{"id":316710,"date":"2021-06-22T10:55:47","date_gmt":"2021-06-22T13:55:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=316710"},"modified":"2021-06-22T10:59:45","modified_gmt":"2021-06-22T13:59:45","slug":"formamos-um-so-corpo-a-teologia-do-corpo-eclesial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/formamos-um-so-corpo-a-teologia-do-corpo-eclesial\/","title":{"rendered":"Formamos um s\u00f3 corpo: a teologia do corpo eclesial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Antonio de Assis Ribeiro<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuando a catequese sobre a Comunh\u00e3o Eclesial, reflitamos sobre uma das mais significativas met\u00e1foras usadas por S\u00e3o Paulo, aquela em que ele compara a Igreja como um corpo. Vale a pena recordarmos o que diz o ap\u00f3stolo. <em>\u201cNum s\u00f3 corpo h\u00e1 muitos membros, e esses membros n\u00e3o t\u00eam todos a mesma fun\u00e7\u00e3o. O mesmo acontece conosco: embora sendo muitos, formamos um s\u00f3 corpo em Cristo, e, cada um por sua vez, \u00e9 membro dos outros\u201d<\/em> (Rm 12,4-5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem do corpo para representar a Igreja \u00e9 muito forte em S\u00e3o Paulo, por isso aborda o mesmo tema e outras cartas (cf. 1Cor 10,17;12,12-25; Ef 4,12.16; 5,23; Cl 1,8; 2,19; 3,15). Nelas deseja real\u00e7ar a convic\u00e7\u00e3o de que a Igreja \u00e9 uma realidade compacta, vis\u00edvel na sua unidade e, ao mesmo tempo, rica em diversidade, coesa na comunh\u00e3o e obedi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na abordagem da teologia do corpo eclesial S\u00e3o Paulo d\u00e1 especial \u00eanfase, n\u00e3o somente \u00e0 import\u00e2ncia de cada membro, mas sobretudo, \u00e0 \u00edntima rela\u00e7\u00e3o de todos entre si, vinculados e obedientes \u00e0 cabe\u00e7a. \u00c9 a conex\u00e3o de cada membro com a cabe\u00e7a que promove a harmonia do dinamismo do corpo. Cristo \u00e9 a cabe\u00e7a da Igreja que d\u00e1 unidade e harmonia a tudo. Faltando essa convic\u00e7\u00e3o de f\u00e9, tudo desmorona.<\/p>\n<p><strong>O chamado \u00e0 comunh\u00e3o na comunidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chamando \u00e0 aten\u00e7\u00e3o de cada comunidade, o ap\u00f3stolo d\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o para toda a Igreja. Seu discurso transcende a conting\u00eancia hist\u00f3rica e passa a ter validade universal e permanente para toda a Igreja. Esta \u00e9 uma comunidade, formada pela diversidade de membros, atividades, minist\u00e9rios e carismas, mas todos est\u00e3o unidos no mesmo amor e seguindo a Cristo, que \u00e9 a cabe\u00e7a e assim todos lhe devem obedi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos Cor\u00edntios, Paulo faz um profundo discurso sobre a import\u00e2ncia da comunh\u00e3o na vida da comunidade em resposta aos problemas de rixas e brigas que l\u00e1 existiam. Por isso os exortou a viverem unidos na f\u00e9, mantendo-se de acordo uns com os outros e evitando toda esp\u00e9cie de divis\u00f5es (cf. 1Cor 1,10-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ap\u00f3stolo compara a comunidade como um corpo que, apesar de ter muitos membros, todos est\u00e3o em comunh\u00e3o e se ajudam mutuamente. Assim deve ser a vida da Igreja: somos muitos, todos diferentes, com dons espec\u00edficos, servi\u00e7os variados (cf. 1Cor 12,27-20), mas formamos um s\u00f3 corpo (cf. 1Cor 12,12-13). Trata-se de um corpo misterioso porque somos unidos pela f\u00e9. Por isso, sem vida espiritual, n\u00e3o h\u00e1 comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A for\u00e7a dinamizadora dessa comunh\u00e3o \u00e9 o sacramento do batismo, a partir do qual todos passamos a beber da mesma fonte (cf.1Cor 12,13) para adquirirmos o mesmo pensamento e