 virtual e atua de maneira unilateral. Um outro elemento que devemos nos atentar, na rela\u00e7\u00e3o deste contexto, esta ideia de fundo que est\u00e1 presente na economia, na pol\u00edtica, e que n\u00f3s no Brasil estamos sentindo a aplica\u00e7\u00e3o destas ideias, de pouco tempo para c\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Porque cada dia \u00e9 mais dif\u00edcil que se fale em justi\u00e7a social, em bem comum, em igualdade? Porque tem uma ideia de fundo, um esp\u00edrito, que pensa justamente o oposto do pregado pelo Papa Francisco. Muitos pensadores ajudaram a configurar esta sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vamos citar apenas 02 aqui, que fecham todas as portas \u00e0 \u00e9tica, a pensamentos distintos, como a ideia de bem comum. O sistema atual foi constru\u00eddo, pensado, nos anos 40, em oposi\u00e7\u00e3o ao Estado de Bem-Estar Social, proposto por John Maynard Keynes. \u00c9 a ideia do \u201claissez-faire\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Outro ponto, para o sistema em atua\u00e7\u00e3o, existe indiv\u00edduo, n\u00e3o existe uma sociedade. Desta forma, no mundo do trabalho, as pessoas n\u00e3o s\u00e3o vistas como seres dentro de um todo, mas sim como pe\u00e7as que podem serem substitu\u00eddas a qualquer momento.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>H\u00e1 uma nega\u00e7\u00e3o do conceito de bem p\u00fablico. O bem comum s\u00f3 faria sentido se de fato houvesse uma sociedade. Mas como n\u00e3o existe, se existem s\u00f3 indiv\u00edduos, como falar de bem comum? Esta ideia da m\u00e3o invis\u00edvel, da ordem natural, a ela \u00e9 confiada a ordem da sociedade. Qualquer sociedade, qualquer Estado mais extenso, seria imoral, porque feriria as liberdades individuais. O Estado mais extenso seria um Estado que pensa a justi\u00e7a social, que pensa o bem comum, como categorias filos\u00f3ficas ou antropol\u00f3gicas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No atual sistema, o Estado n\u00e3o \u00e9 eliminado. Muito pelo contr\u00e1rio, ele se apropria do Estado, ele sequestra o Estado e muda a agenda do Estado. Hoje, o Estado se tornou um aliado. E um dos principais respons\u00e1veis pelo bem comum \u00e9 o Estado. Se o Estado \u00e9 minado, cortam-se as possiblidades de que o bem comum se concretize apoiado ou movido pelo Estado. Nos governos com este modelo, e n\u00f3s estamos vendo isto cada vez mais claro no Brasil, \u00e9 ajustar a economia e um pa\u00eds inteiro ao mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ajustar: quando se fala em ajuste fiscal, \u00e9 disto que se trata. \u00c9 ajustar a economia de um pa\u00eds todo ao mercado.\u00a0 Este \u00e9 o cen\u00e1rio. \u00c9 a redu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica for\u00e7a do dinheiro. E, quando a pol\u00edtica est\u00e1 reduzida \u00e0 for\u00e7a do dinheiro, a presen\u00e7a da sociedade n\u00e3o consegue fazer presen\u00e7a no Estado. O Estado fica imune \u00e0 participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil. H\u00e1 uma corros\u00e3o muito grande desta dimens\u00e3o p\u00fablica. N\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas em muitos outros pa\u00edses tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Duas afirma\u00e7\u00f5es fundamentais nesta linha:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">01\u00aa- Ludwig von Mises: da Escola Austr\u00edaca. Ele diz o seguinte na obra \u201cA\u00e7\u00e3o Humana\u201d: um dos fundamentos deste sistema econ\u00f4mico \u2013 al\u00e9m da propriedade privada e da explora\u00e7\u00e3o do trabalho \u2013 \u00e9 a desigualdade social. A desigualdade de riqueza e de renda \u00e9 uma caracter\u00edstica essencial desta economia. Eliminar ou combater esta desigualdade social significa destruir este sistema econ\u00f4mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ent\u00e3o, ela n\u00e3o precisa ser s\u00f3 mantida, ela precisar ser aumentada, ser refor\u00e7ada. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa os dados da Oxfam \u2013 outro banco mundial da ONU \u2013 assustam-nos, pois a cada dia a concentra\u00e7\u00e3o de riquezas est\u00e1 no topo do 01%. \u00c9 a aplica\u00e7\u00e3o de Ludwig von Mises.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na economia de mercado, o ser humano \u00e9 livre no sentido de que o governo n\u00e3o o obriga a renunciar \u00e0 sua autonomia. Quer dizer, a pessoa \u00e9 totalmente livre, a pessoa n\u00e3o pode ser submetida a outros objetivos e finalidades que o Estado imp\u00f5e sobre a pessoa. P. ex., o compromisso com o bem comum ou com a justi\u00e7a social. N\u00e3o h\u00e1 lugar para pol\u00edticas p\u00fablicas de redistribui\u00e7\u00e3o em economias como as atuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta rejei\u00e7\u00e3o da ideia de bem comum. E o fundamento \u00faltimo colocado pelos pensadores do atual sistema \u00e9 o seguinte: ideias de bem comum e de justi\u00e7a social n\u00e3o t\u00eam nenhuma fundamenta\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica ou teleol\u00f3gica, que possa sustenta-la. Quer dizer, quem pensa a justi\u00e7a \u00e9 uma sociedade, \u00e9 a sociedade que vai dizer o que \u00e9 justo e o que \u00e9 injusto, o que \u00e9 bom ou o que \u00e9 mal. N\u00e3o existe uma ideia pela qual a sociedade possa pautar-se para pensar uma organiza\u00e7\u00e3o e um projeto. \u00c9 o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E Ludwig von Mises vai dizer na sua obra \u201cA\u00e7\u00e3o Humana\u201d: sendo assim \u00e9 in\u00fatil pensar o governo, pensar o Estado, a partir de valores e princ\u00edpios imut\u00e1veis, pr\u00e9-estabelecidos. Como a filosofia grega tamb\u00e9m pensava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para fecharmos a ideia, ele vai dizer o seguinte: voc\u00eas crist\u00e3os, os vossos princ\u00edpios morais, seriam simplesmente desastrosos para a economia. N\u00e3o se pode apelar \u00e0 consci\u00eancia das pessoas, para que elas, realmente, atuem na economia ou na pol\u00edtica. Apele ao ego\u00edsmo, ao individualismo, porque, com isto, a economia funciona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">02\u00aa- Friedrich Hayek: que foi de Ludwig von Mises, vai dar um passo perigoso. Pol\u00edticas sociais fundadas na justi\u00e7a ou no bem comum s\u00e3o incompat\u00edveis com a democracia ou com a sociedade ou Estado de Direito. Viola as liberdades individuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E o outro motivo ele vai refor\u00e7ar o motivo dado por seu professor Ludwig von Mises: n\u00e3o tenham um c\u00f3digo de \u00e9tica que fundamente a ideia de bem comum. O que possa obrigar o Estado a pensar pol\u00edticas em fun\u00e7\u00e3o do bem comum. Quest\u00f5es sociais, preocupa\u00e7\u00f5es sociais, s\u00e3o problemas individuais. Pertencem ao campo da moral individual. Se a pessoa est\u00e1 preocupada com a mis\u00e9ria, com a pobreza, isto \u00e9 um problema da pessoa. N\u00e3o do Estado, n\u00e3o da sociedade. Fa\u00e7a algo, mas segundo a consci\u00eancia individual de cada, mas isto n\u00e3o deve ser pedido ao Estado. Para o atual sistema, \u00e9 assim que funciona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Estado tem outras fun\u00e7\u00f5es, que \u00e9 garantir o funcionamento da economia, segundo a l\u00f3gica de mercado capitalista na sua