{"id":32777,"date":"2018-12-05T00:00:00","date_gmt":"2018-12-05T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/lutar-pela-vida-plena\/"},"modified":"2018-12-05T00:00:00","modified_gmt":"2018-12-05T02:00:00","slug":"lutar-pela-vida-plena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/lutar-pela-vida-plena\/","title":{"rendered":"Lutar pela vida plena"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Reginaldo Andrietta<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo Diocesano de Jales (SP)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nosso calend\u00e1rio civil est\u00e1 por finalizar-se. Ao planejarmos 2019 n\u00e3o esque\u00e7amos de comemora\u00e7\u00f5es importantes, pouco valorizadas, tais como o \u201cDia Mundial de Luta Contra os Agrot\u00f3xicos\u201d, em 3 de dezembro. O fato desse \u201cDia\u201d ser pouco conhecido at\u00e9 mesmo por muitos que dizem defender a vida na integralidade, comprova a anestesia de nossa consci\u00eancia coletiva. Combatemos as drogas, o aborto e os homic\u00eddios. Devemos, no entanto, aceitar que nos matem com venenos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O document\u00e1rio \u201cO veneno est\u00e1 na mesa\u201d, com dois v\u00eddeos de f\u00e1cil acesso pela internet, demonstra os efeitos nocivos dos agrot\u00f3xicos, particularmente no Brasil, um dos pa\u00edses que mais os utiliza. Muitos \u201cdefensivos agr\u00edcolas\u201d possuem toxicidade aguda, comprovada pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria, vinculada ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Eles causam muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o fetal, c\u00e2ncer, problemas neurol\u00f3gicos e hormonais, e outros males.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No Brasil, uma lei de 1989 regulamentou o uso dos agrot\u00f3xicos, controlando-os. No entanto, o Projeto de Lei 6299\/02, conhecido como \u201cPL do Veneno\u201d, que tramita, atualmente, na C\u00e2mara Federal, visa afrouxar esse controle. Organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas dizem que a elimina\u00e7\u00e3o do poder de veto de ag\u00eancias reguladoras, prevista no projeto, favoreceria uma produ\u00e7\u00e3o agroqu\u00edmica mais ainda nociva e a entrada no pa\u00eds de agrot\u00f3xicos mais ainda perigosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O executivo federal eleito, aliado aos grandes poderes econ\u00f4micos do agroneg\u00f3cio, tem se mostrado favor\u00e1vel \u00e0 flexibiliza\u00e7\u00e3o embutida no \u201cPL do Veneno\u201d, sinalizando que continuar\u00e1 concedendo incentivos fiscais \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de agroqu\u00edmicos, dominadas por oligop\u00f3lios transnacionais, entre os quais a Bayer, alem\u00e3, e a Monsanto, americana, fusionadas este ano. Essas e outras empresas t\u00eam sido condenadas pela justi\u00e7a em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Estado brasileiro continuar\u00e1 favorecendo os interesses dessas empresas, protegendo o que produzem e comercializam de mal\u00e9fico, tolhendo, no entanto, as iniciativas agroecol\u00f3gicas de pequenos e m\u00e9dios produtores rurais? Essa quest\u00e3o \u00e9 ainda mais pertinente pelo fato do Projeto de Lei 4576\/16, que tamb\u00e9m tramita na C\u00e2mara Federal, estipular restri\u00e7\u00f5es \u00e0 venda de produtos org\u00e2nicos em supermercados e em programas p\u00fablicos para alimenta\u00e7\u00e3o escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nossa soberania alimentar e a qualidade dos alimentos que colocamos em nossas mesas e fornecemos ao mundo, devem, por isso, ser colocadas em quest\u00e3o. Sen\u00e3o, seremos a\u00e9ticos. Os altos \u00edndices de doen\u00e7as cr\u00f4nicas e mortes causadas por agrot\u00f3xicos, aos trabalhadores rurais e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o urbana que depende do que \u00e9 produzido no campo, bem como a destrui\u00e7\u00e3o da biodiversidade, s\u00e3o horrores que colocam em quest\u00e3o nosso sistema coletivo de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A instrumentaliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia em fun\u00e7\u00e3o de interesses econ\u00f4micos desprovidos de \u00e9tica, a exemplo da produ\u00e7\u00e3o e da comercializa\u00e7\u00e3o abusivas de agrot\u00f3xicos, revela a desconex\u00e3o do ser humano com o autor da vida. A esse respeito o Papa Francisco aponta na Enc\u00edclica <em>Laudato Si<\/em>, uma exig\u00eancia \u00e9tico-espiritual. Para ele, ser &#8220;guardi\u00f5es da obra de Deus n\u00e3o \u00e9 algo de opcional nem um aspecto secund\u00e1rio da experi\u00eancia crist\u00e3, mas parte essencial de uma exist\u00eancia virtuosa&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estaremos dispostos a traduzir essa exig\u00eancia \u00e9tico-espiritual em a\u00e7\u00f5es que defendam integralmente a vida, convertendo cora\u00e7\u00f5es e mudando decis\u00f5es governamentais nocivas \u00e0 sa\u00fade? Quais iniciativas, portanto, n\u00f3s, crist\u00e3os, tomaremos em conjunto com os movimentos sociais que lutam em prol da agricultura sustent\u00e1vel ecologicamente, como testemunho de nossa f\u00e9 em Cristo, que veio ao mundo (cf. Jo 10,10) para que todos tenham vida em plenitude?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Reginaldo Andrietta Bispo Diocesano de Jales (SP) Nosso calend\u00e1rio civil est\u00e1 por finalizar-se. 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