a mesma sensibilidade que vem do Esp\u00edrito Santo (cf. 1Cor 1,11-12;2Cor 13,11; Fl 2,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo com muita franqueza e exemplos concretos, reflete com a comunidade dividida sobre a necessidade da comunh\u00e3o na diversidade das pessoas e suas atividades, assim como cada membro do corpo tem sua fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, deve ser valorizado e cuidado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada membro \u00e9 importante. Por isso nenhum se julgue mais importante do que os outros; da mesma forma deve ser na comunidade eclesial (cf. 1Cor 12,14-20). Nenhum membro deve dizer ao outro: \u201cn\u00e3o preciso de voc\u00ea\u201d (1Cor 12,21). Na diversidade de fun\u00e7\u00f5es e formas de agir, os membros se ajudam, se complementam, s\u00e3o solid\u00e1rios entre si e se cuidam reciprocamente. Uma vez que nem todos os membros t\u00eam a mesma consist\u00eancia, mas todos s\u00e3o importantes para o corpo, \u00e9 necess\u00e1rio que cada membro participe dos sofrimentos, das honras e das alegrias de cada um (cf.1Cor 12,26).<\/p>\n<p><strong>Diversidade e comunh\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos falar de corpo, sem a diversidade de membros. E para que o corpo tenha vida e harmonia \u00e9 preciso que haja converg\u00eancia e v\u00ednculo de todos os membros com a cabe\u00e7a. Portanto, falar de corpo \u00e9 afirmar a import\u00e2ncia da diversidade e da comunh\u00e3o. Para o Ap\u00f3stolo Paulo a diversidade n\u00e3o deve promover a adversidade entre as pessoas, mas o enriquecimento, pois \u201csomos muitos mas formamos um s\u00f3 corpo!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diversidade sem comunh\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia da aus\u00eancia de v\u00ednculo de um membro com a cabe\u00e7a (cf. Cl 1,18; 2,19), e sem rela\u00e7\u00e3o de amor o resultado \u00e9 a sua morte! Isso pode acontecer nos grupos, movimentos, minist\u00e9rios, novas comunidades, nas pastorais, com os l\u00edderes&#8230;; quando na Igreja h\u00e1 aus\u00eancia do sentido de Igreja e, tudo se enfraquece. Dessa forma se torna vulner\u00e1vel e, aos poucos, vai se autodestruindo por conflitos, divis\u00e3o, disputas, rixas, concorr\u00eancia, inveja, separa\u00e7\u00e3o, ci\u00fames, \u00a0frieza, etc. Quando falta o senso de f\u00e9, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o amor que a todos convoca para a unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>As li\u00e7\u00f5es do corpo com seus membros <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem dos muitos membros que formam um s\u00f3 corpo e todos unidos \u00e0 cabe\u00e7a, nos ensina muitas li\u00e7\u00f5es. Na Igreja todos os membros, sujeitos eclesiais, s\u00e3o importantes. Mas um membro isolado n\u00e3o forma o corpo! Quando o orgulho nos domina depreciamos o outro com sua riqueza natural e enaltecemos o que temos e pensamos a ser. Assim ca\u00edmos no mau da autorreferencialidade, da vaidade, do voluntarismo e do subjetivismo. O orgulho nega a beleza da diversidade e, por isso, rejeita a comunh\u00e3o, contrariando o Reino de Deus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos convidados a nos treinarmos na busca da aceita\u00e7\u00e3o do outro com seus limites e dons, na capacidade de colabora\u00e7\u00e3o, de sinergia, de sinodalidade, ou seja, no caminhar juntos, evitando o paralelismo pastoral. S\u00e3o Paulo nos estimula, \u00e0 pr\u00e1tica do di\u00e1logo como experi\u00eancia de confronto e, ao mesmo tempo, de caminho de enriquecimento conjunto, gra\u00e7as \u00e0 diversidade que brota da raz\u00e3o (pensar) e do cora\u00e7\u00e3o (sentir). A individualidade, dinamicamente acolhida e respeitada, gera a riqueza comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia da cabe\u00e7a que vincula todos os membros entre si, nos acena para a necessidade de um crit\u00e9rio absoluto de refer\u00eancia, de confronto, de obedi\u00eancia e submiss\u00e3o. Sem isso cada um se imp\u00f5e a seu modo. Por isso, n\u00e3o h\u00e1 comunh\u00e3o sem o reconhecimento da hierarquia, da absoluta autoridade de Cristo e obedi\u00eancia aos seus aut\u00eanticos representantes. Afirma o ap\u00f3stolo: \u201cvivendo amor aut\u00eantico, cresceremos sob todos os aspectos em dire\u00e7\u00e3o a Cristo, que \u00e9 a Cabe\u00e7a. Ele organiza e d\u00e1 coes\u00e3o ao corpo inteiro, atrav\u00e9s de uma rede de articula\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o os membros, cada um com sua atividade pr\u00f3pria, para que o corpo cres\u00e7a e construa a si pr\u00f3prio no amor\u201d (Ef 4,14-16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A autenticidade dos \u201ccarismas\u201d depende da obedi\u00eancia ao dinamismo do Esp\u00edrito para fortalecer a miss\u00e3o da Igreja. Ningu\u00e9m deve em nome do Esp\u00edrito Santo apelar para os pr\u00f3prios carismas rompendo com a comunh\u00e3o eclesial, porque os dons s\u00e3o para a unidade e riqueza da Igreja (cf. 1Cor 12,11). Se Deus \u00e9 a fonte dos Dons, o uso dos mesmos deve ser disciplinado e unicamente voltado para o Bem da comunidade eclesial. \u201cDeus que realiza tudo em todos\u201d (cf. 1Cor 12,4.11). Por isso, o modo como cada um manifesta o dom que recebeu deve sempre ser orientado pela Caridade e estar submisso \u00e0 comunh\u00e3o eclesial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem do corpo com a riqueza de membros unidos \u00e0 cabe\u00e7a, nos fala da necessidade do cultivo da coes\u00e3o, da promo\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de interdepend\u00eancia, da experi\u00eancia da solidariedade e do envolvimento de todos em tudo. Esse \u00edcone tamb\u00e9m nos convida \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da corresponsabilidade, a crescermos no sentido de perten\u00e7a eclesial, a refor\u00e7ar v\u00ednculos, a fomentar a partilha fraterna, \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o pastoral, a reconhecer o fato de que na Igreja deve haver participa\u00e7\u00e3o, ordem, harmonia e hierarquia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, a imagem do corpo eclesial nos convida a combater o t\u00e1cito mal do isolamento pastoral, da indiferen\u00e7a \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es do magist\u00e9rio da Igreja, bem como, segundo as conveni\u00eancias, o esp\u00edrito democr\u00e1tico orientado para justificar a pr\u00f3pria vontade de quem quer fazer o que deseja. Isso \u00e9 uma chaga no concreto da vida pastoral da Igreja em muitos contextos e n\u00edveis. A teologia do corpo tem muitas li\u00e7\u00f5es e, por isso, nos estimula continuamente a pensar na nossa identidade de Igreja una, \u00edntegra, integrada e sinodal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PARA A REFLEX\u00c3O PESSOAL:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Por que a comunh\u00e3o pressup\u00f5e a diversidade?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">O que representa a cabe\u00e7a no Corpo Eclesial e por qu\u00ea?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">O que ofende a teologia do corpo eclesial?<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Antonio de Assis Ribeiro Bispo auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA) &nbsp; Continuando a catequese sobre a Comunh\u00e3o Eclesial, reflitamos sobre uma das mais significativas met\u00e1foras usadas por S\u00e3o Paulo, aquela em que ele compara a Igreja como um corpo. 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