{"id":32591,"date":"2018-11-16T00:00:00","date_gmt":"2018-11-16T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/leia-a-integra-da-mensagem-do-papa-para-o-ii-dia-mundial-dos-pobres-celebrado-no-mundo-inteiro\/"},"modified":"2018-11-16T00:00:00","modified_gmt":"2018-11-16T02:00:00","slug":"leia-a-integra-da-mensagem-do-papa-para-o-ii-dia-mundial-dos-pobres-celebrado-no-mundo-inteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/leia-a-integra-da-mensagem-do-papa-para-o-ii-dia-mundial-dos-pobres-celebrado-no-mundo-inteiro\/","title":{"rendered":"Leia a Mensagem do Papa para o II Dia Mundial dos Pobres celebrado no mundo inteiro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\" align=\"center\"><span style=\"color: #000000\"><i><b><span style=\"font-size: large\">MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO<br \/>\nPARA O II DIA MUNDIAL DOS POBRES<\/span><\/b><\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\" align=\"center\"><span style=\"color: #000000\">XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM<br \/>\n(18 DE NOVEMBRO DE 2018)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\" align=\"center\"><span style=\"color: #000000\"><b><i><span style=\"font-size: large\">\u00abEste pobre clama e o Senhor o escuta\u00bb<\/span><\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1. \u00abEste pobre clama e o Senhor o escuta\u00bb (<i>Sal<\/i>\u00a034, 7). Fa\u00e7amos tamb\u00e9m nossas estas palavras do Salmista, quando nos vemos confrontados com as mais variadas condi\u00e7\u00f5es de sofrimento e marginaliza\u00e7\u00e3o em que vivem tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s, que nos habituamos a designar com o termo gen\u00e9rico de \u00abpobres\u00bb. O autor de tais palavras n\u00e3o \u00e9 alheio a esta condi\u00e7\u00e3o; antes pelo contr\u00e1rio, experimenta diretamente a pobreza e, todavia, transforma-a num c\u00e2ntico de louvor e agradecimento ao Senhor. Hoje, este Salmo permite-nos tamb\u00e9m a n\u00f3s, rodeados por tantas formas de pobreza, compreender quem s\u00e3o os verdadeiros pobres para os quais somos chamados a dirigir o olhar a fim de escutar o seu clamor e reconhecer as suas necessidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nele se diz, antes de mais nada, que o Senhor escuta os pobres que clamam por Ele e \u00e9 bom para quantos, de cora\u00e7\u00e3o dilacerado pela tristeza, a solid\u00e3o e a exclus\u00e3o, n\u2019Ele procuram ref\u00fagio. Escuta todos os que s\u00e3o espezinhados na sua dignidade e, apesar disso, t\u00eam a for\u00e7a de levantar o olhar para o Alto a fim de receber luz e conforto. Escuta os que se veem perseguidos em nome duma falsa justi\u00e7a, oprimidos por pol\u00edticas indignas deste nome e intimidados pela viol\u00eancia; e contudo sabem que t\u00eam em Deus o seu Salvador. O primeiro elemento que sobressai nesta ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o sentimento de abandono e confian\u00e7a num Pai que escuta e acolhe. Sintonizados com estas palavras, podemos compreender mais profundamente aquilo que Jesus proclamou com a bem-aventuran\u00e7a \u00abfelizes os pobres em esp\u00edrito, porque deles \u00e9 o Reino do C\u00e9u\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a05, 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entretanto devido ao car\u00e1ter \u00fanico desta experi\u00eancia, sob muitos aspetos imerecida e imposs\u00edvel de se expressar plenamente, sente-se o desejo de a comunicar a outros, a come\u00e7ar pelos que s\u00e3o \u2013 como o Salmista \u2013 pobres, rejeitados e marginalizados. De facto, ningu\u00e9m se pode sentir exclu\u00eddo do amor do Pai, sobretudo num mundo onde frequentemente se eleva a riqueza ao n\u00edvel de primeiro objetivo e faz com que as pessoas se fechem em si mesmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">2. O Salmo carateriza a atitude do pobre