{"id":329482,"date":"2021-06-30T11:16:29","date_gmt":"2021-06-30T14:16:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=329482"},"modified":"2021-06-30T11:17:52","modified_gmt":"2021-06-30T14:17:52","slug":"nossas-fragilidades-e-o-desafio-da-comunhao-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/nossas-fragilidades-e-o-desafio-da-comunhao-5\/","title":{"rendered":"Nossas fragilidades e o desafio da comunh\u00e3o (5)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Antonio de Assis Ribeiro<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo Auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunh\u00e3o da Igreja \u00e9 dom de Deus e, ao mesmo tempo, \u00e9 responsabilidade de cada fiel. A experi\u00eancia da comunh\u00e3o, portanto, pressup\u00f5e n\u00e3o somente a gra\u00e7a da f\u00e9, mas tamb\u00e9m um profundo comprometimento do sujeito, pois sem o esfor\u00e7o pessoal n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel a viv\u00eancia da converg\u00eancia, da sinergia, nem da colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 nos educa e, por isso, nos compromete a estarmos continuamente num s\u00e9rio e permanente processo de cuidado conosco mesmos, dando especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa impulsividade e de, modo geral, a tudo aquilo que tem potencial ofensivo \u00e0 comunh\u00e3o fraterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso significa a necessidade da nossa f\u00e9 gerar consequ\u00eancias morais, ou seja, promover a qualidade das nossas atitudes. Sem isso, movidos por nossas fragilidades que, com frequ\u00eancia se manifestam atrav\u00e9s dos pecados capitais, somos levados a entrar em cont\u00ednuo conflito com os outros, neg\u00e1-los, ou de diversos modos, rejeit\u00e1-los e agredi-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A necessidade do esfor\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunh\u00e3o exige esfor\u00e7o pessoal. \u00c9 assim, porque ela \u00e9 um fruto da Caridade. Sendo tal, nos compromete por inteiro, porque o amor ao pr\u00f3ximo \u00e9 exigente, provocante, desafiador. O pr\u00f3prio Jesus apresentou o seu seguimento como experi\u00eancia de esfor\u00e7o. &#8220;Quem quiser vir ap\u00f3s mim, negue-se a si mesmo tome a sua cruz e me siga&#8221; (Lc 9,23); \u00abFa\u00e7am todo o esfor\u00e7o poss\u00edvel para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo: muitos tentar\u00e3o entrar, e n\u00e3o conseguir\u00e3o\u201d (Lc 13,24). A vida crist\u00e3 exige esfor\u00e7o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m os ap\u00f3stolos S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Pedro, S\u00e3o Jo\u00e3o, S\u00e3o Tiago em diversas ocasi\u00f5es, falaram da necessidade do esfor\u00e7o para que cada fiel possa demonstrar a qualidade da sua f\u00e9 atrav\u00e9s da vida fraterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escrevendo aos Romanos, Paulo pede-lhes que fa\u00e7am todos os esfor\u00e7os para poderem viver em paz uns com os outros (cf. Rm 12,18); &#8220;esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz \u00e0 paz seu aperfei\u00e7oamento m\u00fatuo&#8221; (Rm 14,19). Na Segunda Carta aos Cor\u00edntios estimula os fi\u00e9is a se esfor\u00e7arem para agir com maturidade, conservando bom \u00e2nimo, encorajando-se mutuamente, cultivando um s\u00f3 pensamento para viverem em harmonia (cf. 2Cor 13,11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos Ef\u00e9sios o mesmo ap\u00f3stolo diz: &#8220;procurem cuidadosamente manter a unidade do Esp\u00edrito no v\u00ednculo da Paz&#8221; (Ef 4,3). Muitas atitudes de agressividade emergem atrav\u00e9s das nossas palavras, por isso, recomenda-lhes que nenhuma palavra inconveniente seja pronunciada e que se afastem da aspereza, desd\u00e9m, raiva, gritaria, insulto e todo tipo de maldade (cf. Ef 4,23-31).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para S\u00e3o Pedro esse esfor\u00e7o para testemunhar nossa f\u00e9 no seguimento de Jesus Cristo deve ser manifestado atrav\u00e9s das virtudes; somos chamados a cultivar uma f\u00e9 virtuosa, por isso, afirma o ap\u00f3stolo: &#8220;fa\u00e7am esfor\u00e7o para p\u00f4r mais virtude na f\u00e9, mais conhecimento na virtude, mais autodom\u00ednio no conhecimento, mais perseveran\u00e7a no autodom\u00ednio, mais piedade na perseveran\u00e7a, mais fraternidade na piedade e mais amor na fraternidade. De fato, se voc\u00eas tiverem essas virtudes em abund\u00e2ncia, elas n\u00e3o permitir\u00e3o que voc\u00eas se tornem in\u00fateis ou infrut\u00edferos no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Mas quem n\u00e3o tem essas virtudes \u00e9 cego e m\u00edope, pois se esqueceu da purifica\u00e7\u00e3o de seus pecados antigos. Por isso mesmo, irm\u00e3os, procurem com mais cuidado firmar o chamado que escolheu voc\u00eas. Agindo desse modo, nunca trope\u00e7ar\u00e3o&#8221; (2Pd 1,5-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os pecados capitais impedem a comunh\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pecados capitais, s\u00e3o assim chamados, aqueles v\u00edcios que nos levam a produzir outros males. Trata-se de males que trazem consigo um forte potencial destrutivo, tanto em n\u00edvel pessoal como comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pecados