{"id":316706,"date":"2021-06-22T10:50:50","date_gmt":"2021-06-22T13:50:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=316706"},"modified":"2021-06-22T10:51:29","modified_gmt":"2021-06-22T13:51:29","slug":"a-celebracao-dos-santos-04","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-celebracao-dos-santos-04\/","title":{"rendered":"A celebra\u00e7\u00e3o dos santos &#8211; 04"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli <\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caros diocesanos. Em nossas reflex\u00f5es sobre a santidade, percebemos que ser santo ou santa n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o na Igreja, mas processo normal de vida crist\u00e3, com desfecho coerente diante da obra da salva\u00e7\u00e3o de Cristo. J\u00e1 na Antiga Alian\u00e7a, Deus prop\u00f5e um reino de sacerdotes e uma na\u00e7\u00e3o santa (cf. Ex 19, 6). Na Nova Alian\u00e7a, S\u00e3o Paulo fala da voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade de todos os disc\u00edpulos de Cristo: \u201c<em>Aos que foram santificados no Cristo Jesus, chamados a ser santos<\/em>\u201d (1Cor 1, 2); \u201c<em>O templo de Deus \u00e9 santo, e esse templo sois v\u00f3s<\/em>\u201d (1Cor 3, 17); \u201c<em>A vontade de Deus \u00e9 a vossa santifica\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d (1Tes 4, 3); \u201c<em>Deus nos escolheu, antes da funda\u00e7\u00e3o do mundo, para sermos santos e \u00edntegros diante dele, no amor<\/em>\u201d (Ef 1, 4-5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano II, atrav\u00e9s da <em>Lumen Gentium<\/em> (LG), nos lembra: \u201c<em>Um \u00e9 o povo eleito de Deus: \u2018um s\u00f3 Senhor, uma s\u00f3 f\u00e9, um s\u00f3 batismo\u2019 (Ef 4, 5). Comum a dignidade dos membros pela regenera\u00e7\u00e3o em Cristo. Comum a gra\u00e7a de filhos. Comum a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o&#8230; Se, pois, na Igreja nem todos seguem o mesmo caminho, todos, no entanto, s\u00e3o chamados \u00e0 santidade e receberam a mesma f\u00e9 pela justi\u00e7a de Deus (2Pdr 1,1)<\/em>\u201d (LG 32). Com estas palavras a Igreja afirma a beleza e a import\u00e2ncia de todas as voca\u00e7\u00f5es, convidadas a participarem da natureza divina, da santidade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como vimos, o santo \u00e9 um sinal que aponta para a identidade da pr\u00f3pria Igreja, chamada a ser santa (cf. Ef 2, 19-22; LG 39), gra\u00e7as aos m\u00e9ritos de Jesus Cristo. Todos os que n\u00e3o chegam \u00e0 santidade deixaram de viver sua voca\u00e7\u00e3o eclesial. A Igreja \u00e9 peregrina no mundo, \u201c<em>santa e pecadora<\/em>\u201d (Prece Eucar\u00edstica V), ao mesmo tempo. Afirma o Conc\u00edlio que \u201c<em>j\u00e1 na terra a Igreja \u00e9 assinalada com a verdadeira santidade, embora imperfeita<\/em>\u201d (LG 48). O santo \u00e9 membro dessa Igreja, antes e depois da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os santos tornam-se motivo de louvor a Deus pela obra neles realizada, sendo colocados como modelos a serem imitados no modo de colaborar com a gra\u00e7a divina, atingindo alto grau de maturidade crist\u00e3. Por isso, n\u00e3o cultuamos her\u00f3is, dos quais a Igreja se gloria, mas louvamos a Deus, que nos santos e santas realizou maravilhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No esp\u00edrito da teologia paulina do Corpo m\u00edstico de Cristo (cf. 1Cor 12, 12; Ef 5, 23), n\u00f3s entenderemos que a Igreja une-se intimamente numa s\u00f3 comunidade, num s\u00f3 corpo, a Comunh\u00e3o dos Santos: \u201c<em>Alguns dentre os seus disc\u00edpulos peregrinam na terra, outros, terminada esta vida, s\u00e3o purificados, enquanto que outros s\u00e3o glorificados&#8230; Todos, por\u00e9m, em grau e modo diverso, participamos da mesma caridade de Deus e do pr\u00f3ximo&#8230; Pois todos quantos s\u00e3o de Cristo, tendo o seu Esp\u00edrito, congregam-se em uma s\u00f3 Igreja e nele est\u00e3o unidos entre si (Ef 4, 16)<\/em>\u201d (LG 49). Segundo o mesmo documento, se a comunh\u00e3o entre os crist\u00e3os da terra nos aproxima de Cristo, tamb\u00e9m o cons\u00f3rcio com os santos e santas nos une a Ele (cf. LG 50).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 significativo citar, neste contexto, o Pref\u00e1cio dos Santos I: \u201c<em>Nos vossos santos e santas ofereceis um exemplo para a nossa vida, a comunh\u00e3o que nos une, a intercess\u00e3o que nos ajuda<\/em>\u201d e o Pref\u00e1cio dos Santos II, que destaca mais a a\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a divina: \u201c<em>Pelo testemunho admir\u00e1vel de vossos Santos e Santas, revigorais constantemente a vossa Igreja, provando vosso amor para conosco&#8230;<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos s\u00e3o convidados ao caminho da santidade. Ela faz parte do ser Igreja: \u201c<em>A santidade n\u00e3o \u00e9 fuga para o intimismo ou para o individualismo religioso, tampouco abandono da realidade urgente dos grandes problemas&#8230; e muito menos fuga da realidade para um mundo exclusivamente espiritual<\/em>\u201d (DAp 148). Somos convidados \u00e0 santidade, caminho normal dos disc\u00edpulos mission\u00e1rios de nosso tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul (RS) \u00a0 Caros diocesanos. Em nossas reflex\u00f5es sobre a santidade, percebemos que ser santo ou santa n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o na Igreja, mas processo normal de vida crist\u00e3, com desfecho coerente diante da obra da salva\u00e7\u00e3o de Cristo. 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