e a sua rela\u00e7\u00e3o com Deus, por meio de tr\u00eas verbos. O primeiro: \u00ab<i>clamar<\/i>\u00bb. A condi\u00e7\u00e3o de pobreza n\u00e3o se esgota numa palavra, mas torna-se um brado que atravessa os c\u00e9us e chega a Deus. Que exprime o brado dos pobres sen\u00e3o o seu sofrimento e solid\u00e3o, a sua desilus\u00e3o e esperan\u00e7a? Podemos interrogar-nos: como \u00e9 poss\u00edvel que este brado, que sobe \u00e0 presen\u00e7a de Deus, n\u00e3o consiga chegar aos nossos ouvidos e nos deixe indiferentes e impass\u00edveis? Num\u00a0<i>Dia\u00a0<\/i>como este, somos chamados a fazer um s\u00e9rio exame de consci\u00eancia para compreender se somos verdadeiramente capazes de escutar os pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Necessitamos da escuta silenciosa para reconhecer a sua voz. Se n\u00f3s falarmos demasiado, n\u00e3o conseguiremos escut\u00e1-los a eles. Muitas vezes, temo que tantas iniciativas, apesar de merit\u00f3rias e necess\u00e1rias, visem mais comprazer-nos a n\u00f3s mesmos do que acolher verdadeiramente o clamor do pobre. Se assim for, na hora em que os pobres fazem ouvir o seu brado, a rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 coerente, n\u00e3o \u00e9 capaz de sintonizar com a condi\u00e7\u00e3o deles. Vive-se t\u00e3o encurralado numa cultura do indiv\u00edduo obrigado a olhar-se ao espelho e a cuidar exageradamente de si mesmo, que se considera suficiente um gesto de altru\u00edsmo para ficar satisfeito, sem se comprometer diretamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3. Um segundo verbo \u00e9 \u00ab<i>responder<\/i>\u00bb. O Salmista diz que o Senhor n\u00e3o s\u00f3 escuta o clamor do pobre, mas tamb\u00e9m responde. A sua resposta \u2013 como atesta toda a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o cheia de amor na condi\u00e7\u00e3o do pobre. Foi assim, quando Abra\u00e3o expressara a Deus o seu desejo de possuir uma descend\u00eancia, apesar de ele e a esposa Sara, j\u00e1 idosos, n\u00e3o terem filhos (cf.<i>Gn<\/i>\u00a015, 1-6). O mesmo aconteceu quando Mois\u00e9s, do fogo duma sar\u00e7a que ardia sem se consumir, recebeu a revela\u00e7\u00e3o do nome divino e a miss\u00e3o de fazer sair o povo do Egito (cf.\u00a0<i>Ex<\/i>\u00a03, 1-15). E esta resposta confirmou-se ao longo de todo o caminho do povo pelo deserto: tanto quando sentia os apertos da fome e da sede (cf.\u00a0<i>Ex<\/i>\u00a016, 1-16; 17, 1-7), como quando ca\u00eda na mis\u00e9ria pior, ou seja, na infidelidade \u00e0 alian\u00e7a e na idolatria (cf.\u00a0<i>Ex<\/i>\u00a032, 1-14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A resposta de Deus ao pobre \u00e9 sempre uma interven\u00e7\u00e3o salvadora para cuidar das feridas da alma e do corpo, repor a justi\u00e7a e ajudar a retomar a vida com dignidade. A resposta de Deus \u00e9 tamb\u00e9m um apelo para que toda a pessoa que acredita n\u2019Ele possa, dentro dos limites humanos, fazer o mesmo. O\u00a0<i>Dia Mundial dos Pobres<\/i>\u00a0pretende ser uma pequena resposta, dirigida pela Igreja inteira dispersa por todo o mundo, aos pobres de todo o g\u00e9nero e de todo o lugar a fim de n\u00e3o pensarem que o seu clamor ca\u00edra em saco roto. Provavelmente, \u00e9 como uma gota de \u00e1gua no deserto da pobreza; e contudo pode ser um sinal de solidariedade para quantos passam necessidade a fim de sentirem a presen\u00e7a ativa dum irm\u00e3o ou duma irm\u00e3. N\u00e3o \u00e9 de um ato de delega\u00e7\u00e3o que os pobres precisam, mas do envolvimento pessoal de quantos escutam o seu brado. A solicitude dos crentes n\u00e3o pode limitar-se a uma forma de assist\u00eancia \u2013 embora necess\u00e1ria e providencial num primeiro momento \u2013, mas requer aquela \u00abaten\u00e7\u00e3o amiga\u00bb (Francisco, Exort. ap.