{"id":32614,"date":"2018-11-20T00:00:00","date_gmt":"2018-11-20T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/laicidade-e-laicismo\/"},"modified":"2018-11-20T00:00:00","modified_gmt":"2018-11-20T02:00:00","slug":"laicidade-e-laicismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/laicidade-e-laicismo\/","title":{"rendered":"Laicidade e laicismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><em>Dom Alo\u00edsio A. Dilli<br \/>\n<\/em><em>Bispo de Santa Cruz do Sul<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caros diocesanos. Com certa frequ\u00eancia, assistimos a manifesta\u00e7\u00f5es em que \u00e9 usada, indistintamente, uma linguagem que confunde <em>laicidade<\/em> e <em>laicismo<\/em> para justificar qualquer forma ou atitude de vida, criando confus\u00f5es e perplexidade em muitas pessoas, sobretudo para quem se orienta por inspira\u00e7\u00e3o religiosa. A Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 nos ajuda a esclarecer a quest\u00e3o: \u201c<em>A laicidade entendida como autonomia da esfera civil e pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esfera religiosa e eclesi\u00e1stica, nunca na esfera moral, \u00e9 um valor adquirido e reconhecido pela Igreja<\/em>\u201d (CNBB \u2013 As Raz\u00f5es da F\u00e9 na A\u00e7\u00e3o Evangelizadora \u2013 Subs\u00eddios Doutrinais 7, p. 80). Portanto, a Igreja reconhece a laicidade com sua autonomia de express\u00e3o, por\u00e9m n\u00e3o se anulam com isso as responsabilidades morais. No contexto desta tem\u00e1tica, surgem facilmente afirma\u00e7\u00f5es e comportamentos que, a pretexto de laicidade, podem ser identificados claramente como <em>laicismo<\/em>, entendido este, habitualmente, como atitude hostil \u00e0 religi\u00e3o, a qualquer manifesta\u00e7\u00e3o religiosa ou \u00e0 presen\u00e7a de s\u00edmbolos religiosos em espa\u00e7os p\u00fablicos. Isso nos faz lembrar a movimenta\u00e7\u00e3o contra a presen\u00e7a da cruz em reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ou outras semelhantes. Perguntamos: estas pessoas ou grupos desejar\u00e3o tirar o Cristo do Corcovado ou mudar o nome do Estado de S\u00e3o Paulo, do Munic\u00edpio de Santa Cruz do Sul, desejar\u00e3o baixar as torres das nossas catedrais? O laicismo n\u00e3o somente demonstra antipatia pela religi\u00e3o, mas quer erradic\u00e1-la da vida p\u00fablica, por vezes com atitudes extremas e agressivas, usando para tal pretextos como a arte; ignorando at\u00e9 que somos um pa\u00eds de cultura crist\u00e3. O laicismo \u00e9, portanto, uma degenera\u00e7\u00e3o da laicidade (cf. CNBB &#8211; F\u00e9 Crist\u00e3 e Laicidade, Subs\u00eddios Doutrinais 10, p. 20). Do outro lado, n\u00e3o bastam sinais religiosos p\u00fablicos, sem testemunho coerente. Locais de decis\u00f5es e atitudes injustas s\u00e3o indignos de s\u00edmbolos crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Da parte da Igreja h\u00e1 o reconhecimento da autonomia do Estado em rela\u00e7\u00e3o a todas as religi\u00f5es. Mas o Estado democr\u00e1tico, mesmo sendo multicultural, eleito legitimamente, n\u00e3o pode ser considerado ateu, pois os cidad\u00e3os que representa, professam credos religiosos e merecem respeito e n\u00e3o podem ser influenciados ou manipulados por algu\u00e9m ou por minorias, mas se trata de defender o direito de todas as religi\u00f5es professarem sua cren\u00e7a e celebrarem seus ritos. Dessa forma a religi\u00e3o deixa de ser tratada exclusivamente no mundo do privado e do subjetivo, como tantas vezes se pretende difundir e generalizar, sobretudo, atrav\u00e9s da grande m\u00eddia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A laicidade deve ser compreendida hoje como busca de uma intera\u00e7\u00e3o equilibrada e respeitosa entre pensamento religioso e secular. Pelo fato de ser democr\u00e1tico, o Estado n\u00e3o pode excluir a religi\u00e3o das grandes quest\u00f5es que envolvem a vida da sociedade como, por exemplo, a bio\u00e9tica, a natureza humana, a fam\u00edlia, a educa\u00e7\u00e3o, a seculariza\u00e7\u00e3o, inclusive a finalidade da pr\u00f3pria pol\u00edtica, como servi\u00e7o ao bem comum. E os crentes n\u00e3o s\u00e3o isentados do dever de contribuir para o bem comum da sociedade, exercendo sua responsabilidade e o seu direito de participar na vida p\u00fablica, como qualquer cidad\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A f\u00e9 pode desenvolver-se unicamente na liberdade: n\u00e3o pode ser imposta a ningu\u00e9m. Um semelhante g\u00eanero de proselitismo \u00e9 contr\u00e1rio, ao menos, ao cristianismo. A Igreja recebeu a gra\u00e7a e o dever de tornar a f\u00e9 em Jesus Cristo acess\u00edvel a todos os que est\u00e3o \u00e0 procura de Deus, ou est\u00e3o abertos para o di\u00e1logo a respeito da f\u00e9. O cristianismo se difunde, n\u00e3o por proselitismo, mas pelo testemunho de vida no amor. Eis nossa miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio A. Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul &nbsp; Caros diocesanos. 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