{"id":32358,"date":"2018-11-02T00:00:00","date_gmt":"2018-11-02T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pronunciar-uma-prece-pelos-falecidos-torna-se-expressao-de-fe-e-de-uniao-em-cristo-afirma-dom-armando\/"},"modified":"2018-11-02T00:00:00","modified_gmt":"2018-11-02T03:00:00","slug":"pronunciar-uma-prece-pelos-falecidos-torna-se-expressao-de-fe-e-de-uniao-em-cristo-afirma-dom-armando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pronunciar-uma-prece-pelos-falecidos-torna-se-expressao-de-fe-e-de-uniao-em-cristo-afirma-dom-armando\/","title":{"rendered":"&#8220;Pronunciar uma prece pelos falecidos torna-se express\u00e3o de f\u00e9 e de uni\u00e3o em Cristo&#8221;, afirma dom Armando"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A Igreja, desde os primeiros tempos, vem cultivando com grande piedade a mem\u00f3ria dos defuntos e oferecendo por eles seus sufr\u00e1gios. Especialmente no dia 2 de novembro, Dia de Finados, o portal da CNBB realizou uma entrevista exclusiva com o presidente da Comiss\u00e3o para a Liturgia, dom Armando Bucciol. Ele enfatizou que a ocasi\u00e3o \u00e9 prop\u00edcia para um dia de ora\u00e7\u00e3o, de homenagem crist\u00e3 aos entes queridos falecidos, e tamb\u00e9m, um dia de reflex\u00e3o sobre o mist\u00e9rio da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Confira, abaixo, a entrevista na \u00edntegra:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O dia de Finados deve ser um dia de ora\u00e7\u00e3o, de homenagem crist\u00e3 aos nossos antes queridos falecidos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>O culto aos mortos, desde a antiguidade, faz parte de uma longa tradi\u00e7\u00e3o junto aos povos. Caldeus e eg\u00edpcios, gregos e romanos \u2013 o ambiente onde o cristianismo moveu seus primeiros passos \u2013 j\u00e1 celebravam com especiais liturgias esse culto. Os hebreus, como documenta o II livro dos Macabeus (12,43-46), na metade do segundo s\u00e9culo antes de Cristo, tamb\u00e9m acreditavam na possibilidade que as culpas dos mortos pudessem ser purificadas pelas ora\u00e7\u00f5es dos vivos. Portanto, as ra\u00edzes do que n\u00f3s hoje fazemos t\u00eam longa hist\u00f3ria, religiosa e cultural. O cristianismo, aos poucos, acolheu essas tradi\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m se dentro de uma vis\u00e3o diferente. Ao longo dos s\u00e9culos, mudaram as express\u00f5es exteriores e as datas dessa comemora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria dos falecidos, mas guardando os antigos costumes e, a Igreja sempre procurou iluminar o mist\u00e9rio da morte com a luz da f\u00e9 em Cristo vencedor da morte. Temos documentos certos que, ao longo do II s\u00e9culo depois de Cristo, na Igreja existe o costume de orar pelos falecidos, e interceder por eles, sobretudo por meio da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia. Neste per\u00edodo, em Roma j\u00e1 existe o cortejo dos defuntos at\u00e9 ao cemit\u00e9rio, criando um forte impacto na cultura romana, ao ponto que o imperador Juliano (o ap\u00f3stata) o proibiu.\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_192206\" aria-describedby=\"caption-attachment-192206\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-192206\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/D.-Armando-2-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-192206\" class=\"wp-caption-text\">Dom Armando Bucciol, presidente da Comiss\u00e3o para a Liturgia da CNBB<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Este dia \u00e9 tamb\u00e9m de reflex\u00e3o sobre o mist\u00e9rio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Com certeza, o que caracteriza este dia na vis\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 a reflex\u00e3o sobre o mist\u00e9rio pascal de Cristo. A Constitui\u00e7\u00e3o Sacrosanctum Concilium (1963) escrevia: \u201cO rito das Ex\u00e9quias deve expressar mais claramente o sentido pascal da morte Crist\u00e3, e corresponder melhor \u00e0s condi\u00e7\u00f5es e tradi\u00e7\u00f5es de cada regi\u00e3o\u201d (SC 81). Toda a reforma lit\u00fargica encontra seu eixo unificador no mist\u00e9rio pascal de Cristo, isto \u00e9, em sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. A luz da vit\u00f3ria de Jesus sobre a morte \u00e9 a grande mensagem que a Igreja repete. Por isso, neste dia em que \u2018comemoramos os fi\u00e9is defuntos\u2019 numa \u00fanica celebra\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso que resplande\u00e7a, nas mentes e cora\u00e7\u00f5es dos fi\u00e9is, o que afirma a ora\u00e7\u00e3o depois da comunh\u00e3o: \u201cAlimentados pelo Corpo e Sangue do vosso Filho, que por n\u00f3s morrei e ressuscitou, n\u00f3s vos pedimos, \u00f3 Deus, em favor dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s falecidos a fim de que, purificados pelos mist\u00e9rios pascais, se alegrem com a futura ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>Neste dia, em espec\u00edfico, muitas pessoas ofertam flores, velas e fazem visitas aos cemit\u00e9rios. Essas atitudes s\u00e3o corretas? Qual seria o melhor presente que se pode oferecer aos falecidos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Oferecer uma flor \u00e9 gesto delicado e repleto de simbolismo; quero dizer para algu\u00e9m: \u201cEu amo voc\u00ea; voc\u00ea \u00e9 importante para mim\u201d. Isso entre vivos. Depositar uma flor no t\u00famulo de um ente querido que nos deixou, expressa esse sentimento que a morte n\u00e3o apagou. Acender uma vela, tamb\u00e9m, pode manifestar o que as palavras n\u00e3o conseguem: \u201cVoc\u00ea foi luz na minha vida, luz que a morte n\u00e3o apagou\u201d, ou, como afirma a liturgia (ant\u00edfona da entrada): \u201cBrilhe para eles a vossa luz\u2019. Os gestos que a gente faz s\u00e3o repletos do sentido que cada um d\u00e1; o que mais vale \u00e9 viv\u00ea-los \u2018de dentro\u2019 do nosso ser, e deixar os sentimentos flu\u00edrem com sinceridade e plena humanidade. Ent\u00e3o, a visita ao cemit\u00e9rio se torna preciosa oportunidade para manter viva uma presen\u00e7a, cultuar a mem\u00f3ria, alimentar a f\u00e9 na vida que n\u00e3o morre. Pronunciar do mais \u00edntimo do nosso cora\u00e7\u00e3o uma prece pelos nossos falecidos torna-se express\u00e3o de f\u00e9 e de uni\u00e3o em Cristo, naquela \u2018comunh\u00e3o dos Santos\u2019 que professamos no Creio; isto \u00e9, a \u00edntima e profunda comunh\u00e3o que une, em Deus, todos os que nele depositam sua esperan\u00e7a. Ent\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 os falecidos recebem o nosso \u2018presente\u2019; eles nos presenteiam com sua presen\u00e7a, e nos estimulam a uma vida mais aut\u00eantica e repleta de amor e f\u00e9.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialmente no dia 2 de novembro, Dia de Finados, o portal da CNBB realizou uma entrevista exclusiva com o presidente da Comiss\u00e3o para a Liturgia, dom Armando Bucciol. 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