\u00a0<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#O_lugar_privilegiado_dos_pobres_no_povo_de_Deus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>Evangelii gaudium<\/i>, 199<\/a>) que aprecia o outro como pessoa e procura o seu bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">4. O terceiro verbo \u00e9 \u00ab<i>libertar<\/i>\u00bb. O pobre da B\u00edblia vive com a certeza de que Deus interv\u00e9m em seu favor para lhe devolver dignidade. A pobreza n\u00e3o \u00e9 procurada, mas criada pelo ego\u00edsmo, a soberba, a avidez e a injusti\u00e7a: males t\u00e3o antigos como o homem, mas sempre pecados s\u00e3o, acabando enredados neles tantos inocentes com dram\u00e1ticas consequ\u00eancias sociais. A a\u00e7\u00e3o libertadora do Senhor \u00e9 um ato de salva\u00e7\u00e3o em prol de quantos Lhe manifestaram a sua afli\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia. As amarras da pobreza s\u00e3o quebradas pelo poder da interven\u00e7\u00e3o de Deus. Muitos Salmos narram e celebram esta hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, que se verifica na vida pessoal do pobre: \u00abEle n\u00e3o desprezou nem desdenhou a afli\u00e7\u00e3o do pobre, nem desviou dele a sua face; mas ouviu-o, quando Lhe pediu socorro\u00bb (<i>Sal\u00a0<\/i>22, 25). Poder contemplar a face de Deus \u00e9 sinal da sua amizade, da sua proximidade, da sua salva\u00e7\u00e3o. \u00abViste a minha mis\u00e9ria e conheceste a ang\u00fastia da minha alma; (\u2026) deste aos meus p\u00e9s um caminho espa\u00e7oso\u00bb (<i>Sal<\/i>\u00a031, 8b.9). Dar ao pobre um \u00abcaminho espa\u00e7oso\u00bb equivale a libert\u00e1-lo da \u00abarmadilha do ca\u00e7ador\u00bb (cf.\u00a0<i>Sal<\/i>\u00a091, 3), a tir\u00e1-lo da armadilha montada no seu caminho, para poder caminhar sem impedimentos e olhar serenamente a vida. A salva\u00e7\u00e3o de Deus toma a forma duma m\u00e3o estendida ao pobre, que oferece acolhimento, protege e permite sentir a amizade de que necessita. \u00c9 a partir desta proximidade concreta e palp\u00e1vel que tem in\u00edcio um genu\u00edno percurso de liberta\u00e7\u00e3o: \u00abCada crist\u00e3o e cada comunidade s\u00e3o chamados a ser instrumentos de Deus ao servi\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade; isto sup\u00f5e estar docilmente atentos, para ouvir o clamor do pobre e socorr\u00ea-lo\u00bb (<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#Unidos_a_Deus,_ouvimos_um_clamor\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>Evangelii gaudium<\/i>, 187<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">5. N\u00e3o cessa de comover-me o caso \u2013 referido pelo evangelista Marcos (cf. 10, 46-52) \u2013 de Bartimeu, na pessoa de quem vejo identificados tantos pobres. O cego Bartimeu era um mendigo, que \u00abestava sentado \u00e0 beira do caminho\u00bb (10, 46); tendo ouvido dizer que ia a passar Jesus, \u00abcome\u00e7ou a gritar\u00bb e a invocar o \u00abFilho de David\u00bb para que tivesse piedade dele (cf. 10, 47). \u00abMuitos repreendiam-no para o fazer calar, mas ele gritava cada vez mais\u00bb (10, 48). O Filho de Deus escutou o seu brado e \u00abperguntou-lhe: \u201cQue queres que te fa\u00e7a?\u201d \u201cMestre, que eu veja!\u201d \u2013 respondeu o cego\u00bb (10, 51). Esta p\u00e1gina do Evangelho torna vis\u00edvel aquilo que o Salmo anunciava como promessa. Bartimeu \u00e9 um pobre que se encontra desprovido de capacidades fundamentais, como o ver e o poder trabalhar. Tamb\u00e9m hoje n\u00e3o faltam percursos que levam a formas de precariedade. A falta de meios basilares de subsist\u00eancia, a marginaliza\u00e7\u00e3o quando j\u00e1 n\u00e3o se est\u00e1 na plenitude das pr\u00f3prias for\u00e7as laborais, as diversas formas de escravid\u00e3o social, apesar dos progressos realizados pela humanidade\u2026 Como Bartimeu, quantos pobres h\u00e1 hoje \u00e0 beira da estrada e procuram um significado para a sua condi\u00e7\u00e3o! Quantos se interrogam acerca dos motivos por que chegaram ao fundo deste abismo e sobre o modo como sair dele! Esperam que algu\u00e9m se aproxime deles, dizendo: \u00abCoragem, levanta-te que Ele chama-te\u00bb (10, 49).