{"id":32419,"date":"2018-11-06T00:00:00","date_gmt":"2018-11-06T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pelagianismo-e-gnosticismo\/"},"modified":"2018-11-06T00:00:00","modified_gmt":"2018-11-06T02:00:00","slug":"pelagianismo-e-gnosticismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pelagianismo-e-gnosticismo\/","title":{"rendered":"Pelagianismo e gnosticismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Alo\u00edsio A. Dilli<br \/>\n<\/strong><strong>Bispo de Santa Cruz do Sul<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estimados diocesanos. A hist\u00f3ria da Igreja acontece dentro do mundo, onde \u00e9 sinal de salva\u00e7\u00e3o, manifestando-se santa e pecadora. Ela \u00e9 assistida pelo Esp\u00edrito Santo, mas \u00e9 tamb\u00e9m formada por pessoas humanas limitadas. Assim, a Igreja j\u00e1 passou por momentos dif\u00edceis na sua hist\u00f3ria, mas assistida pelo Esp\u00edrito Santo, sempre buscou e busca os caminhos da vontade divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos primeiros s\u00e9culos do cristianismo, junto \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es e o surpreendente crescimento da f\u00e9 crist\u00e3, houve tamb\u00e9m o cr\u00edtico per\u00edodo das heresias, que exigiram defini\u00e7\u00f5es mais claras das principais verdades de nossa f\u00e9. Duas destas heresias se destacaram: <em>gnosticismo<\/em> (s\u00e9c. I-II) e <em>pelagianismo<\/em> (s\u00e9c. V). Com as transforma\u00e7\u00f5es culturais nos diversos povos, as tend\u00eancias <em>gn\u00f3sticas<\/em> e <em>pelagianas<\/em>, mesmo com novas roupagens, se manifestam em outras \u00e9pocas da hist\u00f3ria. Por diversas vezes, o Papa Francisco j\u00e1 fez acenos a estas tend\u00eancias e a Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, com aprova\u00e7\u00e3o papal, emitiu recente carta oficial sobre o tema, com o T\u00edtulo: \u201c<em>Placuit Deo<\/em>\u201d (= <em>Aprouve a Deus<\/em> &#8211; 22\/02\/2018). Este tamb\u00e9m ser\u00e1 o teor de nossa mensagem de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo o citado documento, as transforma\u00e7\u00f5es culturais do mundo atual tendem para um individualismo centrado no sujeito aut\u00f4nomo, cuja realiza\u00e7\u00e3o depende somente das suas for\u00e7as (<em>pelagianismo<\/em>): \u201c<em>Nesta vis\u00e3o, a figura de Cristo corresponde mais a um modelo que inspira a\u00e7\u00f5es generosas, mediante suas palavras e seus gestos, do que Aquele que transforma a condi\u00e7\u00e3o humana<\/em>\u201d (n. 2). Por outro lado (<em>gnosticismo<\/em>), difunde-se a vis\u00e3o de uma salva\u00e7\u00e3o meramente interior, talvez de intensa uni\u00e3o com Deus, \u201c<em>mas sem assumir, curar e renovar as nossas rela\u00e7\u00f5es com os outros e com o mundo criado<\/em>\u201d (n. 2). Assim torna-se dif\u00edcil compreender o significado da encarna\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, assumindo nossa vida, nossa hist\u00f3ria para nossa salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pelo <em>neopelagianismo<\/em> a pessoa humana, radicalmente aut\u00f4noma, pretende salvar a si mesma, sem reconhecer que depende de Deus e dos outros. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 confiada \u00e0s for\u00e7as do pr\u00f3prio indiv\u00edduo ou a estruturas humanas, sem acolher a gra\u00e7a do Esp\u00edrito de Deus. Ao mesmo tempo emerge um <em>neognosticismo<\/em> que apresenta uma salva\u00e7\u00e3o meramente interior, fechada no subjetivismo e pretende elevar-se com o intelecto para al\u00e9m da carne de Jesus, rumo aos mist\u00e9rios da divindade. Por isso, o documento tem como objetivo principal: reafirmar que a salva\u00e7\u00e3o consiste na nossa uni\u00e3o com Cristo, que, com sua encarna\u00e7\u00e3o (vida, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o), gerou uma nova ordem de rela\u00e7\u00f5es com o Pai (somos filhos) e entre os seres humanos (somos irm\u00e3os). A salva\u00e7\u00e3o consiste em incorporar-se nesta vida de Cristo, recebendo o seu Esp\u00edrito. O lugar onde recebemos a salva\u00e7\u00e3o trazida por Jesus \u00e9 a Igreja: sacramento universal de salva\u00e7\u00e3o (LG 48).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Concluindo, lemos a s\u00edntese do pr\u00f3prio documento: \u201c<em>A salva\u00e7\u00e3o que Deus nos oferece n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ada apenas pelas for\u00e7as individuais, como gostaria o neopelagianismo, mas atrav\u00e9s das rela\u00e7\u00f5es nascidas do Filho de Deus encarnado e que formam a comunh\u00e3o da Igreja. Al\u00e9m disso, uma vez que a gra\u00e7a que Cristo nos oferece n\u00e3o \u00e9, como afirma a vis\u00e3o neogn\u00f3stica, uma salva\u00e7\u00e3o meramente interior, mas que nos introduz nas rela\u00e7\u00f5es concretas que Ele mesmo viveu; a Igreja \u00e9 uma comunidade vis\u00edvel: nela tocamos a carne de Jesus, de maneira singular nos irm\u00e3os mais pobres e sofredores&#8230; A salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o consiste na autorealiza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo isolado, e muito menos na sua fus\u00e3o interior com o divino, mas na incorpora\u00e7\u00e3o em uma comunh\u00e3o de pessoas, que participa na comunh\u00e3o da Trindade<\/em>\u201d (n. 12).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio A. Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul Estimados diocesanos. A hist\u00f3ria da Igreja acontece dentro do mundo, onde \u00e9 sinal de salva\u00e7\u00e3o, manifestando-se santa e pecadora. 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