{"id":32384,"date":"2018-11-01T00:00:00","date_gmt":"2018-11-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/finados-3\/"},"modified":"2018-11-01T00:00:00","modified_gmt":"2018-11-01T03:00:00","slug":"finados-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/finados-3\/","title":{"rendered":"Finados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Rodolfo Lu\u00eds Weber<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Passo Fundo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">O dia de Finados n\u00e3o passa despercebido por trazer em pauta o tema da morte, tamb\u00e9m o tema da eternidade. S\u00e3o muitas as compreens\u00f5es de morte: porque se morre? Como se deve conviver com ela? Como se portar diante dela? Ela tem algum sentido? Existe vida ap\u00f3s? Enfim, perguntas n\u00e3o faltam. Ela \u201cmexe\u201d com quem encontrou respostas e com aqueles que a veem simplesmente um absurdo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Finados estimula a fazer mem\u00f3ria e a recorda\u00e7\u00e3o dos falecidos. Mas quem provoca mesmo s\u00e3o as pessoas que foram pr\u00f3ximas e bem conhecidas. Entre os inumer\u00e1veis falecidos da hist\u00f3ria da humanidade, somente alguns vem \u00e0 nossa mem\u00f3ria. Num cemit\u00e9rio grande se passa apressadamente diante de centenas de t\u00famulos e se vai ao encontro daquele que nos levou l\u00e1. O falecido tem nome, tem hist\u00f3ria, tem afeto com o visitante. N\u00e3o \u00e9 um an\u00f4nimo e n\u00e3o se quer que se torne an\u00f4nimo. Grava-se o nome n\u00e3o s\u00f3 para identificar a sepultura. Enfeita-se o t\u00famulo de forma personalizada porque o falecido foi diferente de todos os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A morte n\u00e3o rompeu a comunh\u00e3o do falecido com o vivo. Sim, a forma da rela\u00e7\u00e3o mudou radicalmente, mas n\u00e3o foi impedida e nem interrompida. O que se passa em cada pessoa quando se aproxima da sepultura tamb\u00e9m \u00e9 \u00fanico. Pequenos fatos, gestos, palavras t\u00eam um valor existencial incalcul\u00e1vel.\u00a0 Para quem olha de fora, certamente, grande parte daquelas recorda\u00e7\u00f5es s\u00e3o sem significado. A forte dor inicial da ruptura vai se transformando em saudade, num imenso desejo de se reencontrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A visita ao cemit\u00e9rio faz lembrar que no fundo todos somos iguais. A apar\u00eancia das sepulturas revela a diferen\u00e7a, o que est\u00e1 dentro cont\u00e9m a igualdade. Se durante a vida vivemos em classes sociais, diferentes profiss\u00f5es, desigualdade de oportunidade etc no morrer nos igualamos. A morte grita por uma maior igualdade entre os vivos, por maior humildade e ocupa\u00e7\u00e3o com as coisas essenciais. Como diz o livro de J\u00f3 1,21: \u201cNu, sa\u00ed do ventre de minha m\u00e3e e nu, voltarei para l\u00e1\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A morte nos ensina a fazer o bem e levar a vida a s\u00e9rio. Ela estimula e provoca a viver bem. O que permanece de eterno no mundo e que merece ser lembrado pelos vivos \u00e9 o bem feito. Tempos, situa\u00e7\u00f5es e oportunidades a vida proporciona constantemente para eternizar os vivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Finados remete \u00e0 virtude teologal da esperan\u00e7a. A f\u00e9 dos crist\u00e3os professa a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos. Aqueles que em Jesus Cristo viveram e morreram, Nele ressuscitar\u00e3o. A certeza da morte entristece, mas a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o abre para a esperan\u00e7a da vida eterna, da imortalidade, de contemplar Deus face a face.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O dia de Finados foi estabelecido pela Igreja para n\u00e3o deixar no esquecimento os falecidos. Eles tamb\u00e9m s\u00e3o rapidamente esquecidos, t\u00e3o brevemente lembrados quanto \u00e9 breve a vida neste mundo de cada ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pedimos a Deus pelos falecidos tr\u00eas coisas: o descanso, a luz e a paz. Descanso \u00e9 o pr\u00eamio para quem trabalhou. O reino da luz \u00e9 o C\u00e9u. E a paz \u00e9 a recompensa para quem ajudou a construir um mundo melhor. Que nossos falecidos descansem em paz e a luz perp\u00e9tua brilhe para eles. Am\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Rodolfo Lu\u00eds Weber Arcebispo de Passo Fundo O dia de Finados n\u00e3o passa despercebido por trazer em pauta o tema da morte, tamb\u00e9m o tema da eternidade. S\u00e3o muitas as compreens\u00f5es de morte: porque se morre? Como se deve conviver com ela? Como se portar diante dela? Ela tem algum sentido? 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