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com frequ\u00eancia, infelizmente, verifica-se o contr\u00e1rio: as vozes que se ouvem s\u00e3o de repreens\u00e3o e convite a estar calados e a sofrer. S\u00e3o vozes desafinadas, muitas vezes regidas por uma fobia para com os pobres, considerados como pessoas n\u00e3o apenas indigentes, mas tamb\u00e9m portadoras de inseguran\u00e7a, instabilidade, extravio dos costumes da vida di\u00e1ria e, consequentemente, pessoas que devem ser repelidas e mantidas ao longe. Tende-se a criar dist\u00e2ncia entre n\u00f3s e eles, n\u00e3o nos dando conta de que, assim, acabamos distantes do Senhor Jesus, que n\u00e3o os afasta mas chama-os a Si e consola-os. Como soam apropriadas a este caso as palavras do profeta relativas ao estilo de vida do crente: \u00ablibertar os que foram presos injustamente, livr\u00e1-los do jugo que levam \u00e0s costas, p\u00f4r em liberdade os oprimidos, quebrar toda a esp\u00e9cie de opress\u00e3o, repartir o teu p\u00e3o com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus\u00bb (<i>Is\u00a0<\/i>58, 6-7). Este modo de agir faz com que o pecado seja perdoado (cf.\u00a0<i>1 Ped\u00a0<\/i>4, 8), a justi\u00e7a percorra a sua estrada e, quando formos n\u00f3s a clamar pelo Senhor, Ele nos responda dizendo: Aqui estou! (cf.\u00a0<i>Is\u00a0<\/i>58, 9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">6. Os primeiros habilitados a reconhecer a presen\u00e7a de Deus e a dar testemunho da sua proximidade \u00e0 pr\u00f3pria vida s\u00e3o os pobres. Deus permanece fiel \u00e0 sua promessa e, mesmo na escurid\u00e3o da noite, n\u00e3o deixa faltar o calor do seu amor e da sua consola\u00e7\u00e3o. Contudo, para superar a opressiva condi\u00e7\u00e3o de pobreza, \u00e9 necess\u00e1rio aperceber-se da presen\u00e7a de irm\u00e3os e irm\u00e3s que se ocupem deles e que, abrindo a porta do cora\u00e7\u00e3o e da vida, lhes fa\u00e7am sentir benvindos como amigos e familiares. Somente deste modo podemos descobrir \u00aba for\u00e7a salv\u00edfica das suas vidas\u00bb e \u00abcoloc\u00e1-los no centro do caminho da Igreja\u00bb (<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#O_lugar_privilegiado_dos_pobres_no_povo_de_Deus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>Evangelii gaudium<\/i>, 198<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste\u00a0<i>Dia Mundial<\/i>, somos convidados a tornar concretas as palavras do Salmo: \u00abOs pobres comer\u00e3o e ser\u00e3o saciados\u00bb (<i>Sal<\/i>\u00a022, 27). Sabemos que no templo de Jerusal\u00e9m, depois do rito do sacrif\u00edcio, tinha lugar o banquete. Esta foi uma experi\u00eancia que, no ano passado, enriqueceu a celebra\u00e7\u00e3o do primeiro\u00a0<i>Dia Mundial dos Pobres<\/i>, em muitas dioceses. Muitos encontraram o calor duma casa, a alegria duma refei\u00e7\u00e3o festiva e a solidariedade de quantos quiseram compartilhar a mesa de forma simples e fraterna. Gostaria que, tamb\u00e9m neste ano e para o futuro, este\u00a0<i>Dia\u00a0<\/i>fosse celebrado sob o signo da alegria pela reencontrada capacidade de estar juntos. Rezar juntos em comunidade e compartilhar a refei\u00e7\u00e3o no dia de domingo \u00e9 uma experi\u00eancia que nos leva de volta \u00e0 primitiva comunidade crist\u00e3, que o evangelista Lucas descreve em toda a sua originalidade e simplicidade: \u00abEram ass\u00edduos ao ensino dos Ap\u00f3stolos, \u00e0 uni\u00e3o fraterna, \u00e0 fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e \u00e0s ora\u00e7\u00f5es. (\u2026) Todos os crentes viviam unidos e possu\u00edam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribu\u00edam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um\u00bb (<i>At<\/i>\u00a02, 42.44-45).