{"id":31735,"date":"2018-09-11T00:00:00","date_gmt":"2018-09-11T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/educar-para-a-tolerancia\/"},"modified":"2018-09-11T00:00:00","modified_gmt":"2018-09-11T03:00:00","slug":"educar-para-a-tolerancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/educar-para-a-tolerancia\/","title":{"rendered":"Educar para a toler\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\">Dom Adelar Baruffi<br \/>\nBispo de Cruz Alta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Larguemos as pedras que temos nas m\u00e3os. A cena b\u00edblica da mulher ad\u00faltera (Jo 8, 1-11), que encontra acolhida e miseric\u00f3rdia em Jesus Cristo, pode nos ajudar a compreender a necessidade da toler\u00e2ncia. Aqueles homens raivosos, com pedras prontas para atingir a mulher, ao serem colocados por Jesus diante de suas consci\u00eancias, tornaram-se humildes e tolerantes. As pedras caem de suas m\u00e3os. Como eles, compreendemos que n\u00e3o temos direito, n\u00e3o podemos, n\u00e3o nos \u00e9 permitido universalizar nossas convic\u00e7\u00f5es e querer destruir com viol\u00eancia o outro. A intoler\u00e2ncia est\u00e1 presente em todas as classes sociais e ideologias. Exatamente no ano em que refletimos o caminho da \u201csupera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia\u201d (CF 2018), vemos crescer o alerta lan\u00e7ado pela 56\u00ba Assembleia da CNBB, deste ano: \u201cOs discursos e atos de intoler\u00e2ncia, de \u00f3dio e de viol\u00eancia, tanto nas redes sociais como em manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, revelam uma polariza\u00e7\u00e3o e uma radicaliza\u00e7\u00e3o que produzem posturas antidemocr\u00e1ticas, fechadas a toda possibilidade de di\u00e1logo e concilia\u00e7\u00e3o\u201d (<em>Elei\u00e7\u00f5es 2018: compromisso e esperan\u00e7a<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As rela\u00e7\u00f5es humanas s\u00e3o, a princ\u00edpio, conflituosas, pois haver\u00e1 sempre uma diverg\u00eancia entre nossa vis\u00e3o de mundo e a dos outros. Por\u00e9m, o desejo de se sobrepor ao outro marcou a humanidade deste o princ\u00edpio, com o fratric\u00eddio de Caim e Abel (cf. Gn 4). Podemos escolher olhar o \u201coutro\u201d como o inferno (Sartre) ou acolher o \u201crosto do outro\u201d como princ\u00edpio da alteridade e apelo \u00e9tico ao respeito \u00e0 sacralidade da vida (Emmanuel L\u00e9vinas). Na antropologia crist\u00e3, o outro \u00e9 sempre um irm\u00e3o ou irm\u00e3 em Cristo. Como criatura de Deus, traz consigo a dignidade de ser imagem de Deus. \u00c9 uma pessoa.\u00a0 Portanto, uma atitude fundamental \u00e9 a acolhida e o respeito para construirmos juntos \u201ca civiliza\u00e7\u00e3o do amor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nosso Papa Francisco nos ensina que o desejo de constru\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o n\u00e3o significa a uniformidade, com o supress\u00e3o dos conflitos, mas \u201cum \u00e2mbito vital onde os conflitos, as tens\u00f5es e os opostos podem alcan\u00e7ar uma unidade multifacetada que gera nova vida\u201d (EG 228). A toler\u00e2ncia tamb\u00e9m n\u00e3o significa um sincretismo, com a perca da identidade e dos valores, onde tudo \u00e9 relativo, mas o reconhecimento que o outro tem valores que talvez n\u00e3o compartilho, mas para ele s\u00e3o importantes. Uma pergunta que podemos nos fazer, diante de outra teoria, de outra religi\u00e3o, de outra ideologia ou de outra antropologia: por que estes valores s\u00e3o significativos para eles?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O di\u00e1logo sereno, o respeito e a toler\u00e2ncia precisam ser cultivados. A educa\u00e7\u00e3o familiar precisa ser clara e ajudar na forma\u00e7\u00e3o da identidade, por\u00e9m, nunca intolerante ou agressiva com quem pensa e vive diferente. A educa\u00e7\u00e3o atingir\u00e1 sempre o cora\u00e7\u00e3o, pois o pr\u00f3prio Jesus disse que \u201c\u00e9 do interior, \u00e9 do cora\u00e7\u00e3o do homem que saem as m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es, desregramentos, furtos, homic\u00eddios, adult\u00e9rios, cupidez, perversidades, ast\u00facias, inveja, inj\u00farias, vaidade, insensatez\u201d (Mc 7,20-22). Ele pr\u00f3prio se apresenta como modelo de mansid\u00e3o: \u201caprendei de mim, que sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o\u201d (Mt 11,29). Com cora\u00e7\u00f5es pacificados e reconciliados \u00e9 poss\u00edvel o di\u00e1logo sempre. A viol\u00eancia, que pode se manifestar de tantas formas, nunca ser\u00e1 um caminho para uma humanidade feliz, ela precisa ser superada. Mais uma vez recordo as palavras de Francisco, que insiste numa \u201ccultura do encontro\u201d: \u201cA diversidade \u00e9 bela, quando aceita entrar constantemente num processo de reconcilia\u00e7\u00e3o at\u00e9 selar uma esp\u00e9cie de pacto cultural que fa\u00e7a surgir uma diversidade reconciliada\u201d (EG 230). Abandonemos os caminhos da intoler\u00e2ncia, larguemos as pedras que temos nas m\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Adelar Baruffi Bispo de Cruz Alta \u00a0 Larguemos as pedras que temos nas m\u00e3os. A cena b\u00edblica da mulher ad\u00faltera (Jo 8, 1-11), que encontra acolhida e miseric\u00f3rdia em Jesus Cristo, pode nos ajudar a compreender a necessidade da toler\u00e2ncia. 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