{"id":32364,"date":"2018-11-01T00:00:00","date_gmt":"2018-11-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-dia-de-finados-faz-pensar-na-vida\/"},"modified":"2018-11-01T00:00:00","modified_gmt":"2018-11-01T03:00:00","slug":"o-dia-de-finados-faz-pensar-na-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-dia-de-finados-faz-pensar-na-vida\/","title":{"rendered":"O dia de finados faz pensar na vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Leomar Brustolin<br \/>\nBispo Auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre (RS)<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00f3s humanos temos uma \u00fanica certeza sobre o futuro: sabemos que iremos morrer. O tema da morte, entretanto, \u00e9 indesejado e at\u00e9 camuflado num tempo de avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e intelig\u00eancia artificial que tendem a prolongar os nossos dias na Terra. Refletimos um pouco sobre o findar quando chega o m\u00eas de novembro, quando no dia 2, fazemos um feriado em mem\u00f3ria daqueles que partiram desta vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mesmo com a perspectiva de vida longeva ou mesmo diante da distra\u00e7\u00e3o do tempo que passa com os muitos atrativos para \u201cviver\u201d bem o aqui e o agora, paira uma pergunta no ser humano: por que viver, se vamos findar? Mais: por que alguns perdem o sentido da vida e desistem de viver? Enfim, acabamos constando, conscientes ou n\u00e3o, de que se reprimirmos a morte de nosso horizonte, teremos uma compreens\u00e3o reduzida da vida. Pois esta tende a findar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Epicuro sugere a separa\u00e7\u00e3o radical entre vida e morte, propondo levar uma vida sem morte, uma vez que ela n\u00e3o faz parte do viver, \u00e9 de outra ordem. Na verdade, com essa separa\u00e7\u00e3o apenas se consegue a sensa\u00e7\u00e3o de vida sem consci\u00eancia da morte, reprimindo-a.\u00a0No per\u00edodo medieval, as pessoas queriam morrer preparadas, conscientes do findar e n\u00e3o desejando, por isso, a morte s\u00fabita. De forma contr\u00e1ria, hoje se pretende uma morte sem dor e imediata. Cada vez mais os funerais t\u00eam tempo abreviado, os sentimentos nem sempre s\u00e3o externados e o luto, n\u00e3o raras vezes, camuflado nessa sociedade do desempenho, na qual as metas e a correria do cotidiano dissipam a capacidade de espreitar a vida que tende a morrer. Por isso que quem vive correndo, quando se depara com uma doen\u00e7a grave e terminal, dificilmente compreende um sentido para essa exist\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 marcada por sa\u00fade, beleza e dias de festa. H\u00e1 tamb\u00e9m o envelhecer, adoecer e o morrer. E isso n\u00e3o precisa ser uma dor a ser cultivada no jardim do cotidiano, tampouco se pode procurar um anest\u00e9sico que arremeta a exist\u00eancia para os voos da banaliza\u00e7\u00e3o da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No feriado de 2 de novembro dever\u00edamos refletir sobre a nossa capacidade de recuperar a mem\u00f3ria daqueles que fizeram parte de nossa hist\u00f3ria. Igualmente deveria fazer-nos compreender que n\u00e3o somos seres isolados, pois fomos cuidados, acompanhados e amados por pessoas, e algumas delas j\u00e1 partiram. Ela leva para a eternidade algo de n\u00f3s. Finalmente, esse feriado deveria provocar em n\u00f3s a capacidade de ver que nossa vida tamb\u00e9m passar\u00e1. Como o dia termina com o belo p\u00f4r do sol, como um livro tem o ep\u00edlogo e a novela tem seu \u00faltimo cap\u00edtulo, nossa vida tende a um final que n\u00e3o significa o fim da exist\u00eancia. Afinal, morremos sempre. Morre o idoso, farto de dias, e morre tamb\u00e9m o jovem, sedento de vida. Cabe a cada um dar uma resposta a esta experi\u00eancia que todos passaremos, mesmo que sobre ela n\u00e3o pensemos. Vale, para concluir, recordar a experi\u00eancia de Santa Teresinha do Menino Jesus, monja carmelita francesa que ap\u00f3s uma intensa enfermidade, viu se aproximar a morte e escreveu: \u201cn\u00e3o morro, entro na vida\u201d!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Brustolin Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre (RS)\u00a0 N\u00f3s humanos temos uma \u00fanica certeza sobre o futuro: sabemos que iremos morrer. O tema da morte, entretanto, \u00e9 indesejado e at\u00e9 camuflado num tempo de avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e intelig\u00eancia artificial que tendem a prolongar os nossos dias na Terra. 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