{"id":32905,"date":"2018-12-19T00:00:00","date_gmt":"2018-12-19T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-desastre-de-querer-so-para-si\/"},"modified":"2018-12-19T00:00:00","modified_gmt":"2018-12-19T02:00:00","slug":"o-desastre-de-querer-so-para-si","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-desastre-de-querer-so-para-si\/","title":{"rendered":"O desastre de querer s\u00f3 para si"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva<br \/>\nArcebispo Metropolitano de Montes Claros<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O processo de socializa\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a \u00e9, na verdade, o caminho de sua humaniza\u00e7\u00e3o. O novo ser humano que \u00e9 dado \u00e0 luz deve ter no seu desenvolvimento prim\u00e1rio chances de constituir o seu \u201ceu\u201d a partir da rela\u00e7\u00e3o com o \u201coutro\u201d. Por vezes, chamamos esse processo de natural. Todavia, mais precisamente, dever\u00edamos cham\u00e1-lo de cultural. A crian\u00e7a assimila a cultura \u00e0 medida que adquire a linguagem e elabora os rudimentos da consci\u00eancia de si e da exist\u00eancia do outro. A t\u00edtulo de exemplo, \u00e9 comum encontrar crian\u00e7as que resistem compartilhar o uso de seus brinquedos. Ser\u00e1 a palavra de outro \u2013 especialmente a palavra dos pais \u2013 a apontar a possibilidade enriquecedora de brincar e jogar com outras crian\u00e7as, superando um apego que resulta em isolamento. Pela palavra se educa para o sentido do outro e do grupo. Nessas e noutras situa\u00e7\u00f5es, alguma pirra\u00e7a precisa ser enfrentada pelos respons\u00e1veis que, sem ceder ao desejo da onipot\u00eancia infantil, abrir\u00e3o perspectivas de socializa\u00e7\u00e3o e de humaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todos n\u00f3s passamos por esta etapa de crescimento e de desenvolvimento ps\u00edquico. No entanto, o desejo de querer s\u00f3 para si parece persistir em nosso imagin\u00e1rio. Adolescentes, jovens e adultos, \u00e0s vezes, podem ter em outras propor\u00e7\u00f5es as mesmas rea\u00e7\u00f5es de uma crian\u00e7a que ret\u00e9m em suas m\u00e3os um objeto e chora para n\u00e3o ter de deix\u00e1-lo ou perd\u00ea-lo. N\u00e3o poucas vezes, o impulso de querer s\u00f3 para si estoura em momentos como de uma aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas \u00e0s portas das lojas em liquida\u00e7\u00e3o, ou na abertura de port\u00f5es de um est\u00e1dio, ou na sa\u00edda de um grande evento at\u00e9 mesmo religioso. Experimente distribuir alguma coisa gratuitamente para um grande grupo e voc\u00ea perceber\u00e1 logo como aflora nas pessoas uma pressa que as faz avan\u00e7ar e pegar \u2013 ter nas m\u00e3os como crian\u00e7as \u2013 o que se distribui. O mesmo se verifica, lamentavelmente, quando ocorre acidentes nas estradas com caminh\u00f5es portando cargas. Logo surge uma turba que vem e saqueia, carregando, sorridente, o que n\u00e3o lhe pertence.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tenho a impress\u00e3o de que o sentido do outro n\u00e3o tem presidido as rela\u00e7\u00f5es sociais. Vejo motoristas desrespeitando as leis de tr\u00e2nsito com a tranquilidade de algu\u00e9m que desconhece, em absoluto, seu limite. Quase que a dizer: s\u00f3 eu existo e o caminho deve estar livre somente para mim. Os que cedem \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, tomando para si o que \u00e9 do povo, n\u00e3o fazem o mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">At\u00e9 em comunidades eclesiais encontra-se a resson\u00e2ncia de um comportamento que revela pouca maturidade. Assusta-me a rea\u00e7\u00e3o de pessoas adultas quando se decide, por exemplo, a mudan\u00e7a de um sacerdote para lhe confiar outra miss\u00e3o, certamente considerada digna e necess\u00e1ria. Pelas redes sociais, sobretudo, muitos se infantilizam na postura, na linguagem e na incapacidade de abrir m\u00e3o do que literalmente nem sequer lhes pertence.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sim, \u00e9 um desastre querer somente para si. Para os disc\u00edpulos de Jesus Cristo \u00e9 sempre necess\u00e1rio rever as pr\u00f3prias atitudes. N\u00e3o podemos agir como crian\u00e7as que fazem pirra\u00e7a e com as artimanhas de adultos boicotamos e destru\u00edmos quando n\u00e3o somos atendidos em nossos desejos. \u00c9 preciso evangelizar nossos comportamentos. Do contr\u00e1rio n\u00e3o seremos sal da terra e luz do mundo. Estaremos mais pr\u00f3ximos do mofo e das trevas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva Arcebispo Metropolitano de Montes Claros O processo de socializa\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a \u00e9, na verdade, o caminho de sua humaniza\u00e7\u00e3o. O novo ser humano que \u00e9 dado \u00e0 luz deve ter no seu desenvolvimento prim\u00e1rio chances de constituir o seu \u201ceu\u201d a partir da rela\u00e7\u00e3o com o \u201coutro\u201d. Por &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-desastre-de-querer-so-para-si\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">O desastre de querer s\u00f3 para si<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":64,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/32905"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/64"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=32905"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/32905\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=32905"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=32905"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=32905"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}