{"id":31668,"date":"2018-09-05T00:00:00","date_gmt":"2018-09-05T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/ser-cristao-num-estado-laico\/"},"modified":"2018-09-05T00:00:00","modified_gmt":"2018-09-05T03:00:00","slug":"ser-cristao-num-estado-laico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/ser-cristao-num-estado-laico\/","title":{"rendered":"Ser crist\u00e3o num Estado laico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Adelar Baruffi<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Cruz Alta<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com frequ\u00eancia, a justa afirma\u00e7\u00e3o da laicidade do Estado tem servido para desqualificar ou at\u00e9 impedir a participa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os na vida p\u00fablica. A separa\u00e7\u00e3o da Igreja e do Estado, desde a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, possibilitou que o Estado brasileiro se compreendesse como laico. Isto significa que o Estado n\u00e3o adota uma religi\u00e3o como oficial e tamb\u00e9m n\u00e3o se professa ateu, mas garante que todos os cidad\u00e3os possam exercer p\u00fablica e livremente o seu culto, segundo sua consci\u00eancia e suas convic\u00e7\u00f5es. A Igreja Cat\u00f3lica no Brasil teve seu estatuto jur\u00eddico reconhecido oficialmente pelo <em>Acordo Brasil Santa S\u00e9<\/em>, promulgado em 2010, que, entre outros pontos, garante o direito dos cat\u00f3licos participarem na organiza\u00e7\u00e3o e na vida da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A laicidade do Estado, em princ\u00edpio, \u00e9 positiva, pois garante autonomia \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es religiosas para atuarem segundo seu fim pr\u00f3prio. N\u00e3o \u00e9 positiva, no entanto, uma vis\u00e3o laicista, que parte de uma posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 religi\u00e3o e a reduz \u00e0 esfera do privado, n\u00e3o admitindo sua express\u00e3o p\u00fablica. Poderia um cidad\u00e3o n\u00e3o ter voz ou sua posi\u00e7\u00e3o ser desconsiderada porque reflete a realidade a partir do ponto de vista da f\u00e9 que professa? Esta nega\u00e7\u00e3o seria uma contradi\u00e7\u00e3o com o ideal do Estado laico. \u201cAdemais, configura uma esp\u00e9cie de pr\u00e9-conceito, como se algu\u00e9m que professe a f\u00e9 cat\u00f3lica, pelo simples fato de faz\u00ea-lo, n\u00e3o est\u00e1 apto para opinar na vida da na\u00e7\u00e3o\u201d (CNBB, <em>F\u00e9 crist\u00e3 e laicidade<\/em>, p. 69).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A laicidade, portanto, n\u00e3o significa que o Estado negue \u00e0 Igreja o direito e o dever de contribuir para o bem comum da sociedade. Os crist\u00e3os tem plena cidadania no Estado. A laicidade garante a possibilidade do di\u00e1logo: \u201cNuma sociedade pluralista, a laicidade \u00e9 um lugar de comunica\u00e7\u00e3o entre as diferentes tradi\u00e7\u00f5es espirituais e a na\u00e7\u00e3o\u201d (S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, 2004). Os crist\u00e3os podem e devem se posicionar e se pronunciar publicamente, atrav\u00e9s das institui\u00e7\u00f5es reconhecidas pela sociedade, sobre todas as realidades que dizem respeito ao bem comum, especialmente quando est\u00e3o em jogo os direitos fundamentais do ser humano: a liberdade, a fam\u00edlia, o trabalho, a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, a dignidade da pessoa humana e, sobretudo, o direito \u00e0 vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ent\u00e3o, qual a nossa postura correta? Desde o Conc\u00edlio Vaticano II a Igreja tem feito um caminho de aproxima\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo, superando uma posi\u00e7\u00e3o meramente condenat\u00f3ria. Esta participa\u00e7\u00e3o tem o car\u00e1ter de colabora\u00e7\u00e3o. J\u00e1 dizia o Conc\u00edlio: \u201cCertamente, a miss\u00e3o pr\u00f3pria confiada por Cristo \u00e0 sua Igreja, n\u00e3o \u00e9 de ordem pol\u00edtica, econ\u00f4mica ou social: o fim que lhe prop\u00f4s \u00e9, com efeito, de ordem religiosa. Mas \u00e9 justamente desta mesma miss\u00e3o religiosa que derivam encargos, luz e energia que podem servir para o estabelecimento e consolida\u00e7\u00e3o da comunidade humana segundo a Lei divina\u201d (<em>Gaudium et Spes<\/em>, n. 42). O sentido \u00e9 sempre o de colaborar para o bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em tempos em que cresce a intoler\u00e2ncia e o acirramento de posi\u00e7\u00f5es, precisamos crescer no sentido do respeito com quem pensa e age diferente de nossas convic\u00e7\u00f5es. Com certeza podemos aprender com o \u201coutro\u201d, o diferente. N\u00f3s, cat\u00f3licos, devemos sempre primar pelo respeito e, tamb\u00e9m, temos o direito de termos nossos s\u00edmbolos sagrados, ritos e imagens respeitadas. A religi\u00e3o deve ser o espa\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o da paz e nunca causa de viol\u00eancia. Enfim, a participa\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o p\u00fablico, para o cat\u00f3lico, tem o car\u00e1ter de ser \u201csal da terra e luz do mundo\u201d (cf. Mt 5,13).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Adelar Baruffi Bispo de Cruz Alta &nbsp; Com frequ\u00eancia, a justa afirma\u00e7\u00e3o da laicidade do Estado tem servido para desqualificar ou at\u00e9 impedir a participa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os na vida p\u00fablica. A separa\u00e7\u00e3o da Igreja e do Estado, desde a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, possibilitou que o Estado brasileiro se compreendesse como laico. 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