atual formata\u00e7\u00e3o. Hoje, parece que este sistema est\u00e1 chegando ao auge da sua implanta\u00e7\u00e3o: da radicaliza\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios, da cumula\u00e7\u00e3o material e da concretiza\u00e7\u00e3o da desigualdade social. O abismo est\u00e1 ficando cada vez mais fundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tem sentido se falar em bem comum? Esta \u00e9 a pergunta que se deve refletir. Desta forma, refletir sobre o bem comum \u00e9 tarefa inadi\u00e1vel, nestes tempos dif\u00edceis, em que a busca de poder e de lucro domina as rela\u00e7\u00f5es pessoais, domina o Estado e domina os povos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00c9 neste contexto que precisamos falar, como diz o Papa Francisco: a no\u00e7\u00e3o de bem comum tem um papel central e unificador de toda a \u00e9tica social.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 a dignidade da pessoa e o bem comum, s\u00e3o estas duas quest\u00f5es \u2013 estes dois princ\u00edpios \u2013 que deveriam estruturar toda a pol\u00edtica econ\u00f4mica. \u00c9 um discurso totalmente oposto ao doloroso modo de viver que enfrentamos hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por isto que quando o Papa Francisco lan\u00e7ou a enc\u00edclica \u201cEvangelium Gaudium\u201d e depois a \u201cLaudato Si\u201d, algumas revistas (p. ex., New York Times) foram tremendamente duras com ele. E, hoje, tem uma postura neoconservadora na sociedade \u00e9 uma das mais fortes que a Igreja j\u00e1 enfrentou na hist\u00f3ria. <strong>Quando ele fala esta economia mata, \u00e9 este tipo de economia aqui que ele est\u00e1 falando.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando o pensamento social da Igreja recupera, agora, outra vez, com tanta for\u00e7a, como o Papa Francisco est\u00e1 recuperando a ideia de bem comum, ela tenta resgatar algo que a Igreja j\u00e1 carrega na sua tradi\u00e7\u00e3o. Vamos nos apoiar em apenas 02 autores que s\u00e3o refer\u00eancias cl\u00e1ssicas: 01\u00ba- Santo Agostinho; 02\u00ba- Santo Tom\u00e1s de Aquino. Este conceito est\u00e1 muito forte, muito presente, nestes autores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Santo Agostinho tem um vocabul\u00e1rio bastante amplo neste assunto. A express\u00e3o \u201cbem comum\u201d \u00e9 empregada, p. ex., em Santo Agostinho para traduzir m\u00faltiplas realidades p\u00fablicas, m\u00faltiplas express\u00f5es. P. ex., a ideia de \u201cRes\u201dp\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pensando nesta possibilidade da exist\u00eancia de um povo com \u201cres-p\u00fablica\u201d, Santo Agostinho vai se apoiar num grande pensador, C\u00edcero, o qual j\u00e1 defendia um povo n\u00e3o \u00e9 apenas um conjunto de seres humanos reunidos de qualquer jeito, n\u00e3o s\u00e3o \u00e1tomos espalhados por ai, que \u00e9 o que pensa o sistema imperante. Mas o povo \u00e9 uma grande assembleia (ecclesia), uma assembleia de pessoas associadas entorno de algo comum, entorno de objetivos comuns, no que diz respeito \u00e0 conviv\u00eancia social juntas. Quase que uma parceria de pessoas entorno do bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta afirma\u00e7\u00e3o de C\u00edcero vai ser enriquecida por Santo Agostinho na sua teologia da caridade (\u201ca caritas\u201d). Com isto, Santo Agostinho vai buscar fundamenta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. Santo Agostinho vai pegar esta proposi\u00e7\u00e3o e vai superar esta ideia de C\u00edcero no seguinte sentido: \u201ca caritas\u201d convida nos convida a nos fixar n\u00e3o apenas na sociedade em si, \u00e9 necess\u00e1rio um elemento da filosofia ou da