{"id":33059,"date":"2019-01-08T00:00:00","date_gmt":"2019-01-08T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/peregrinos-e-estrangeiros-neste-mundo\/"},"modified":"2019-01-08T00:00:00","modified_gmt":"2019-01-08T02:00:00","slug":"peregrinos-e-estrangeiros-neste-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/peregrinos-e-estrangeiros-neste-mundo\/","title":{"rendered":"Peregrinos e estrangeiros neste mundo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><em>Dom Alo\u00edsio A. Dilli<br \/>\n<\/em><em>Bispo de Santa Cruz do Sul<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caros diocesanos. Estamos no per\u00edodo de f\u00e9rias e muitos t\u00eam a possibilidade de pensar sobre temas que ficam um tanto despercebidos em outras \u00e9pocas, mesmo que sejam essenciais em nossa vida. Assim, hoje desejamos refletir sobre a condi\u00e7\u00e3o de peregrino, que vive o ser humano. Nas aulas de filosofia aprendemos que a pessoa humana \u00e9 um <em>ser em devir<\/em> (vir a ser), um ser em forma\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o constante, pois nunca est\u00e1 pronto. Nos tempos de juventude, fase da vida em que \u00e9 bem percept\u00edvel a transitoriedade, n\u00f3s sonh\u00e1vamos em fundar um grupo de mission\u00e1rios com a denomina\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Peregrinos do Infinito<\/em>\u201d ou \u201c<em>Ciganos de Cristo<\/em>\u201d, para indicar que estamos sempre a caminho, que n\u00e3o h\u00e1 lugar definitivo ou de chegada, neste mundo. Em sentido teol\u00f3gico, esta saudade e sede do infinito ou inquieta\u00e7\u00e3o nos remetem ao que Santo Agostinho expressa, em sua profunda experi\u00eancia de convers\u00e3o: \u201c<em>Fizestes-nos para V\u00f3s e o nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 inquieto enquanto n\u00e3o descansar em V\u00f3s<\/em>\u201d (<em>Confiss\u00f5es<\/em>, I, 1, 1). Nossa refer\u00eancia m\u00e1xima, enunciada por Jesus, \u00e9 o pr\u00f3prio Deus: \u201c<em>Sede, portanto, perfeitos como vosso Pai celeste \u00e9 perfeito<\/em>\u201d (Mt 5, 48). Somente nele atingiremos a finalidade para a qual fomos criados. Ele \u00e9 nossa casa, morada perfeita no amor. Enquanto estamos a caminho, como santos e pecadores (Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica V), n\u00f3s temos como meta estar em Deus e Ele em n\u00f3s, sendo casa, um para o outro. As cartas apost\u00f3licas seguidamente sa\u00fadam os crist\u00e3os como \u201c<em>migrantes e forasteiros<\/em>\u201d neste mundo (cf. 1Ped 2, 11), pois sua morada est\u00e1 nos c\u00e9us (cf. Fl 3, 20): \u201c<em>n\u00e3o temos aqui cidade permanente, mas estamos \u00e0 procura da que est\u00e1 para vir<\/em>\u201d (Hbr 13, 14). O que nos atrasa ou impede neste caminhar para Deus \u00e9 o pecado. Ele \u00e9 como uma paralisia interior que nos imobiliza ou nos afasta do alvo; \u00e9 o estado da mediocridade que acomoda o caminhar na dire\u00e7\u00e3o desviada da meta de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pelo refletido acima, n\u00f3s crist\u00e3os nos damos conta que somos seres a caminho. N\u00e3o estamos definitivamente em casa, onde nos encontramos. De certa forma, nos sentimos estranhos, neste mundo, pois nossa verdadeira p\u00e1tria \u00e9 outra. Vivemos hoje numa sociedade de consumo, onde tudo parece ser transit\u00f3rio, passageiro, descart\u00e1vel, influenciando decididamente em nossas rela\u00e7\u00f5es com as pessoas, com as coisas e at\u00e9 em op\u00e7\u00f5es religiosas. Neste contexto, o que vale \u00e9 o presente, os desejos do aqui e agora; enquanto o definitivo ou o eterno parecem exclu\u00eddos do vocabul\u00e1rio das pessoas. A grande frustra\u00e7\u00e3o desta constante transitoriedade \u00e9 n\u00e3o oferecer valores seguros, perenes. Assim a pessoa humana vive em estado de insaciabilidade. Mesmo que busque constantemente novidades, ela se frustra, pois nada parece conduzir ao eterno, ao saci\u00e1vel, uma vez que a fragilidade humana indica para o limite, para o fim, para a morte, com a sensa\u00e7\u00e3o de a vida ser realmente uma <em>paix\u00e3o in\u00fatil<\/em>, dando raz\u00e3o a Sartre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caros diocesanos. Neste tempo de f\u00e9rias temos oportunidade de descansar, de encontrar amigos, familiares, de viajar, de ler, de meditar. Que este momento tamb\u00e9m permita refletir sobre a vida, seu sentido, suas rela\u00e7\u00f5es, sua meta. O Esp\u00edrito do Senhor e seu santo modo de operar nos acompanhem e nos conduzam ao encontro do verdadeiro sentido da vida. O Deus da miseric\u00f3rdia tenha compaix\u00e3o de n\u00f3s e, diante de nossa firme disposi\u00e7\u00e3o de recome\u00e7ar sempre o caminho, que a Ele conduz, nos perdoe os desvios de rota e nos reconduza ao sentido da verdadeira vida, a qual tem destino eterno, junto com Ele e os Irm\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio A. Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul &nbsp; &nbsp; Caros diocesanos. Estamos no per\u00edodo de f\u00e9rias e muitos t\u00eam a possibilidade de pensar sobre temas que ficam um tanto despercebidos em outras \u00e9pocas, mesmo que sejam essenciais em nossa vida. 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