{"id":32959,"date":"2018-12-25T00:00:00","date_gmt":"2018-12-25T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/natal-por-dentro\/"},"modified":"2018-12-25T00:00:00","modified_gmt":"2018-12-25T02:00:00","slug":"natal-por-dentro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/natal-por-dentro\/","title":{"rendered":"Natal &#8220;por dentro&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Luiz Gonzaga Fechio<br \/>\n<\/strong><strong>Bispo da Diocese de Amparo (SP)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se a palavra \u201cNatal\u201d nos remete a \u201cnascimento\u201d, este termo, por sua vez, nos leva a pensar, necessariamente, na chegada de uma nova vida. Todo ser humano tem o \u201cseu\u201d natal, no dia da celebra\u00e7\u00e3o ou da comemora\u00e7\u00e3o da sua vida, quando, ap\u00f3s o tempo da gesta\u00e7\u00e3o, chegou, definitivamente, para iniciar sua jornada neste mundo, como algu\u00e9m \u00fanico(a), e n\u00e3o mais um(a), simplesmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No entanto, o Natal n\u00e3o \u00e9 a partir da minha ou da sua vida, nem de algu\u00e9m daqueles e daquelas que j\u00e1 fizeram sua experi\u00eancia de vida ou ainda o far\u00e3o, por mais fama que tenham, segundo a atribui\u00e7\u00e3o da sociedade. Obviamente, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma novidade nestas minhas palavras, por\u00e9m, a lembran\u00e7a do \u00f3bvio nos possibilita refletir alguns desdobramentos de tal constata\u00e7\u00e3o, na realidade cotidiana atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sendo perfeitamente conhecido que Natal \u00e9 nascimento do Menino Jesus, o final deste ano que a bondade de Deus est\u00e1 nos concedendo viver, se assim acreditamos, n\u00e3o pode ser apenas mais um, acrescentado aos anteriores, meramente,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus nasceu e sua vida \u00e9 um dado hist\u00f3rico que n\u00e3o pode ser negado, ainda que um ateu n\u00e3o o aceite. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 aceitar este fato, t\u00e3o somente, at\u00e9 mesmo porque ele se deu a mais de 2000 anos, e, num primeiro momento, isto n\u00e3o justificaria um interesse especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus nasceu, mas ningu\u00e9m sabe como constava com precis\u00e3o tal acontecimento em sua \u201ccertid\u00e3o de nascimento\u201d, nem seria contemplado querendo satisfazer uma curiosidade de reportagem jornal\u00edstica. Por mais hist\u00f3rico e extraordin\u00e1rio que tenha sido este fato, situado num determinado tempo cronol\u00f3gico e espec\u00edfico lugar, o Natal n\u00e3o existe para uma lembran\u00e7a do passado, ainda que esta recorda\u00e7\u00e3o seja com boas inten\u00e7\u00f5es. Poder\u00edamos, ainda, destacar a import\u00e2ncia deste nascimento pelo marco que ele representa, numa refer\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o do tempo, antes e depois de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A extraordinariedade maior, no entanto, deve ser buscada no efeito renovador, transformador, sempre novo, que este nascimento possibilita causar em cada pessoa, e, para isso, \u00e9 necess\u00e1rio que a nossa liberdade permita, pois Deus n\u00e3o deseja for\u00e7ar nada, impor-se, mas prop\u00f5e-se, esperando uma acolhida. A espera do nascimento de um beb\u00ea acontece, geralmente, num clima de expectativa, alegria e esperan\u00e7a para a chegada de algu\u00e9m que \u00e9 diferente de toda pessoa que j\u00e1 existiu, existe ou existir\u00e1. Infelizmente, por diversas situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que n\u00e3o cabe elencarmos aqui e que n\u00e3o podem ser atribu\u00eddas como vontade de Deus, como muitas vezes se faz sem melhor reflex\u00e3o, este clima n\u00e3o se torna poss\u00edvel com certa naturalidade, mas tal constata\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa que aquela verdade n\u00e3o esteja valendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando algu\u00e9m aniversaria, saudamos, parabenizamos, cumprimentando a pessoa e, de acordo com a circunst\u00e2ncia, oferecemos-lhe um presente ou algo que expresse o nosso carinho por ela. O Natal novamente est\u00e1 sendo proposto a cada um de n\u00f3s, na oportunidade que Deus est\u00e1 nos oferecendo mais um ano, para voltarmo-nos mais atentamente ao aniversariante pelo qual esta grande festa recebeu o nome \u201cNatal\u201d. Se \u201cNatal\u201d \u00e9 uma palavra que n\u00e3o tem como n\u00e3o ser relacionada a uma pessoa espec\u00edfica, independentemente do credo que se professa, ou at\u00e9 nenhum, n\u00e3o dever\u00edamos entrar no ano novo sem contemplar mais atentamente esta pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Contemplar \u00e9 um verbo muito s\u00e9rio, quanto \u00e0 atitude que nos \u00e9 proposta, pois n\u00e3o se trata apenas de enxergar com natural capacidade ocular, e sim, como costumamos dizer, quando queremos real\u00e7ar o alcance da vis\u00e3o, ver com \u201cprofundidade\u201d. Que pena, quando o alcance chega somente a \u201cum palmo do nariz\u201d, mesmo que seja diante do pres\u00e9pio! N\u00e3o basta e n\u00e3o adianta arrumar ou fazer a montagem das pe\u00e7as, gastar belas palavras nas mensagens orais ou escritas, trocar todos os poss\u00edveis presentes, sem contar a exagerada comilan\u00e7a. Minha inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 desprezar agressivamente estes h\u00e1bitos. N\u00e3o \u00e9 este o sentido, aqui, a n\u00e3o ser numa circunst\u00e2ncia de not\u00e1vel desequil\u00edbrio. No entanto, como bem sabemos, tudo isto passa, e mesmo que seja pr\u00e1tica repetida por muitos anos e propicie certa satisfa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o assegura a experi\u00eancia de uma alegria que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel ser vivenciada quando se prepara e se oferta todo o ambiente do que acima foi descrito a partir \u201cde dentro\u201d. Esta express\u00e3o me faz lembrar um pensamento, acompanhado ou n\u00e3o de alguma imagem ou desenho, que muitos, como eu, receberam e talvez enviaram nas redes sociais, particularmente no <em>whatsapp<\/em>, pensamento, a meu ver, que se encaixa entre aqueles sobre os quais comentamos assim: \u201cdiz tudo em poucas palavras\u201d. A mensagem \u00e9 esta: \u201cComece de novo. Por onde? Por dentro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cQual\u201d Natal pretendo viver, a partir das minhas convic\u00e7\u00f5es que, certamente, expressam meu modo de ser, e que, consequentemente, irei propor como modelo aos que estiverem ao meu redor? Qual \u00e9 o lugar que atribuo a Jesus, nesta op\u00e7\u00e3o? Conforme a decis\u00e3o, inevitavelmente explicitada na multiplicidade de pequenos gestos, ao longo de cada dia do novo ano, estarei exteriorizando o aut\u00eantico Natal, ou seja, o Natal \u201cpor dentro\u201d, ou, tristemente, um natal qualquer&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Luiz Gonzaga Fechio Bispo da Diocese de Amparo (SP) Se a palavra \u201cNatal\u201d nos remete a \u201cnascimento\u201d, este termo, por sua vez, nos leva a pensar, necessariamente, na chegada de uma nova vida. 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