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">7. In\u00fameras s\u00e3o as iniciativas que a comunidade crist\u00e3 empreende para dar um sinal de proximidade e al\u00edvio \u00e0s muitas formas de pobreza que est\u00e3o diante dos nossos olhos. Muitas vezes, a colabora\u00e7\u00e3o com outras realidades, que se movem impelidas n\u00e3o pela f\u00e9 mas pela solidariedade humana, consegue prestar uma ajuda que, sozinhos, n\u00e3o poder\u00edamos realizar. O facto de reconhecer que, no mundo imenso da pobreza, a nossa pr\u00f3pria interven\u00e7\u00e3o \u00e9 limitada, fr\u00e1gil e insuficiente leva a estender as m\u00e3os aos outros, para que a m\u00fatua colabora\u00e7\u00e3o possa alcan\u00e7ar o objetivo de maneira mais eficaz. Somos movidos pela f\u00e9 e pelo imperativo da caridade, mas sabemos reconhecer outras formas de ajuda e solidariedade que se prop\u00f5em, em parte, os mesmos objetivos; desde que n\u00e3o transcuremos aquilo que nos \u00e9 pr\u00f3prio, ou seja, conduzir todos a Deus e \u00e0 santidade. Uma resposta adequada e plenamente evang\u00e9lica, que podemos realizar, \u00e9 o di\u00e1logo entre as diversas experi\u00eancias e a humildade de prestar a nossa colabora\u00e7\u00e3o, sem qualquer esp\u00e9cie de protagonismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c0 vista dos pobres, n\u00e3o se perca tempo a lutar pela primazia da interven\u00e7\u00e3o, mas reconhe\u00e7amos humildemente que \u00e9 o Esp\u00edrito quem suscita gestos que sejam sinal da resposta e da proximidade de Deus. Quando encontramos o modo para nos aproximar dos pobres, saibamos que a primazia compete a Ele que abriu os nossos olhos e o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 convers\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 de protagonismo que os pobres t\u00eam necessidade, mas de amor que sabe esconder-se e esquecer o bem realizado. Os verdadeiros protagonistas s\u00e3o o Senhor e os pobres. Quem se coloca ao servi\u00e7o \u00e9 instrumento nas m\u00e3os de Deus, para fazer reconhecer a sua presen\u00e7a e a sua salva\u00e7\u00e3o. Recorda-o S\u00e3o Paulo quando escreve aos crist\u00e3os de Corinto, que competiam entre eles a prop\u00f3sito dos carismas procurando os mais prestigiosos: \u00abN\u00e3o pode o olho dizer \u00e0 m\u00e3o: \u201cN\u00e3o tenho necessidade de ti\u201d; nem t\u00e3o pouco a cabe\u00e7a dizer aos p\u00e9s: \u201cN\u00e3o tenho necessidade de v\u00f3s\u201d\u00bb (<i>1 Cor<\/i>\u00a012, 21). Depois, o Ap\u00f3stolo faz uma considera\u00e7\u00e3o importante, observando que os membros do corpo que parecem mais fracos s\u00e3o os mais necess\u00e1rios (cf. 12, 22) e, \u00abaqueles que parecem ser os menos honrosos do corpo, a esses rodeamos de maior honra e, aqueles que s\u00e3o menos decentes, n\u00f3s os tratamos com mais decoro; os que s\u00e3o decentes, n\u00e3o t\u00eam necessidade disso\u00bb (12, 23-24). Ao mesmo tempo que d\u00e1 um ensinamento fundamental sobre os carismas, Paulo educa tamb\u00e9m a comunidade para a conduta evang\u00e9lica com os seus membros mais fracos e necessitados. Longe dos disc\u00edpulos de Cristo sentimentos de desprezo e de pietismo para com eles; antes, s\u00e3o chamados a honr\u00e1-los, a dar-lhes a preced\u00eancia, convictos de que eles s\u00e3o uma presen\u00e7a real de Jesus no meio de n\u00f3s. \u00abSempre que fizestes isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a025, 40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">8. Por isto se compreende qu\u00e3o distante esteja o nosso modo de viver do modo de viver do mundo, que louva, segue e imita aqueles que t\u00eam poder e riqueza, enquanto marginaliza os pobres considerando-os um descarte e uma vergonha. As palavras do Ap\u00f3stolo s\u00e3o um convite a dar plenitude evang\u00e9lica \u00e0 solidariedade com os membros mais fracos e menos dotados do corpo