{"id":31764,"date":"2018-09-13T00:00:00","date_gmt":"2018-09-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/as-normas-da-casa\/"},"modified":"2018-09-13T00:00:00","modified_gmt":"2018-09-13T03:00:00","slug":"as-normas-da-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/as-normas-da-casa\/","title":{"rendered":"As normas da casa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><b>Dom Jaime Spengler<br \/>\nArcebispo de Porto Alegre<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A economia \u00e9 a ci\u00eancia que estuda os fen\u00f4menos relacionados com a obten\u00e7\u00e3o e a utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos materiais necess\u00e1rios ao bem estar da coletividade. Ela est\u00e1 a servi\u00e7o do ser humano, de modo que contribua para o princ\u00edpio da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens.<\/p>\n<p>\u201cO bem estar econ\u00f4mico de um Pa\u00eds n\u00e3o se mede exclusivamente pela quantidade de bens produzidos, mas tamb\u00e9m levando em conta o modo como s\u00e3o produzidos e o grau de equidade na distribui\u00e7\u00e3o das rendas, que a todos deveria consentir ter \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o o que \u00e9 necess\u00e1rio para o desenvolvimento e o aperfei\u00e7oamento da pr\u00f3pria pessoa. Uma distribui\u00e7\u00e3o equitativa da renda deve ser buscada com base em crit\u00e9rios n\u00e3o s\u00f3 de justi\u00e7a comutativa, mas tamb\u00e9m de justi\u00e7a social, ou seja, considerando, al\u00e9m do valor objetivo das presta\u00e7\u00f5es de trabalho, a dignidade humana dos sujeitos que as realizam. Um bem estar econ\u00f4mico aut\u00eantico se persegue tamb\u00e9m atrav\u00e9s de adequadas pol\u00edticas sociais de redistribui\u00e7\u00e3o da renda que, tendo em conta as condi\u00e7\u00f5es gerais, considerem oportunamente os m\u00e9ritos e as necessidades de cada cidad\u00e3o\u201d (CDSI, 303).<\/p>\n<p>Tendo presente a tarefa caracter\u00edstica da economia e o significado do bem estar econ\u00f4mico de uma na\u00e7\u00e3o, constata-se que os princ\u00edpios da ci\u00eancia econ\u00f4mica e a sua aplica\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-pol\u00edtica v\u00eam desconsiderando a dignidade da vida humana e a import\u00e2ncia da vida comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A economia n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia aut\u00f4noma. Seu modo de proceder n\u00e3o pode ser estranho ou permanecer imperme\u00e1vel, a uma \u00e9tica fundada na liberdade, na verdade, na justi\u00e7a e na solidariedade.<\/p>\n<p>Essa ci\u00eancia, como tamb\u00e9m sua aplica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode pretender sem mais seguir o princ\u00edpio que afirma que a demanda impulsiona a oferta. Urge considerar o princ\u00edpio do bem comum! A economia, em di\u00e1logo com a atividade pol\u00edtica, alcan\u00e7a sua aut\u00eantica identidade se decididamente se empenha em cuidar, conservar e promover a vida nas suas diversas manifesta\u00e7\u00f5es e, de modo particular, a vida humana.<\/p>\n<p>A \u00e9tica ilumina e orienta a economia e sua aplicabilidade. Por isso, h\u00e1 necessidade de empenhar os maiores esfor\u00e7os para construir uma regula\u00e7\u00e3o do mercado. Somente assim ser\u00e1 poss\u00edvel promover o bem comum, como caminho irrenunci\u00e1vel para uma justa distribui\u00e7\u00e3o das riquezas e a elimina\u00e7\u00e3o das desigualdades t\u00e3o evidentes aos olhos de todos.<\/p>\n<p>O mercado n\u00e3o pode compreender o ser humano como simples consumidor de bens. O ser humano, por sua vez, n\u00e3o pode se deixar orientar por uma vis\u00e3o individualista. N\u00e3o se pode esquecer a \u00edndole relacional e racional da pessoa humana. Desse modo, pode-se perceber que ela busca um ganho e um bem-estar que levem em considera\u00e7\u00e3o sua integralidade, que n\u00e3o podem ser reduz\u00edveis a uma mera l\u00f3gica de consumo.<\/p>\n<p>Diante das desigualdades econ\u00f4micas que marcam a vida das na\u00e7\u00f5es e dos povos, diante da constata\u00e7\u00e3o de que a mis\u00e9ria continua crescendo no Brasil \u2013 mas n\u00e3o s\u00f3! \u2013 \u00e9 urgente reconhecer a necessidade de estrat\u00e9gias econ\u00f4micas, eticamente v\u00e1lidas, que busquem a qualidade global da vida.<\/p>\n<p>Nenhum ganho \u00e9 realmente leg\u00edtimo quando diminui o horizonte da promo\u00e7\u00e3o integral da pessoa humana, da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens e da op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres (cf. Oeconomicae pecuniariae quaestiones. Documento do Dicast\u00e9rio para a Promo\u00e7\u00e3o do Desenvolvimento Humano Integral e Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jaime Spengler Arcebispo de Porto Alegre &nbsp; A economia \u00e9 a ci\u00eancia que estuda os fen\u00f4menos relacionados com a obten\u00e7\u00e3o e a utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos materiais necess\u00e1rios ao bem estar da coletividade. 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