teologia, n\u00e3o transit\u00f3rio. Porque as sociedades s\u00e3o transit\u00f3rias, n\u00e3o imut\u00e1vel. Pensar o bem comum da sociedade como algo mais universal. O universal mais do que o particular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A partir disto, Agostinho vai fazer a refer\u00eancia \u00e0 Cidade Eterna. Com esta categoria de caridade, Agostinho vai oferecer 02 enfoques sobre o bem comum:\u00a0 a) Est\u00e1 direcionado para a cidade dos homens, a cidade terrena; b) E o outro para a Cidade Eterna, onde ele vai identificar o Sumo Bem Comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta intui\u00e7\u00e3o parece bastante importante se for considerado que o Bem Comum aparece como recurso teol\u00f3gico-moral, capaz de combinar estas 02 tens\u00f5es: de um lado a possibilidade de viver a radicalidade da caridade, do mandamento do amor, na sociedade, de uma maneira concreta, e que a maneira de concretizar esta realidade depende de algo anterior para Agostinho, que \u00e9 a experi\u00eancia do Amor Sumo, do Amor de Deus, o fundamento.\u00a0 De outro lado, esta capacidade de interagir em termos de amizade, de reciprocidade, colabora\u00e7\u00e3o, numa sociedade que busca fins, finalidades comuns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta caridade de amizade vai fundamentando as rela\u00e7\u00f5es entre os cidad\u00e3os e uma comunidade pol\u00edtica (na polis). Tal amizade \u2013 esta caridade \u2013 \u00e9 a base de promo\u00e7\u00e3o para o bem comum. Agostinho como uma das condi\u00e7\u00f5es para que ela ocorra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda que a organiza\u00e7\u00e3o da Cidade Terrena n\u00e3o seja capaz de promover a comunh\u00e3o por excel\u00eancia, pr\u00f3pria do Sumo Bem de Deus, ela pode ajudar, pode proporcionar a vida comum dos cidad\u00e3os. Atrav\u00e9s da gera\u00e7\u00e3o de bens, que todos possam beneficiar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desta forma, esta rela\u00e7\u00e3o entre Sumo Bem e bem comum se entrela\u00e7am em Agostinho, de tal modo que a busca do segundo colabora na compreens\u00e3o mais profunda do primeiro. E a compreens\u00e3o teol\u00f3gica do primeiro impulsiona a busca do segundo numa sociedade hist\u00f3rica, que vai configurando a Cidade Terrena, atrav\u00e9s de estruturas sociais, de mecanismos, que garantam os bens, para que as pessoas possam viver de maneira humana, a sa\u00fade, o alimento, a moradia, a educa\u00e7\u00e3o, a cultura, a religi\u00e3o etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ele fecha um pouco esta ideia dizendo que n\u00e3o h\u00e1 outra maneira da paz no mundo ser encontrada. A paz \u00e9 alcan\u00e7ada quando estes bens envolvidos pela caridade e pela amizade s\u00e3o garantidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Santo Tom\u00e1s de Aquino avan\u00e7ando nesta reflex\u00e3o vai dar uma contribui\u00e7\u00e3o muito interessante. Santo Tom\u00e1s dizer que o termo \u201cbem\u201d \u00e9 predic\u00e1vel de muitas maneiras. Ele vai identificar 03 maneiras de predicar o \u201cbem comum\u201d:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\">\n<li>a) Bem predicavelmente comum: \u00e9 o bem predicado \u00e0 toda pessoa. P. ex., a ess\u00eancia humana, a natureza humana, somos humanos.<\/li>\n<li>b) Bem causalmente comum: este bem \u00e9 partilhado por todos e pertence a todas as pessoas. P. ex., a paz social, uma ordem social, a partilha pela felicidade por ter vencido a batalha ou conquistado como sociedade algo importante.<\/li>\n<li>c) Bens comuns de utilidade: estes est\u00e3o ligados \u00e0 Justi\u00e7a distributiva. P. ex., tema da \u00e1gua, da sa\u00fade, do alimento etc.