{"id":33109,"date":"2019-01-15T00:00:00","date_gmt":"2019-01-15T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/saudade-do-infinito\/"},"modified":"2019-01-15T00:00:00","modified_gmt":"2019-01-15T02:00:00","slug":"saudade-do-infinito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/saudade-do-infinito\/","title":{"rendered":"Saudade do infinito"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><em>Dom Alo\u00edsio A. Dilli<br \/>\n<\/em><em>Bispo de Santa Cruz do Sul<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caros diocesanos. Nos anos da juventude, quando a vida se apresentava particularmente cheia de desafios, sonhos e utopias, com freq\u00fc\u00eancia, n\u00f3s us\u00e1vamos a express\u00e3o: <strong><em>Saudades do infinito<\/em><\/strong>. Num primeiro momento, certamente, ela se identificava como algo indefinido e vago, por vezes, como sentimento de saudade. \u00c0 medida que os anos passaram, os estudos de filosofia se encarregaram de provocar novamente em n\u00f3s a citada express\u00e3o, sobretudo, quando ouv\u00edamos de nossos professores que o ser humano estava num constante <em>vir-a-ser<\/em>, sem identidade pronta ou definida, sempre se projetando para o futuro. Nesta fase da vida, a teologia ainda n\u00e3o nos havia revelado a profunda experi\u00eancia pela qual o fil\u00f3sofo e te\u00f3logo Santo Agostinho (s\u00e9c. V) tinha passado, at\u00e9 encontrar-se verdadeiramente com Deus, quando proclama magistralmente: \u201c<em>Nos fizestes para v\u00f3s e o nosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o descansa enquanto n\u00e3o repousar em v\u00f3s<\/em>\u201d (Santo Agostinho, Confiss\u00f5es, I, 1,1). A partir da f\u00e9, podemos entender Santo Agostinho na sua busca incans\u00e1vel sobre a verdade e a plenitude de sua vida. Ele tamb\u00e9m sentia saudades do infinito, mas sua convers\u00e3o, que o fez encontrar o Senhor, demorou a chegar: \u201c<em>Tarde te amei, Beleza t\u00e3o antiga e t\u00e3o nova, tarde te amei! Tu estavas dentro de mim e eu te buscava fora de mim (&#8230;) Brilhaste e resplandeceste diante de mim, e expulsaste a cegueira dos meus olhos. Exalaste o teu Esp\u00edrito e aspirei teu perfume, e desejei-te. Saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti. Tocaste-me, e abrasei-me na tua paz<\/em>\u201d (<em>Confiss\u00f5es 10, 27-29).<\/em> Como Santo Agostinho, cada um de n\u00f3s pode contar sua experi\u00eancia de encontro de f\u00e9 com a pessoa de Jesus Cristo e que mudou a nossa vida, ou seja, quando come\u00e7amos a viver a partir dele como \u201c<em>sujeitos novos<\/em>\u201d, como disc\u00edpulos mission\u00e1rios (cf. DAp 243).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Anos atr\u00e1s, a Revista <em>Cidade Nova<\/em> editou artigo, com o t\u00edtulo: \u201c<em>Matar a \u2018Saudade do Infinito\u2019<\/em>\u201d, do psic\u00f3logo cl\u00ednico, Diviol Rufino (cf. Ed 569, Ano LV, setembro de 2013, p. 40). Nada melhor para ampliar o leque das ci\u00eancias que abordam o tema da <em>Saudade do Infinito<\/em>. Ap\u00f3s afirmar com que se ocupa a jovem ci\u00eancia da psicologia, o autor afirma: \u201c<em>Muitos profissionais desse campo descobrem que existe uma ferida que esta ci\u00eancia, por si mesma, n\u00e3o pode curar: a \u2018saudade do infinito\u2019, ou seja, do transcendente. A mera racionalidade n\u00e3o atende essa expectativa<\/em>\u201d. Para confirmar seu modo de pensar, o autor cita um profundo conhecedor da experi\u00eancia humana do p\u00f3s-guerra, Igino Giordani, quando este psic\u00f3logo profeticamente afirmava: \u201c<em>\u00c9 porque rejeitamos os ensinamentos da religi\u00e3o que nos \u00e9 dif\u00edcil perceber as mutila\u00e7\u00f5es mais graves do laicismo. Ter afastado a religi\u00e3o da nossa vida significa ter reduzido a cultura \u00e0 erudi\u00e7\u00e3o, a vida \u00e0 t\u00e9cnica, a ci\u00eancia aos manuais. Significa ter privado o esp\u00edrito do homem dos valores do esp\u00edrito. Significa ter tirado da sociedade os princ\u00edpios constitutivos, para compor-se e reger-se; ter tirado dela o crit\u00e9rio de escolha entre o bem e o mal, com o senso de responsabilidade e a consci\u00eancia da culpa&#8230; O homem aprende como se faz uma m\u00e1quina e ignora como ele pr\u00f3prio \u00e9 feito. Sabe para que serve a atmosfera e ignora para que serve a sua alma<\/em>\u201d (idem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por isso, caros diocesanos e demais irm\u00e3os, nunca abafemos a <em>saudade do infinito<\/em>, pois ela \u00e9 fundamental em nossa vida para encontrarmos seu verdadeiro sentido! Enquanto continuamos nossas f\u00e9rias ou tempo de trabalho, pensemos nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio A. Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul &nbsp; Caros diocesanos. Nos anos da juventude, quando a vida se apresentava particularmente cheia de desafios, sonhos e utopias, com freq\u00fc\u00eancia, n\u00f3s us\u00e1vamos a express\u00e3o: Saudades do infinito. 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