capitais, por causa das suas potencialidades mal\u00e9ficas, constituem uma grande barreira que dificulta a experi\u00eancia da promo\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o fraterna na vida da Igreja. Ali\u00e1s, n\u00e3o s\u00f3 na vida da Igreja, mas tamb\u00e9m nos nossos relacionamentos interpessoais em geral, na fam\u00edlia, no clube, no exerc\u00edcio da vida profissional, etc. Os sete pecados capitais s\u00e3o: soberba, avareza, lux\u00faria, ira, gula, inveja e pregui\u00e7a. Onde se enra\u00edzam os pecados capitais, ali n\u00e3o haver\u00e1 espa\u00e7o para experi\u00eancia da comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Soberba:<\/strong> trata-se do conceito exagerado de si mesmo presumindo senso de superioridade. Como consequ\u00eancia o soberbo cai na vaidade, no narcisismo, na arrog\u00e2ncia, no orgulho, na prepot\u00eancia, na desobedi\u00eancia, na nega\u00e7\u00e3o de limites, etc. Para quem assume essa postura, n\u00e3o existe experi\u00eancia de comunh\u00e3o porque ela pressup\u00f5e a aceita\u00e7\u00e3o do outro como ele \u00e9. A experi\u00eancia da comunh\u00e3o requer o exerc\u00edcio da humildade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Avareza:<\/strong> o pecado capital da avareza nos leva ao apego excessivo aos bens materiais e a tudo aquilo que \u00e9 visto como propriedade privada. Como consequ\u00eancia, esse pecado capital nos leva \u00e0 gan\u00e2ncia, \u00e0 mesquinhez, ao fechamento; o avarento n\u00e3o partilha, n\u00e3o doa, \u00e9 cego, insens\u00edvel; somente acumula e ret\u00e9m para si; mas para a viv\u00eancia da comunh\u00e3o \u00e9 preciso a abertura \u00e0s necessidades dos outros e a pr\u00e1tica da generosidade. O avarento fecha-se nas pr\u00f3prias riquezas e dons pessoais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lux\u00faria:<\/strong> \u00e9 o desejo extremo e ego\u00edsta pelo prazer, lazer, divers\u00e3o, vida mansa, orgias, devassid\u00e3o&#8230; Essa obsess\u00e3o pelo prazer e luxo, leva o sujeito a viver a experi\u00eancia da domina\u00e7\u00e3o, da possessividade, da coisifica\u00e7\u00e3o das pessoas e consequentemente a nega\u00e7\u00e3o de toda e qualquer experi\u00eancia de sacrif\u00edcio em prol dos outros. Ora, sem sacrif\u00edcio e ren\u00fancia, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ira:<\/strong> \u00e9 a atitude que manifesta sentimentos de raiva, \u00f3dio e c\u00f3lera por alguma coisa, por algu\u00e9m ou grupo de pessoas. A ira ou \u00f3dio gera dram\u00e1ticas consequ\u00eancias como o desprezo, a viol\u00eancia, o descontrole, a injusti\u00e7a, o homic\u00eddio. Tais atitudes, atentam profundamente contra a comunh\u00e3o que exige o exerc\u00edcio da reflex\u00e3o, da mansid\u00e3o, paci\u00eancia, discernimento, prud\u00eancia, calma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gula<\/strong>: este pecado nos leva \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o ego\u00edsta das nossas necessidades de comer e beber al\u00e9m do equil\u00edbrio. A gula \u00e9 refer\u00eancia de excessos, descontroles, v\u00edcios, desequil\u00edbrios, intemperan\u00e7a, desperdi\u00e7o. A experi\u00eancia da comunh\u00e3o pressup\u00f5e o justo equil\u00edbrio na distribui\u00e7\u00e3o dos bens, de acordo com a necessidade de cada um. N\u00e3o h\u00e1 verdadeira comunh\u00e3o onde uns tem tudo e outros sofrem de fome e sede.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inveja:<\/strong> \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o de descontentamento com o bem e o sucesso alheio&#8230; O pecado da inveja nos leva a nos alegrar com o mal do outro; na verdade, dever\u00edamos sempre s\u00f3 nos alegrar com o seu bem; na experi\u00eancia da comunh\u00e3o fraterna h\u00e1 sempre admira\u00e7\u00e3o pelo outro e o reconhecimento das riquezas, virtudes e talentos de cada um. O invejoso v\u00ea na riqueza do outro uma amea\u00e7a a si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pregui\u00e7a:<\/strong> a pregui\u00e7a \u00e9 a atitude de falta de \u00e2nimo para o trabalho, para com a promo\u00e7\u00e3o do outro, da vida comunit\u00e1ria, do bem comum; a pregui\u00e7a se manifesta atrav\u00e9s da postura de desleixo, de desinteresse, de moleza, indiferen\u00e7a diante das necessidades alheias; a pregui\u00e7a \u00e9 nega\u00e7\u00e3o do sentido de perten\u00e7a e do cuidado para com o outro. S\u00e3o atitudes que dep\u00f5em profundamente contra a comunh\u00e3o porque esta, implica o zelo de cada um para com todos. Onde impera a pregui\u00e7a n\u00e3o h\u00e1 senso de comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PARA A REFLEX\u00c3O PESSOAL:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Por que a f\u00e9 nos educa?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Por que a f\u00e9 \u00e9 dom e responsabilidade?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Qual dos pecados capitais tem maior potencial destrutivo da comunh\u00e3o e por qu\u00ea?<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Antonio de Assis Ribeiro Bispo Auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA) &nbsp; A comunh\u00e3o da Igreja \u00e9 dom de Deus e, ao mesmo tempo, \u00e9 responsabilidade de cada fiel. 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