de Cristo: \u00abSe um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro \u00e9 honrado, todos os membros participam da sua alegria\u00bb (<i>1 Cor<\/i>\u00a012, 26). Na mesma linha, nos exorta ele na Carta aos Romanos: \u00abAlegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram. Preocupai-vos em andar de acordo uns com os outros; n\u00e3o vos preocupeis com as grandezas, mas entregai-vos ao que \u00e9 humilde\u00bb (12, 15-16). Esta \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o do disc\u00edpulo de Cristo; o ideal para o qual se deve tender constantemente \u00e9 assimilar cada vez mais em n\u00f3s \u00abos mesmos sentimentos, que est\u00e3o em Cristo Jesus\u00bb (<i>Flp<\/i>\u00a02, 5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">9. Uma palavra de esperan\u00e7a torna-se o ep\u00edlogo natural para onde nos encaminha a f\u00e9. Muitas vezes, s\u00e3o precisamente os pobres que p\u00f5em em crise a nossa indiferen\u00e7a, filha duma vis\u00e3o da vida, demasiado imanente e ligada ao presente. O clamor do pobre \u00e9 tamb\u00e9m um brado de esperan\u00e7a com que manifesta a certeza de ser libertado; esperan\u00e7a fundada no amor de Deus, que n\u00e3o abandona quem a Ele se entrega (cf.\u00a0<i>Rm<\/i>\u00a08, 31-39). Santa Teresa de \u00c1vila deixara escrito no seu\u00a0<i>Caminho de Perfei\u00e7\u00e3o<\/i>: \u00abA pobreza \u00e9 um bem que encerra em si todos os bens do mundo; assegura-nos um grande dom\u00ednio; quero dizer que nos torna senhores de todos os bens terrenos, uma vez que nos leva a desprez\u00e1-los\u00bb (2, 5). Na medida em que somos capazes de discernir o verdadeiro bem \u00e9 que nos tornamos ricos diante de Deus e s\u00e1bios diante de n\u00f3s mesmos e dos outros. \u00c9 mesmo assim: na medida em que se consegue dar \u00e0 riqueza o seu justo e verdadeiro significado, cresce-se em humanidade e torna-se capaz de partilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">10. Convido os irm\u00e3os bispos, os sacerdotes e de modo particular os di\u00e1conos, a quem foram impostas as m\u00e3os para o servi\u00e7o dos pobres (cf.\u00a0<i>At<\/i>\u00a06, 1-7), juntamente com as pessoas consagradas e tantos leigos e leigas que, nas par\u00f3quias, associa\u00e7\u00f5es e movimentos, tornam palp\u00e1vel a resposta da Igreja ao clamor dos pobres, a viver este\u00a0<i>Dia Mundial<\/i>\u00a0como um momento privilegiado de nova evangeliza\u00e7\u00e3o. Os pobres evangelizam-nos, ajudando-nos a descobrir cada dia a beleza do Evangelho. N\u00e3o deixemos cair em saco roto esta oportunidade de gra\u00e7a. Neste dia, sintamo-nos todos devedores para com eles, a fim de que, estendendo reciprocamente as m\u00e3os uns para os outros, se realize o encontro salv\u00edfico que sustenta a f\u00e9, torna concreta a caridade e habilita a esperan\u00e7a a prosseguir segura no caminho rumo ao Senhor que vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><i>Vaticano, na Mem\u00f3ria lit\u00fargica de Santo Ant\u00f3nio de Lisboa, 13 de junho de 2018.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: right\" align=\"center\"><b>Francisco<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Os pobres evangelizam-nos, ajudando-nos a descobrir cada dia a beleza do Evangelho&#8221;, afirma Papa Francisco na segunda jornada mundial<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":32546,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[1164],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/32591"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=32591"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/32591\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/32546"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=32591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=32591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=32591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}