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">Estes modos de compreens\u00e3o encontram-se em Santo Tom\u00e1s na sociedade. P. ex., a felicidade, que seria um bem predicavelmente comum, que \u00e9 desejada por todos, a eudaimonia, \u00e9 obtida como elemento da organiza\u00e7\u00e3o social, que \u00e9 o bem causalmente comum. Que, por sua vez, \u00e9 sustentado por outro que \u00e9 o bem utilidade, que \u00e9 a justa distribui\u00e7\u00e3o dos bens uteis, da utilidade para a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ou seja, desta compreens\u00e3o da pessoa humana como ser de rela\u00e7\u00e3o, nestes 03 tipos de bens predic\u00e1veis, depene toda ideia de bem comum. Isto \u00e9 poss\u00edvel porque todo ser humano tende para a vida em sociedade. No pensamento de Santo Tom\u00e1s, h\u00e1 esta tend\u00eancia natural para o bem, ordenados ao bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ent\u00e3o, estas duas dimens\u00f5es de Santo Tom\u00e1s: a) o bem transcendente ou bem sobrenatural; e b) o outro o bem imanente ou bem aqui. A primeira diz respeito a Deus. A segunda diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais baseadas na Justi\u00e7a e na vida virtuosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O bem \u00faltimo a ser buscado e contemplado \u00e9 a Verdade. \u00c9 a vis\u00e3o beat\u00edfica, porque a Verdade Absoluta \u00e9 Deus, porque de Deus depende o bem e todas as coisas v\u00eam de Deus. \u00c9 o Sumo Bem por natureza. E o bem comum imanente \u2013 rela\u00e7\u00f5es sociais, justi\u00e7a e virtude \u2013 alcan\u00e7ados na vida em comunidade, este \u00e9 o bem por excel\u00eancia mais elevado. E a condi\u00e7\u00e3o para tamb\u00e9m alcan\u00e7ar os outros bens, porque a sociedade \u2013 diz Santo Tom\u00e1s \u2013 \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vemos como tudo que temos e que somos sempre \u00e9 para o outro, para o crescimento de todos juntos, pois este pensamento perpassa toda a hist\u00f3ria da Igreja e nos seus pensadores, os quais sempre fieis ao Seu Divino Senhor e Salvador sempre procuraram manter a comunidade unidade unida para a realiza\u00e7\u00e3o do \u201cBem Comum\u201d, assim como a Trindade, unida indivisa e substancial, mant\u00e9m-se unidade desde sempre e por todo o sempre, o ser humano, o qual foi criado \u00e0 Sua imagem e semelhan\u00e7a, tamb\u00e9m tem necessidade de aglutinar-se com outros, para que s\u00f3 assim possa cumprir a sua miss\u00e3o assumida no batismo e, para que o trabalho, como uma das v\u00e1rias formas de glorifica\u00e7\u00e3o do Senhor, possa ser caminho para a santifica\u00e7\u00e3o individual e coletiva. Para que em tudo seja Deus glorificado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ)\u00a0 Neste ano do laicato e neste m\u00eas vocacional creio que um tema que pode ser apresentado para reflex\u00e3o \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o entre voca\u00e7\u00e3o e trabalho. \u201cBasta-te minha gra\u00e7a, porque \u00e9 na fraqueza que se revela totalmente a minha for\u00e7a\u201d (2 Cor\u00edntios &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/vocacao-e-santidade-no-mundo-do-trabalho\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Voca\u00e7\u00e3o e santidade no mundo do trabalho<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/31278"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=31278"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/31278\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=31278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=31278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=31278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}